Communard

Políticas, economias e ideologias

Alguns comentários a mais sobre ideologias

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Caro Fernando, aqui vai apenas alguns comentários sobre seu último comentário que publiquei no blog, que no geral, concordo, mas em termos.

Você afirma que a dialética pertence ao campo da lógica (de acordo) e que portanto, se relacionaria a interpretação (parcialmente de acordo, pois a lógica tem de reproduzir conexões reais), e que se os bolcheviques reduzissem as contradições operário-camponesas a um método sociológico seria um mecanicismo. Dizer que o homem sente fome se ficar muito tempo sem comer ou que engorda se ficar muito sedentário, poderia ser chamado de “absoluto” ou “mecanicista” baseado nesses termos. Mas o que entendo por “mecanicismo” se aplicaria a essas frases:

“Porém, na dialética, não se trata de as forças opostas se liquidarem mutuamente, mas formarem uma determinada síntese, uma totalidade específica.”

“Na análise da realidade russa, interessava compreender que síntese era aquela que se podia formar.”

Perceba que uma tensão histórica concreta é “interpretada” como uma “compreensão” de “forças opostas” em busca de uma “síntese”. As críticas de Marx aos “ideólogos”, sobretudo, os neo-hegelianos, vai em ironizar esse tipo de abordagem, que repito, foi recauchutada pelos “marxistas” como Zizek. Para Zizek, por exemplo, o que vivemos hoje é apenas uma “agonização” de “estruturas ideológicas podres”, nada a ver com greves na Grécia, desemprego na Espanha, partidos, sindicatos, lideranças, movimentos, realidades. Apenas, “ideias” se contorcendo em busca de uma “síntese”? E ele se diz um “marxista ortodoxo”. Vou lhe dar um bom exemplo de uma “interpretação marxista” frente a um texto de Marx. Agora cito Marx:

“A questão de saber se ao pensamento humano pertence a verdade objectiva não é uma questão da teoria, mas uma questão prática. É na práxis que o ser humano tem de comprovar a verdade, isto é, a realidade e o poder, o carácter terreno do seu pensamento. A disputa sobre a realidade ou não realidade de um pensamento que se isola da práxis é uma questão puramente escolástica.”(Teses sobre Feuerbach, II. Marx)

Práxis em Aristóteles, cujo Marx era um grande conhecedor e admirador, inclusive era fluente em grego, significa “atividade humana”. Mas para Gramsci, um dos mais renomados “marxistas”, isso era pouco, então ele criou a “filosofia da práxis”. Citarei aqui o site Acessa.com apenas como ilustração da definição:

“Concluindo, a filosofia da práxis é, para Gramsci, construção de vontades coletivas correspondentes às necessidades que emergem das forças produtivas objetivadas ou em processo de objetivação, bem como da contradição entre estas forças e o grau de cultura e de civilização expresso pelas relações sociais.” (http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=642)

Veja o quanto de mistificação um “marxista” nos oferece, mas se entendemos a práxis apenas como “atividade humana”, podemos entender que Marx relaciona a “realidade de um pensamento” ao critério da “atividade humana”, um passo adiante ao “empirismo”, pois nos dá uma noção dinâmica e viva do conceito e elimina todas as especulações inúteis de provar a objetividade/verdade de uma teoria através de outra teoria. É real? É objetivo? A atividade humana é o critério, a práxis é o critério. E que tipo de ciência trata da atividade humana? A história.

Tudo que você defendeu como “fórmula política funcional” se aplica a um lema de Lênin muito conhecido que afirma que “não existe revolução sem teoria revolucionária”. Primeiro, isto não só é equivocado, é paradoxalmente oposto as bases mais básicas do método “materialista-histórico-dialético”. Uma teoria revolucionária é forjada em condições revolucionárias. O jacobinismo foi produto e não produtor ou co-autor da revolução francesa, os bolcheviques sequer existiriam, foi resultado da cisão do Partido Social Democrata Operário Russo, que não cindiu siplesmente por que quis, se cendiu provocado pelas circustâncias dramáticas que dinamitou a unidade do partido.

Será que os bolcheviques existiriam se a primeira e segunda revolução russa tivessem cumprido suas promessas básicas? Outra contradição flagrante de ler a revolução russa através de textos bolchevistas e sem rigor historiográfico é a própria revolução, a Revolução Russa foi a mais flagrante negação do leninismo/bolchevismo. Senão vejamos:

1. Partido de Vanguarda
Lênin defendia no seu conceito de Partido de Vanguarda que os trabalhadores por si só não iriam além do sindicalismo/reformismo (provavelmente, uma leitura superficial da Alemanha da época), que caberia a um auto-intitulado partido de vanguarda introduzir “por fora” o socialismo. Primeiro, isso contraria o conceito de “auto-emancipação” defendido por Marx, Marx afirmava que a tarefa de emancipação dos trabalhadores é tarefa dos trabalhadores. Segundo, os russos criaram os soviets, não só não se resumiram ao sindicalismo, como foram os soviets que organizaram a revolução de Outubro. Qual a palavra de ordem da revolução que o próprio Lênin bradava? “Todo poder aos soviets!”. E quem fez o soviets? O partido de vanguarda ou espotaneamente os proletários russos?

2. NEP/PERESTROIKA/SOCIALISMO DE MERCADO
NEP sucedeu ao comunismo de guerra, o que precisa ser dito, e que o próprio Lênin admite, é que simplesmente se tratava de uma economia de sítio (como ainda sofre Cuba com o bloqueio estadunidense). NEP ou o “comunismo de guerra” não tem nenhum significado a não ser do que um grande programa de experimentações para sobreviver o cerco econômico que vivia a Rússia de então. Essa é uma constatação factual, qualquer querela sobre se a NEP foi uma concessão capitalista ou camponesa, ou se o “comunismo de guerra” era comunismo ou racionamento é “escolástica”. A questão fundamental é que a influência bolchevista foi resultado do poder que eles conquistaram, da mesma forma Gramsci só virou uma grande influência em razão da força que um dia teve o partido comunista italiano, considerado então o maior partido comunista do ocidente.

O problema desse debate é essa inversão, talvez a psicologia explique: o que a história poderia nos ensinar é apropriada por algum “sábio” proferindo fórmulas, como se o sucesso da revolução russa fosse resultado das boas teorias bolchevistas, que como visto no ítem anterior, foi justamente o oposto. E Marx mais uma vez é aqui um pensador perspicaz a sempre nos ressaltar o que é realmente relevante e a desmoralizar esse tipo de abordagem.

Porque ressalto isso, porque essa mistificaçã é que faz com que a classe trabalhadora sem aprender praticamente nada do seu passado, sem acumular experiência nenhuma. Está sempre partindo do ponto zero em cada país. Claro, que há muitos autores, mesmo “marxistas”(Perry Anderson, Hobbsbawn, David Harvey, etc) e não-marxistas (Chomsky) que nos oferece o direito de aprendermos com a nossa própria história, mas essa “peste” é um desafio mais difícil do que nos livrarmos de outra peste, muito pior, o stalinismo.

COMENTÁRIOS FINAIS – SOBRE O DOGMATISMO
Expresso total acordo com suas palavras sobre o dogmatismo, ainda que discorde de sua interpretação das incoerências de Lênin como “adaptações”, “mudanças”, etc. Precisamos chegar a um acordo de que Lênin foi um grande líder e ponto. Que seus conceitos e seus livros foram panfletos e não ofereceram nenhuma contribuição, e que sua tese principal, de que uma economia pré-capitalista poderia ousar uma revolução comunista, fracassou. E quem defendia o oposto a isso era o próprio Marx, nada mais.

Só que, para que fique claro, a revolução russa alcançou essa via, tal como a chinesa e a cubana, não porque seus líderes fossem lunáticos idiotas sem conhecimento da necessidade de um capitalismo avançado para construir o comunismo modeno, houve 2 revoluções com aliança de classes na Rússia, e a burguesia russa traiu implacavelmente os trabalhadores. Na China ídem, houve uma revolução burguesa que imediatamente se voltou contra os trabalhadores. Em Cuba, a primeira fase da revolução foi nacionalista, mas logo assumiu um caráter comunista dado a reação estadunidense. Todas essas três revoluções clássicas comunistas do século XX foram impostas pelas circunstâncias, não pela teoria nem pelo voluntarismo. A lição que tiramos dela é que elas souberam se voltar para suas realidades locais e cada uma dela, a seu modo, rompeu noções pre-concebidas e não importaram fórmulas, mas, infelizmente, quiseram exportá-las, com a URSS exportando o leninismo/partido de vanguarda, a China exportando o maoísmo/revolução camponesa e Cuba exportando o guevarismo/foquismo. Mas não sei se são responsáveis pela exportação, ou se, de fato, os importadores são os responsáveis. (No Manifesto Comunista tem uma crítica em relação a importar literatura socialista ignorando a realidade local).

Karl Marx continua a ser um autor que mais contribuições oferecem, isso é algo ruim, pois significa que ficamos ainda carente de autores de dois séculos atrás. Marx nos oferece sobretudo uma capacidade de leitura dinâmica dos acontecimentos, entendendo suas causas, suas conexões, sua dinâmica (luta de classes), compreendendo o movimento em conjunto e centrando no ponto fulcral: “abolir a propriedade privada capitalista”. Esse é o ponto que separa todas os outros “partidos trabalhistas”, mesmos os revolucionários, do partido comunista. Ou em outras palavras, “a abolição da exploração do homem pelo homem”. E qual o meio para alcançar isso? Para Marx esse meio é a emancipação, tarefa da própria classe trabalhadora. Revolução e reforma são causados pelas condições objetivas e o nível de consciência crítica é também resultante das crises.

Condições objetivas não é algo “mecânico”, porque tudo é práxis, tudo é atividade humana, uma nota de dólar não é um pedaço de papel místico com propriedade inatas de valor, é um pedaço de trabalho humano reificado, é feito concretamente, sem romanceamento ou frases bombásticas, de sangue, suor e lágrimas de milhões de trabalhadores explorados, massacradas e reprimidos, que o diga a América Latina. A práxis (história) é o critério epistemológico que prova essa verdade, principalmente, nas ditaduras anti-comunistas do século XX.

P.s.: a partir dessa postagem continuaremos nossa conversa apenas através das caixas de comentários, ficará mais dinâmico.

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Written by ocommunard

25 de novembro de 2014 às 16:39

Publicado em Sem categoria

2 Respostas

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  1. Companheiro Communard, não tive condições de responder-lhe imediatamente devido minhas ocupações. Segue agora minha resposta a suas objeções. Para facilitar a leitura e compreensão de minhas considerações, assim como facilitar o debate, dividirei o texto por assunto em três partes.

    1- Sobre lógica e questões epistemológicas.

    Você objeta: “e que portanto, se relacionaria a interpretação (parcialmente de acordo, pois a lógica tem de reproduzir conexões reais),”

    Eu não utilizei a palavra “interpretação”, mas “tradução”. O uso desta última palavra não foi ao acaso, mas contém um significado importante: traduzir a realidade na mente pressupõe, desde já, uma ligação direta entre a realidade e o pensamento. Ligação não menos real, pois transfere para a mente dados obtidos da realidade numa forma que a mente seja capaz de abarcá-los: isto é, na forma de conceitos abstratos. Para Marx o processo de abstração é justamente uma necessidade do pensamento para abarcar a realidade complexa. Abstrair é captar o essencial do conjunto de informações que se recebe pelos sentidos.

    “Perceba que uma tensão histórica concreta é “interpretada” como uma “compreensão” de “forças opostas” em busca de uma “síntese”. As críticas de Marx aos “ideólogos”, sobretudo, os neo-hegelianos, vai em ironizar esse tipo de abordagem, que repito, foi recauchutada pelos “marxistas” como Zizek.”

    Marx afirma: “O concreto é concreto porque é a síntese de múltiplas determinações e, por isso, é a unidade do diverso. Aparece no pensamento como processo de síntese, como resultado, e não como ponto de partida, embora seja o verdadeiro ponto de partida, e, portanto, também, o ponto de partida da intuição e da representação” (Para a crítica da economia política). Perceba que Marx utiliza, exatamente, a palavra síntese e ainda acrescenta: unidade do diverso. Você o chamará de idealista? Suas críticas a Gramsci, da maneira como foram feitas, cabem perfeitamente a Marx, fico imaginando do que você acusará o pai do socialismo científico!

    A crítica de Marx aos hegelianos não é contra sua crença de que a realidade formava uma síntese, e sim a mistificação desta síntese, transformando-a na essência espiritual das coisas. A síntese é um processo do pensamento; é, precisamente, a realidade pensada, tornada inteligível através de abstrações. E isso tudo é muito concreto: são impulsos elétricos do cérebro reagindo ao contato entre os órgãos dos sentidos e o mundo material!

    Os hegelianos seguem a tradição de Platão. Para este, por exemplo, o homem verdadeiro não é o homem material e imperfeito que existe no mundo, trabalha, se alimenta etc., mas a ideia de homem, abstrata, perfeita, o homem simplesmente pensado. Para Marx a ideia de homem é, na verdade, apenas uma abstração do homem real, necessária ao processo de pensamento, onde abstraímos as características particulares de cada homem e destacamos as características gerais que identificamos em todos os homens. A ideia de homem é o homem transformado em um conceito geral.

    Nessa perspectiva, é fácil entender o que eu disse a respeito dos bolcheviques e sua interpretação sintética da realidade sobre a qual atuavam. Sim, a realidade russa formava uma síntese, uma unidade de determinações sociais: a situação do proletariado e do campesinato, em relação à nobreza e ao Estado czarista. Note, esta unidade, esta síntese, são situações concretas, em conexões umas com as outras, pensadas na mente para fins teóricos.

    Você prossegue: “Práxis em Aristóteles, cujo Marx era um grande conhecedor e admirador, inclusive era fluente em grego, significa “atividade humana”.”

    É bom destacar as diferenças entre o conceito de práxis em Aristóteles e o conceito de Marx. Para Aristóteles a práxis é apenas a atividade mecânica, trabalho físico sobre um objeto. A ação consciente que provoca modificações físicas num objeto, e só isso, é a práxis de Aristóteles. Em Marx, há um elemento importante e mais profundo: a atividade humana, a práxis, não é apenas o processo de modificação física do mundo material, mas o processo de criação de significado! Em sua atividade material, o homem não só modifica a natureza, como cria significados para ela e para si mesmo. Isso não é nenhum idealismo, primeiro porque o ato de criar significado é cerebral e está em ligação direta ou indireta com a atividade material. Assim, as diversas religiões, que atribuem significado aos fenômenos naturais, justificam uma determinada atividade e a posição de cada um na sociedade. Assim, as diversas filosofias e ideologias, tenham elas um formato “racional” ou não. Assim a moral, que sempre se adapta às relações de produção vigentes em cada época. É por isso que Marx afirma, na Ideologia Alemã que “os homens desenvolvem a consciência no interior do desenvolvimento histórico real”.

    A verdade é relativa e historicamente determinada. As religiões tribais, por exemplo, não são simplesmente mentiras, elas contém verdades sobre aqueles povos. Marx desvenda essas verdades: elas expressam as relações materiais desses povos e suas contradições. Por ser a práxis o critério de verdade (mas a práxis interpretada da forma acima exposta), uma moral ou uma filosofia são verdadeiras se expressam as relações materiais existentes em determinada época. E tornam-se falsas se deixam de expressar essas relações (é quando surgem as novas ideias, desbancando as antigas). O que chamamos atualmente de ciência nada mais é que expressão de nossas relações atuais com o meio material, expressão das forças produtivas modernas. Na época de Newton, suas teorias físicas eram as mais verdadeiras, expressão das forças produtivas da época, mas com o avanço destas últimas surgiu a teoria de Einstein, modificando-as e ocupando seu lugar como a mais verdadeira.

    Este é justamente o significado da oposição de Marx à filosofia alemã (a contradição dela para com as relações sociais e materiais existentes) e sua filiação ao comunismo. Nunca foi a intenção de Marx desqualificar como “mentiras” as teorias de um filósofo como Hegel, tanto que ele o defendeu no primeiro prefácio D’o Capital! Mas fazer avançar no momento em que as transformações na sociedade provocavam a emergência deste avanço no pensamento (juntamente, é claro, com os avanços sociais).

    Assim sendo, podemos entender o trecho referente ao Gramsci por você citado: “Concluindo, a filosofia da práxis é, para Gramsci, construção de vontades coletivas correspondentes às necessidades que emergem das forças produtivas objetivadas ou em processo de objetivação, bem como da contradição entre estas forças e o grau de cultura e de civilização expresso pelas relações sociais.”

    Não há nada de errado com esse trecho, ele é inteiramente marxista! A filosofia da práxis é a aquela que expressa as necessidades de ação coletiva surgidas das forças produtivas, no caso da sociedade capitalista desenvolvida, as necessidades dos trabalhadores de enfrentar o capital e todas as suas consequências. Não há uma gota de “mistificação” nisto.

    2- Lênin e os bolcheviques.

    Sua afirmação: “Tudo que você defendeu como “fórmula política funcional” se aplica a um lema de Lênin muito conhecido que afirma que “não existe revolução sem teoria revolucionária”.

    O que Lênin diz na verdade é: “não existe movimento revolucionário sem teoria revolucionária”. Seria absurdo dizer que não há revolução sem teoria, pois ao longo da História houveram revoluções espontâneas, que não tinham intenções conscientes de modificar o regime existente, embora esse fosse o sentido lógico dos eventos. É aí que deve ser compreendida a frase de Lênin: por movimento revolucionário ele não quer dizer qualquer movimento de revolta, mas o movimento consciente, que possui a intenção de mudar o regime existente. Para um tal movimento a exigência de teoria é patente. E isso está em perfeito acordo com as ideias de Marx. Para Marx, o que diferencia o partido comunista dos demais partidos proletários é justamente a consciência do partido comunista das tarefas históricas do proletariado. Como os demais partidos, luta ao lado do trabalhador por objetivos imediatos. Mas diferente deles, busca aumentar a consciência do trabalhador para os objetivos políticos maiores, de tomada do poder e reorganização da sociedade! Para um partido revolucionário desse tipo, a teoria é fundamental. Se Marx considerasse a teoria algo secundário para o movimento do trabalhador não teria se empenhado tanto em difundir suas ideias no movimento. Seu empenho não só em difundir suas teorias, como em criticar as teorias errôneas de outros camaradas, provam a assertividade de Lênin.

    Você prossegue: “Uma teoria revolucionária é forjada em condições revolucionárias. O jacobinismo foi produto e não produtor ou co-autor da revolução francesa, os bolcheviques sequer existiriam, foi resultado da cisão do Partido Social Democrata Operário Russo, que não cindiu siplesmente por que quis, se cendiu provocado pelas circustâncias dramáticas que dinamitou a unidade do partido.”

    Ora, a ideia de Lênin a respeito da teoria revolucionária diz justamente que ela é construída durante a atividade revolucionária! Ela é produto da ação planejada, mas tanto o planejamento interfere na ação quanto a ação (gerando experiência prática) interfere no planejamento e o transforma. A teoria revolucionária é, portanto, dinâmica e está intimamente ligada na praxis. Só tem sentido na praxis.

    Falar que o partido social democrata cindiu pelas circunstâncias é extremamente vago. Houve elementos desagregadores internos: as diferenças de perspectiva e formação teórica entre os membros. Aqui você novamente demonstra seu mecanicismo, que consiste em afirmar que a circunstância material “x” criou automaticamente a cisão do partido, abstraindo dos indivíduos e dos conflitos teóricos internos. De maneira nenhuma a teoria marxista abstrai os indivíduos para torná-los massas indiferentes, reagindo inertes às circunstâncias! Marx não abstrai os indivíduos, ele os contextualiza. É essa a diferença da teoria histórica de Marx para as teorias idealistas burguesas. O que criou a cisão e, consequentemente, o bolchevismo foram os conflitos políticos internos, causados pelas diferenças de visão, dentro de um contexto dramático. Só o contexto dramático não é possível explicar o que aconteceu, pois não explica a unidade dos blocos que se formaram depois (bolchevismo, menchevismo…). A diferença de formação entre os membros que, mais tarde, gerou a divisão em blocos políticos distintos, explica-se materialmente: a classe a que pertencem, as diferentes trajetórias de vida, a influência de determinados autores.

    “Será que os bolcheviques existiriam se a primeira e segunda revolução russa tivessem cumprido suas promessas básicas?”

    Seus membros existiriam e continuariam a atuar sobre um contexto diferente. Mas é uma reflexão inútil. Os homens não são inertes perante as circunstâncias, são atuantes. Tanto recebem a influência do meio quanto interferem nesse meio. Diminuir a significação dos bolcheviques é tão simplista quanto exagerar a atuação deles.

    “Lênin defendia no seu conceito de Partido de Vanguarda que os trabalhadores por si só não iriam além do sindicalismo/reformismo (provavelmente, uma leitura superficial da Alemanha da época), que caberia a um auto-intitulado partido de vanguarda introduzir “por fora” o socialismo.”

    A concepção de Lênin sobre o partido de vanguarda retoma questões discutidas mais acima: a diferença entre o movimento comunista e os demais movimentos proletários. Ora, a teoria do socialismo entrou no movimento dos operários de fora! O socialismo é, ao mesmo tempo, herdeira da filosofia e ciência mais avançadas até então (o iluminismo e a economia política) e herdeira das transformações sociais então em curso na sociedade burguesa. Tal teoria só poderia ser concebida pelas classes com acesso à educação e que, pela sua condição de vida, estivessem em posição privilegiada para observar os efeitos das novas relações sociais que surgiam. É assim que surge o socialismo utópico, com figuras como Robert Owen e Saint-Simon. O socialismo científico também só poderia surgir de determinadas classes, pois o proletariado vivia em condições materiais que tornavam impossível a criação espontânea de uma teoria socialista. A menos que você considere insignificante que Marx e Engels tenham tido acesso ao estudo e à universidade, algo vedado às classes populares. O produto máximo da espontaneidade proletária era o sindicalismo, baseado em exigências imediatas.

    Ora, os operários russos já sofriam desde muito a influência e propaganda intensa dos comunistas! Gerando disputas entre os diferentes blocos político pela atenção deles! Aliás, desde antes da morte de Marx os intelectuais russos buscavam integrar-se entre os operários, fazer propaganda comunista e participar de seus movimentos contestatórios. Antes da formação espontânea dos sovietes, os operários russos já tinham adquirido consciência política sobre o comunismo, pela propaganda dos comunistas inseridos no meio operário. A teoria da vanguarda de Lênin não é nenhum voluntarismo, a vanguarda não faz o que quer, não controla os trabalhadores. Participa da luta ao lado deles, ouve suas reivindicações, adapta o discurso comunista ao nível de seus interesses, busca elevar sua consciência política. A revolução sempre será feita pelos próprios trabalhadores.

    “Essa é uma constatação factual, qualquer querela sobre se a NEP foi uma concessão capitalista ou camponesa, ou se o “comunismo de guerra” era comunismo ou racionamento é “escolástica”.”

    A NEP recebeu duras críticas e dividiu os próprios bolcheviques. Bukharin se opunha inteiramente a ela. Tal programa político precisou ser muito defendido por Lênin e foi apenas aplicado pelo prestígio e habilidade político que ele alcançara. O cerco capitalista e demais circunstâncias econômicas é o contexto sobre o qual os indivíduos atuaram, sofrendo suas pressões mas ao mesmo tempo buscando transformar esse contexto. Não é nada “escolástico” discutir a natureza da NEP. Gerou na época ampla discussão e poderia não ter sido aplicada, caso a oposição vencesse o debate que então surgiu. A NEP não brotou automaticamente das circunstâncias, isso é o mais puro mecanicismo. Surgiu da atuação política de certos indivíduos sobre um contexto determinado. E determinou a evolução histórica da Rússia soviética. Caso não tivesse sido aplicada, essa evolução seria outra. Falar em “cerco capitalista” e etc. não explica suficientemente. É necessário falar também da composição política da Rússia, dominada pelos bolcheviques, e da atuação de indivíduos importantes. Atuação material e concreta.

    Os bolcheviques se depararam com a situação prática de atuarem de maneira transformadora, sobre uma determinada realidade histórica concreta. Esbarraram em questões fundamentais para a ação revolucionária: como organizar um partido, como fazer a propaganda aos trabalhadores, como dividir as tarefas entre os membros, como organizar revoltas, como estabelecer alianças políticas, etc.

    A importância teórica dos bolcheviques reside nisso e não há como ser negada. Falar em trabalhadores abstratos que hão de tomar o poder, é uma coisa. Falar com seres humanos reais, numa fábrica, organizar movimentos de contestação, fazer propaganda, formar alianças com outros movimentos de mesma índole etc. é algo completamente diferente. Foi nesse processo de ações concretas que os bolcheviques teorizaram. O mesmo vale para Gramsci, que foi o membro mais importante do partido comunista italiano devido tanto à sua capacidade teórica, quanto por sua atuação na realidade concreta, lidando com as situações reais do movimento e teorizando a respeito.

    Me parece um dogmatismo míope e arrogante tentar minimizar a importância disso.

    3- Sobre o dogmatismo e a contribuição socialista após Marx

    Lênin, de maneira alguma, deve ser apontado como o culpado do dogmatismo que imperou no movimento comunista. Jamais foi a intenção dele apresentar-se como o verdadeiro marxista. Lênin entrou em muitos debates polêmicos, assim como o próprio Marx. Mas, dentro dessas polêmicas, embora pudesse acusar um e outro de não compreender corretamente os princípios do comunismo (como o próprio Marx, em suas polêmicas), nunca deixou de respeitar e formar alianças com aqueles mesmos de quem discordava. Assim, Lênin já entrou em polêmicas com Trotsky e Bukharin, e depois formou consenso com eles. Quem praticou expurgos sobre os opositores foi Stalin.

    Foi na época de Stalin que manuais sobre o comunismo foram criados e difundidos no mundo inteiro. O tal do “marxismo-leninismo” passou a se apresentar como o único socialismo verdadeiro. A interpretação e contribuição definitiva das teorias de Marx! De repente passou a inexistir qualquer contribuição pós-Marx além de Lênin. E os partidos comunistas mundiais, sob influência de Moscou, engoliram isso.

    Apesar disso, muitos intelectuais protestaram e trouxeram contribuições importantes. Mas as contribuições pós-Marx caracterizam-se por serem fragmentadas e concentradas em assuntos específicos da teoria geral, assim sendo: alguns autores se dedicaram em desenvolver as teorias econômicas, outros as teorias históricas e etc.
    Tomadas em conjunto, formam uma grande contribuição para a luta na fase atual.

    Fernando

    4 de dezembro de 2014 at 22:52

    • 1. Epistemologia

      Você afirmou que não falou em interpretacao, mas tradução, de fato, mas se tradução não tem a acepção de interpretação, ou seja, tem o significado literal de tradução, então estou confuso exatamente em que lingua para que lingua está sendo feita a tradução no sentido literal do termo.

      Permita-me discordar, Marx não afirma que o “processo de abstração” é isso ou aquilo, mas o “pensamento”, abstração é um dos “processos mentais”. A citação que faz de Marx não contradiz o que afirmei em minha crítica aos ideólogos, “o concreto é o concreto porque é uma síntese de múltiplas determinações”, mas no pensamento aparece como “processo de síntese”, como “resultado”. O que Marx está falando aqui é que o concreto (o real dado, imediato, sensível) para ser inteligível, passa por um longo processo de síntese no pensamento (que sucede, logicamente, a análise, separação ou abstração), ele quer mostrar essa inversão para criticar o empirismo superficial, não para defender a criação dos significados ou extrair um essencial mágico. Na minha crítica não confunda o meu anti-idealismo com o materialismo mecânico/superficial que Marx critica. Todo significado (símbolo) supõe o significante (coisa), significando sem significante é delírio, considerar o significado como fundamento ativo é idealismo, isso não quer dizer que defendo um significante mecânico, mas dialético, essa é a diferença de um idealista dialético para um materialista dialético, o significado influe sobre o significante na medida em que influe sobre o processo do trabalho, isto é, sobre o que produz o mundo humano, civilizado, o mundo que vivemos que é uma intervenção humana produzida pelo trabalho, não vivemos sob ambientes contruídos naturalmente, mas sobre intervenção humana sob o trabalho social.

      Claro, para evitar futuros mal-entendidos, quero adiantar que não me considero um expert ou um guru ou qualquer coisa que o valha, estou apenas estabelecendo uma crítica baseada em fundamentos bem claros considerando pontos bem definidos. Prossigamos…

      Afirmar que é concreto uma abstração porque se trata de impulsos elétricos no cérebro não é suficiente para provar que é concreto afirmar que teorias e ideologias são atores da história, o oposto também não é verdadeiro, são elementos dialéticos, mas o materialismo dialético existe para provar a prevalêcia no processo dialético no lado material dessa lógica.

      Afirmar que os “hegelianos seguem Platão” é um reducionismo, o idealismo hegeliano é substancialmente diferente de Platão, o idealismo e a dialética em Hegel assume um significado drasticamente diferente. Em Platão, idealismo se fundamenta na concepcão de um mundo das ideias que representa o real, e o mundo dos sentidos/empírico/material como uma sombra desse real, esse mundo real das ideias seria só acessível por um processo dialético que é praticamente um exercício de debate filosófico, de diálogo intelectual metódico. O idealismo em Hegel parte de uma concepção aristotélica de abstração, onde a ideia seria a essência das coisas (e não as coisas reais). Sua dialética não é um processo de pesquisa intelectual, mas o movimento das coisas, movimentado por um “espírito” atuando como um demiurgo (o demiurgo platônico assume em Hegel esse significado de espírto do tempo), onde os indivíduos estavam ou ficavam “inspirados” por tais espíritos. Em outras palavras, a dialética de Hegel foi uma síntese da dialética de Platão (como movimentos de contrários) com o silogismo de Aristóteles (por adicionar a essa contradição uma síntese lógica), com uma dose cavalar de mistificação (como Marx demonstra em Crítica aos Princípios da Filosofia do Direito de Hegel).

      Você afirmar:

      “Em Marx, há um elemento importante e mais profundo: a atividade humana, a práxis, não é apenas o processo de modificação física do mundo material, mas o processo de criação de significado!”

      Exato, ao criar a mudança física material, dialeticamente muda espiritualmente o mundo, eis o materialismo dialético. A importancia do materialismo dialético é apresentar a lógica desse processo, como afirma Marx ao criticar o materialismo mecânico, o homem é produto das circunstancias, mas as circunstancias são produtos dos homens. Se mudamos o mundo espiritual transformando o mundo material, logo, precisamos acabar com a organização material do mundo (capital), para transformar o mundo culturalmente consumista/egoísta/idiotista, e não o oposto. A “consciência” está onde? Como você mesmo citou, “no interior do desenvolvimento histórico real”, e não em querelas sobre a filosofia da praxis, da teoria revolucionária, do partido de vanguarda, dos aparelhos ideológicos do estado, do bloco histórico, do príncipe moderno, bla, bla, bla.

      Você afirma ao mesmo tempo que “religiões tribais” contém “verdades sobre aqueles povos”, e isso é fato apenas se estamos aplicando um materialismo dialético que demonstra as relações materiais que formaram tal “visão de mundo”, e portanto, explica porque a religião assume tal aspecto (monoteísmo, absenteísmo, monástico, etc). Por outro lado, afirma “que chamamos atualmente de ciência nada mais é que expressão de nossas relações atuais com o meio material, expressão das forças produtivas modernas”, isso sim é “mecanizar” a dialética, as condições modernas de produção, nos permite e abre um conjunto de campos de pesquisas que permite o atual desenvolvimento, como no genoma ou na física quântica, mas não é um mera “expressão das forças produtivas modernas”, essas últimas possibilitam, não “expressam” nada, são meras coisas, são um potencial científico, na melhor das hipóteses, há ainda picunhihas do tipo, linha de financiamento, que pode sofrer ou não algum tipo de limitação ou censura, conforme o alinhamento em um dos lados na luta de classes, considerando ainda uma certa ambivalência conforme o nível de polarização social.

      Você afirmou: “Nunca foi a intenção de Marx desqualificar como “mentiras” as teorias de um filósofo como Hegel”, como já citei, Marx considera Hegel um mistificador. A defesa de Marx de Hegel se restringe exclusivamente as contribuições de Hegel no campo da lógica, mas mesmo a dialética que ele herda sofre uma radical inversão (David Harvey chega a dizer que foi mais que uma inversão, mas uma total transformação, mas aí é questão de opinião). Concordo que tenha afirmado que o trecho que citei de Gramsci seja “inteiramente marxista”, considerando que o próprio Marx já havia afirmado que “eu, Marx, não sou marxista”.

      2. Lenin

      Não é bom confundir “revoluçao sem teoria” com a oposição entre organização e espontaneidade. Porque algo não pode ser organizado e espontaneo? Ou porque algo não pode ser desorganizado e não-espontâneo? Há um problema sério no modo como Lênin compreende a espontaeidade, pois o oposto da espontaneidade é a dissimulação, não é a organizão ou planejamento. Um artista inspirado, a imagem máxima da espontaneidade, ele se organiza e se planeja para dar vazão a sua espontaneidade intuitiva. Todo grande artista era metódico e disciplinado (Da Vinci, Rodin, etc). Estou de completo acordo com tudo que os bolcheviques disseram a favor da disciplina, mas entre isso e criar uma oposição fantamasgórica entre organização e espontaneidade (e os soviets não foram espontâneos/) ou afirmar que as revoluções sejam produtos livrescos, é demais, não?

      Marx não disse “o que diferencia o partido comunista dos demais partidos proletários é justamente a consciência do partido comunista das tarefas históricas do proletariado”, ele fala explicitamente sobre a diferenciação no manifesto comunista. O partido comunista não é um messias que diz qual tarefa tem o proletariado, sua função primeira é organizar o proletariado como classe (como diz no começo do Manifesto) e que a tarefa de emancipação do trabalhador era do trabalhador (e não do partido comunista). A diferença pode se resumir em dois pontos: internacionalismo (por organizar politicamente o proletário para além dos limites nacionais) e radicalismo (por se deter no objetivo final de acabar com a exploração capitalista, ao invés de se deter em alguma reinvindicação reformista ou imediatista de alguma etapa).

      Se Lênin afirma que a teoria revolucionária é construída durante uma “atividade revolucionária”, ele não era um sujeito muito inteligente, já imaginou uma “teoria revolucionária” construída com uma “atividade reacionária”? Mas se estamos falando de condições revolucionárias, então, uma revolução não precisa de uma “teoria revolucionária”, é a teoria revolucionária que precisa de uma revolução.

      Você diz: “Falar que o partido social democrata cindiu pelas circunstâncias é extremamente vago. Houve elementos desagregadores internos: as diferenças de perspectiva e formação teórica entre os membros”. Primeiro que, de fato, foi vago porque se fosse muito específico teria que escrever um livro sobre a história da revolução, então, essa é uma limitação prática de tempo e espaço. Segundo, “diferenças de perspectivas” e “formação teórica” é algo ainda mais vago, porque até para explicar porque um casal briga pode se alegar “diferenças de perspectivas”. E além de ser mais vago, é uma “tradução” completamente individualista dos fatos históricos, algo bem comum de encontrar em textos “leninistas”, nada coerente sequer com o socialismo, seja ele qual for.

      Terei de ser breve na crítica a sua apologia do partido de vanguarda de Lênin, porque há vários equívocos que não quero me demorar muito. Você afirma que o “socialismo veio de fora” porque quem primeiro teve acesso eram as classes educadas, portanto, não eram proletários. Primeiro, há vários socialismos que Marx critica sem piedade no Manifesto Comunista. Segundo, o comunismo (ou socialismo proletário) foi produto espontâneo de proletários e semi-proletários (artesões proletarizados) que tinha de alguma forma acesso a educação, mas ao ter acesso a educação eles não repetiram bovinamente, eles criaram uma vertente nova de socialismo, o comunismo. Senão, vejamos:

      Gracchus Babeuf, o que muitos consideram o precursor do comunismo que já na revolucão francesa defendia a questão da distribuição da propriedade (guilhotinado por ser considerado radical demais para aquela revolução), era pobre, era servo doméstico e sua educação foi passada por seu pai. Wilhelm Weitling, considerado por Engels como fundador do comunismo alemão, era um alfaite. O próprio Owen que você citou, era um operário que se casou com a filha do patrão. Tem alguma dúvida ainda que o comunismo ou socialismo proletário não veio de fora, mas de dentro? Mas se quiser chamar de fora qualquer influência genérica anterior, então tudo vem de fora, e aí caímos no paradoxo porque a única coisa que viria de dentro seria a divisão da primeira célula unicelular, e olhe lá!

      Sobre o que passei já está patente porque o bolchevismo tem pouco valor teórico, sem com isso desqualificar qualquer papel positivo dos “bolcheviques” tenham empenhando antes da emersão do stalinismo. Isto é, bom diferenciar bolchevismos de bolcheviques, história de opinião, teoria de prática, etc.

      p.s.: Desculpe a demora, a pressa e me desculpe o teor se parecer a resposta um pouco “dura”, pois tive pouco tempo para aparar as arestas em razão do tamanho do trabalho. Qualquer conflito que possa parecer deve ser visto do ponto de vista puramente teórico, completamente impessoal.

      ocommunard

      7 de dezembro de 2014 at 16:19


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