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Políticas, economias e ideologias

O Cachoeira de Demóstenes, o clímax de uma farsa

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O Catão da oposição caiu, um dos mais “prestigiados oposicionistas” foi tão plenamente desmascarado que provocou um quase infarto moral no “colonato” tupiniquim. Quando Bob Jefferson acusava o mensalão que ele desmintira em suas alegações finais no STF (tal desmentido até hoje está censurado nas mídias filiadas ao Instituto Millenium), essa mesma mídia tripudiava com o que chamou de “silêncio dos intelectuais”, hoje os mesmos tem muito o que rir por último desses pseudo-moralistas desmascarados.

Essa dita oposição que reúne grandes mídias, elites preconceituosas e partidos decadentes abusavam de seu oligopólio para fazerem política através de propaganda em massa, um cartel político-ideológico, um goebelianismo redivivo. O problema é que quando você fecha a porta para a realidade, ela aparece pela janela.

A cortina de fumaça se fragilizava a cada novo desafio dessa estratégia goebbeliana de esconder denúncias contra a direita e fabricar calúnias contra a esquerda, com a internet, sempre alguma ressonância perdurava, corroendo as bases neoudenistas. Silenciaram a Operação Satyagraha (que atingia diversos calunistas), a Operação Castelo de Areia (que atingia Agripino Maia e Sérgio Guerra) e caluniaram o quanto puderam o best-seller Privataria Tucana (que atingia José Serra em cheio). Mas em cada campanha desesperada de encobrimento, as tímidas bases sociais do neoudenismo minguavam ainda mais.

Mais antes que pudessem se recuperar da ressaca moral dessas últimas desinformações programadas, as notícias de Cachoeira e Demóstenes começavam a circular. A operação abafa foi imediatamente ativada, minimizando a denúncia, oferecendo presunção de inocência (negado a petistas), exaltando o direito a defesa (valores esquecidos até então), mas os fatos foram atropelando cada nova “interpretação”. Não dava mais, DEM tentando salvar seus anéis exige de Demóstenes um haraquiri, e então este, para salvar a “cosa nostra”, declara sua morte política.

A cena seguinte é chocante, os mesmos “calunistas” que banhavam de adjetivos morais inatingíveis o até então paladino da justiça, Demóstenes, começava a linchá-lo publicamente com quase a mesma fúria com que continuamente atacam o PT, mais preferencialmente Lula e Dirceu. Nessa aparente selvageria udenista se esconde um meticuloso encobrimento de muitos outros envolvidos, como Marconi Pirilo, o editor chefe da revista Veja e outros medalhões da oposição.

Até que ponto terminam os anéis e começam os dedos, eis a questão para os militantes demotucanos da imprensa. Quando taparam o buraco do escâdalo da privataria, que atingia apenas um grupo muito limitado de serristas, agora se vêem com um escândalo que envolve quase todos os partidos de oposição, além do serrista Gilmar Mendes e da revista Veja, e que no final das contas vai desaguar no mesmo mar do serrismo.

Na oposição brasileira todos os caminhos levam a José Serra, se o PSDB legitimamente estivesse assumido a refundação aecista em 2010, voltando a seus valores social-democratas sob a benção de FHC, largando de lado o neo-udenismo serrista, toda essa sujeira iria pelo ralo sem comprometer nada mais do que uma parcela moribunda do demotucanato. Mas subestimaram mais uma vez ao povo brasileiro, e mais uma vez se superestimaram. Se o exemplo mais bem acabado de goebbelianismo terminou numa forca execrado como o regime mais repulsivo da história humana, se o Lacerda original terminou seus dias atacando um golpe militar que por toda sua vida política se impenhou, o que esperariam esses amadores em plena era da internet?

Aécio Neves e toda a ala progressista do PSDB, ouçam meu conselho, migrem imediatamente ao PSB enquanto ainda há tempo, enquanto ainda é viável politicamente. E para o PT, tirem a CPI da privataria da gaveta, porque cedo ou tarde essa conciliação lhe custará o pescoço. O que custou ao PT em 2006 ao se conciliarem com o PSDB abrindo mão de uma CPI das privatizações? Eles retribuiram com uma tentativa golpista do mensalão e agora a realidade se impõe com uma nova CPI assinada inclusive por tucanos. Para quem conhece minimamente a história dos governos trabalhistas e suas conciliações, já deveriam ter entendido que conciliação com a direita no Brasil significa uma incitação golpista ou um suicídio político.

A direita brasileira vive uma tragédia grega, terá por força das circunstâncias de realizar um calote moral, a questão é se farão um “calote organizado ou desorganizado”, tal calote não será pequeno. Talvez a Argetina, vejam só, tenha algo a ensinar, caso os jornalistas que ingenuamente caíram na farsa saiam da defensiva e assumam a bandeira de uma ley de medios brasileira.

A história brasileira nos ensina que quando nossas elites estão encurraladas elas apelam para um golpe, só que hoje não há nenhuma viabilidade golpista, seja pela grande popularidade de Dilma, seja pelo contexto internacional. E com tão baixa probabilidade de êxito, um golpe frustrado de direita só serviria para transformar o reformismo de centro-esquerda em uma revolução esquerdista, que o diga a grande Venezuela bolivariana!

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Written by ocommunard

2 de abril de 2012 às 1:32

Publicado em Sem categoria

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