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Políticas, economias e ideologias

Oposição: a implosão.

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Não foi o PT, nem o hegemonismo do PT, nem o aparelhamento do PT, nem o assistencialismo do PT, ou seja lá qualquer outra demonização oposicionista do PT. A oposição conservadora caiu por si mesma. Olhando em perspectiva, sempre foi assim. Demóstenes é apenas mais um capítulo.

Lula jamais teria rompido a barreira do 50% menos 1 sem o desastroso governo tucano que sucedera, nem teria fundado o neodesenvolvimentismo brasileiro sem sofrer as ameaças golpistas que pipocavam do “suposto” mensalão, fato este que teria dado ao Lula um protagonismo tal sobre o PT a ponto de indicar pessoalmente a sucessora que hoje bate todos os recordes de popularidade, inclusive em relação a ele.

Quando Lula em campanha conclamara os brasileiros a extirparem o DEM da política, teve como maior colaborador o ex-vice prefeito de José Serra, que simplesmente dizimou o DEM a favor de seu novo partido: o PSD. Que como todos sabem, foi uma tratativa serrista para enfraquecer seu rival interno Aécio Neves.

O udenismo do PSDB foi a cereja do bolo, criou uma armadilha suicida contra qualquer arranhão que sofresse em termos “morais”. Ao tentar marcar uma identidade que se resumia apenas ao moralismo histriônico, reservou todas as suas cartas sob um telhado de vidro que eles sabiam que existia. O que é o PSDB além de neoudenismo e neoliberalismo? O primeiro foi desmascarado pelos escândalos da oposição, o segundo foi desmoralizado pelas crises atuais. Ambos se inviabilizaram completamente.

O PSDB virou marketing, pura e simples propaganda de uma “marca” cada vez mais amparada na presunção de burrice sobre a opinião pública. Somente há alguma reserva moral na dita oposição de esquerda, por isso que Marcelo Freixo surge como alternativa dos oposicionistas decadentes, o problema é que o PSOL já estava se udenizando para assumir esse papel, já nasce morto como uma verdadeira alternativa à esquerda. Como ele poderia governar sem udenismos nem neoliberalismos tendo como base de apoio o PSDB e o DEM? Esperemos que essa equação insolúvel encontre uma resposta mágica, porque o futuro da oposição está na esquerda, e ela é o futuro do país, desde que ela compreenda seu papel como alternativa anti-conservadora, não como alternativa anti-petista, criticando o componente conservador da aliança centro-esquerdista.

Querem um exemplo desse tipo de oposição? Acompanhe o candidato da Frente de Esquerda na França, Jean-Luc Melenchon. A nossa extrema esquerda deveria aprender com ele três lições:

1) unificar as esquerdas, democratizando as soluções das diferenças
2) pacto anti-conservador, esquerda e centro-esquerda devem focar seus ataques na direita, nos valores conservadores e na plataforma neoliberal
3) radicalização, a esquerda deve se apresentar como versão “audaciosa” da centro-esquerda, tanto rompendo os “escrúpulos” conservadores da centro-esquerda, quanto aumentando a carga crítica contra a direita. Esse ítem só é viável se o pacto anti-conservador estiver garantido.

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Written by ocommunard

5 de abril de 2012 às 5:40

Publicado em Sem categoria

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