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Pós-Obama

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Obama assombrou o mundo, mas o estrago socio-político que ele provocou nos EUA só é comparável com o estrago socio-econômico de Bush Jr. Era esperado de Obama, se suas promessas eleitorais fossem compromissos políticos, de que ele seria não apenas o primeiro negro presidente, mas uma junção de Franklin D. Rosevelt e John F. Keneddy, os dois maiores símbolos do que se pode chamar de esquerda nos EUA. Isso porque ele recebia um cenário propício a um new-new Deal ao mesmo tempo que carregava consigo as insígnias da contra-cultura e dos movimentos pelos direitos civis. Mas já na definição do secretariado, um banho de gelo, transformou seu “Yes, We Can” em “No, I can’t”, deste então observamos pasmos uma escalada de decepções que rodeou o seu governo.

Seu governo foi tanto para direita que é difícil encontrar algo substancialmente diferente do que fez Bush. Ele não fechou Guantânamo, não enfrentou WallStreet, não acabou com as guerras, não taxou os ricos, sequer fez um programa de saúde que fosse uma sombra do que sonhava os progressistas democratas como Ted Keneddy. Ele cinicamente apenas deu um colorido mais palatável ao discurso da Guerra ao Terror iniciada por Bush. Nada diferente a não ser a retórica. Obama venceu, governou e caiu pela retórica, a retórica vazia, apenas desculpas cínicas daquele que se elegeu criticando o domínio do cinismo. Quando abriu uma nova frente de guerra na Líbia, até sua imagem de centrista oscilante caiu por terra, havia tomado o partido dos falcões. Ao retaliar a ONU pela adesão da Palestina a UNESCO ele conseguiu ficar abaixo de Bush.

Por conta disso, a direita americana, ajudada pelo já não tão forte movimento Tea Party, foi ainda mais para a direitista, pelo simples fato de que a estratégia de Obama fora ocupar também a direita herdada de Bush. Não por acaso todos os candidatos assumem um discurso ainda mais radical do que Bush usava, inclusive criticando Bush Jr como alguem insuficientemente conservador.

O que sobrou para a esquerda americana foi o grande movimento de ocupações iniciados pelo Ocupy Wall Street, que tem se espalhado por todo o planeta com conexões com os indignados espanhois, os estudantes chilenos e a Primavera Árabe. No entanto, não tem e nem podem ter qualquer simpatia pelo tipo de governo que Obama representa e não por acaso se posicionam fortemente apartidários (frente ao bipartidarismo norte-americano). A história prova que a melhor saída é esse movimento se espalhar e se aprofundar, até que possa em algum momento escolher entre se tornar uma alternativa partidária ou uma alternativa institucional ao poder.

Se Obama vencer não poderá oferecer nada mais do que um governo tão ou mais fraco do que ele se propôs, não há nada no horizonte que explique uma reviravolta progressita por iniciativa de Obama. Assim, a vitória ou não dele é realmente irrelevante dado o fato de que será sucedido agora ou no fim de seu segundo mandado por um ultra-direitista. Já um governo ultra-direitista poderia ao menos de alguma forma fortalecer as ocupações na proporção em que suas medidas ortodoxas, responsável pela ainda atual Crise Financeira Internacional, agravassem a crise.

Talvez, a única boa obra de Obama será ter colocado no poder um governo desastroso de ultra-direita, mas o preço não sairá barato para ninguem, dentro ou fora dos EUA.

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Written by ocommunard

16 de novembro de 2011 às 1:07

Publicado em Sem categoria

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