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Políticas, economias e ideologias

E agora UE? radicalização neoliberal ou mais do mesmo

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Como um fanático que frente a sua não correspondida fé, se suplicia, assim se abre uma nova temporada de neoliberalização na parte decadente do mundo. Um neoliberal sempre vai responsabilizar algum resquício de estado frente ao volumoso fracasso de governos privatizantes, desregulamentadores e anti-tributários. Os EUA, que podem se dar ao luxo de imprimir moeda, o eufemismístico “relaxamento monetário”, ainda conseguem respirar sem aparelhos, já a velha europa não.

Mas mesmo os EUA já está de frente com mais uma luta pelo aumento do teto da dívida, o que em ano eleitoral pode ir muito além do que um mero constrangimento político.

Pior do que o aumento do veneno, é o placebo das esquerdas européias contaminadas pelo centrismo da terceira via (New Labor). Comparativamente, a UE de fato tem um estado maior legado pelo seu Wellfare, mas as consequências trágicas da minimização do Estado na UE não estão recaindo na receita, mas na dosagem. É aí que se abre as portas para uma radicalização conservadora neoliberal. A França, que terá nas suas eleições um postulante socialista, já é refém do mesmo socialismo português, espanhol, inglês e grego que de um lado se comprometeu economicamente com uma plataforma neoliberal moderada e por outro assumiu politica, eleitoral e ideologicamente todo o fracasso de sua adesão conservadora.

A possibilidade de que uma oposição neoliberal ao menos minimizem as políticas neoliberais de governos socialistas é realmente mínima, a única resistência a isso possa vir de pressões populares-eleitorais, mas com o auto-descrédito provocado pela auto-renúncia ideológica dos socialistas europeus, essa resistência esmorece. Assim, o horizonte é mais veneno, agora em dosagens cavalares.

A esquerda não se organizou ou se reorganizou frente a crise financeira internacional de 2008, que poderia ser o ambiente de seu renascimento. Enquanto a esquerda latino-americana apenas esperam passivamente um novo intelectual europeu que reincarne Karl Marx e lhes passem a receita, enquanto a esquerda europeia já está totalmente envolvida com as práticas, ideias e políticas neoliberais, grande parte governando sob essa cartilha conservadora, nada poderiam fazer a não ser esperar o inevitável abate eleitoral ou fracasso governamental.

Obama tão pouco pode sequer aplicar sua plataforma eleitoral que foi chancelada por uma altíssima votação e com folgada maioria legislativa. Rendeu-se e após perder a maioria na câmara, pode entrar na histórica como um dos poucos presidentes norte-americanos que não conquistaram a reeleição. Seria um estrondoso fracasso frente aquele que encarnou um dia a grande esperança contra o medo.

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Written by ocommunard

15 de janeiro de 2012 às 12:12

Publicado em Sem categoria

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