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Políticas, economias e ideologias

Santorum, o pesadelo ideal…

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É terrível, as vezes, apelarmos para a dialética, pode ser talvez uma dose de desesperada esperança, um “suspiro da criatura aflita”, ou caída idealista, não sei. Montar cenários políticos é realmente fácil quando você tem um bom cabedal teórico que ajuda a operar as variáveis e perceber as tendências. Não é o que vemos com os nossos colonistas que não acertam uma, nem quando ainda eram da esquerda, principalmente aquele da arqui-reacionária Veja.

Analisemos o Santorum, sob todos os aspectos formais é a maior ameaça política que o ocidente já teve desde Hitler. Um sujeito que declarou orgulhosamente que sente enjôu pela separação entre Estado e Igreja, que trata os anticoncepcionais como uma “ameaça a sociedade”, que promete espalhar o exército norte-americano aonde lhe der na telha, etc, etc. Isso sem falar dos clichês conservadores de “austeridade fiscal”, “menos impostos”, “aborto”, homosexuais, etc.

Mas pensemos sob outro olhar. Imagine um presidente tão pateticamente reacionário, administrando um país endividado com políticas piores que a de Bush, políticas essas que provocaram a crise que levou os EUA a essa situação. Imagine esse sujeito defendendo a família, a religião e a guerra enquanto a crise social e econômica se expande, se transformando em crise política. Imagine ainda seu agressivo expansionismo militar multiplicando a crise fiscal interna e os inimigos externos. Expansionismo militar com austeridade fiscal em um país hiper-endividade é simplesmente uma conta que não fecha, será o debacle mais óbvio desde quando os nazistas invadiram a Rússia.

Agora vejamos Romney, se para além da sua retórica for considerado a sua biografia política, não há nada nele que o diferencie de Obama além da cor da pele e da legenda partidária. Essa disputa cinzenta levaria a uma vitória folgada para Obama ou acirrada para Romney, mas apontaria um governo que resistiria ao fundamentalismo suicida da austeridade fiscal e do Estado mínimo. Romney é pragmático como o Obama, saberá pelo menos deter o agravamento dos fatores da crise, como o Obama o faz. A traição política de Obama contra a esquerda, será muito semelhante a traição política de Romney com a direita, porque ambos sempre estiveram mais para o centro do que para os extremos, tudo mais foi mero jogo de cena eleitoral.

Não falarei aqui de Newt Gingrish, porque o considerarei como fora da disputa. Vejamos então candidato libertário, ele é o mais fraco e o mais forte. É o mais fraco porque o seu anti-belicismo é insuportável para todas as outras tendências do conservadorismo norte-americano, o que o faz sofrer sabotagens internas com o boycote de grandes financiadores, sobretudo os ligados a indústria bélica, e a censura da mídia conservadora, como a Fox News. Mas ele é o mais forte, primeiro porque é o único que com seu anti-belicismo demoliria Obama com suas contradições, segundo porque como Obama, tem um grande eleitorado jovem que sairia reforçado com as outras facções da direita, por último, em termos pragmáticos, por pior que seja o seu receituário econômico, o atrofiamento militar lhe traria grandes recursos fiscais para dentro do país, resolvendo vários problemas fiscais, gerando um otimismo que atrairia grandes fluxos de capitais, ao menos por um bom tempo.

Santorum me parece ser uma candidatura fácil de Obama ganhar, já que suas idéias medievais assustarão até mesmo uma boa parte dos conservadores norte-americanos, mas se derrepente o lamaçal político dominar o debate americano, a zebra pode vencer, e vencendo esta, um líder fraco, fanático e belicista em um país em declínio cairá como uma luva para a expansão da influência da China no continente europeu, que por mais decadente que seja, é a menina dos olhos da geopolítica mundial.

Em um livro lí que quando um império se torna dependente da economia da guerra, como a um bom tempo sofre os EUA, ele já está marcado pela decadência, porque em algum momento a expansão bélica vai alcançar sua máxima extensão, e quando comerçar a encolher entrará em um ciclo vicioso que lhe empurrará cada vez mais para baixo. Isto está claro quando vemos que a dívida americana torna seu império em um veneno que não pode se livrar sem que aprofunde a crise que quer evitar com a diminuição dos gastos militares. Obama está operando sob o fio da navalha, e por mais sórdido que seja, está o fazendo muito bem, ao diminuir os gastos sem diminuir a presenção militar, mas um republicano não será tão parcimonioso em termos militares.

Como alguém razoável torço pela derrota da direita norte-americana, mesmo se o preço for ter que aguentar algumas décadas a mais de ingerência externa dos EUA. Mas os Yanques sentem cada dia mais, já percebem seu hálito no ar, já enxergam sua sombra no horizonte: “Aníbal ad portas”. Santorum é a candidatura deste medo, ele é a personificação do declínio.

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Written by ocommunard

28 de fevereiro de 2012 às 2:05

Publicado em Sem categoria

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