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Políticas, economias e ideologias

Elitismo ou populismo, eis a questão.

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O impasse cada vez mais drástico entre livres mercados e soberania popular está entrando em uma fase aguda na UE, a mitologia de Fukuyama sobre a unidade entre democracia e liberalismo, ou fórmula sufrágio universal + livre mercado(estado mínimo), se mostrou tão equivocado quanto o seu “fim da história”.

Essa contradição culmina nas mídias elitistas na tática de transformar qualquer expressão democrática não neoliberal em “populismo”. E eles estão certos, é populismo sim, com orgulho! É necessário desmascarar que todos os que reagem contra o populismo então em última análise defendendo o elitismo reinante. O regime democrático, que se define literalmente como “poder do povo”, só pode rejeitar o populismo por completa sujeição a ignorância ou as elites, ou as duas coisas.

O grau de corrosão da plataforma ortodoxa está tão avançado que quase qualquer suspiro indevido ou menção deslocada estão se enquadrando no “espectro do populismo”. Isso está dando ao populismo na América Latina uma amplitude inédita, agregando econômica, social e politicamente setores que não se identificariam ao ‘conceito’ até então.

A América Latina, ao contrário da UE, não tem muita expressão de “populismo de direita”, com exceção da “Nova Política” anti-desenvolvimentista de Marina Silva e outros gatos pingados com Jânio Quadros e Collor de Melo. Isso se deve pela formação de nossas elites, sem nenhuma gênese comum popular (como a revolução francesa, ou inglesa, ou americana) e de origem colonizada (antinacional, complexo de inferioridade nacional). A nossa revolução de 30, que poderia ser a nossa “revolução fundadora”, formou sim uma elite reacionária anti-getulista, anti-trabalhista, antinacionalista, antipopular controlado pelas “capitanias midiáticas” das famílias Marinho, Civita, Frias, etc.

Aonde há radicalização nas transformações, o socialismo é a bandeira (revolução bolivariana), já nos modelos moderados como Brasil e Chile, o populismo pode ser posto em prática na mesma plataforma de aliança do capital produtivo com o trabalho dos populismos de esquerda da América Latina do século XX.

O populismo é a plataforma em que um “contrato social” entre todas as classes progressistas em favor do desenvolvimento econômico, social e político. O Brasil vive essa plataforma, mas de modo muito mais intuitivo do que explícito. É preciso explicitar, sobretudo, agora que podemos provar a vitalidade e viabilidade desse projeto. Explicitar esse projeto oferecerá uma consistência maior e mais segura para institucionalizar os avanços e alcançar as reformas fundamentais que permanecem emperradas. Sabemos que há pontos que progressivamente se antagonizarão e se tornarão inconciliáveis a médio e longo prazo, o que abolirá qualquer forma de populismo progressista, mas não podemos perder a oportunidade de realizar as transformações que agora são possíveis a essa aliança.

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Written by ocommunard

15 de janeiro de 2012 às 17:05

Publicado em Sem categoria

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