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Políticas, economias e ideologias

Archive for fevereiro 2012

Santorum, o pesadelo ideal…

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É terrível, as vezes, apelarmos para a dialética, pode ser talvez uma dose de desesperada esperança, um “suspiro da criatura aflita”, ou caída idealista, não sei. Montar cenários políticos é realmente fácil quando você tem um bom cabedal teórico que ajuda a operar as variáveis e perceber as tendências. Não é o que vemos com os nossos colonistas que não acertam uma, nem quando ainda eram da esquerda, principalmente aquele da arqui-reacionária Veja.

Analisemos o Santorum, sob todos os aspectos formais é a maior ameaça política que o ocidente já teve desde Hitler. Um sujeito que declarou orgulhosamente que sente enjôu pela separação entre Estado e Igreja, que trata os anticoncepcionais como uma “ameaça a sociedade”, que promete espalhar o exército norte-americano aonde lhe der na telha, etc, etc. Isso sem falar dos clichês conservadores de “austeridade fiscal”, “menos impostos”, “aborto”, homosexuais, etc.

Mas pensemos sob outro olhar. Imagine um presidente tão pateticamente reacionário, administrando um país endividado com políticas piores que a de Bush, políticas essas que provocaram a crise que levou os EUA a essa situação. Imagine esse sujeito defendendo a família, a religião e a guerra enquanto a crise social e econômica se expande, se transformando em crise política. Imagine ainda seu agressivo expansionismo militar multiplicando a crise fiscal interna e os inimigos externos. Expansionismo militar com austeridade fiscal em um país hiper-endividade é simplesmente uma conta que não fecha, será o debacle mais óbvio desde quando os nazistas invadiram a Rússia.

Agora vejamos Romney, se para além da sua retórica for considerado a sua biografia política, não há nada nele que o diferencie de Obama além da cor da pele e da legenda partidária. Essa disputa cinzenta levaria a uma vitória folgada para Obama ou acirrada para Romney, mas apontaria um governo que resistiria ao fundamentalismo suicida da austeridade fiscal e do Estado mínimo. Romney é pragmático como o Obama, saberá pelo menos deter o agravamento dos fatores da crise, como o Obama o faz. A traição política de Obama contra a esquerda, será muito semelhante a traição política de Romney com a direita, porque ambos sempre estiveram mais para o centro do que para os extremos, tudo mais foi mero jogo de cena eleitoral.

Não falarei aqui de Newt Gingrish, porque o considerarei como fora da disputa. Vejamos então candidato libertário, ele é o mais fraco e o mais forte. É o mais fraco porque o seu anti-belicismo é insuportável para todas as outras tendências do conservadorismo norte-americano, o que o faz sofrer sabotagens internas com o boycote de grandes financiadores, sobretudo os ligados a indústria bélica, e a censura da mídia conservadora, como a Fox News. Mas ele é o mais forte, primeiro porque é o único que com seu anti-belicismo demoliria Obama com suas contradições, segundo porque como Obama, tem um grande eleitorado jovem que sairia reforçado com as outras facções da direita, por último, em termos pragmáticos, por pior que seja o seu receituário econômico, o atrofiamento militar lhe traria grandes recursos fiscais para dentro do país, resolvendo vários problemas fiscais, gerando um otimismo que atrairia grandes fluxos de capitais, ao menos por um bom tempo.

Santorum me parece ser uma candidatura fácil de Obama ganhar, já que suas idéias medievais assustarão até mesmo uma boa parte dos conservadores norte-americanos, mas se derrepente o lamaçal político dominar o debate americano, a zebra pode vencer, e vencendo esta, um líder fraco, fanático e belicista em um país em declínio cairá como uma luva para a expansão da influência da China no continente europeu, que por mais decadente que seja, é a menina dos olhos da geopolítica mundial.

Em um livro lí que quando um império se torna dependente da economia da guerra, como a um bom tempo sofre os EUA, ele já está marcado pela decadência, porque em algum momento a expansão bélica vai alcançar sua máxima extensão, e quando comerçar a encolher entrará em um ciclo vicioso que lhe empurrará cada vez mais para baixo. Isto está claro quando vemos que a dívida americana torna seu império em um veneno que não pode se livrar sem que aprofunde a crise que quer evitar com a diminuição dos gastos militares. Obama está operando sob o fio da navalha, e por mais sórdido que seja, está o fazendo muito bem, ao diminuir os gastos sem diminuir a presenção militar, mas um republicano não será tão parcimonioso em termos militares.

Como alguém razoável torço pela derrota da direita norte-americana, mesmo se o preço for ter que aguentar algumas décadas a mais de ingerência externa dos EUA. Mas os Yanques sentem cada dia mais, já percebem seu hálito no ar, já enxergam sua sombra no horizonte: “Aníbal ad portas”. Santorum é a candidatura deste medo, ele é a personificação do declínio.

Written by ocommunard

28 de fevereiro de 2012 at 2:05

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O Samba do Tucano Doido

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Serra é realmente consistente! Abjurou a candidatura a prefeito em 2012 e a presidente em 2010 com a mesma coerência com que jurou lealdade a Alckmin em 2008 e prometera cumprir o mandato em 2006 no governo e 2004 como prefeito, sendo este assinado em cartório. Agora, depois de exigido o fim das prévias, com a mesma intensidade com que se comprometeu a participar delas e agora exige seu adiamento. É sua consistente exigência para concorrer a um cargo cujo denominou de “enterro”.

Só muita “consistência” para sobreviver politicamente sendo um José Serra. Talvez explique essa propaganda intensiva e extensiva 24h por dia da troika (Marinhos, Civitas, Frias) que traduz “consistência” como “refém”, em agradecimento José Serra desenterra o golpismo de Lacerda, o moralismo de Jânio Quadros, o privatismo de Collor, o autoritarismo de Geisel, o cinismo de Maluf, o entregismo de FHC, etc. Todo o Panteão direitista, música para certos ouvidos. O resto, como muitos jornalistas, caem por pura inércia, gratuitamente.

E veja que interessante… no Panteão direitista, um foi perseguido pela ditadura militar que provocou, outro renunciou ao meio de mandato provocando uma crise institucional sem precedentes, o terceiro sofreu impeatchment, o quarto virou o nome mais repulsivo da história política, o quinto virou sinônimo de corrupção e o último foi banido dentro próprio partido aonde é presidente de honra. E vejam, meus caros, são esses os heróis do estado de direita.

A baixaria eleitoral serrista fora inaugurado pouco depois do anúncio da entrada de Serra, com Boris Casoy acusando Lula de matar a Dona da Daslu, com um argumento tão tortuso quanto o passado do âncora. A gravíssima calúnia de homicídio contra um ex-presidente da república receberá do PT a mesma covardia que demonstraram as esquerdas frente as tropas fascistas na Europa de ontem e de hoje.

Mesmo um “samba doido” tem um enredo, Serra descobriu que ser “enterrado” “com honras militares” ou “como indigigente” seria melhor do que como criminoso, com a CPI da Privataria, com insuações explícitas das mídias. O PT, mais uma vez, salvara a pele da direita ao descumprir a promessa de abrir a CPI em Fevereiro, agora será acusada de ser “eleitoral” se sair do papel. Apesar dos esforços para deter a vitória de Aécio no PSDB (o escândalo do bafômetro, etc), a troika percebera que os cardeais tucanos já tinha o seu papa, e alertaram o Serra: se o PT ganhar, iremos com fúria sobre você, o responsabilizaremos pela derrota.

Torço para que os paulistanos vençam a troika. Não precisamos apelar para a calúnia, como o Boris Casoy, para chamar de golpista alguém que cortejara o Clube Militar em plena eleições, instituição que até hoje defende a ditadura. Ou acusar levianamente de corrupto quando respaldado por documentos oficiais revelados no best-seller A Privataria Tucana. Inescrupuloso!? Não há ninguém na imprensa que ignore a chuva de dossiês contra adversários de Serra nas eleições. E quando uma serrista pede no Twitter para “afogar nordestino” em “favor a São Paulo”, o que chamar esse ódio político senão pelo seu nome: neonazismo?

Nem Maluf foi tão sórdido, nem mesmo um demista seria pior. Bolsonaro não vai além de um Hitler gritando no deserto, mas Serra é um Mussolini refém de Goebbels. Se por um lado a internet nos protege da lavagem cerebral, por outro a democracia vai se desgastando. É mesma plataforma udenista daqueles que em seus editoriais saudaram um golpe militar, destruir mais uma vez a “soberania popular”.

Com a palavra os paulistanos…

Written by ocommunard

26 de fevereiro de 2012 at 18:19

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Estadão, a difamação doentia alcança a suprema burrice…

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O que falar sobre um artigo que começa assim:

Contrariando mais uma vez sua reputação de boa administradora, a presidente Dilma Rousseff anunciou a intenção de controlar pessoalmente a execução dos projetos considerados estratégicos.

Honestamente, caro leitor, você pode realmente acreditar no que acabou de ler? Se você conseguisse ser 10 vezes mais serrista que este jornal, e tivesse com suas faculdades mentais em perfeitas condições, você conseguiria mesmo assim terminar essa frase sem se chocar com o cúmulo de tal estupidez ?

O Estadão em sua sessão de “Opinião” declarou taxativamente que alguém que busca “controlar pessoalmente a execução dos projetos” é alguem que age contra sua “reputação de boa administradora”? Realmente, vemos que a loucura opositora perdeu completamente qualquer limite quando sequer a lógica ou a concordância consegue se manter na primeira frase de um texto.

O “artigo” é uma sucessão de difamações tão lógicas quanto a primeira frase, tudo para tentar ajuntar uma conclusão que recozinhe um dos lemas do candidado derrotado nas eleições presidenciais de 2010, José Serra. O tal loteamento. Vejamos a segunda pérola do Estadão.

Há um evidente equívoco nessa concepção de gerência. Visitas presidenciais a canteiros de obras podem ser politicamente importantes e até estimular a aceleração dos trabalhos, mas não servem para mais que isso.

Olhe que surpreendente! O Estadão afirma que “visitas” estimulam a “aceleração dos trabalhos” e são “politicamente importante”, mas que segundo ele “não servem para mais que isso”. E que mais deveria servir, ô grande mente pensante! Se tem valor ideal (político) e material (acelera os trabalhos), o que mais deveria servir? Mover montanhas!? Uma insurreição comunista!? Fazer em um passe de mágicas a obra brotar do chão!? Jamais saberemos, porque o Estadão em sua sapiência medieval não nos revelou. Talvez apenas os iniciados na sua privatolatria serrista tenha condições místicas de captar a mensagem tácita.

Ele afirma laconicamente, com tanto fundamento quanto a primeira frase, que:

Da mesma forma, nenhum sistema de acompanhamento centralizado na Presidência pode substituir a ação de administradores ligados diretamente à elaboração e à execução dos programas e projetos.

Uma singela pergunta: porque não substitui? Segundo, onde e em que lugar a presidenta afirmara que seu sistema de monitoramento iria substituir qualquer outra função? Ele afirma ainda que isso é uma “lição elementar” que a presidenta “deveria ter aprendido”. Baseado em que o Estadão afirma isso? Porque eu, caro Estadão, tenho em minha grade curricular e extra-curricular formação formal em gerenciamento de projeto, e nunca li nem ouvi tamanha bobagem sobre assunto.

E qual a explicação ‘cientifica” do Estadão para a “baixa qualidade da administração”? Segundo o jornal serrista, “o PT jamais deu importância, no governo federal, a requisitos de eficiência”, e a tal acusação serrista de “ocupação da máquina pelo partido”.

O governo a que ele reputa ineficiência foi o que gerou recordes sucessivos em geração de emprego, em queda dos juros, em distribuição de renda, em crescimento econômico, em projeção internacional, etc.

O governo que ele implícita e explicitamente reputa a “eficiência”, e nós sabemos bem quem é, quebrou o país três vezes, aumentou a dívida de 60 bilhões para 245 bilhões mesmo privatizando grandes estatais, na privataria que mais se orgulham, que é das telecomunicações, nos deram as maiores tarifas telefônicas do mundo, sem esquecer que jogara o país em desprego e em 8 meses de racionamento de energia.

Se o Estadão quer defender a eficiência de um governo desastroso contra um governo bem sucedido, só poderia o fazer apelando para um texto tão mal escrito, completamente ilógico e doentiamente raivoso.

Nessa mesma edição online vemos o americanófilo Nelson Mota tratando dos ataques sofridos pelo Chico Buarque na internet, silenciando que esses ataques são feitos por eleitores serristas e/ou direitistas como ele, chega ao nível de embuste de fazer uma comparação completamente anacrônica com a vaia recebida por Caetano Veloso na década de 60 pela esquerda nacionalista. Nunca vi alguém apelar a burrice de um modo tão escandaloso quanto esse americano desgarrado, pois encobre o fato de que os admiradores de Caetano eram também de esquerda, e que o mundo vivia sob um clima de guerra fria aonde os EUA ainda não travestiam seu imperialismo sob a legenda de  “ajuda humanitária”. E que vaiar não era algo da “esquerda”, era algo dos festivais, aliás, como ele próprio afirma em seu livro “Noites Tropicais”.

Tudo isso para atacar sem escrúpulos a esquerda que ele e seu amado José Serra fizeram parte por quase toda a vida. O Joaquim Silvérios dos Reis continua gerando seus seguidores. Estadão, de jornal fraco vai se revelando um panfleto pior ainda.

Written by ocommunard

25 de fevereiro de 2012 at 2:01

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O neoliberachismo, a distopia estadofóbica

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Vejam como neoliberais comemoram quando em Cuba se realiza reformas para aumentar o mercado (ou diminuir o Estado), mesmo que o resultado final seja um Estado muito maior do que seus respectivos países. Apesar da má fé intelectual explícita, pois sabem que o objeto é o tal “socialismo de mercado” (aonde o Estado está longe do mínimo), há de fato uma ilusão tendencial que coerentemente a sua estadofobia ou mercadolatria (ou privatolatria), tende a ver as reformas como um primeiro passo em direção ao estado mínimo.

Mas o que o neoliberalismo está criando no mundo uma espécie de várias Cubas ao contrário, aonde o Estado, os impostos, as regulações, os gastos públicos se reduziram tanto que cada dia é mais difícil deter um retorno ao “estatismo” dado o peso cada vez mais esmagador da crise. Isso já é fato em termos fiscais, os EUA e a UE estão ou falidos, ou praticamente falidos ou em vias de falência.

Quanto mais próximos se encontram do Estado mínimo, mas impactante, chocante e agressivo será o impacto do retorno ao velho Wellfare State falido. Significa que terão de aumentar mais agressivamente os impostos, realizar estatizações sem idenizações ou semi-idenizadas (pois estarão falidos) e aplicar as mais draconianas regulações para reverter situações fora de controle. Portanto, não há saídas institucionais.

Mas o neoliberachismo foi tão longe em sua hegemonia ideológica, que a saída nos EUA-UE se reduziu a escolher uma sofrível desaceleração do privatismo (Obama) ou uma maior radicalização deste, pois os pre-candidatos republicanos já deixaram bem claro ao mundo que a culpa das mazelas privatistas não é o neoliberalismo, mas a pouca dosagem do mesmo.

A estadofobia continuará até quando não houver mais o que ser privatizado, ou não houver regulações para serem rasgadas em capa de revistas ou tributos completamente zerados… quando a minarquia alcançar a realidade, a anarquismo e o comunismo se tornarão os caminhos mais próximos a uma situação tão drástica, que destruirá para sempre as soluções moderadas, sejam elas de esquerda ou direita. E há aqueles que torcem pelo esfriamento da economia chinesa, temendo sua hegemonia (algo improvável se apenas dependender de seu crescimento econômico), o que seria da combalida economia internacional se não fosse a segunda maior economia do mundo crescendo acima de 9%?

Written by ocommunard

24 de fevereiro de 2012 at 17:55

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Economia para os ricos e ecologia para os pobres

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Com a economia de países periféricos crescendo a níveis acima da média, a demanda por petróleo ameaça um aumento do preço que em países como os EUA, tão dependente de petróleo, provoca um dano gravíssimo a sua economia. Isso sem falar que os recursos em petróleo são limitados, segundo alguns não ultrapassam 50 anos. O Petróleo para o império norte-americano depende de monopolizar a importação de petróleo, no máximo partilhando com a servil UE, para poderem controlar os governos exportadores. Com a emergência dos BRICS, a dominação está se esvaziando como se provou com a China e Índia ignorando as sansões dos EUA sobre o Irã.

O método do império é assim, se não conseguem através do Conselho de Segurança, vai interpelar para uma ação off-ONU para conseguir o mesmo resultado. No entanto, com o aumento do preço do petróleo, algo que imaginavam que não ocorreria, as pressões sobre o Irã pura e simplesmente foram abortadas e sumiram do noticiário internacional.

A inflação do petróleo não só atingiria diretamente a combalida economia yanque, como ainda enriqueceria opositores como a Venezuela e o próprio Irã, ambos em ano eleitoral. O preço do petróleo alcançou na UE seu maior preço de todos os tempos com a retaliação iraniana ao embargo europeu. Se por algum acaso o petróleo ultrapassar  $150,00 a UE vai a falência e a recuperação americana é estancada.

A frente agora é esmagar um aliado iraniano, a Síria. Eles não desistirão enquanto não transformarem a Síria em Líbia. Porém, situações de instabilidades e até rebelião começam a pipocar no Afeganistão e Iraque, países invadidos pelos EUA. A Líbia caíra na completa barbárie. A situação está explosiva e o desespero do governo norte-americano é derrotar a principal força opositora dos EUA antes que o castelo de cartas desabe sob sua cabeça. Querem manter as aparências de dominação pelo menos até as eleições.

O petróleo explica todo esse verdismo para “não-ingleses” verem. Enquanto os EUA simplesmente se recusam a assinar qualquer protocolo com obrigações ecológicas, a UE no máximo se compromete a pagar “créditos de carbono” para que os países subdesenvolvidos “descarbonizem” suas economias, percebemos o quanto estamos ameaçados por esse recente verdismo.

Apenas querem evitar o aumento da demanda sobre o petróleo que impactaria no seu preço e exauriria suas reversas. O pior é que essa ópera buffa mau encenada não só ganhou adesão na América Latina, como inclusive no Brasil recebeu uma tosca heroína que mistura o envangélio com o capitalismo verde numa linguagem tão evasiva quanto o gás carbônico.

Written by ocommunard

24 de fevereiro de 2012 at 9:55

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O antichavista lulista: o que será da direita brasileira, agora?

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Não há nada mais simbólico na polarização da América Latina do que a Venezuela. A partir de um certo momento, com incentivo de alguns financiadores norte-americanos, a América Latina foi ‘venezuelizada’, e mesmo tendo o Brasil um governo de centro-esquerda ultra-moderado, não se livrou da retórica histérica da oposição venezuela apelando para qualquer coisa, até mesmo as urnas, para voltar ao poder.

A Veja, como a publicação mais a direita na grande direita brasileira, foi a que mais incorporou a histeria, os golpes baixos, as calúnias, a incitação ao ódio, os preconceitos na sua tradução anti-lulista do anti-chavismo.

Pois bem, depois de levar surras sucessivas das urnas, a oposição venezueala se “desvenezuelizou”, isto é, abandonaram o seu próprio enredo. Mas se não bastasse a “oposição par excellense” para a direita latino-americana ter abandonado o modelo ultra-oposicionista que espalhou por toda região, o novo líder dessa nova oposição, apesar de seu passado golpista e estar ligado aos setores mais conservadores, abandonou completamente o discurso histérico, até mesmo o anti-chavismo, assumiu uma postura conciliadora e se define de centro-esquerda. Seu modelo, para desespero mortal da direita brasileira: Luis Inácio Lula da Silva.

É óbvio que isso é “oportunismo”, como afirma o insupeito desesperado, desalentado e desorientado calunista direitista da Veja, Caio Binder, tudo é apenas tática. Mas se para a direita venezuelana esse discurso unifica todas as oposições e pode atrair setores chavistas descontentes, para o resto da “Grande Venezuela” latino-americano é um golpe fatal, é um golpe tão grande quanto ver os EUA se conciliarem com Cuba. E isso fica patente no desespero de Caio Binder.

O próprio Caio Binder reconhece que as chances de vencer Hugo Chavez são remotas, mas o que ele mais sabe ainda é que um candidato desse já representou para ele, para revista em que é empregado e para a ideologia que serve, uma derrocada humilhante. Vai ser difícil assumir uma histeria quando na pátria do supremo mal ditatorial da região, a oposição não só abandonou o anti-chavismo, como explicitamente busca se confundir com ele.

Não havia maior demonstração de ódio e rancor de nossa direita do que as aproximações de Lula com o Chavez, e não só isso, não havia maior ataque cujo imaginavam fazer do que compararem Lula a Chavez. Mais uma vez, nós, latino-americanos, podemos nos deliciar nesse carnaval com as ironias da história. Como da vez com que os tucanos quiseram barrar a entrada da Venezuela no Mercosul e convidaram um opositor de Chavez para falar ao Senado, e este opositor, para constrangimento visível de Tasso Jereissati, solicitou a entrada da Venezuela no Mercosul.

Se a história pudesse falar era diria agora: check-mate.

Written by ocommunard

21 de fevereiro de 2012 at 1:18

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Globalização, o mundo chinês…

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Podemos identificar claramente três modelos geopolíticos no capitalismo: colonialismo, imperialismo e globalismo. O colonialismo era um regime cujo um país-metrópole colonizava regiões não ocupada por europeus, geralmente usando mão de obra escrava, para extrair riquezas e garantir reserva de mercado.

O regime imperialista nasce com a Inglaterra, que por sua vez, também aplicara o colonialismo. Ele toma sua forma pura com o império norte-americano. A colonização agora é de caráter econômico, pois mantém o caráter exportador primário e importador secundário das ‘neocolônias’, mas permite a “independência formal” do regime desde que se submeta aos interesses do império, que caso contrário realiza intervenções econômicas, diplomáticas e militares que vai desde financiar partidos servis até a treinar torturadores. Esse modelo vigora ainda hoje nos EUA.

Com a globalização a colônia perde cada vez mais seu sentido porque o capital se transnacionaliza. A exploração se dissipa de um Estado-nação e passa a ser gerenciado diretamente pelos conglomerados capitalistas que controlam as democracias ocidentais através de seu poder econômico, financiando partidos, mídias e lobbys a favor de seus interesses.

A globalismo seria um golpe perfeito senão fosse o fracasso de seu projeto geral, o neoliberalismo. A abertura comercial irrestrita não favoreceu as economias privatizadas, desreguladas e destributarizadas, mas pelo contrário, favoreceu a China comunista e todos os países que se afastaram mais ou menos do Consenso de Washington.

Muitos buscam minimizar o progresso chinês o reduzindo a um produto da “mão de obra barata”. Se assim fosse, a África toda seria uma potência emergente. Há mão de obra barata, mas também organização fabril, infraestrutura, investimento público, transferência tecnológica, estratégia governamental, educação e muito especialmente o câmbio. Em um artigo do NY Times a Apple justificava seu abandono do Made in USA citando um caso em que os operários chineses foram acordados de madrugadas para uma mudança emergencial no IPhone. Como o jornalista do NY Times caiu em tão fraca falácia? Eles não investiriam na China se os chineses fossem 100x mais workaholics se no final o custo de produção fosse maior do que nos EUA. A questão para o capital é a mais-valia, sempre foi e sempre será.

A China teve a sapiência de enxergar isso e conquistar uma gama de investimentos extrangeiros para financiar seu socialismo de mercado. Se no século XX o capitalismo e o comunismo vivia sob a sombra de uma terceira guerra nuclear, no século XXI eles cooperam. Apesar da forte interdependência das elites econômicas e políticas norte-americanas com a China, a ascensão chinesa começa a incomodar, sobretudo, geopoliticamente. E os EUA abertamente começam a sabotá-la, atigindo seus parceiros comerciais (Irã, por exemplo) e o cercando com bases militares em países fronteiriços.

O governo Obama abusa da pressão diplomática internacional para deter a ascensão chinesa, combatendo o que eles chamam de “manipulação cambial”, um recurso retórico contra uma prática que não só é comum a qualquer país, como o próprio EUA aplicam com seu “quatitative easing” ao mesmo tempo em que criticam a China. Mas isso será o maior tiro no pé do último império ocidental. A China se comprometera a valorizar o seu câmbio e redirecionar sua produção ao mercado interno, ainda que torne mais complexo o controle inflacionário, esse remanejo provocará uma ascensão social tão colossal quanto hoje é o crescimento econômico, despojando os EUA da condição de chantageador-mor da UE ao tornar a China, muito provavelmente, o maior importador europeu através de seu mercado interno crescente.

O soft-power chinês vai ganhando adesão nas instituições multilaterais com sua postura sempre consensual, dialogada. A China naturalmente irá representar, cada vez mais, nas relações internacionais, o multilateralismo inerente a fase da globalização, atraindo simpatia das nações exauridas com o unitalteralismo americano. Mas uma hegemonia não se conquista tão suavemente. Sem os escombros deixados pela Segunda Guerra Mundial no antigo império britânico, os EUA não teria assumido o seu lugar. É necessário uma ruptura, um choque, uma prova de fogo.

Acredito em duas hipóteses em que esse choque pode ocorrer em benefício chinês. A primeira hipótese seria uma recaída da crise americana, que segundo economistas, não foi ainda sanada nas suas causas geradoras. Se uma nova crise disparar, o EUA hiperindividado não terá recursos para mais uma vez socializar as perdas ou financiar políticas anti-cíclias fiscas, gerando um efeito dominó sem condições de ser detido. Isso irá radicalmente antecipar a superação do PIB chinês sobre os EUA.

A segunda hipótese seria em uma situação de desespero fiscal, os EUA derem um calote exclusivamente na China alegando reparação das tais “manipulações cambiais”. A resposta lógica e mais leve da China seria a expropriação acionária das empresas americanas sediadas para compensar o dano dos EUA, zerando o jogo. Mas essa resposta chinesa poderia inflamar os brios militares norte-americanos, que podem sempre recoerrer aos “incidentes provocados” para incendiar a opinião pública americana para uma declaração de guerra. E como sabemos, uma guerra contra um páis com mais de 1 bilhão de habitantes, e ainda provaco por um país debilitado fiscalmente, é morte certa sim, mas do agressor.

Com tal choque, o século chinês, propriamente dito, então se iniciaria. Antes disso podemos falar apenas de uma potência econômica, mas jamais de uma potência hegemônica, ainda que multilateralista. De qualquer forma, ninguém há de duvidar que a globalização foi uma dádiva para o socialismo de mercado e um golpe fatal ao capitalismo de livre mercado, por mais irônico que seja.

Written by ocommunard

19 de fevereiro de 2012 at 5:30

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