Communard

Políticas, economias e ideologias

Archive for the ‘Contra-Informação’ Category

O mensalão da mídia !!!

with 12 comments

No Diário Oficial do governo de São Paulo na gestão Serra, foi descoberto o maior esquema de compra de órgãos de imprensa já registrado na história da república. É o fato que comprova a total cumplicidade das grandes mídias e a candidatura do tucano José Serra nessas eleições: em destaque Veja, Globo, Folha e Estadão. O esquema aparentemente tinha por missão desgastar o governo Lula para atrapalhar a sua sucessão, mas agora age como tropa de choque para desgastar a candidata petista, enquanto encobre ou dá pouco espaço a notíciais que atinjam a candidatura tucana.

Veja alguns desses contratos encontrado no Diário Oficial do governo tucano:

27/maio/2010
Contrato: 15/00548/10/04
– Empresa: Editora Brasil 21 Ltda.
– Objeto: Aquisição de 5.200 Assinaturas da “Revista Isto É” – 52 Edições – destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 365 dias
– Valor: R$ 1.203.280,00
– Data de Assinatura: 18/05/2010

28/maio/2010
Contrato: 15/00545/10/04
– Empresa: S/A. O ESTADO DE SÃO PAULO
– Objeto: Aquisição de 5.200 assinaturas do Jornal “o Estado de São Paulo” destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 365 dias
– Valor: R$ 2.568.800,00
– Data de Assinatura: 18/05/2010.

29/maio/2010
Contrato: 15/00547/10/04
– Empresa: Editora Abril S/A
– Objeto: Aquisição de 5.200 assinaturas da Revista “VEJA” destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São de Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 365 dias
– Valor: R$ 1.202.968,00
– Data de Assinatura: 20/05/2010.

8/junho/2010
Contrato: 15/00550/10/04
– Empresa: Empresa Folha da Manhã S.A.
– Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas anuais do jornal “Folha de São Paulo” para as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 365 dias
– Valor: R$ 2.581.280,00
– Data de Assinatura: 18-05-2010.

11/junho/2010
Contrato: 15/00546/10/04
– Empresa: Editora Globo S/A.
– Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas da Revista “Época” – 43 Edições, destinados as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 305 dias
– Valor: R$ 1.202.968,00

A maior beneficiada no esquema foi a editora Abril, que é proprietária do maior seminário do país, a Revista Veja. Não por acaso é o órgão de imprensa que mais ataca o governo Lula e mantém permanentemente capas destrutivas contra a candidatura petista.

– DO [Diário Oficial] de 23 de outubro de 2007. Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às escolas da rede estadual. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos especial da secretaria declara ’inexigível licitação, pois se trata de renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola’.

– DO de 29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da assinatura: 14/03/2008.

– DO de 23 de abril de 2008. Editora Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30 dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.

– DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00. Data da assinatura: 23/07/2008.

– DO de 22 de outubro de 2008. Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data daassinatura: 08/09/2008.

– DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.

– DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009.

– DO de 17 de abril de 2009. Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura: 09/04/2009.

– DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.

– DO de 16 de junho de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura: 10/06/2009.
Negócios de R$ 34,7 milhões.

Somente a revista Veja e mais 4 “pedagógicas” foram responsáveis pelo assalto de mais de 34 milhões dos cofres públicos dos contribuintes paulistas. A revista Nova Escola, que está sob investigação do Ministério Público Estadual, tem 1/4 de suas vendas na conta do governo Serra, são 220 mil assinatural que engordaram em mais de R$ 3,7 milhões os caixas da editora Abril.

O esquema ardioloso não só tem como função aparelhar os meios de comunicação regados com dinheiro público, como ainda através da própria compra distribuir nas escolas essas imprensa aparelhadas. Isto é, não se trata apenas de aparelhar os maiores meios de comunicação do país, mas de usar o sistema escolar para disseminar publicações tendenciosas como propaganda política disfarçada de noticiário, sobretudo, como arma de difamação contra adversários políticos.

Enquanto as mídias atacam hipocritamente o PT e o governo Lula acusando de ameaçar a imprensa e querer controlá-la, distorcendo a proposta de controle social da mídia que é uma cláusula constitucional e estava presente no PNAD do governo FHC – vemos que na verdade estão na verdade fazendo a defesa de seu atual controle, o controle tucano – e o povo paulista está ainda tendo que pagar para sofrer lavagem cerebral. Absurdo?

Quem na grande mídia romperá o silêncio e denunciará esse crime político hediondo?

Fonte: Diário Oficial do governo de São Paulo

Créditos (em resposta a solicitação de Jofre Roldão):
NaMariaNews
Blog do Miro
http://blogdadilma.blog.br/

Anúncios

Written by ocommunard

22 de setembro de 2010 at 18:45

Imprensa vs Internet : o twittaço #DilmaFactsByFolha

with 2 comments

Dispara nos Trendings Topics do Twitter mais uma dos geniais combates culturais dos internautas contra os feudos midiáticos no Brasil. É o #DilmaFactsByFolha. Notícia censurada em todos os jornalões da direita até agora. É um protesto contra a permanente campanha de desinformação contra a candidatura Dilma e a favor de Serra nos meios de comunicação privados. A manifestação no twitter, como sempre marcado pelo humor inteligente, trata de ironizar a linha editorial do jornal que prega uma acusação sem limites contra a candidatura da centro-esquerda, o Folha de S. Paulo. Jornal onde Serra já foi editorialista.

O fato que comprova que o Instituto Millenium(também conhecido como PIG), aonde os conglomerados midiáticos brasileiros militam, de fato representa um cartel ideológico-político aonde censuram, distorcem e fabricam factoides para beneficiar seus candidatos e difamar seus adversários ideológicos: a centro esquerda.

Como se prova a tímida cobertura sobre o caso de prisão de um militar ligado a tucana Yeda Crusius do PSDB/RS, enquanto associam com estardalhaço a candidata centro-esquerdista Dilma um escândalo que surgiu antes de ela sequer ser escolhida pré-candidata, sugerindo que uma candidatura cujas pesquisas todas indicam uma vitória folgada em primeiro turno, estaria interessada em prejudicar uma candidatura que em todas as pesquisas vêm caindo.

O  #dilmafactsbyfolha carrega uma crítica poderosa as mídias de massa privadas no Brasil, a oligarquia que desde sempre vêm pregando golpes contra governos trabalhistas, de Getúlio, JK, Jango, Lula, e agora Dilma. É para manter esse controle feudal dos meios de comunicação, esse controle oligárquico, que eles se opõem visceralmente ao controle social, as leis anti-monopolistas, as restrições mundialmente praticadas contra a propriedade cruzada ou a qualquer democratização da mídia. Foi por essa razão que o candidato deles,  o então governador de São Paulo José Serra, proibiu a realização da conferência paulista de comunicação.

Eles sabem, vencer o Serra é vencê-los. Por isso não cansarão em provocar as mais bárbaras e covardes manipulações pseudo-jornalísticas para tentar emplacar o seu candidato. Vivemos um momento histórico, um momento de consolidação da transformação, e é no embate entre a velha mídia(imprensa) e a nova mídia(internet) em que o último ato dessa batalha é travado, a velha mídia é a Bastilha, derrubá-la é um ato simbólico de sepultamento completo de todos aqueles que estiveram do lado dos golpistas.

Nossas armas estão na nova mídia. Os blogs são nossas trincheiras. O twitter é ainda mais poderoso, pois nos permite unir forças e levantar um protesto que se é silenciado aqui, poderá forçar os barões da mídia no Brasil a se curvarem ao noticiário internacional ao alcançarmos o Trendings Topics mundial, como fizemos com o #CalaBocaGalvão! Podemos fazer de novo. Eleitoralmente todas as pesquisas provam que nós já vencemos, agora se trata de um ato concreto pela democratização das mídias por nós mesmos, pela própria sociedade civil. Fazer isso abrirá as portas para um governo mais audacioso contra os jagunços do Instituto Millenium (PIG).

Nossas reinvindicações devem ser:

1. Banda larga para todos como um direito público;
2. Transformar a nossa EBC em uma versão brasileira da BBC em termos de qualidade;
3. Colocar em prática as leis de restrição a propriedade cruzada como em toda UE e EUA;
4. Distribuir a verba publicitária por setores(imprensa,internet,comunitário) e empresas para combater a concentração que privilegia as grandes.

Nós somos o futuro lutando contra o passado, nós somos a mídia social cosmopolista contra mídias de massa bairristas, feudais. Nós somos as mídias nas mãos do povo, aonde cada um tem o direito e o dever de informar e ser informado, de aprender e ensinar, de refletir e dissertar, nós somos o horizonte inevitável, nós somos a modernidade implacável, nós somos o novo, e o novo é uma força irresistível, o novo vence sempre.

“Você não sente nem vê,
mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer.
E o que há algum tempo era jovem novo hoje é antigo,
e precisamos todos rejuvenescer”. (Belquior)

Written by ocommunard

6 de setembro de 2010 at 19:09

Publicado em Contra-Informação

A mensalomania: a genealogia dos mensalões

leave a comment »

Com a ultrapassagem de Dilma nas pesquisas tudo leva a crer que a guerra já antes anunciada se tornou agora apocalíptica para as forças de direita. Se a estratégia do morde e assopra, cuja mídia pró-Serra mordia o Lula para enfraquecer sua aprovação popular e o Serra assoprava para se apropriar dessa mesma popularidade, chegou ao um estágio crítico para os demotucanos. O que fazer? Aparentemente, não há outra estratégia melhor para a oposição, a estratégia que se apropria das duas alternativas: atacar e se aproximar. Mas o problema não é estratégico, é essencial – ele É o lado errado.

O setor ofensivo da campanha, isto é, o conglomerado midiático conservador pró-Serra, só lhe resta ressuscitar um fantasma, que mesmo que não tenha impedido a vitória de Lula, é a difamação que melhor se enraizou dentro da sociedade: o mensalão. Mas como recordar é viver, vejamos efetivamente o que sejam esses mensalões desde a redemocratização.

Mensalão Tucano: a emenda da reeleição (tese).

Conceitualmente, mensalão é uma mesada paga para legisladores pelo executivo para que votem a favor do governo. Em outras palavras: compra de votos. O primeiro a aplicar esta peculiar forma de gestão desde a redemocratização, nada menos que o príncipe dos sociólogos: FHC. Veja o que dizia uma reportagem da Folha de 14/05/97:

“Na terça, a Folha havia revelado um esquema de compra de votos de deputados na época da votação da emenda constitucional da reeleição, em janeiro passado. Participaram do negócio, pelo menos, cinco deputados federais do Acre e dois governadores – tudo isso segundo os deputados João Maia e Ronivon Santiago (PFL), este último o que protagonizou as revelações de terça.”

“Os diálogos foram gravados sem que os deputados soubessem. Algumas das conversas gravadas com João Maia são posteriores às de Ronivon Santiago.”

Vejam, se trata de áudios gravados que nunca saíram dos domínios da Folha de São Paulo, isto é, a única praticamente que recebeu as fitas e fez a denúncia, e que não teve nenhuma repercussão nas TVs ou rádios, aonde essas fitas poderiam ser ouvidas. Infelizmente, na época a internet ainda engatinhava. Vejam, quantas vezes vemos grande parte da imprensa (conservadora e dominante) recozinhando o “Mensalão do PT”. Lembra-se de recozinharem o mensalão da reeleição, o mensalão tucano? A mídia aplicou a lei do silêncio para as denúncias de seus compadres políticos.

É o mensalão-tese, é a “certeza-sensível”, intuitivo, concreto simples. Apenas real, mas totamente inexistente no consciente coletivo da mídia. É a neurose, a normalidade midiática, uma confusão entre realidade e ficção. É o ser.

Mensalão do PT: o factóide (antítese)

O que poderíamos chamar de uma esquizofrenia ideológica de método nazista é uma forma de explicar o dito “escândalo do mensalão” do PT. Sabemos que surgira de uma denúncia de Roberto Jefferson que naquele momento estava envolvido em outro escândalo (escândalo dos correios) filmado e repercutido em rede nacional. Vingando-se claramente do que acreditava ser uma traição do governo por não defendê-lo, criou essa denúncia pronunciada sem provas, razão pelo qual foi caçado.

Como pode existir um escândalo cujo denunciante é caçado justamente por não ter oferecido provas? É pela mesma razão que fez o mensalão tucano serem esquecidos pela mesma mídia, razões políticas, interesses, partidarismo. O valerioduto, o esquema pelo qual foi realizado, não um mensalão, mas um caixa-2, cujo único responsável foi devidamente processado e condenado (Delúbio), tinha ramificações no PSDB mineiro, encontrado na mesma CPI que concluíra que caixa-2 é mensalão. Claro, só se o PT estava relacionado, pois o valerioduto mineiro recebeu uma denominação diferente, “dinheiro não contabilizado de campanha”.

Mas porque então insistir no factóide do mensalão ao invés de apenas lançar bravatas sobre a imoralidade do caixa-2? Porque caixa-2 é um ilícito, não um crime de responsabilidade. O mensalão cria condições legais para o impeachment, isto é, nada mais era do que uma tentativa de golpe orquestrada entre a mídia e a oposição. Porque não vingou? Porque a cúpula tucana acreditara, e na época havia realmente indícios para tal, que era melhor deixar o governando ir sangrando até as eleições e abatê-lo nas urnas. Um impeachment retiraria a áurea democrática da vitória da oposição. Realmente, acreditaram que seria uma vitória eleitoral fácil…

É o mensalão da antítese, porque só existe como propaganda política, como “abstrato”, como “idéia”, a psicose em seu estado mais puro, a total separação entre realidade e imaginação. É a essência.

Mensalão do DEM: o absoluto (síntese)

DEM, ex-PFL, mais conhecido no nordeste como “partido dos coronéis”; foi base da ditadura militar, representa os ruralistas, setores mais retrógrados da sociedade e fiéis depositários do neoliberalismo mais fanático. Apesar de que neoliberais fosse talvez, para eles, um elogio dado o grau de reacionarismo que encarnam.

Enquanto o PSDB alcança à centro-direita, não porque supostamente seriam de centro e se aliam à direita, o que seria o normal – mas porque esquizofrenicamente defendem políticas de direita e se definem de esquerda, noves fora: centro-direita. Já o DEM é a direita absoluta e sem meios termos, não tem escrúpulos com os que ainda restam (em doses homeopáticas) no PSDB. Assim, eles partiriam para cima do PT com o recozimento de sua difamação mais bem sucedida, o factóide do Mensalão. Mas havia uma câmera no meio do caminho, e o Mensalão do DEM foi, meio a contragosto, revelado nacionalmente pela mídia em sua essência: corruptos.

Alguns levantam a hipótese de que este só teve repercussão porque interessava a Serra enquadrar as pretensões do DEM – quem se lembra do caso da Roseana Sarney verá semelhanças nisso. Outros afirmam que só teve tal repercussão porque havia registros de áudio e vídeo, portanto, uma materialidade impossível de ignorar ou conter, numa época em que a internet já está indomável e sólida.

Enquanto o suposto Mensalão Petista só existia na cabeça de um único homem: um político corrupto, inexpressivo e acuado por outro escândalo, Roberto Jefferson. Obviamente, o escândalo do correios foi imediametamente esquecido pela mídia como uma forma de agradecimento aos serviços prestados por Roberto Jefferson à direita. Por outro lado, um mensalão real, ao vivo e a cores, não mancha, segundo a imprensa, o DEM. Moral da história, se alguém da esquerda (Delúbio) comete um ato ilícito todo o partido é culpado, e culpado de um ato mais gravoso sem provas (mensalão). Mas se vários integrantes da direita (Mensalão do DEM) se envolvem num ato criminoso, materialmente registrado, a culpa não é do partido, mas apenas de alguns elementos que se desviaram do rebanho. E coloca a pá de cal em cima… Sem falar dos escândalos envolvendo tucanos, como Cássio Cunha Lima, Yeda Crusius, o próprio Serra (quem se lembra do escândalo das ambulâncias?). Mas hoje temos a internet, é só pesquisar…

Será que a mídia realmente acredita que somos ludibriáveis tão facilmente? Será que realmente pensa que somos idiotas, como o que disse o William Bonner ao dizer que tem o Homer Simpson como modelo de seus telespectadores? A resposta a esse insulto nós já demos nas urnas e na alta popularidade do governo. Nessas eleições verão nossa resposta mais uma vez.

Aqui alcançamos a síntese, o real e o ideal, o cumprimento pleno do ser e da essência. A enteléquia, como diria Aristóteles. O saber absoluto do mensalão. Aqui, em nível psicanalítico, é conceituado por “perversão”. É o conceito.

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/fol/pol/po14051.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u55781.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u347147.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u444276.shtml

Written by ocommunard

25 de junho de 2010 at 12:50

Publicado em Contra-Informação

Eleições 2010 na Guerrilha da Internet

leave a comment »

Quando vemos a centro-direita demotucana, que já monopolizam todos os meios de comunicação a seu favor, que vão usar ativamente as mídias sociais da web e todos os seus meios na batalha eleitoral, vemos a relevância que esse meio de comunicação, que está pondo em cheque os próprios meios de comunicação tradicionais que hoje apoiam o demotucanato, chegar a seu ápice.

Há toda uma literatura delirante escatológica da direita na “interpretação” da vitória de Lula em 2006 em pleno escombros do escândalo do mensalão, cujo superou. Quem viveu aquela campanha sabe que houve três fatores fundamentais: primeiro, o nível de agressividade da mídia no escândalo do mensalão dispertou a sociedade sobre a verdadeira motivação daquela mídia, isso em um país que já havia assistido tantos escândalo da era FHC. Segundo, a riqueza do argumento governista em demonstrar seus êxitos  se constratava com a pobreza do argumento oposicionista, que de tão pobre, respondia com as mesmas acusações mesmo quando eram respondidas. Terceiro, a internet(através de emails circulares), que complementava o argumento da campanha governista, sobretudo em razão das limitações de uma campanha tão tradicionalmente marketeira. Quarto, eu citaria o excesso de carisma do Lula em oposição ao excesso de antipatia de Alckmin.

Em 2010 há muito menos corrosão desses escândalos, que de tão repetitivos e vulneráveis, se banalizou dentro da parcela da sociedade que ainda achava algum fundamento real nas denúncias além da mera tentativa de derrubar o governo. O candidato oposicionista também é frágil, ainda que bem menos lastimável que o ultra-conservador Alckimin e bem menos monótono. Por outro lado, a liderança governista é uma aposta arriscada, um nome que pela primeira vez enfrenta uma batalha eleitoral, ainda que experiente em outras batalhas. No terceiro ponto também haverá mais equilíbrio, já que o demotucanato já declarou que usará e abusará da internet como ferramenta da campanha. Do modo mais vil, comprando falsos opinadores. No quarto, no que condiz ao carismo, é também equilibrado.

Em 2010 a centro-esquerda tem de estar ciente da necessidade de fazer uma grande base parlamentar e isso já foi declarado como parte da tática por José Genuíno. Isso é fundamental para passar as reformas fundamentais, desde que essas sejam aplicadas logo após a vitória, canalizando assim toda a força da vitória eleitoral para as grandes reformas. Sabendo que a maior barreira do governo Lula foi a fragilidade da base parlamentar da centro-esquerda, sobretudo, no Senado. Porém esse ano 2/3 do Senado será renovado, essa é a oportunidade.

A internet é uma guerrilha, tal como a guerrilha ela é descentralizada, ágil, quase que impossível de ser combatida por exército regulares (meios de comunicação tradicionais). Ela está em blogs, emails circulares, em comentários das reportagens dos próprios jornais tradicionais em sua versao online, em noticiário progressista, etc. No entanto, toda guerrilha necessita de guerrilheiros. Dilma já conclamou aos militantes a participarem da batalha eleitoral na internet. Isso é fundamental, sobretudo quando a centro-direita já demonstrou que entrará em nosso terreno.

Written by ocommunard

15 de março de 2010 at 11:26

Altercom: saudações e sugestões

leave a comment »

Finalmente a banda não-podre do jornalismo se mobilizou e se articulou, e então, fundaram a grande e promissora Altercom. Apesar de alguns pesares, como a recusa do nome “alternativo” por não infatizar o “profissionalismo” (preso a uma certa ótica que deveria ser contra), o grande lutador desse causa, pelo menos um dos grandes, foi o jornalista audacioso do Escrevinhador: Rodrigo Viana.

Na apresentação feita pelo próprio Viana ele já trás as linhas mestras: unir a mídia profissional progressista (Caros Amigos, Carta Capital, Conversa Afiada, etc), mas também dá espaço aos blogueiros e a participação não-profissional. Espero que a Altercom não morra afogada de boas intenções como o CMI, para isso deve ter doses de amadorismo (para tratar Altercom como uma causa, não como um emprego) e profissionalismo (para garantir as condições de eficiência e competitividade para transformar a causa em resultado).

A Altercom abarca três conceitos da mídia contra-hegemônica, ser alternativa, independente e progressista. Como mídia alternativa se apresenta como uma tese diferente, uma forma e discurso diferente, que critica a mídia mainstream ao mesmo tempo se apresenta como modelo diverso. Como produção independente, ela é de baixo orçamento focado no conteúdo de seu produto, a internet viabiliza uma produção independente que pode competir com qualquer grande orçamento em condições de quase-igualdade. E como linha editorial progressista, ela se articula como politicamente independente das estruturas conservadoras vigentes e alternativa ao discurso reacionário reinante. A linha editorial progressista é o traço fundamental que congrega a Altercom.

Penso que a Altercom deva unir as forças progressistas e somar com os novos atores midiáticos e a grande nova ferramenta de comunicação, a internet. A internet, como sabemos, não só destroi a velha forma de mídia dividida rigidamente em imprensa, rádio e tv; mas também a demole cotidianamente erodindo financeiramente as empresas da velha mídia. A internet é a arma da revolução na mídia, a Altercom são aqueles que podem empunhar tais armas. Não que a velha mídia não esteja buscando seu espaço na web, mas que ao fazerem isso apenas estão apressando o próprio ocaso e reconhecendo a inviabilidade de seu velho meio de comunicação. A crise da mídia tradicional americana é um cenário promissor.

Sugestões:

A Altercom deve debater abertamete os meios e os modos de organizar os três setores de um jornalismo: notícia, coluna e editorial. Como notícia deve se articular para poder prover produção de notícias, pois como está, se reduz a desmascarar a falta de ética jornalística na manipulação das notícias dos velhos jornais. A questão de criar uma equipe de jornalista que vá a campo registar a notícia, sem depender da fonte da velha mídia, é a questão central. O que é e como são esses jornalistas, como atraí-los, como oferecer a eles meios de viver dessa profissão? Em suma, a produção de notícia deve ter uma equipe profissional permanente, mas também os colaboradores (jornalismo colaborativo) e os freelancers (que serão aqueles colaboradores que derem um produto relavante e que podem ser contratados por trabalho, isso estimulará a qualificação da colaboração).

No que condiz as colunas, hoje a esquerda está bem provida. Em revistas(Carta Capital, Caros Amigos, etc) e jornais progressistas(Brazil de Fato), em blogs, em sites(Conversa Afiada, Vermelho, Escrevinhador, Vi o Mundo, etc). Isto é, jornalismo de opinião que reflete o noticiário. Creio que aqui deve haver apenas uma setorização entre: jornalistas-cronistas (permanente), intelectuais (eventuais) e blogueiros (aqui, por votação entre eles, eleger o que terá destaque no jornalismo da Altercom.

Já o que condiz com o editorial, a Altercom deve ir ainda além. Se o editorial é, em tese, o resultado dos debates dentro de uma redação, o editorial da Altercom deve ser produzido por um debate aberto, livre e democrático aonde todos podem participar da formação da opinião do jornal. Esse fórum online, com seus critérios, ferramentas e eleições, formará as linhas editoriais pontuais da Altercom. Paralelamente, um grupo de jornalistas eleitos pelo fórum eletrônico, com cargos revogáveis, representarão o corpo ideológico que formará a linha editorial. Esse corpo tem o poder de revisar toda a produção jornalística a fim de garantir a coerência com a linha editorial da altercom vinda da fundação da Altercom e dos fóruns. Por sua vez, esse conselho editorial indicarão qual profissional, por sua qualidade na composição textual, redigirá o texto de cada editorial. Esse profissional, que pode ser entendido como “presidente”, terá o poder de analisar a qualidade estética de toda a produção, e sugirir mudanças e melhoras. Paralelamente estará sempre aberta, através do fórum eletrônico, a sugestão de qualquer um.

Creio que a forma de financiamento pode ser aos moldes do Wikipedia, por contribuição. E alternando períodos de campanha para contribuição. Pelo menos primeiramente, dando a possibilidade de transformar a contribuição de um valor pequeno uma mensalidade. Essa contribuição pode formar os fundos que irão ser revertidos no corpo profissional permanente da Altercom.

No mais, boa sorte Altercom. Espero que minhas sugestões sejam lidas, e sobretudo, possam contribuir para o fortalecimento desse movimento de mídia alternativa, independente e progressista, que tanto precisamos. Toda revolução teve seu meio de comunicação: a Revolução Francesa tinha o Amigo do Povo, a Revolução Russa tinha o Pravda, a revolução ou reforma social – dependendo do país – que há na América Latina hoje é totalmente desprovida de meios de comunicação efetivos que expressem a escolha democrática da maioria da sociedade, ainda que essa mesma sociedade cotidianamente recharce todas as tentativas dessa mídia de derrubar o poder eleito democraticamente.

Written by ocommunard

8 de março de 2010 at 2:23

Publicado em Contra-Informação

Mínimas de um País Máximo

leave a comment »

Enquanto o partido do capital, esse papel lastimável a que se reduziu grande parte da grande imprensa brasileira, tem como uma de suas diatribes distópicas a apologia do Estado mínimo, tendo os EUA como modelo paradisíaco. Sim, não correspondem aos fatos. Segundo o IPEA os EUA tem 14,8% da sua população trabalhadora no Estado, enquanto no Brasil apenas 10,1%. Suécia, modelo de bem estar social, tem 30%.

Caluniam o governo como sendo gastador. Mesmo tendo nós agora, uma das menores taxas de juros de nossa história, nossos neoliberais não se escandalizam com o gasto do governo com juros da dívida em R$ 172 bilhões, e criticam os R$ 34,1 bilhões do PAC e os R$ 13,1 bilhões do Bolsa Família. O Bolsa Banqueiro(política de juros neoliberal) são 5.000 % a mais que o PAC e 13.000 % a mais que o Bolsa Família.

Carga tributária, outra falácia. A elite neoliberal demotucana recebeu o país com 29,46% de tributação/PIB e entregou o país com 36,45%. O governo popular petista, de 36,45% para 34,23%*. No entanto, acusam o país de ter a maior carga tributária da América Latina, encobrindo a diminução realizada. Querem nos confundir misturando carga tributária(tributação/pib) com arrecadação, que aumentou porque o país cresceu graças a política do próprio governo. E encombre ainda que essa grande carga é maior em países mais desenvolvidos. Mas dizem, “temos a carga tributária da Inglaterra sem a qualidade dos serviços públicos deles!”. Então a solução é diminuir a verba do serviço? Pior, a conclusão deles é que deve se privatizar. Cuma?

Não é para ser lógico, é para nós, bovinamente amestrado pela maciça e permanente campanha dos grandes medias, seja devidamente domesticado por essa bela obra goebeliana de lavagem cerebral. Pobre dos ricos, seu novíssimo neoliberalismo não conseguiu ir além da velhíssima fórmula: privatizar o lucro e socializar o prejuízo. O Estado, o mal dos males, foi quem socorreu a eles, o mercado nada pode fazer. O liberalismo econômico, em geral, poderia se reduzir a essa simplória equação: lucro=sucesso pessoal, prejuízo=responsabilidade social. Mas não corresponde aos fatos.

Citando o poeta Cazuza, mal poderíamos ter tanta certeza se soubéssemos que no apogeu do neoliberalismo demotucano, a certeza de que o “tempo não pára” seria um tiro no coração do “fim da história”. Agora, o representante da centro-direita: Serra, com sua “piscina cheia de ratos” de Arrudas e Kassabs. Vendido e miserável de idéias como um FHC ou Alckimin. Está claro até para eles mesmos de que “idéias [deles]  não correspondem aos fatos”.

“Enquanto houver…” (Cazuza)

* dados de 2006

Wikipedia: Carga Tributária
Ipea: Tamanho do Estado
Bancarios: PAC, Bolsa Familia e Juros

Written by ocommunard

25 de fevereiro de 2010 at 16:37

Publicado em Contra-Informação

Meios de comunicação em debate: Informação, desinformação e contra-informação

leave a comment »

A informação, o produto do jornalismo, se baseiaria sobre os princípios sólidos da objetividade, da imparcialidade e da diversidade (garantir a cobertura de todas as opiniões envolvidas com o mesmo espaço). Esse jornalismo ideal não só está morto, como de certo modo jamais exitiu plenamente. Pois mesmo quando os princípios do jornalismo são atenciosamente respeitados pelos profissionais da área, resistindo bravamente ao assédio ideológico de seu patrão e ao medo de perder o emprego, ele toma uma série de decisões individuais e coletivas que subjetivam a notícia.

Por exemplo, a objetividade jornalística exige antes criterizar o que é noticiável, depois disso, diante de um calhamaço de noticiáveis, eleger os noticiáveis a condição de notícia. E na notícia definir qual a perspectiva que será exposta. Por exemplo, uma greve pode ser noticiada como reenvindicação ou como uma ‘desordem’. A perspectiva tem sempre um viés ideológico.

No entanto, a cegueira estrutural do jornalismo é sua visão conjuntural, sua circunstancialidade. Ela é uma produção permanente de desconstextualização por ser ela mesma um descontexto. Em oposição a produção jornalística está a produção historiográfica, ela permite que, vendo em uma perspectiva mais abrangente, definir o significado de modo efetivamente científico. Enquanto no jornalismo a objetividade está ensopada de ideologia, por seu particularismo ahistórico, na historiografia essa objetividade é sempre científica. Claro que está pressuposto uma visão materialista da história, que é a vigente, e é totamente inata a objetividade pretendida. A questão hoje é se tal objetividade(materialismo) é mecânica(positivista) ou dialética.

Assim, a pretensão de se criar, pela esquerda, um jornalismo que resgate a objetividade, imparcialidade e diversidade que a direita , proprietária da grande midia, não pratica, é ilusória. O único papel possível para a esquerda dentro dos limites do jornalismo é o papel crítico. O papel de denunciar a metamorfose da informação em desinformação. A relação umbilical entre informar e desinformar. Isto é, o papel de contra-informação.

Mas o que é o conteúdo da contra-informação? Há três posturas básicas de contra-informação, considerando que estamos falando da sociedade capitalista atual: primeiramente é admitir a falsa objetividade(realismo), respondendo esta com o idealismo, o ideal, um voluntarismo idealista romântico contra o ceticismo apático realista. O ceticismo sempre vence o romantismo, apesar de toda empolgação como matéria prima dos idealistas. Isso se dá pela recusa inicial dos idealistas de considerar qualquer aspecto da realidade como uma desistência, e assim, essa empolgante ilusão termina em uma desilusão arrecadadora de céticos.

A segunda postura de contra-informação é a de se opor uma informação ideológica com outra informação ideológica, isto é, ao invés de admitir que a realidade é totalmente expressa pela mídia dominante, denuncia a interpretação tendenciosa da mesma realidade, portanto, oferecendo uma tendenciosidade oposta. Trocam um auto-engano de direita por um auto-engano de esquerda.

A terceira postura, que considero a comunista, e é a postura correta a meu ver, é colocar toda a informação-desinformação produzida sob uma perspectiva histórica, e dentro dessa perspectiva definir a correta interpretação, o seu significado histórico é seu verdadeiro significado. Dessa forma ela é ao mesmo tempo crítica e esclarecimento. Assim, o jornalismo comunista pode ser a ponte entre o historicismo da historiografia e o ahistoricismo do jornalismo; crítico, científico, politizador, culto e objetivo. Assim como Marx, que era um jornalista com profundo conhecimento em história, todo comunista deve ser um historiador jornalista. O jornalismo tem a prentensão de escrever a história a cada dia, mas isso só é possível numa perspectiva ‘historicista’ do jornalismo defendido pelo comunismo.

Aqui a questão foi abordada a partir do processo de produção, não da propriedade dos meios de produção. Do ponto de vida da propriedade dos meios de comunicação a internet é a revolução.

Written by ocommunard

11 de fevereiro de 2010 at 13:27

Publicado em Contra-Informação