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Políticas, economias e ideologias

Archive for março 2012

De Frente com Pondé: a vã vacuidade do politicamente incorreto

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Assistir de Frente com Gabi com a entrevista do “filósofo” Pondé é uma experiência sensacional de desmascaramento, não o digo isso para meramente me opor ou contrastar as minhas opiniões esquerdistas com as opiniões anti-esquerdistas dele, como ele provavelmente me acusaria, não, não é isso. Um debate é sempre entre opostos, mas para ver o quanto é constrangedoramente vazio sua dita filosofia, porque eu realmente esperava um pouco mais de densidade.

Tão pouco o repudio ou ofenderia, como provavelmente ele faria comigo, pois acho interessante alguém disposto a em última análise colocar tudo em questão, a “dúvida é o preço da pureza” já disse um filósofo. Quero declarar antes de mais nada que ele, para mim, é o que há de melhor em qualidade intelectual entre os bajuladores apadrinhados pela elite brasileira, por isso me dou o trabalho de refutá-lo.

Politicamente, Pondé se insere numa linha desesperadoramente órfã das classes dominantes do Brasil atual, um Nelson Rodrigues, uma espécie de Marquês de Sade que a soldo das elites possa esgrimar seu talento para desmoralizar a esquerda através da apologia da escatologia. Pondé é “rodriguiano” par excellence, e seu modesto brilhantismo não perde feio para seu alter-ego em coleção de frases de efeito. Há outros “jornalistas” que buscam desesperadoramente essa posição de “neo-rodrigues”, de “reacionário” constrangedoramente genial, mas falharam tão fragarosamente que terminaram como coroinhas do marcatismo vulgar: Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Mainardi, Lobão, etc.

Pondé está acima destes, sem a menor dúvida, há nele uma formação intelectual mais paupável (ainda que restritiva como se verá), sua formação ideológica pode ser extraída dos flancos abertos pela “esquerda radical” do pós-estruturalismo ou pós-modernismo, que rompeu completamente com as bases do racionalismo, esse recurso pre-discursivo, essa meta-narração anti-meta-narrativa é a raiz do discurso neo-rodriguiano de Pondé, seu argumento é sempre desarmar qualquer discurso questionando seus fundamentos, e como um deus ex-machina, fazer brotar do chão o seu monólogo iluminista-inglês.

O interessante é que a entrevistadora é uma admiradora passional do entrevistado, isso transforma o desnudamento em algo ainda mais belamente melancólico. Vamos aos fragmentos…

O que é o politicamente correto para ele? Segundo ele, a ascensão social de negros impedia as piadas preconceituosas nos EUA, mas ele diz que a partir de um dado momento esse “impedimento” virou uma “censura”. Não pode censurar o “preconceito”, palavra que some do argumento, porque, para ele, eliminaria o “risco” do pensamento, vira um “higienização do pensamento”. Veja como ele contraditoriamente usa o termo nazista “higienização” para combater a censura da prática nazista. Politicamente correto é bom, porque civiliza, mas é ruim, porque censura “a partir de um certo ponto”, que ponto é este filosoficamente falando? …

Segundo ele o “eu amo o outro”, uma expressão tão obviamente garimpada do milenar altruísmo cristão, é uma contribuição do “politicamente correto” que ele odeia. E que para ele o outro “que nos importa é aquele que nos irrita”. Por fim, conclue, o “politicamente incorreto é uma forma contemporânea do mau caráter”. Cadê a lógica? Porque alguém se importa com aquele que te irrita, e qual a ligação disso com a conclusão? Lógica para um “filósofo”, pelo amor de deus.

Ele que acusa uma expressão cristã, agora apela ao tão cristão pecado original para associar a uma natureza inata suja, repulsiva, má, em outras palavras, pecaminosa. É bem verdade, emprestada dos seus amados anglo-iluministas. Isso faz parte da natureza? Quando essa natureza má enfrenta o constrangimento de naturalização da corrupção política, ele apela ao Cândido de Voltaire e o seu “melhor possível”, ah, mas ele é contra um “Mundo melhor”.

Contradições, contradições, contradições…

Diz o filósofo: “Mais importante do que o povo pensar, se é que o povo pensa. Quando uso a categoria povo digo no sentido de massa, massa amorfa”. Não se irrite, é apenas uma vazia tentativa de frase de efeito. Ele continua o discurso condenando a política e a democracia em um processo de marketing, isso é um dado real e até mesmo óbvio, nada profundo para um filósofo tão genial. Mas logo ele se desculpa com o marketing, não com a democracia, apesar de ser ela que está sofrendo os efeitos da mercantilização (marketing = comercialização), de “políticos que lê os desejos ao invés que criar consciência social, eu não sei se é possível criar consciência social”. Resumindo, o mal vem da marketing da política, mas a culpa não é do marketing. E claro, racionalizar desejos, só sendo filósofo ou político?

Depois de toda essa meta-narrativa, ele volta para o convencional quando se “trata de verba pública”, a tal santidade burguesa do dinheiro, seja público ou privado, é tal, que todo o castelo ideológico desaba momentaneamente para passar com pompa o velho moralismo udenista.

Mas retorna, “a natureza humana é assim, quando você tem chance de ter poder, de esconder” vai lá e rouba. Que isso contradiz a diferenciação quando entra “verba pública”, ou porque há essa diferenciação, tudo bem, o entrevistado e a entrevistada apenas vão para a próxima pergunta.

Ele disse que democracia não é somente ter eleições, faz mais uma bajulação as elites chamando Chavez de tonto (Bush deve ter sido para ele um problema da natureza humana). Para ele é preciso dos “pesos e contra-pesos” (de novo o iluminismo inglês?) que ele traduz como “muitos conflitos”. Nunca vi uma democracia sem eleições, mas já vi muitas ditaduras com vários conflitos, inclusive “entre lobys”. Para ele democracia é a “institucionalização do conflito” para “que não vire quebradeira”, que depende (mais bajulação) de uma “imprensa livre” que não seja cerceada em nome do quê? “do cidadão”. Isso, mesmo. Cerceada por patrões, pode. Cerceada por pressões econômicas, pode. Cerceada pelo medo de perder o emprego se não bajular seu patrão, pode. Cerceada por intimidações físicas, pode. Mas pelo cidadão, não pode!

Vamos agora para a chave ponderiama para o “problema” do “maior consumo de bobagens”, para ele é culpa da “democratização dos meios de comunicação”, enquanto “mais gente tem mais acesso aos meios de comunicação, significa mais banalidade mais banal da maioria de nós”. Porque a banalidade de nós sofre esse empuxo quantitativo, não merece explicação para o nosso “filósofo”. Porquê a democracia nos leva a isso? “O cara quer ver bobagem, porque nós somos bobos”.

Me responda, oh “filósofo”, o que ocupa o espaço nesse vácuo não democrático que existiu e continua existindo, e que o processo de democratização está ocupando? Que nome dar a isso? Ditadura? Oligarquia? Plutocracia? Aristocracia? O que exatamente a democratização está devastando? Não saberemos. Talvez ele nos devesse dizer para que podéssemos preservar, mas não nos diz. Apenas aplica o chavão de falar algo supreendente e tentar dar ares inteligíveis, apenas a forma, sem conteúdo, me parece que ele fracassa na segunda parte. Mas é com certeza o melhor que a elite brasileira conseguiu produzir de lacaio intelectual desde o seu adorado Nelson Rodrigues.

Bem acertadamente ele faz apologia do preconceito, ou afirma “todos somos preconceitusos”, citando filosoficamente ele afirma que o preconceito é uma “reação moral instantânea”, mas nem toda reação moral instantânea é necessariamente preconceituosa, esqueceu ele de dizer essa segunda. Logo ele conclui que é o capitalismo que combate o preconceito, ao afirmar que ele não é bom para os negócios. Veja bem, ele começou defendendo o preconceito criticando a “censura do politicamente correto”, depois afirma que ele é natural, depois agora defende que o capitalismo (que para ele é o mesmo que modernização) combate o preconceito. Em suma, ou o capitalismo é ruim porque promove a censura do politicamente correto, ou o capitalismo é maravilhoso por fazer isso, o que agiria contra toda a escatologia do politicamente incorreto, tão defendia pelo Pondé.

Para ele é ancestral os preconceitos relacionado aos nordestinos, mulheres, gays e negros. Seria uma violência questioná-los ou, como ele diz, nos civilizarmos. Que ancestralidade é essa, datada de quando? Se perseguirmos as abordagens de Pondé veremos sempre o nascimento do mundo no século XVII com John Locke, Hume, etc. Pois aonde nem existiam nordestinos, ou anterior a escravidão negra da “modernização”, ou quando muito “acestralmente” a sociedade era matriarcal, ou mesmo em sociedades aonde o homosexualismo era tolerado na antiguidade (Alexandre Magno, por exemplo, era homosexual), o “filósofo” está pura e simplesmente errado.

Mas tudo bem, já chega por aqui.

Eu poderia terminar essa reflexão afirmando que “Pondé, você é mais do que isso”. Mas não seria realmente verdade. Está aí um provocador, polêmico, bajulador, contraditório, brilhante e vazio. Nada mais. A contradição não é um problema quando ela é trabalhadpa dialeticamente pelo pensamento, isto é, compreendida intelectualmente, no caso contrário, como em Pondé, ela se desvia do texto e explode na lógica, jogando a mensagem na lama da vulgaridade tão supostamente atacada.

Mas parabéns ao programa, foi uma excelente entrevista, e espero que vá outros intelectuais, se não for pedir demais, alguns que pensem realmente diferente, fora da linha escatológico(politicamente incorreto)-udenista(moralismo de duas medidas). Que tal o Marco Aurélio Garcia? Ou o grande jurista Fabio Konder Comparato? Ou eles estão censurados no seu programa? Sim, eles estão.

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Written by ocommunard

26 de março de 2012 at 3:33

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Um plano estratégico para o país: propostas neodesenvolvimentistas

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Abaixo reúno uma concisa contribuição para uma plataforma de partida para viabilizarmos um plano estratégico que o país necessita.

1. Pacote Fiscal: menos tributo, mais receita

  • Uma nova política de reservas que substitua a compra de títulos da dívida pública americana (com rendimento negativo) para compra de ações de empresas nacionais (com rendimento muito melhor). O rendimento maior ofereceria compensações para cortes tributários, além de diminuir a exposição da economia brasileira a política de desvalorização cambial americana (quantitative easing);
  • Reforma a poupança para remunerar sob uma parcela da Selic, retirando as barreiras para a queda dos juros. A economia no serviço da dívida compensaria, também, outros cortes tributários.
  • O governo assumiria 1/3 dos encargos trabalhistas, cortando privilégios corporatistas na alta burocracia estatal. Baratearia os custos de contratação sem custos fiscais e sem regressão trabalhista.
  • Um programa de re-estatização estratégica gerenciaria os recursos naturais para um plano de metas, administrando seus recursos em favor do desenvolvimento, na medida em que se amortizam os custos da re-estatização, sua receita crescente oferecia longo fôlego para uma queda permanete da carga tributaria;
  • Institucionalizar um plano permanente de compras governamentais para substituição de importações (algo como o Buy American Act de Obama) que foi muito bem sucedido na indústria naval

2. Pacote Tributário: desoneração produtiva, oneração especulativa

  • Fortalecimento do IOF cambial encarecendo os custos para a especulação cambial;
  •  Um IOF anti-especulativo para combater triplicando a sua taxa de partida (atualmente em 6%), seu alongamento atual já é suficiente, sua receita se abateria na desoneração produtiva;
  • IOF financeiro que substituiria progressivamente a Selic como meio de encarecimento creditício (política anti-inflacionária), outra fonte de receita para compensar ainda mais a desoneração produtiva;
  • Regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas, descontando sua receita na desoneração produtiva;
  • Unificar o IPI, ICMS e o CSLL em um imposto sobre o faturamento, com cobrança proporcional PIB municipal de origem, sua arrecadação seria estadual, garantindo a integridade orçamentária atual dos estados-membros. Aboliria a guerra fiscal favorecendo a decentralização do capital no país;
  • Desburocratizar os descontos do Imposto de Renda o restringindo ao consumo cultural nativo, em um círculo virtuoso de descontos e estímulo ao mercado interno de cultura.

3. Pacote Político: transparência e normalização

  • Fim do voto secreto, foro privilegiado e referendo obrigatório para aumento de salário máximo (STF);
  • Anti-clientelismo: fim das emendas parlamentares em todos os níveis;
  • Anti-patrimonialismo: obrigação por lei de pregão eletrônico;
  • Anti-fisiologismo: proibir filiados de partidos coligados acesso a cargos de confiança;
  • Anti-corporativismo: uma nova delação premiada ofecerá total perdão judicial, porém,  a delação deve indicar todos os mentores envolvidos, provocar o desmantelamento do esquema e o delator tem de aceitar cooperar permanentemente com a polícia (como ocorre nos EUA),  se não o fizer a qualquer momento, o perdão judicial poderá ser anulado judicialmente por descumprimento do contrato legal.

Written by ocommunard

26 de março de 2012 at 0:51

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Porque o candidato Tiririca tira voto de Serra?

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O que faz uma notícia em pleno ano eleitoral afirmar em machete que o candidato Tiririca tira voto do PT? Notícia do portão Terra[1]. Das duas uma, ou se trata de um portal sumamente petista a ponto de lançar uma alerta público ao PT contra a candidatura de Tiririca, ou se trata de um candidato que tiraria votos da oposição (Serra) e portanto, a notícia serviria para tentar convencer o próprio aliado petista a impedir essa candidatura.

Para quem acompanha a linha editorial do portal Terra fica óbvio que só resta a segunda hipótese. Mas porque Tiririca tira voto do Serra?

Quem vota no PT vota com uma adesão consistente, pouco abalável, pois se trata de um voto que resiste a uma agressiva propaganda serrista da maioria dos jornalões paulistas. Alguns chega a definir 1/3 como eleitorado petista inviolável. Esse eleitorado não muda, vota partidariamente. O resto é eleitorado solto. Não há nenhum outro voto partidário em SP, todos os votos do PSDB consiste no voto anti-petista produto da permanente campanha difamatória do PIG paulista e da polarização que coloca o PSDB como a alternativa do anti-petismo.

Quem vota no Tirica? Aquele que não “acredita na política ou em políticos”, o contrário dos petistas, aqueles completamente doutrinadas pela demonização do estado, da política e do espaço público que vê no voto Tiririca um “ato de protesto”, até mesmo uma representação genuína de como percebem como político: um palhaço. O inverso da mentalidade daqueles que votam no PT que só tem uma leitura do voto no Tiririca: alienação.

Por isso, se o PT não estiver realmente a reboque da mídia que tenta desestabilizar o governo e desmoralizar seu partido, não só não poderiam se opor a essa candidatura, como deveriam viabilizá-la o máximo que puderem. Como Tiririca o Serra não vai para o segundo turno.

[1] http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2012/noticias/0,,OI5654878-EI19136,00-SP+candidatura+de+Tiririca+tira+votos+do+PT+dizem+analistas.html

Written by ocommunard

18 de março de 2012 at 19:29

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Socialismos ou nacionalismos? Uma análise sobre China e Brasil

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O obscurantismo stalinista, já pinçado nos equívocos bolchevistas, deformou a contribuição de Karl Marx sobre os meios de emancipação de países periféricos ao capitalismo, ou genericamente, semi-capitalistas ou colônias capitalistas, o que nos ajudaria muito na América Latina atual. O cúmulo chegou ao ponto de substituir o “capitalismo avançado” pelo “elo mais fraco” como fonte de gênese comunista.

O equívoco não é arbitrário, reflete confusões entre anti-capitalismo e anti-imperialismo, que por sua vez reflete a contradição entre a necessidade estagiária do protagonismo de uma burguesia nacionalista (anti-imperialista), e as relações servis da frágil burguesia nacional em colônias ou semicolônias capitalistas, somado aos arcaicos latifundiários semifeudais. Assim, as forças populares, traduzido* sob a literatura emancipatória da moda: o socialismo europeu ou soviético assume o papel da frágil burguesia nacional.

Marx já realizara no Manifesto do Partido Comunista, ao tratar da literatura socialista, a crítica de importar uma “literatura” política sem importar as condições sociais dela, gerando o tão criticado e ironizado “verdadeiro socialismo” alemão.

A chave para entender a América Latina, a China e a ex-URSS está documentada no capítulo sobre a acumulação primitiva em O Capital. A experiência de acumulação primitiva, seja na Inglaterra, na França ou nos EUA, a despeito da “superestrutura gramsciana”, teve como característica a maciça intervenção econômica, social e política do Estado. O bolchevismo saltou o materialismo marxista, sob o pretexto que as “condições objetivas já estão maduras”, para cair no idealismo escrachado a ponto de tratar de “ideologia proletária”, ou em Gramsci, o símbolo máximo da decadência idealista do marxista, operar uma necropsia da superestrutura em Marx.

Todo esforço de Marx de combater o debate ideológico em favor de análises objetivas caiu por terra, seja pela escolástica ocidental (Sartre, Althusser, Foucault, etc.), como bem analisa Perry Anderson, seja pela dogmática (esquemática) do russo-comunismo oriental, em comum o esforço de ignorar o materialismo, seja jogando superestrutura em Marx, seja ignorando o materialismo como um fato consumado que não necessita mais interesse.

Como já disse aqui, nomeavam suas revisões bolchevistas de “atualizações” e as “atualizações” socialdemocratas de revisões (revisionismo). Atualizar o material empírico é uma coisa, e como materialista é inevitavelmente necessário, mas alterar as categorias epistemológicas cujo se opera a análise do material empírico é algo muito diferente. Se este foi feito só poderia ser proposto como refutação e defendidos como tal, em relação à contribuição do comunismo de Marx.

Em longo prazo essas iniciativas abriram as brechas para romper com o materialismo hegemonizado pela maciça superioridade e acuidade intelectual que Marx havia conquistado.

Compreender a China como um processo de revolução nacionalista (ao modelo Francês) com a mesma dinâmica política entre girondinos (moderados) e jacobinos (maoístas) em uma colossal experiência de acumulação primitiva regulada, nos livraria de uma série de controvérsias inúteis sobre a natureza do socialismo e do capitalismo que nada mais são do que parte da poluição intelectual do stalinismo, e mesmo do bolchevismo.

Qualquer país colonial ou semicolonial, sob a análise coerente do comunismo de Marx, tem como medidas imediatas de sua emancipação a luta pela emancipação nacional. No século XX se chamava luta pela independência com caráter puramente político (formal), já que a dependência econômica, que era a base do modelo colonial (reserva de mercado, economia agroexportadora, produção para exportação, etc.) era mantida ou apenas transferida ao império hegemônico de então. No século XX, mesmo sob a neblina stalinista, essa luta assumiu caráter anti-imperialista, quando as relações internacionais de dominação foram se centralizando nos EUA na condição de metrópole das metrópoles do capital.

A acumulação primitiva é um processo aonde se desenrola a “revolução nacionalista”, não se trata de um “gradualismo” puro e simples tal como Marx refutou aos poloneses que tiveram uma leitura fundamentalista de O Capital [1], pois ele pode ter tratamentos diferenciados, porém, diferente da tese bolchevista, Marx jamais defendeu a tese de um socialismo que pularia a fase capitalista.

No entanto, o próprio exemplo da organização trabalhadora nos países desenvolvidos e seus partidos socialistas, que são forças de influência sobre os países subdesenvolvidos, e tal como o avanço das condições capitalistas, exigem em países de capitalismo “atrasado” uma legislação trabalhista avançada até mesmo para preservar vegetativamente a mão de obra como força explorada. Isso torna as conquistas “socialistas” e a luta nacionalista em questões paralelas e reforçam a problemática.

A ameaça de socialização das transnacionais norte-americanas explorando países periféricos está cada vez perdendo espaço na agenda imperial para a luta nacionalista puramente desenvolvimentista, que está rompendo a condição de subordinação econômica primário-exportadora e secundário-importadora, é a emancipação econômica das economias emergentes que está erodindo o poder econômico e geopolítico dos EUA e UE, fortalecendo a resistência militar, econômica e política desses países frente às pressões norte-americanas. Com o quebra do protecionismo via globalização, os capitais das economias desenvolvidas terceirizaram sua produção aos países com custos de produção menores, cuja China é imbatível.

Se a ameaça de socializações na periferia das transnacionais atinge a classe dominante do império dominante, reforçando suas ingerências políticas nos países para evitar que partidos socialistas e comunistas cheguem ao poder, o avanço do nacionalismo econômico atrai essas classes dominantes para os mercados emergentes, é essa interdependência que blinda a China contra qualquer agressão americana, que caso contrário dizimaria boa margem de lucros de suas maiores empresas, além de provocar inflação de custos com o repatriamento dessa produção, além de perder competitividade com os concorrentes hightechs da Ásia (LG, Samsung, Sony, etc.). Em suma, os EUA são sino-dependentes.

Está ficando cada vez mais nítido para o mundo, com a tomada de poder geopolíticos dos países de economia emergente, sobretudo da China, que é o velho conceito marxista do “desenvolvimento das forças produtivas” que está em jogo, o poder está nas forças produtivas que controla. O capitalismo se tornou cosmopolita efetivamente por conta da globalização, isso significa que o estágio de lutas e também de análises das relações de produção, da luta de classes e da correlação de forças migrou para o cenário geopolítico.

A insustentabilidade do capital nas metrópoles com o rompimento da condição colonial dessas economias (emancipação econômica), fez com que a tese de Marx de que o comunismo eclodiria no capitalismo avançado não só está agora plenamente demonstrado, como está cada vez mais eminente. Não há demonstração mais lúcida do que um movimento como o Occupy Wall Street, mesmo com a crise americana não alcançar uma situação drástica, ter se tornado o primeiro movimento de massas americanas, desde muito tempo, de crítica ao capitalismo.

Written by ocommunard

17 de março de 2012 at 20:52

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Ocidente, o geopoliticamente incorreto

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Pepe Escobar, para mim, é um dos melhores analistas geopolíticos da atualidade, com uma impressionante riqueza de informações e uma capacidade crítica singular. Em um dos seus últimos artigos ele nos revela que a Síria é o prelúdio da guerra ao Irã, porém, nos mostra que a aposta dos “falcões” de que as tensões contra o Irã não provocaria aumento no petróleo, não só falhou, como já provocou danos na popularidade de Obama. Daí o esfriamento das tensões contra o Irã nas mídias afiliadas ao império. Enquanto isso continuam patrocinando economia verde para o terceiro mundo não pressionar tanto a demanda pelo petróleo finito e caro. Enquanto eles próprios continuam, sem nenhuma crise de consciênciam, na economia marrom.

Síria volta ao alvo imperialista, não mais para enfraquer militarmente o Irã, já que agora está blindado com o medo americano da petro-inflação, mas para impor uma derrota política aniquilando seu maior aliado.

É preciso dar uma olhada mais ampla para as tranformações recentes no mundo para entender melhor esse enredo. A Organização de Cooperação de Xangai, a OTAN da Ásia liderada pela China e Rússia, busca atrair para membro pleno os membros observadores Irã e Paquistão, além da Índia como outro gigante ainda membro observador. Ao mesmo tempo que os BRICS já somam 1/4 do PIB do planeta. As calotas polares da geopolítica americana, como espólios da guerra fria, estão em derretimento acelerado.

Pepe Escobar nos faz mirar esse cenário para nos oferecer mais lucidez para ações aparentemente tresloucadas dos EUA, é possível perceber até o cheiro de medo dos EUA de que a OCX comece a ganhar terreno no Oriente Médio, oferencendo melhores favores econômicos que os parceiros “ocidentais” em crise (leia-se UE-EUA). Aí percebemos como o discurso histérico de Hillary começa a se encaixar com a gravidade da situação.

O aumento do petróleo derrubando Obama, afastou os milicos, mas não o Bibi isralense que repousa na confortável evidência de que iniciada a guerra, a UE e os EUA viriam de bandeija. Obama busca ganhar tempo até as eleições, argumento estúpido para um ultra-direitista que adoraria favorecer a eleição de um republicano nos EUA. É a Síria, como argumento militar, que detém Netaniahu, mas ele não perderá a oportunidade de provocar o ataque em pleno ano eleitoral, sabendo que nessas condições não só teria Obama em suas mãos, como favoreceria seus parceiros ideológicos nos EUA.

O algoritmo é o de sempre, Israel antes de atacar levantaria a bandeira branca para ter a vantagem inicial de atirar pelas costas. Em documentos militares norte-americanos, citados pelo Pepe Escobar, avaliam que o poderio iraniano não é suficiente para um confronto direito, e que Irã atacaria Israel assimetricamente através do Hamas e Hezbollah. A ação imediata do Irã seria o fechamento do estreiro de Hormuz, por onde circula boa parte do petróleo exportado no mundo, essa ameaça não é trivial, porque mesmo que magicamente em poucas horas a OTAN desbloqueasse o estreito, a disparada do petróleo seria multiplicada e acelerada sob a gasolina dos capitais especulativos justamente dos países que seriam mais atingidos pela petro-inflação.

Esse cenário seria um terror muito maior do que muitas Torres Gêmeas caindo aos pedaços, em plena crise fiscal os EUA tombando em uma estagflação com duas vias drásticas: ou amputaria toda sua máquina militar para evitar a disparada da dívida, ou dispararia a sua dívida gerando um ciclo vicioso de rebaixamento de rating e aumento de juros que asfixiariam ainda mais a economia ameircana. A crise do petróleo de 1973 nos serve de um aperitivo do que seria essa crise.

Mas um país que se arroga o papel de paladino das leis internacionais que ignora, direitos humanos que não cumpre e democracia que já ajudou derubar em muitos países, não me parece ter escrúpulo em impor aos seus credores, numa disparada da dívida, o maior calote da história do capitalismo, como já fizeram com o rompimento unilateral do padrão ouro-dólar. Mas fazer isso agora, no cenário atual, não seria idolor. Os EUA se sustentam por apenas três colunas cada vez mais frágeis: mídias, exército e UE. As mídias estão ruindo frente a Internet, o exército está ruindo frente a dívida americana e a UE está ruindo frente a ortodoxia neoliberal.

A economia americana é uma grande bolha monetária prestes a estourar mantida pela propaganda e pela guerra. Não por acaso as hostilidades aos Irã se iniciaram quando ele se propôs a abandonar o dólar nas transações de seu petróleo para seus próximos contratos com a China, algo semelhante havia proposto Saddam Hussein pouco antes de ter seu país invadido.

Os EUA estão sentados sobre um barril de pólvoras. Os descontentamentos do governo afegão contra os EUA são a muito tempo explícitos, o afastamento mútuo entre Paquistão e EUA, o Iraque se aproxima cada vez mais do Irã, os regimes aliados no Oriente Médio, liderados pela Arábia Saudita, são os piores possíveis sob qualquer critério. Egito, mesmo ainda sob tutela militar, já iniciou aproximações com palestinos e iranianos. Na América Latina está quase que completamente na esquerda ou na centro-esquerda. A UE, que é o parceiro mais forte, está em crise. Cuba passa por um transição que pode colocá-lo em um ritmo de crescimento vietnamita que iria emplodir o bloqueio. A China está avançando rapidamente em parcerias na América Latina, África, Oriente Médio, Ásia e ensaiou algumas parcerias com Grécia e Portugal. Boa parte dessa parceria tem caráter puramente comercial, mas os EUA sabe que a parceria política é um mero segundo passo.

O servilismo da UE é realmente chocante, a UE vive um ciclo conservador, na maioria dos casos são refluxos de governos de centro-esquerda que fracassaram ao cederem ao neoliberalismo(new labor, etc). Portanto, esse refluxo pós-centro-esquerda-tíbia agora que se iniciou em Espanha, Portugal e Inglaterra, mas já está se encerrando na França e possivelmente pode se encerrar na Alemanha, dependendo dos humores econômicos. Essa outra centro-esquerda, que nasce da crítica da austeridade fiscal, do fracasso neoliberal, dos estragos dos livre-mercados, poderá se revigorar frente a centro-esquerda anterior que surgia sob a vergonha dos escombros do muro de Berlim e da ex-URSS. Hollande será o primeiro representante dessa nova leva, veremos se realmente essa nova esquerda européia estará a altura das circunstâncias, suas declarações até agora foram dúbias sobre se ele será da geração decadente do “liberalismo social” ou de um revigorado “socialismo democrático”.

Dentro dos EUA, por outro lado, opera uma grande ironia. Depois de fazerem incessante lavagem cerebral sobre a superioridade do capitalismo, do livre mercado, dos baixos impostos, do estado mínimo, etc. O governo americano está completamente paralisado. Não pode avançar a não ser na direção do mais do mesmo, o que é justamente o que prega a oposição conservadora, radicalizar o governo Bush. Criaram um monstro cujo perderam o controle, e nem mesmo um mega-capitalista com crise de consciência, como Warren Buffet, pregando a luta de classes dos pobres contra a classe dele, consegue despertar o povo americano depois de décadas de despolitização, em alguns casos de imbecilização explícita

Nada mais sintomático dessa barbárie que no mesmo dia em que soldados americanos trucidam mulheres e crianças a queima roupa no Afeganistão, a secretária de Estado americana tenta convencer ao mundo que o Assad ao promover eleições parlamentares livres estava agindo com “cinismo brutal”. Afegãos que testemunhuram e  desmintiram que o massacre tenha sido realizada por um só soldado, perguntavam porque se ele estava “fora de si” não atirou nos próprios colegas que estavam ao lado? Nem Freud, nem qualquer outro psicólogo responderia essa questão a não ser desmascarando o “cinismo brutal” americano.

Se esses fatos nos trouxesse alguma lição, ela seria: “nos preparemos para tudo”, um império agonizante não é algo muito agradável de se ver.

Written by ocommunard

14 de março de 2012 at 2:50

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Sobre a queda da Selic em choque com a poupança

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Ao invés do governo criar uma solução frágil e temporária para a contradição entre a taxa Selic em queda e a poupança, pois se a taxa real da Selic se tornar abaixo da taxa fixa de poupança vai inviabilizar maiores quedas da Selic, o governo poderia ter duas soluções mais consistentes.

A primeira seria indexar a poupança a um deságio de 1% da taxa Selic, assim a poupança atual se tornaria maior e evitaria a campanha terrorista da oposição contra a mudança, e por outro lado, a poupança estaria permanentemente preparada para as mudanças da Selic. Poder-se-ia alegar que isso provocaria pressão popular contra a queda da Selic, algo improvável já que a maior parte tem preocupações de consumo do que de rendimento. Com essa solução, a poupança seria uma espécie de versão mais “líquida”, portanto menos rendosa, a aplicação em títulos da dívida pública.

A segunda alternativa seria adicionar ao Imposto de Renda as aplicações financeiras, transformando essa cobrança uma mera expansão de um tributo já existente. Isso seria mais simples de operar e não precisaria nenhum esforço legislativo. A incidência cairia progressivamente sob todas as aplicações bancárias, já sendo descontado na fonte, como uma CPMF.

Qualquer outra mudança exigiria um forte pacto político com a oposição e aparentemente a oposição não está nem um pouco interessada em ajudar o país enquanto estiverem na oposição. O único interesse nacional que reconhecem é aqueles que lhe renderem votos. A patriotismo da oposição do PPS + DEM + PSDB é realmente comovente, é de chorar! Por essa razão, o governo tem de tomar uma corajosa iniciativa de comunicação para mostrar a sociedade que o empecilho a queda dos juros estaria na impostura da oposição em não querer resolver o impasse entre queda de juros e poupança, uma estratégia muito bem resolvida no governo Obama.

Written by ocommunard

11 de março de 2012 at 15:23

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“Não arriscar nada é arriscar tudo”

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A elite brasileira, patologicamente falando, aquela montada por um ranço secular de preconceitos, prostação nacional, mentalidade colonizada, esnobismo social, pedantismo vaporoso, etc. Essa elite tem em SP um fetiche reacionário, o vêem como um Reich potencial coroado com seus anti-heróis repulsivos como Jânio Quadros, Maluff, José Serra, Ademar de Brros, etc.

O Brasil só passou por uma revolução social, a de 1930. Mesmo tão frágil, superficial e contraditória, ela foi suficiente para arrancar as raízes senhoriais do Brasil e fazer nascer a industrialização brasileira. Mas as elites, como havia ocorrido na proclamação da república ou na independência, apenas mudaram a casaca, não sofreram nenhum grave dano que os expurgassem da condição de força paralisante e parasitária da nação, saíram impunes.

O preço que pagamos por tantas chances perdidas de fazer esse enfrentamento é que ainda hoje somos um dos poucos países redemocratizados do mundo aonde não só ditadores e torturadores caminham livres e bem remunerados pelo estado, como ainda ousam atacar verbalmente um presidente democraticamente eleita. Somos cada vez mais uma potência econômica e social, mas politicamente estamos no chão, cotidianamente açodado por figuras reacionárias como José Serra, Agripino Maia, etc. Todos fartamente documentados em casos de corruptos, mas blindados pela nova classe senhorial, os coronéis midiáticos.

O pacifismo autista de nossa esquerda, sem dúvida um traço cultural, está asfixiando a nossa democracia, jogando o país nas mãos das mesmas oligarquias midiáticas que provocaram, saudaram e apoiram o golpe e a ditadura militar. E infelizmente, vejo atônito, a esquerda prostrada e inerte frente as oportunidades a sua frente, com uma popularidade única e uma maioria parlamentar inaudita.

A ação enérgica de Dilma exigindo a punição dos conspiradores foi uma gota corajosa no oceano de vacilações, contemporizar com a nossa direita é piscar para o golpe. Não podemos mais adiar o enfretamento, é necessário que a nossa esquerda entenda que deve deixar um legado político forte, que possa ser levado como bandeira para as novas gerações. O povo brasileiro quer herdar o legado dessa geração, provou nas urnas isso, os jovens querem, mas a esquerda governante está mais preocupada com as manchetes da serrista Folha de S. Paulo que só conseguiu ‘alcançar’ 13% de rejeição ao Lula.

A linguagem de José Serra tentando demonizar o PT, mais uma vez apelando ao medo e ao preconceito, sob uma suposta ameaça “hegemônica”, coroado uma estupenda hipocrisia de quem nos anos 90 realizou tal hegemonia, é a linguagem da secessão, a linguagem de 32. O PT não quer que estoure essa secessão, mas ao fazer isso só faz com que a panela de pressão acumule mais força, quanto mais cedo explodir menos danos provocará, o PT está alimentado a cobra por covardia.

O PT assumiu a estúpida estratégia de tentar se confundir com o “tecnocrata” tucano em SP, aí quando este falha, fracassa ou decepciona, quem é a alternativa se a oposição está se mimetizando com eles? O trunfo do PT pós-tucano é ele ter demarcado clara e viementemente sua oposição ao projeto neoliberal, quanto este fracassou, a sociedade enxergava claramente quem havia construído ano a ano a legitimidade para suceder FHC, foi natural. Mas o PT paulista falha gravimente a cada eleição, por inépcia nos debates ou por auto-renúncia ideológica, política e partidária.

O PT que esmagou as prévias esse ano é o PT que cometeu o maior golpe que o partido poderia sofrer, sem prévias o PT perde vitalidade, militância e autenticidade. Ironicamente, nesse ano o PT copiou o caciquismo tucano, e os tucanos copiaram o militantismo petista. Copiar as práticas de um partido decadente me parece sabotagem ou suprema estupidez.

Serra brinca de Nero a cada eleição, confiante que o PT estará lá para apagar as suas labaredas terroristas, golpistas, fascistas, etc. O PT tem que sair de filosofia de bombeiro-centrista que não é o seu papel e ir para a esquerda, denunciar, explicitar, verbalizar, mobilizar a sociedade contra a ameaça que o discurso udenista e neonazista está criando, tem que fazer o contraponto porque não tem ninguém para fazê-lo. Tem que se sacrificar eleitoralmente, sucumbir eleitoralmente, para vencer politicamente, tal como vencia na década de 90. O PT está se tornando uma espécie de auto-cinismo, rompem suas próprias bandeiras depois de que através dela alcançarem um poder que nenhuma outra esquerda jamais conquistara antes no Brasil, convecido que com elas não podem continuar.

A guerra de secessão foi um duro batismo de fogo dos EUA, mas foi necessária. Não podemos querer jamais uma guerra civil, mas não podemos simplesmente se render para evitá-la como sempre fazemos, como fez Jango, o banho de sangue não só não deixou de vir, como veio em proporções dantescas. Se a turma do Serra quer um guerra civil, não devemos jogar a toalha e sair correndo, se ele quer a secessão a enfrentemos de pé, e se na pior das hipóteses Serra se tornar presidente dos Estados Unidos de São Paulo, o desmembrando da federação, teria melhor pedagogia política para libertar os trabalhadores paulistas do que com o desastre desse desfecho?

Written by ocommunard

5 de março de 2012 at 22:38

Publicado em Sem categoria