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PSD – Partido Serrista Disfarçado?

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Serra quer o apoio do PSD. Não é supresa para ninguém, supresa mesmo é ver a mesma Folha, Veja e Estadão tratar essa afirmação como algo sóbrio, depois de meses atacando o PSD como um partido fisiológico, vagabundo e desqualificado em razão de sair da oposição e da direita, em favor de um centrismo. De repente, a afirmação de que “não era de centro, nem de esquerda, nem de direita” deixou de ser o cúmulo do absurdo ultra-fisiológico? Cadê os “indignados” da Veja, Globo, Estadão e Folha?

Já venho dizendo há algum tempo que o PSD é um partido que está fadado a esmagar o DEM-PSDB herdado pelos aecistas. Como se sabe, Aécio detinha uma relação mais respeitosa com o PT (inclusive se aliando na prefeitura de Belo Horizonte), era o oposto do udenismo histério do serrismo. Pois bem, com o PSD e o serrismo, o DEM-PSDB está esmagando-se entre os extremos, de um lado um PSD muito mais próximo ao PT do que qualquer tucano-aecismo pudesse alcançar, e de outro um oposicionismo histérico que nenhum demismo possa se rebaixar a tanto. Serra é um sujeito movido pelo sentimento doentio de vingança.

O ponto fraco que Serra se aproveita é o a respeitabilidade que ele recebe gratuitamente de seus desafetos, exceto Ciro Gomes. Isto é, os aecistas (Aécio, FHC, Tasso, Sérgio Guerra, Agripino Maia, etc), por alguma razão tem de devolver com elogios públicos todos os golpes baixos que sofrem dos serristas, dando ao serrismo um dianteira de ataques sem respostas realmente arrasadores.

Porém, Serra pode controlar quase toda a imprensa, pode intimidar todo o PSDB, pode ter em suas mãos uma das maiores bancadas parditárias do congresso com o novo PSD, mas não tem voto, não tem base social. Para a supressa de muitos, inclusive a minha, a última pesquisa de opinião afirmou que ele estava muito mal nas pesquisas em uma possível candidatura a prefeitura de São Paulo. Isso mesmo, no ninho tucano. Isso não é surpreendente, mesmo com toda a máquina midiática colossal a seu favor, recebeu em São Paulo menos votos do que Alckmin, que venceu já no primeiro turno.

Na pesquisa em questão, no melhor cenário, aonde o candidato do PT é o ainda pouco conhecido Fernando Haddad, Serra tem 19% e empatando com o segundo colocado, Celso Russomano(PP), que nunca foi eleito para nenhum cargo majoritário. O cenário com a Marta, Serra fica com 18%, enquanto a Marta chega aos 29%! Isso para quem já foi prefeito e governador de São Paulo por um partido de está no poder a mais de 16 anos! Sem falar das duas vezes candidato a presidente da República.

Será difícil para as forças de esquerda negociar com o PSD daqui para a frente, um partido tão imprevisível. Creio que a melhor hipótese seria deixar o PSD consigo mesmo, naufragar com seus poucos minutos na TV, já que o PSDB não teria nenhuma razão de ceder tempo a um partido que sangrou a oposição. Assim, sem mandatos, eles teriam que migrar para algum partido já existente, aí a ambiguidade seria ao menos minimizada. Provavelmente, iriam todos para o PMDB e alguma parte para o PSB.

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Written by ocommunard

9 de novembro de 2011 às 1:49

Publicado em Sem categoria

2 Respostas

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  1. O caráter bonapartista do lulo-dilmismo é claro como água. Acabou até com a oposição de direita; por equilibrar a balança, como convém a todo bonapartismo, à direita.

    Sobra a direita semifascista dentro do DEMo/tucanato, cuja prática no governo, aliás, diferiu muito pouco da do lulo-dilmismo.

    TEJO

    9 de novembro de 2011 at 14:06

    • Eu concordo que o Lula tenha atuação claramente bonapartista, mas é óbvio que ser de um partido chamado Partidos dos Trabalhadores, e por ser um ex-operário, torna mais difícil de ser crível o seu bonapartismo justamente para a parte que interessa, os aliados capitalistas, que o vêem e sempre o verão com desconfiança. Mas você tem de ter clareza que a esquerda não tem maioria, quer queira, quer não, o governo é obrigado pelo “presidencialismo de coalizão” a se apoiar em partidos de centro e centro-direita para ter governabilidade, e daí está o nacionalismo (que pode ser visto como um bonapartismo) mais do que o socialismo. Esse é um problema mais estrutural do que ideológico, que se resolveria facilmente com um regime parlamentarista.

      Porém, apesar disso, é também claro como a água que o governo petista realizou conquistas palpáveis para os trabalhadores (valorização salarial acima da inflação, diminuição da desigualdade social, integração regional com a América Latina, etc). Acho equivocado tratar como um mero bonapartismo, há elementos, mas o caráter mais óbvio, que explica suas fraquezas e seus méritos, é a de ser um governo de centro-esquerda.

      ocommunard

      9 de novembro de 2011 at 16:13


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