Communard

Políticas, economias e ideologias

“Não arriscar nada é arriscar tudo”

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A elite brasileira, patologicamente falando, aquela montada por um ranço secular de preconceitos, prostação nacional, mentalidade colonizada, esnobismo social, pedantismo vaporoso, etc. Essa elite tem em SP um fetiche reacionário, o vêem como um Reich potencial coroado com seus anti-heróis repulsivos como Jânio Quadros, Maluff, José Serra, Ademar de Brros, etc.

O Brasil só passou por uma revolução social, a de 1930. Mesmo tão frágil, superficial e contraditória, ela foi suficiente para arrancar as raízes senhoriais do Brasil e fazer nascer a industrialização brasileira. Mas as elites, como havia ocorrido na proclamação da república ou na independência, apenas mudaram a casaca, não sofreram nenhum grave dano que os expurgassem da condição de força paralisante e parasitária da nação, saíram impunes.

O preço que pagamos por tantas chances perdidas de fazer esse enfrentamento é que ainda hoje somos um dos poucos países redemocratizados do mundo aonde não só ditadores e torturadores caminham livres e bem remunerados pelo estado, como ainda ousam atacar verbalmente um presidente democraticamente eleita. Somos cada vez mais uma potência econômica e social, mas politicamente estamos no chão, cotidianamente açodado por figuras reacionárias como José Serra, Agripino Maia, etc. Todos fartamente documentados em casos de corruptos, mas blindados pela nova classe senhorial, os coronéis midiáticos.

O pacifismo autista de nossa esquerda, sem dúvida um traço cultural, está asfixiando a nossa democracia, jogando o país nas mãos das mesmas oligarquias midiáticas que provocaram, saudaram e apoiram o golpe e a ditadura militar. E infelizmente, vejo atônito, a esquerda prostrada e inerte frente as oportunidades a sua frente, com uma popularidade única e uma maioria parlamentar inaudita.

A ação enérgica de Dilma exigindo a punição dos conspiradores foi uma gota corajosa no oceano de vacilações, contemporizar com a nossa direita é piscar para o golpe. Não podemos mais adiar o enfretamento, é necessário que a nossa esquerda entenda que deve deixar um legado político forte, que possa ser levado como bandeira para as novas gerações. O povo brasileiro quer herdar o legado dessa geração, provou nas urnas isso, os jovens querem, mas a esquerda governante está mais preocupada com as manchetes da serrista Folha de S. Paulo que só conseguiu ‘alcançar’ 13% de rejeição ao Lula.

A linguagem de José Serra tentando demonizar o PT, mais uma vez apelando ao medo e ao preconceito, sob uma suposta ameaça “hegemônica”, coroado uma estupenda hipocrisia de quem nos anos 90 realizou tal hegemonia, é a linguagem da secessão, a linguagem de 32. O PT não quer que estoure essa secessão, mas ao fazer isso só faz com que a panela de pressão acumule mais força, quanto mais cedo explodir menos danos provocará, o PT está alimentado a cobra por covardia.

O PT assumiu a estúpida estratégia de tentar se confundir com o “tecnocrata” tucano em SP, aí quando este falha, fracassa ou decepciona, quem é a alternativa se a oposição está se mimetizando com eles? O trunfo do PT pós-tucano é ele ter demarcado clara e viementemente sua oposição ao projeto neoliberal, quanto este fracassou, a sociedade enxergava claramente quem havia construído ano a ano a legitimidade para suceder FHC, foi natural. Mas o PT paulista falha gravimente a cada eleição, por inépcia nos debates ou por auto-renúncia ideológica, política e partidária.

O PT que esmagou as prévias esse ano é o PT que cometeu o maior golpe que o partido poderia sofrer, sem prévias o PT perde vitalidade, militância e autenticidade. Ironicamente, nesse ano o PT copiou o caciquismo tucano, e os tucanos copiaram o militantismo petista. Copiar as práticas de um partido decadente me parece sabotagem ou suprema estupidez.

Serra brinca de Nero a cada eleição, confiante que o PT estará lá para apagar as suas labaredas terroristas, golpistas, fascistas, etc. O PT tem que sair de filosofia de bombeiro-centrista que não é o seu papel e ir para a esquerda, denunciar, explicitar, verbalizar, mobilizar a sociedade contra a ameaça que o discurso udenista e neonazista está criando, tem que fazer o contraponto porque não tem ninguém para fazê-lo. Tem que se sacrificar eleitoralmente, sucumbir eleitoralmente, para vencer politicamente, tal como vencia na década de 90. O PT está se tornando uma espécie de auto-cinismo, rompem suas próprias bandeiras depois de que através dela alcançarem um poder que nenhuma outra esquerda jamais conquistara antes no Brasil, convecido que com elas não podem continuar.

A guerra de secessão foi um duro batismo de fogo dos EUA, mas foi necessária. Não podemos querer jamais uma guerra civil, mas não podemos simplesmente se render para evitá-la como sempre fazemos, como fez Jango, o banho de sangue não só não deixou de vir, como veio em proporções dantescas. Se a turma do Serra quer um guerra civil, não devemos jogar a toalha e sair correndo, se ele quer a secessão a enfrentemos de pé, e se na pior das hipóteses Serra se tornar presidente dos Estados Unidos de São Paulo, o desmembrando da federação, teria melhor pedagogia política para libertar os trabalhadores paulistas do que com o desastre desse desfecho?

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Written by ocommunard

5 de março de 2012 às 22:38

Publicado em Sem categoria

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