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O último suspiro do serrismo…

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Para um bom entendedor, o significado do livro A Privataria Tucana é o puro, simples e singelo sepultamento do serrismo, o nome informal para o neoudenismo que dominou o PSDB sob a batuta de José Serra. O livro que denuncia o esquema de espionagem serrista contra adversários internos e externos desnuda as vísceras podres da figura mais controversa da política brasileira recente.

Mas não é de hoje que o PSDB se contorce para se livrar do serrismo, os cardeais tucanos (FHC, Tasso, Aécio, Sergio Guerra, Alckmin, etc) agora se articulam para concentrar energia contra ele, seja pelo seu absolutismo no partido, seja pela influência regressiva nos valores socialdemocratas do PSDB, mas mesmo conseguindo desarticular todos os seus tentáculos dentro do partido, o serrismo permanece aparelhando a grande mídia pró-tucana, sobretudo, os oligarcas do Instituto Millenium: Veja, Folha, Estadão, Globo, etc.

Se havia alguma dúvida do poder nefasto do serrismo(ou neoudenismo), o livro de Amaury Jr. vem para deixar patente ao PSDB de que subestimam o poder de Serra. No PSDB não haverá fim o stalinismo serrista se não reconhecerem, agora com a demonstração documentada da Gestapo serrista, de que Serra representa uma ameaça real não só a nova liderança tucana, Aécio Neves, mas, sobretudo, as instituições democráticas da nossa jovem República.

Quando Serra havia perdido completamente as rédeas do partido com a ascensão inexorável de Aécio Neves, o PSD parecia o seu contra-ataque fulminante. Mas ficou claro que Alckmin conseguira neutralizar o PSD em tudo, menos numa hipotética e improvável candidatura de Serra a prefeito (isto é, fazê-lo desistir da presidência). A dubiedade do PSD só será eliminado se deixado a deriva com seus poucos minutos (ou segundos) no horário eleitoral, sua força é deter uma bancada considerável no Congresso, o que atrai PT e PSDB como o modo de Kassab se livrar do aniquilamento político que teria sem ninguém para defender seu governo. O medo de Kassab é evitar ser um novo Pitta.

Serra não pode ser candidato a prefeito não só porque teria de abandonar sua obcessão presidencial, mas também porque teria que defender a impopular prefeitura de seu ex-vice, isso sem falar das pesquisas que indicam um alta taxa de rejeição a ele. Para o Putin tucano o pior cenário é ver Alckmin conquistar seu último espaço de poder, a capital paulista governada por seu impopular pupilo Kassab. Isso explica o desespero dele em ver o PSD apoiado pelo PSDB para evitar esse desfecho final, sem sequer poupar o próprio partido tratando os candidatos tucanos como “inviáveis”. A única hipótese em que ele poderia ser candidato a prefeito seria estar completamente convencido de que sua não participação seria um suicídio político… somente aí poderíamos imaginar Serra nesse pleito considerando todas essas condições.

Assim, se encontra a colossal luta interna do PSDB, o serrismo através de seus tentáculos midiáticos avança inescrupulosamente toda vez que os cardeais abaixam a guarda a favor da unidade. E são nas mídias que a luta pela liderança tucana está mais quente, os serristas espalhados na imprensa são os peões principais desse tabuleiro político. A Veja, a mais serrista dos tucanos, será o palco principal. A Folha viria em seguida. Todo tucano sabe que as milícias serristas espalhadas nos grandes jornais é o grande espólio de poder que ele ainda detém, aí nem mesmo FHC é poupado quando busca de seu modo “murista” se esquivar do neoudenismo (a ideologia de Serra), tentando preservar alguma coisa de sua biografia progressista e dos valores social-democratas do PSDB.

A troika tucana está unida (Aécio Neves, Alckmin e FHC) contra Serra, com a desvantagem de que, diferentemente de Serra, não pode sequer demonstrar qualquer descontentamento, enquanto Serra agride sem dó nem piedade aos três. O pior é que a troika permanece ignorando e subestimando o poder de Serra. Permanecerá nesse equívoco depois de ler o conteúdo do livro? Enquanto Serra manter seus jornalistas nas principais posições dos grandes jornais, manter influência sobre as linhas editoriais da grande mídia, o que veremos em 2014 é a candidatura de José Serra, seja no PSDB ou no PSD. Ele dizimaria a coligação demotucana apenas para garantir o seu próprio projeto de poder? Ele já o fez com o DEM ao patrocinar o PSD, e já fez em 2006 com o PSDB contra a candidatura de Alckmin.

Quem quiser subestimar Serra, o subestime por sua própria conta e risco. Porém, a biografia de Serra, mesmo antes das revelações do livro, nunca sequer fez encenações que amenizasse sua sede incontrável de poder. Os casos de Alckmin em 2006, de Aécio em 2010 e de FHC em 1998 (Serra lançava contra FHC na imprensa a pecha de populismo cambial) falam por si.

Neutralizar Serra não será tarefa fácil, a troika tucana terá que ousar muito mais e até mesmo ir aos porões das táticas serristas para desarmar suas bombas. Isso não é mais figura de retórica depois do livro A Privataria Tucana. A história sempre nos ensina nesses momentos chaves. Trotsky, com o testamento de Lênin nas mãos, um documento que acabaria de uma vez por toda a carreira política de Stalin, preferiu o “apaziguamento”. Anos depois estaria exilado e morto com um golpe de picareta em sua cabeça dada por um agente stalinista, completamente difamado e tendo o regime bolchevique se corrompido de maneira irrecuperável por conta daquele com quem preferiu apaziguar, apesar de duas tentativas de desestalinização (Krushev e Gorbatchev).

Tal como Trostky contra Stalin, o PSDB tem uma única chance contra o Serra. Farão um “apaziguamento”?

fonte: http://margemesquerda.blogspot.com/2011/12/o-ultimo-suspiro-do-serrismo.html

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Written by ocommunard

11 de dezembro de 2011 às 16:29

Publicado em Sem categoria

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