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Políticas, economias e ideologias

Sobre ecologistas e economistas: oportunidades e desafios

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“O homem quer destruir o planeta! Nós, os homens, devemos salvar a ‘mãe-terra’ da ameaça dos homens”, suspira com fé inabalável a ex-candidata, evangélica, freudiana e ‘neo-politicista’ Marina Silva. Aqui jaz o ambientalismo e nasce a neo-cripto-paganismo ongueiro pós-pentecostal da jabuticaba do último dia. Não, a Marina Silva não declarou isso de um modo assim tão literal, mas sintetiza bem toda teogonia de sua traição política quanto abandonou o Partido dos Trabalhadores para pregar com o presidente da Natura o “Capitalismo Verde”.

O debate ecológico foi dizimado. Todo o sério debate sobre reciclagem, economia sustentável, diminuição da poluição, virou agora um Evangélio apócrifo cujas igrejas são as ONGs internacionais, sem nenhuma representantividade(voto), financiadas por países sem nenhuma legislação florestal, querendo pressionar um país com indicadores ambientais invejáveis a sacrificar seu desenvolvimento, enquanto seus países de origem se revesam em rejeitar qualquer compromisso ou a pagar “créditos de carbono” para que outros países o assumam.

Marina, Marina… Quem realmente pode acreditar não só que haja alguem que advogue a “destruição do planeta”, mas o que é pior, o faça por conta de sua “própria natureza”? Está claro que isso significaria uma aporia, mas a fé não precisa de lógica, não é Marina? Será que eu, enquanto uma singela singularidade da espécie humana, estou responsável pelo que faz uma fábrica norte-americana, que sem nenhuma legislação que a coiba, emite gases tóxicos contra a “mãe terra”?

Os Ecólatras não são fanáticos pelo seu ardor causal, como querem os conservadores, mas por uma acepção pre-darwiniana de uma “mãe-natureza” inofensiva, equilibrada e moralista. Não há moral na natureza, a moral é uma concepção da espécie que os ecólatras anti-humanistas maldizem. Se estudassem a história natural, veriam que a “mãe-terra” é uma sucessão de destruições, brucas mudanças climáticas e extinções sucessivas das espécies, muito antes de que qualquer “homem” pecaminoso desejasse a destruir.

Há ainda os economistas que afirmam que a “propriedade privada” não ameaça a “preservação” porque estimula a manutenção de plantação de reservas de exploração, como se o desmatamento das madereiras ilegais não irrigassem o consumo capitalista dos “ecologicamente corretos” europeus e norte-americanos, que mesmo muito preocupados com a “maior floresta do mundo”, não reforçam a legislação contra a entrada de madeira advinda de desmantamento. A hipocrisia euro-americana tem lógica, eles defendem seu desenvolvimento nacional, transferindo para o terceiro mundo o ônus do Éden ambiental, que obviamente eles ricos podem a qualquer momento praticar seu turismo ecológico. Por isso o novo Código Florestal foi um avanço, apesar de permanecer economicamente repressivo, apenas por ter demonstrado soberania.

Isto prova que a questão não é econômica ou ecológica, é puramente política.

O Brasil tem uma das maiores extensões agriculturáveis do mundo, nosso potencial agrícola é vertiginoso. O tema da “primarização” está demonstrando um falso dilema, posto que qualquer desenvolvimento agrícola brasileiro impactará decisavamente numa pauta mais primária das exportações, seja pela pressão da China que está focando seu crescimento no mercado interno, seja pela imensidão de condições tão favoráveis de incidência solar, terras férteis e potencial inexplorado. Se formos minimamente bem sucedidos em nossas políticas agrícolas, nos tornaremos o celeiro do mundo, se formos estrondosamente bem sucedidos em nossas políticas industriais, e ainda estamos longe disso por conta do financeirismo na política econômica, mesmo assim não terá a menor chance de se rivalizar com as exportações agrícolas por conta de nosso oceânico potencial.

Nessa perspectiva acredito que o Brasil teria muitas vias para políticas de alianças nacional-desenvolvimentista, inclusive unindo os opostos como o MST e o agro-negócio, se a reforma agrária passasse a ser vista como parte da política agrícola, e vice-versa. Do mesmo modo uma aliança entre o capital industrial, comercial e agrícola em favor dessa pauta. Não é uma novidade, Getúlio já havia conquistado uma aliança assim, se pudermos costurar alianças viáveis para objetivos comuns, mesmo que transitórios, parciais ou imediatos, nos viabilizaríamos politicamente para liberar nossas imensas forças produtivas hoje drenadas pela custosa política econômica ortodoxa (ainda que amenizada) e os embargos externos que querem, a todo custo, evitar a concorrência com o desenvolvimento dos emergentes.

Mas o preconceito raivoso de certas elites, patrocinadas maciçamente nas mídias pelo capital financeiro que tanto lucra com essas divisões, mais uma vez, bloqueia qualquer tentativa de articular alianças progressitas. E assim, o Brasil permanece mais uma vez perdendo oportunidades valiosas para o nosso desenvolvimento econômico, social e político.

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Written by ocommunard

24 de janeiro de 2012 às 14:04

Publicado em Sem categoria

2 Respostas

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  1. E você, amigo repórter, que fala como se Deus fosse, cheio de razão e, perdoe, até sarcasmo, em sua douta análise.

    Antes de falar o que quer, talvez lhe fosse apropriado compreender que a razão do seu discurso não decorre do menosprezo ao “adversário” – e a isto chamamos dialética.

    Um discurso rasgado como o seu não é próprio de quem está afeito ao diálogo ou mesmo ao desenvolvimento humano. É pena.

    Antes houvesse mais Marinas Jaboticabeiras, e o mundo estaria, certamente, mais colorido.

    João Sassi

    28 de janeiro de 2012 at 16:30

    • Caro João Sassi,

      Respeito sua discordância, mas se tem alguma crítica ou refutação, fique à vontade. Ficarei feliz em lê-la e se possível, replicá-la. Convenhamos, o texto em nenhum momento sequer se assemelha a querer “falar como se Deus fosse”, são constatações bem visíveis. No mais, obrigado pelo comentário.

      ocommunard

      30 de janeiro de 2012 at 1:24


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