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Políticas, economias e ideologias

Guerra ao Irã, porque agora?

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Resposta simples, Barack Obama está pressionado por suas próprias promessas eleitorais a encerrar as guerras do Iraque e Afeganistão. Como poderia se reeleger descumprindo uma das promessas centrais de sua campanha? E possivelmente ele está considerando o belo efeito eleitoral de ter levado ao fim as duas guerras iniciadas por Bush ou o terrível efeito eleitoral de permanecer com elas.

Irã faz fronteira com dois países ocupados pelos EUA: Iraque e Afeganistão, e um aliado americano: Paquistão. Na fronteira marítima ao sul há o bloco liderado pela a poderosa aliada árabe, a Arábea Saudita, ferrenha inimiga do regime iraniano. Sobrando uma frágil neutralidade com Turquemenistão. Azerbaijão por sua vez pode ser facilmente cooptado em favor de anexar território no dito ‘Azerbaijão iraniano’ ao norte do Irã.

A pressa da direita israelense também se dá em razão da Síria está conseguindo vencer o levante golpista orquestrado pelas forças americana-israelenses oferecendo anistia aos rebeldes, e Síria é uma fiel aliada do Irã, junto com a Líbia, na Guerra Irã-Iraque patrocinada pelos EUA, a ajuda deles foi cruscial para a vitória iraniana. Mesmo sem a Líbia, uma Síria ressentida e reunificada será muito mais do que uma cooperadora em uma possível guerra contra o Irã.

Outro ponto é a deterioração crescente do apoio paquistanês, a possibilidade que esse apoio se rompa em algum momento, perdendo uma das frentes contra um ataque ao Irã. O Egito, ao que tudo indica tal como foi na Tunísia, elegerá um governo mais alinhado Irã, provavelmente ligado a Irmandade Muçulmana. Essa hipótese se confirma na constatação das mudanças realizadas ainda pelo conselho militar, ligado ao antigo regime pró-israelense de Mubarak, o Conselho havia afirmado que o pacto não é sagrado e está sempre disponível a revisões.

Não menos importante, mas também muito provável, é o aumento a medio prazo da influência iraniana no novo Iraque, tanto por sua proximidade territorial, como por sua afinidade religiosa (ambos são xiítas), o que poderia inclusive alcançar o nível de anexação voluntária por plebiscito do Iraque xiíta ao Irã, inclusive como uma solução pacíficas aos impasses étnicos ao tornar autônomas as regiões sunitas e curdas.

A direita israelense percebe não só que tem nesse exato momento uma grande oportunidade de força para destruir a principal força econômica e militar anti-sionista na região, mas sobretudo lutam não só para aproveitar essa permanência das tropas da OTAN no Iraque e Irã, cuja a UE e os EUA em crise não tem o luxo de sustentar, como ainda lutam contra o tempo frente as tendências anti-sionistas da Primavera Árabe e o fracasso do Inverno Árabe na Síria, ou mesmo as já visíveis inquietações do novo governo contraditório da Líbia pós-Kadafi (já é sabido que a Al-Qaeda se infiltrou entre os rebeldes e que o governo será mais islamizado que o de Kadafi, segundo declarações do presidente da CNT).

A criação de um subterfúgio completamente absurdo baseado apenas na afirmação da comissão da AIEA da “possibilidade do uso militar” da tecnologia nuclear, sucedida pelo suposto atentado rapidamente desmintido de um agente do Irã contra um diplomata saudita, teria a missão de jogar a opinião pública internacional contra o Irã.

A direita foi ainda mais ousada, segundo os relatos que pipocaram durante a semana, nos leva a supor que Netaniarru pretendia invadir o Irã apenas com o exército israelense, convencido de que a OTAN e os EUA entrariam logo em seguida em seu apoio, mesmo a contra-gosto (tal como ocorreu na Líbia após os ataques da França). O que impediu, segundo agências de notícias como a AFP e Routers, foi a negação da operação por outros integrantes do conselho militar israelense. A função dos escândalos fabricados serveria justamente para criar uma opinião favorável, interna e externamente, ao plano de Netaniarru.

O que se sabe é que essa ação tão sórdida caiu tão mal entre os próprios militares israelenses que acabaram vazando semanas antes para a imprensa, impedindo assim o efeito surpresa que ofereceria boa parte da vitória aos israelenses. O que se sabe também é que muito antes da emissão do relatório da AIEA o governo direitista de Israel já sabia o teor do resultado, a ponto de já planejar o ataque muito anteriormente.

A direita israelense perdeu todos os escrúpulos e perdeu sua última cartada, agora Netaniarru foi chamado de “mentiroso” por Sarkozy e lastimado obamisticamente por Obama em conversa vazada. Que loucura fará agora o Bibi para manter intocada a sua impáfia? Ele com certeza fará algo… a direita israelense só vai parar quando o mundo (UE e EUA) aprender a lhe dizer NÃO!

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Written by ocommunard

9 de novembro de 2011 às 1:22

Publicado em Sem categoria

2 Respostas

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  1. O eventual ataque ao Irã me parece mais um blefe- os ianques não têm perna para tanto.

    Mas, do post, gostaria de destacar o seguinte:

    a) o regime de Assad na Síria não é progressista nem democrático; daí ser falacioso afirmar que os levantes sírios são “financiados pelos EUA”. É a mesma falácia utilizada na Líbia.

    b) é evidente que os EUA (leia-se, o Ocidente- OTAN) TAMBÉM patrocinaram os levantes, mas NÃO apenas. O post reconhece o fato, quando diz que DENTRO dos rebeldes há elementos da Al Qaeda, os quais, por óbvio, não são “financiados pelos EUA”.

    Gosto de bater na tecla para evitarmos o reducionismo binário: “os EUA são contra país X, logo o país X é o heroi da história”. Fosse assim, apoiaria-se Hitler.

    TEJO

    9 de novembro de 2011 at 14:01

    • Concordo Tejo, com suas colocações sobre o caráter não progressista do regime iraniano, no entanto, as agressões imperialistas ao Irã tem promovido a ala mais conservadora desde seu início, isso é um fato. Temos que ser dialéticos em tudo, a possibilidade real do império americano vir a falência é uma notícia boa também para os progressistas do Irã, pois o papel dos EUA no mundo, mas sobretudo no Oriente Médio, está muito longe de ser progressista. Inclusive, como vc provelvemente deve saber, foram os EUA que fortaleceram politicamente os grupos religiosos como frente para combater o ateísmo comunista na região. O Talebã, Saddam Hussein e a Al-Qaeda foram aliados, armados e treinados do e pelo EUA. Lerei o seu blog e depois escreverei sobre a questão dessa ‘dialética’ do “inimigo do meu inimigo é meu amigo”.

      Aliás, me diga você, que condição moral tem os EUA de pressionar países contra a construção de armas nuclerares quando são eles o maior provedor dessas armas e único que teve a ignomínia de as usar.

      ocommunard

      9 de novembro de 2011 at 16:07


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