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Políticas, economias e ideologias

O antichavista lulista: o que será da direita brasileira, agora?

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Não há nada mais simbólico na polarização da América Latina do que a Venezuela. A partir de um certo momento, com incentivo de alguns financiadores norte-americanos, a América Latina foi ‘venezuelizada’, e mesmo tendo o Brasil um governo de centro-esquerda ultra-moderado, não se livrou da retórica histérica da oposição venezuela apelando para qualquer coisa, até mesmo as urnas, para voltar ao poder.

A Veja, como a publicação mais a direita na grande direita brasileira, foi a que mais incorporou a histeria, os golpes baixos, as calúnias, a incitação ao ódio, os preconceitos na sua tradução anti-lulista do anti-chavismo.

Pois bem, depois de levar surras sucessivas das urnas, a oposição venezueala se “desvenezuelizou”, isto é, abandonaram o seu próprio enredo. Mas se não bastasse a “oposição par excellense” para a direita latino-americana ter abandonado o modelo ultra-oposicionista que espalhou por toda região, o novo líder dessa nova oposição, apesar de seu passado golpista e estar ligado aos setores mais conservadores, abandonou completamente o discurso histérico, até mesmo o anti-chavismo, assumiu uma postura conciliadora e se define de centro-esquerda. Seu modelo, para desespero mortal da direita brasileira: Luis Inácio Lula da Silva.

É óbvio que isso é “oportunismo”, como afirma o insupeito desesperado, desalentado e desorientado calunista direitista da Veja, Caio Binder, tudo é apenas tática. Mas se para a direita venezuelana esse discurso unifica todas as oposições e pode atrair setores chavistas descontentes, para o resto da “Grande Venezuela” latino-americano é um golpe fatal, é um golpe tão grande quanto ver os EUA se conciliarem com Cuba. E isso fica patente no desespero de Caio Binder.

O próprio Caio Binder reconhece que as chances de vencer Hugo Chavez são remotas, mas o que ele mais sabe ainda é que um candidato desse já representou para ele, para revista em que é empregado e para a ideologia que serve, uma derrocada humilhante. Vai ser difícil assumir uma histeria quando na pátria do supremo mal ditatorial da região, a oposição não só abandonou o anti-chavismo, como explicitamente busca se confundir com ele.

Não havia maior demonstração de ódio e rancor de nossa direita do que as aproximações de Lula com o Chavez, e não só isso, não havia maior ataque cujo imaginavam fazer do que compararem Lula a Chavez. Mais uma vez, nós, latino-americanos, podemos nos deliciar nesse carnaval com as ironias da história. Como da vez com que os tucanos quiseram barrar a entrada da Venezuela no Mercosul e convidaram um opositor de Chavez para falar ao Senado, e este opositor, para constrangimento visível de Tasso Jereissati, solicitou a entrada da Venezuela no Mercosul.

Se a história pudesse falar era diria agora: check-mate.

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Written by ocommunard

21 de fevereiro de 2012 às 1:18

Publicado em Sem categoria

2 Respostas

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  1. Eu sempre evitei o termo “bonapartista” para Chávez, reiteradamente utilizado pela LIT e, em certo grau, pela LBI.

    Mas, com o distanciamento necessário, podemos enxergar ao menos esse traço do bonapartismo: a conciliação e cooptação de classes. Ora, é a própria direita venezuelana se rendendo ao “chavismo”.

    Assim como Lula -esse sim, bonapartista, ou no mínimo semibonapartista- conseguiu simplesmente eliminar qualquer oposição, seja de direita seja de esquerda. E ei-lo com bonézinho do MST quando fala com o MST, ei-lo chamando os usineiros de “herois” quando fala com os ruralistas.

    Não é preciso dizer que, para nós, marxistas, que enxergamos na luta de classes o motor da História, isso é deletério para a emancipação da classe trabalhadora.

    TEJO

    26 de fevereiro de 2012 at 23:30

    • O “bonapartismo” é um populismo de direita, há sem dúvidas traços disso, mas os ricardianos de esquerda também não defendiam a luta de classes, e poucos no mundo hoje defendem. Estamos preparando para uma luta de classes quando estamos ainda batalhando por desenvolver, muitas vezes, uma acumulação primitiva?

      Acho que é mais claro lermos nos termos de “jacobinismo” do que de bonapartismo, para mim o bonapartismo é muito mais uma ameaça ou consequência do jacobinismo light venezuelano, e não se esqueça que os jacobinos também tinha o seu grande líder, o incorruptível Robespierre. O bonapartismo, por sua acepção normal, nascerá da direita venezuelana, isto é, ele é o Capriles. É a farsa, a pseudo-encarnação da revolução a serviço da burguesia, o mesmo enredo.

      Mas sobretudo, não podemos ignorar o fato de que há dubiedades variadas por conta de haver ilhas de desenvolvimento e subdesenvolvimento, praticamente uma miríades de modos de produção. Por essa razão, estou convencido que precisamos do modelo do trabalhismo para essa transição: democracia popular, mercado mas com estado forte, desenvolvimentismo, etc.

      Obviamente, essa aliança tática, que Marx defende naquela clássica mensagem em que ele fala sobre a Revolução Permanente, tem limites, irá se esgotar, mas deve ser aproveitada desde que os trabalhadores não terceirizem seu protagonismo. Obviamente, a grande ameaça não é a aliança, e nisso estou completamente contrário a sua leitura que é tão comum dentro da oposição de esquerda, é o governo não criar salvaguardas para os trabalhadores se defenderam quando as classes dominantes trair o pacto eleitoral, Marx alertara sobre isso, nossa história comprova isso… e nesse ponto estou muito preocupado, pois não vejo nada que o PT esteja fazendo para que os trabalhadores tenham condições de defesa, seja políticos ou militares, quando a aliança for rompida, como necessariamente será.

      Lamentavelmente, percebo a história se repetir como em 1964 do lado da direita, a diferença é que hoje os trabalhadores estão mais bem informados e resistentes as ações de desestabilização política e seus ataques hipócritas através das grandes mídias.

      ocommunard

      28 de fevereiro de 2012 at 2:21


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