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Políticas, economias e ideologias

Archive for janeiro 2012

Irã, o centro do furacão

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O embargo euro-americano ao petróleo iraniano, associado a velha retórica usada contra Afeganistão, Iraque e Líbia nos deixa claro que a guerra contra o Irã está a um passo. A China e a Rússia, já calejados com a farsa, impediriam que o Conselho de Segurança da ONU fosse usado para mais essa pilhagem euro-americana contra a terceira maior reserva de petróleo do Oriente Médio, mas não impediu o embargo dos EUA, ignorando a ONU e negociando com cada país individualmente.

Sem a ONU não há sansões, embargos ou OTAN, mas a Guerra do Iraque prova que isso não é um impedimento para o império yanque. Nos EUA, o direito internacional só é evocado quando está a serviço do interesse nacional. Já Israel, inquieto com o fracasso do golpe do “inverno Sírio”, está ameaçando iniciar uma guerra sozinho, sabedor que o governo de Obama não teria como evitar o apoio.

Pepe Escobar[1], nos lembrando que o império americano se assenta sobre a hegemonia do dólar e a supremacia militar, nos adverte das pretensões dos EUA de conter a China, ao controlar seus fornecedores de petróleo e impor a ‘redolarização’ do petróleo no Irã,  não nos esqueçamos que Saddam Husseim aventava vender seu petróleo em outra moedas pouco antes da invasão americana.

Índia, China e Rússia não darão a ONU de bandeja de novo aos EUA , mas sem oferecer guarida militar essa postura terá o mesmo efeito que a resolução da ONU sobre a Líbia. Por melhor que sejam as defesas iranianas e por mais custoso que seja aos agressores uma guerra com o Irã, não sou tão esperançoso como Pepe Escobar em apostar que a guerra será um simples tiro no pé para os saqueadores.

Mas, sem esquecer que a ironia da história não aliviará a carnificina, podemos elencar uma série de fatos que sustentam o risco da guerra para os agressores, sobretudo para a UE. Vejamos:

1. A escalada saqueadora, desde o Afeganistão até Líbia, não só não fortaleceu economicamente os EUA-UE, como ainda os levaram para a mega-crise de 2008, aumentara os número de ataques terroristas no Oriente Médio segundo relatórios da CIA e desmanchara o equilíbrio geopolítico pró-americano com as Primaveras Árabes. Sem falar que agora o Irã tem um amigável governo xiíta no Iraque.

2. Um projeto de lei iraniana defende o bloqueio das exportações para a UE em retaliação, rompendo os contratos atuais que não eram previsto no embargo europeu, isso não só provocará a disparada do preço como ainda irá provocar imensos prejuízos para as empresas europeias compradoras. Com as compras chinesas e indianas garantidas, as exportações iraniana estão seguras. Se estiver ciente disso, provavelmente a UE terá de revogar o embargo para não jogar mais lenha na fogueira de sua crise, provocando um grave dano nas pretensões belicistas de Israel.

3. Por mais evidente que tais manobras visem atingir o crescimento chinês, não é tão contraditório que seja a china, na condição de maior credor, o maior financiador dessa escalada imperialista euro-americana.  Se vermos objetivamente, a China não só não perdeu, mas foi talvez a mais favorecida ao se manter neutra financiando a máquina militar americana, basta ver a saúde das economias em questão.

Aconteça o que acontecer no que pode ou não terminar numa guerra contra o Irã, com certeza nos lembraremos desses acontecimentos como um dos mais importantes acontecimentos definidores da geopolítica do século XXI.

[1] http://correiodobrasil.com.br/pepe-escobar-embargo-a-volta-do-chicote-no-lombo-de-quem-bateu/365528/

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Written by ocommunard

29 de janeiro de 2012 at 16:20

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O charuto de Lênin

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Em uma edição recente pairava numa capa da prestigiada The Economist, com forte tons vermelhos, um Lênin vitorioso fumando um charuto com um singelo cifrão, e em letras garrafais a revista não escondia o panfletarismo: “The rise of state capitalism”. A insistência e abrangência do Brasil na matéria, apesar da China ir muitíssimo mais longe do que nossos humildes state capitalists, desmascara a pomposa pretensão de tentar nos recolonizar, ao menos, ideologicamente.

O artigo de Antonio Lassance [1] aborda bem essas questões, demonstrando como o conceito de “capitalismo de Estado” foi apropriado pela revista de um modo confuso e míope, já que este é um conceito bolchevique (capitalismo monopolista de Estado) para atacar o keynesianismo capitalista. Outros autores usaram o conceito de “capitalismo de Estado” contra os bolcheviques justamente para refutar qualquer pretensão anti-capitalista em seu regime. Agora, pela primeira vez na história, a The Economist utiliza o capitalismo de Estado como uma ameaça ao capitalismo.

O que está em questão, obviamente, não é o capitalismo de Estado, pois como lembra o artigo o capitalismo sempre dependeu e muito do Estado, mas o capitalismo de Estado mínimo (liberalismo econômico) que sempre se esbarrou nas crises que provoca, como as grandes crises de 1847, 1929 e 2008 que ainda persiste na casa do The Economist. The Economist lamenta e ataca os BRICS por terem a ousadia de terem sucesso com tal receituário, ainda que seja muito parecido com o keynesianismo deles no século XX, seu jornalismo econômico se politiza, a The Economist se torna The Politics.

Mas há algo sintomático interessante. O ponto em comum entre o capitalismo de Estado, socialismo de mercado e o keynesianismo é que, a despeito de suas inclinações políticas divergentes, convergem em um receituário muito parecido e muito bem sucedido que, segundo a própria The Economist, se comprova nos BRICS. A consternação da matéria, que não por acaso surge logo depois do ‘Brazil’ ter ultrapassado o Reino Unido em PIB, não chega a constituir uma crítica propriamente, está mais para uma lamúria.

Mas observando geopoliticamente, a matéria anti-BRICS da The Economist é uma boa notícia. Se na pior das hipóteses a The Economist estiver 100% certa, o que significaria que o capitalismo de Estado está levando o BRICS a superar as economias de “capitalismo de Estado mínimo”, a fidelidade das potências declinantes ao seu receituário fracassado é uma excelente notícia não só para a hegemonia dos BRICS, mas para o próprio “capitalismo de Estado” defenestrado pela The Politics(ou seria The Economist?). E de certa forma nós, que estamos nos BRICS, deveríamos comemorar a persistência desse dogma catastrófico entre os nossos mais fortes concorrentes.

Estamos falando da The Economist, uma revista séria, não um panfleto descarado como o The WallStreet Journal. Por isso é ainda mais emblemático toda essa discussão. Sem muito esforço se pode ler nas entrelinhas que o The Economist, no modo coerente com seus dogmas, apenas saudou o novo mundo do “capitalismo de Estado” encabeçado pela China, a escolha da imagem de Lênin triunfante estampando a capa fala por si. Aliás, bem no topo da capa, tem uma chamada para uma matéria também emblemática: “How to tax 1%”.

E para os que agora estão psico-analisando as questões fálicas subjacentes a matéria da The Economista, sejamos tolerantes, como uma vez disse Freud, “as vezes um charuto é apenas um charuto”.

[1] http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5420

Written by ocommunard

28 de janeiro de 2012 at 12:14

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Primárias Republicanas e os seus 4 cavaleiros do apocalipse

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É realmente impressionante assistir o debate dos republicanos, o fiz assistindo os dois ultimos debates da Flórida e um da Carolina do Sul. É inacreditável o volume de clichês, preconceitos, proselitismos e esteriótipos ideológicos em cada um. Não adianta muito perseguir seriamente os argumentos, tudo é retórica, pose e ‘efeito’.

Antes de mais nada é bom lembrar que há três colunas ideológicas do conservadorismo americano: a exaltação ufanista do neoliberalismo (estado mínimo, menos impostos, menos gastos públicos, etc), imperialismo (militarismo, hostilização, supremacia) e moralismo (família, religião, etc). Em geral são valores excludentes, mas como o que vale é o efeito ‘emocional’, as contradições não são muito questionadas. Um debate republicano é uma disputa de bravatas em defesa do proselitismo ufano-capitalista dos republicanos.

Temos o Rick Santorum, auto-intitulado “o contraste”, sua principal meta é convencer que Romney e Gingrich não são muito diferentes de Obama, portanto, não fariam um contra-ponto forte de cunho conservador. Seja pela semelhança entre o ‘socialista’ sistema de saúde do Obamacare e o Romneycare, seja convencendo que muitas leis contrárias a um “menor governo” foi votada ou defendida pela liderança de Gingrich em sua presidência na câmara. Ele faz um tipo comedido, familiar e moralista que se inflama apenas para apelar ao sentimento imperialista contra os argumentos anti-belicistas de Ron Paul, que faz questão também de demonstrar “o contraste”. No mais demonstra uma certa “fragilidade” e amadorismo.

Temos o Mitt Romney, o “conservador moderado”, defende em dosagem tecnocrática todos os clichês republicanos. Tem um ar tecnocrático que não empolga os setores mais radicais dos Republicanos, muitas vezes acusado de frio, mas seu tipo “cinematográfico” e suas tiradas defensivas o mantém com grande popularidade. Mitt Romney encarna o herói da mitologia conservadora, o capitalista bem sucedido, seu trunfo é lembrar que só ele pode realizar um governo conservador, pois ele veio da “economia real”.

Newt Gingrich é o rei da retórica, empalado de incoerências, ele transforma todos os ataques em contra-ataques fulminantes, algumas vezes não consegue tal feito. Entre todos é o único que exala firmeza, convicção, experiência. Seus cabelos brancos o tornam a pesonalização do conservadorismo. Geralmente apela para o discurso de supremacia, superioridade imperial, focado em grandes obras, que entram em contradição com o discurso minarquista conservador. Com sua imagem como uma espécie de Churchil e forte retórica, consegue no geral desviar de suas incoerências e inconsistências biográficas.

Por fim temos o Ron Paul, que leva um discurso ultra-capitalista. Ele é o único que desvenda, expõe e critica a contradição entre o ultra-imperialismo e o ultra-capitalismo republicano, defendendo a solução comercial para todos os conflitos e resolver o problema fiscal com a diminuição da máquina militar. Com um discurso mais libertário que conservador, atrai a juventude. Mas sempre exala uma certa insegurança e fragilidade que não é muito bem vista, e não mostra muita ambição, além de assustar o sentimento militarista dos republicanos.

Seu pudéssemos resumir, Ron Paul tem como valor predominante o discurso neoliberal, Newt Gingrich o discuro neoconservador(supremacista), e Rick Santorum o discurso neoimperialista(Bush, ataque preventivo, expansionismo militar). Sendo o Mitt Romney apenas uma geléia geral e moderada de todos esses valores. Fato é também que as contradições são tantas que os debates parecem uma confusão de acusações quer parecem terminar em um empate em que todos perdem em confiança.

O que impressiona é que todos defendem programas que levaram o país para a crise de 2008 legada por um governo conservador que cortou impostos dos ricos, privatizou serviços públicos e expandiu militarmente o país. Todos defendem em alguma dosagem mais do mesmo. Realmente, o que poderia fazer um conservador nos EUA? Culpar o capitalismo como se está fazendo no Fórum Econômico Mundial e Davos!?

Written by ocommunard

27 de janeiro de 2012 at 15:29

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A crise do PPSDEMB e a refundação social-democrata

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O PPSDEMB (PPS + DEM + PSDB) está em franca dissolução. Esses três partidos, mais especificamente sob o tzarismo putínico do ex-tudo José Serra, tinha ingerência e submissão absoluta dos maiores meios de comunicação do país, formando a mais poderosa máquina de propaganda que esse país jamais viu. Foram até aqui 9 anos ininterruptos dessa máquina funcionando minuto a minuto, sem parar.

Mas não foi apenas o advento da internet e suas mídias sociais que romperam o sitiamento ideológico do PPSDEMB, cujo seus capachos declaram publicamente partidarismo, nada disso foi possível sem “a pedagogia do oprimido” que a vida democrática que desmascara a um número cada vez maior de pessoas o cartel ideológico e a perseguição política aos partidos progressistas pelas mesmas famílias Marinho, Civita e Frias desde sempre no Brasil. Se por um lado imobiliza as reformas, por outro, cria uma aura de inoscência sumária frente ao PT o facilitando ainda mais sua vida.

O contraste entre o aparelhamento midiático e a coligação do PPSDEM é dramática. A ala reacionária do DEM perdeu para o novo PSD sua ala fisiológica, e tudo resultado do revanchismo de Serra, que saiu pela culatra já que o próprio Kassab já busca dramaticamente se afastar de uma figura que não agrada nem PT nem PSDB. FHC declarou em inglês e cheio de rodeios a vitória de Aécio na luta interna, Serra ao declarar que “não polemiza com um amigo”, o que todos sabem que é mentira, passou a mensagem que FHC não tem nenhuma credencial como “líder” ao mesmo tempo que o “amigo” era uma óbvia senha, para quem conhece Serra, para se “tornou meu inimigo”.

O PPS, que já perdeu qualquer escrúpulo ideológico por se aliar ao DEM, o partido mais a direita no país, agora sonha em ressurgir dos mortos com a entrada de José Serra no seu partido decadente. Para o Roberto Freire não há muita opção, se nega a ver que sem o PIG o Serra não vence nem disputa de síndico. O PIG é o dote do partido anti-petista mais viável, isto é, o PSDB. E o PSDB hoje é Aécio Neves, Geraldo Alckmin e Sérgio Guerra. Ou seja, anti-serrista total.

Com o PPS evaporando, o DEM desfalcado e o PSDB dividido; resta aos marketeiros do PPSDEMB o samba do criolo doido. O último prego do caixão são as pesquisas que indicam Dilma com mais popularidade até do que o campeão de carisma da esquerda: Lula. A saída do PSDB, a única saída, é abdicar do papel de UDN com que se vendem as oligarquias midiáticas e oferecer uma plataforma progressista, apartidária, que o coloque dentro do ciclo progressista que tomou o Brasil, a América Latina e o Mundo. Caso contrário, terminarão seus dias dizimados nas urnas e desmoralizados pela história.

Se o PSDB oferecer ao PT uma aliança programática no congresso federal, afastando assim a cilada do fisiologismo de PMDB, oferecendo ao país as grandes reformas que nunca sairão do papel de outra forma, por outro lado, retomando as bandeiras social-democráticas que hoje serviriam para pavimentar essa ponte política, só assim, conseguirão reverter sua inexorável dissipação política. Caso permanecerem surfando no preconceito, na manipulação e no elitismo, o que fazem crer que algo diferente ocorrerá do que o que ocorrera até agora?

Uma boa pauta para uma aproximação da reforma política seria o apoio do PT ao parlamentarismo do PSDB e o apoio do PSDB a lista fechada do PT.

Written by ocommunard

27 de janeiro de 2012 at 12:34

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Um G7 para os emergentes…

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Enquanto os BRICs se tranformam cada vez mais de um conglomerado de siglas de grandes economias em crescimentos para um bloco político eficaz, o G7 com o Brasil e a China de fora, o grupo das 7 maiores economias do mundo não representa nem o que é, tão pouco tem força política pois quase todos seus membros estão em algum grau em crise. O G7 se tornou, quase que completamente, no grupo dos ‘imergentes’.

Por outro lado, mesmo Jim O’Neill, o mentor da sigla, já trata da necessidade de incluir outros países entre os emergentes. Nesse caso faria sentido em falar em um “EG7” ou ‘emergent group 7’, em contraposição ao G7 dos imergentes. Dessa forma, expandindo as atuais 4 economias de que fazem parte o BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa).

Segundo o site abaixo e suas fontes[1], os países considerado mercados emergentes são México, Brasil, Argentina, Venezuela, Colômbia, Chile, Peru, China, Coréia do Sul, Índia, Taiwan, Indonésia, Tailândia, Hong Kong, Malásia, Paquistão, Filipinas, Cingapura, Rússia, Turquia, Polônia, República Tcheca, Hungria, África do Sul, Egito, Israel, Arábia Saudita.

Combinando fatores geopolíticos, socio-econômicos e pluralidade étnica, fatores que foram considerados para a entrada da África do Sul, o bloco dos 7 maiores mercados emergentes teriam a adesão preferencial, na minha opinião, de um representante do leste-europeu e um represente do Oriente Médio, a terceira vaga ficaria livre de critério geográfico.

Como representante do leste-europeu haveria a Hungria e a Polônia, mas a Polônia por sua taxa de crescimento, extensão territorial e população seria a mais qualificada para a vaga.

Já o representante do Oriente Médio estaria entre a Turquia e o Egito. Turquia, em termos econômicos, estaria muito melhor posicionada que o Egito, mesmo politicamente oferece um regime híbrido ocidental-oriental. Mas talvez justamente por isso, não forneceria uma melhor representação árabe/islâmica que o Egito, que tem como vantagem a sua nascente democracia, um ponto de neutro entre as várias correntes islâmicas e por ser fronteira entre o norte da África e o Oriente Médio. Mas como o caráter do grupo é sobretudo econômico, então Turquia mereceria a vaga.

Sobraria então a última vaga, que em tese, abriria mão de qualquer critério geográfico já que entre os emergentes listados, todas as regiões estariam bem representadas. Acredito que os mais qualificados para essa última vaga seriam: México, Tailândia, Coréia do Sul, Venezuela e Argentina. O problema militar  entre as duas Coréias tornaria a Coréia do Sul problemática. Restaria, portanto, como bons candidatos, o México, Tailândia, Venezuela e Argentina.

Dos restantes, haveria três representantes da América Latina e um representante dos “novos tigres asiáticos”. A Tailândia, portanto, por representar esse grupo, e ter todas as credenciais econômicas para a vaga, seria melhor qualificada a última vaga de um possível EG7. Porém, o peso do PIB do México com sua posição geográfica privilegiada entre a América do Norte e a América Central, a força e o peso do crescimento da Argentina como segundo economia da América do Sul e a posse das maiores reservas de petróleo do mundo pela Venezuela os colocam como páreos para a vaga. Aí caberia a decisão de qual critério seria mais relevante reforçar o peso econômico desse EG7. Me parece que a Venezuela é a melhor alternativa segundo esse critério, mas prevalecendo o critério geográfico, a Tailândia.

O lado positivo de um “grupo” ao invés de uma sigla é que não estaria constrangida a ser modificada a sigla a cada momento que um novo membro entrar ou sair. Uma outra solução ainda mais interessante seria abrir mão de um número definido de membros, tornando o EG7 em EG (grupo de emergentes) que seriam dinamicamente qualificados ano a ano conforme o desempenho econômico dos países e se reuniriam em um fórum de emergentes para articulações políticas. Mas, provavelmente, uma lista muito grande fragilizaria ações coordenadas entre as potências emergentes, que é o principal desafio dos BRICS atual. Nesse sentido, o EG7 é a melhor solução.

[1] http://pt.reingex.com/Paises-Emergentes-China-India.asp

Written by ocommunard

25 de janeiro de 2012 at 15:16

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Sobre ecologistas e economistas: oportunidades e desafios

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“O homem quer destruir o planeta! Nós, os homens, devemos salvar a ‘mãe-terra’ da ameaça dos homens”, suspira com fé inabalável a ex-candidata, evangélica, freudiana e ‘neo-politicista’ Marina Silva. Aqui jaz o ambientalismo e nasce a neo-cripto-paganismo ongueiro pós-pentecostal da jabuticaba do último dia. Não, a Marina Silva não declarou isso de um modo assim tão literal, mas sintetiza bem toda teogonia de sua traição política quanto abandonou o Partido dos Trabalhadores para pregar com o presidente da Natura o “Capitalismo Verde”.

O debate ecológico foi dizimado. Todo o sério debate sobre reciclagem, economia sustentável, diminuição da poluição, virou agora um Evangélio apócrifo cujas igrejas são as ONGs internacionais, sem nenhuma representantividade(voto), financiadas por países sem nenhuma legislação florestal, querendo pressionar um país com indicadores ambientais invejáveis a sacrificar seu desenvolvimento, enquanto seus países de origem se revesam em rejeitar qualquer compromisso ou a pagar “créditos de carbono” para que outros países o assumam.

Marina, Marina… Quem realmente pode acreditar não só que haja alguem que advogue a “destruição do planeta”, mas o que é pior, o faça por conta de sua “própria natureza”? Está claro que isso significaria uma aporia, mas a fé não precisa de lógica, não é Marina? Será que eu, enquanto uma singela singularidade da espécie humana, estou responsável pelo que faz uma fábrica norte-americana, que sem nenhuma legislação que a coiba, emite gases tóxicos contra a “mãe terra”?

Os Ecólatras não são fanáticos pelo seu ardor causal, como querem os conservadores, mas por uma acepção pre-darwiniana de uma “mãe-natureza” inofensiva, equilibrada e moralista. Não há moral na natureza, a moral é uma concepção da espécie que os ecólatras anti-humanistas maldizem. Se estudassem a história natural, veriam que a “mãe-terra” é uma sucessão de destruições, brucas mudanças climáticas e extinções sucessivas das espécies, muito antes de que qualquer “homem” pecaminoso desejasse a destruir.

Há ainda os economistas que afirmam que a “propriedade privada” não ameaça a “preservação” porque estimula a manutenção de plantação de reservas de exploração, como se o desmatamento das madereiras ilegais não irrigassem o consumo capitalista dos “ecologicamente corretos” europeus e norte-americanos, que mesmo muito preocupados com a “maior floresta do mundo”, não reforçam a legislação contra a entrada de madeira advinda de desmantamento. A hipocrisia euro-americana tem lógica, eles defendem seu desenvolvimento nacional, transferindo para o terceiro mundo o ônus do Éden ambiental, que obviamente eles ricos podem a qualquer momento praticar seu turismo ecológico. Por isso o novo Código Florestal foi um avanço, apesar de permanecer economicamente repressivo, apenas por ter demonstrado soberania.

Isto prova que a questão não é econômica ou ecológica, é puramente política.

O Brasil tem uma das maiores extensões agriculturáveis do mundo, nosso potencial agrícola é vertiginoso. O tema da “primarização” está demonstrando um falso dilema, posto que qualquer desenvolvimento agrícola brasileiro impactará decisavamente numa pauta mais primária das exportações, seja pela pressão da China que está focando seu crescimento no mercado interno, seja pela imensidão de condições tão favoráveis de incidência solar, terras férteis e potencial inexplorado. Se formos minimamente bem sucedidos em nossas políticas agrícolas, nos tornaremos o celeiro do mundo, se formos estrondosamente bem sucedidos em nossas políticas industriais, e ainda estamos longe disso por conta do financeirismo na política econômica, mesmo assim não terá a menor chance de se rivalizar com as exportações agrícolas por conta de nosso oceânico potencial.

Nessa perspectiva acredito que o Brasil teria muitas vias para políticas de alianças nacional-desenvolvimentista, inclusive unindo os opostos como o MST e o agro-negócio, se a reforma agrária passasse a ser vista como parte da política agrícola, e vice-versa. Do mesmo modo uma aliança entre o capital industrial, comercial e agrícola em favor dessa pauta. Não é uma novidade, Getúlio já havia conquistado uma aliança assim, se pudermos costurar alianças viáveis para objetivos comuns, mesmo que transitórios, parciais ou imediatos, nos viabilizaríamos politicamente para liberar nossas imensas forças produtivas hoje drenadas pela custosa política econômica ortodoxa (ainda que amenizada) e os embargos externos que querem, a todo custo, evitar a concorrência com o desenvolvimento dos emergentes.

Mas o preconceito raivoso de certas elites, patrocinadas maciçamente nas mídias pelo capital financeiro que tanto lucra com essas divisões, mais uma vez, bloqueia qualquer tentativa de articular alianças progressitas. E assim, o Brasil permanece mais uma vez perdendo oportunidades valiosas para o nosso desenvolvimento econômico, social e político.

Written by ocommunard

24 de janeiro de 2012 at 14:04

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Por uma Aliança Nacional Progressista

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Abaixo 3 sugestões de aliança entre governo e burguesia nacional em favor de uma pauta desenvolvimentista.

1. Carga Tributária por Estatização. Receber apoio da burguesia industrial nacional na estatização dos recursos naturais e re-estatização do que foi indevidamente estatizado por meios corruptos, através de auditorias, compensando em queda da carga tributária tudo que a receita aumentar, mantendo assim o equilíbrio fiscal e as fontes de financiamento dos serviços públicos, ao mesmo tempo em que se diminui o custo-Brasil.

2. Juros por Superávit Primário. Receber apoio da burguesia financeira nacional para transferir ao superávit primário toda economia em um corte drástico nas nossas altas taxas de juros, e transformar a Selic de uma mensuração mínima do juros para uma fonte de tributação que também deve ser remanejados ao Superávit Primário. Dessa forma a dívida é duplamente abatida com a economia em juros e na receita da nova Selic através do aporte ao Superávit Primário, cujo os beneficiados credores são os próprios bancos.

3. Parcerias por Infraestrutura. Receber apoio da burguesia comercial nacional para implantar parceriais compulsórias entre público e o privado para as obras públicas por proximidade física. Assim, os espaços públicos passam a ser responsabilidade conjunto da autoridade pública e dos empreendimentos comerciais adjacentes que se beneficiam do espaço. Dessa forma se racionaliza os gastos e a manutenção desses espaços de modo a responsabilizar o agente privado proporcionalmente ao que ele se beneficia comercialmente desses espaços públicos.

Written by ocommunard

23 de janeiro de 2012 at 13:04

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