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Políticas, economias e ideologias

Archive for novembro 2011

Os emergentes e os imergentes

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Vivemos nesses dias um processo gradual e relativamente lento de transformações geopolíticas, o G7 (ou G7 + Rússia), agrupamento com as maiores economias do mundo exceto a China por exclusão e a Rússia por inclusão, cada vez mais assume o papel de países imergentes, isto é, em recessão ou baixo crescimento, enquanto os BRICs crescem em poder quase que inercialmente.

No entanto, o cenário em transformação fortalece os BRICs, com a exclusão da China no G7 (sob o pretexto de que só reuniria democracias), o G7 cometeu seu maior erro ao ter excluído a maior potência emergente de seu grupo, enquanto que a Rússia como um ‘membro convidado’, está cada vez mais tendendo a agir através dos BRICs do que do G7, sendo que é um dos menos emergentes entre os emergentes.

Com a relutância dos governos conservadores da Alemanha e França de avançar na europeização, avançando na integração financeira do bloco, está se tornando senso comum entre analistas de que a UE, na melhor da hipóteses, se depara com uma década perdida na economia. A solução alternativa seria o inverso, o encolhimento da UE, expulsando a Grécia, mas seria uma solução que traria também pessimismo ao mercado ao testemunhar o fracasso do euro, além de que a única expulsão viável dentre os países ameaçados seria a da própria Grécia, já que a expulsão de Portugal, Espanha e Itália seria desastroso. Além do que, o impacto financeiro da saída da Grécia do Euro ou mesmo da UE nos bancos alemães e franceses, tem retardado a medida.

Há um dado muito curioso entre os países ameaçados na UE, nenhum deles pertence ao leste europeu, ao rol de países ex-comunistas que seriam muito facilmente taxados de culturalmente apegados ao ‘paternalismo de Estado’ ou qualquer outro preconceito que tirasse a responsabilidade dos mercados/bancos na crise. São todas as economias que mais se aproximaram do liberalismo econômico, inclusive sob governos de partidos socialistas, na terceira via que dominou a esquerda na Inglaterra, Portugal e Espanha.

Está evidente que a hipótese de avanço da centralização na UE, avançando ainda mais o seu frágil confederalismo para um modelo mais próximo do federalismo, está completamente descartada. E o que é pior, o impasse das alternativas estão levando a uma alterantiva ainda pior, a inação. As economias europeias sozinhas são pouco significantes na perspectiva das próximas duas décadas, isoladas estão condenadas a orbitarem os EUA ou a China, a UE mudou isso, mas sua integração econômica só atingiu a moeda, e sua integração política é quase decorativa, dado a necessidade que cada deliberação exige a aprovação do parlamento de cada membro (seria como se cada aprovação no Senado brasileiro devesse ser re-aprovado em cada parlamento estadual por unanimidade).

Está cada vez mais evidente que o futuro europeu está definido entre a opção de avançar no internacionalismo (fortalecimento da UE) ou retroagir ao nacionalismo, de integrar-se ou desintegrar-se. No entanto, a integração que imporá um banco central único europeu, com títulos únicos de toda a zona, uma instância política centralizada, exige uma energia política muito maior do que a inércia conservadora até mesmo dos partidos de esquerda. A energia necessária não será alcançada mesmo com governos inclinados a intervenção, superar as identidades nacionais em favor de um governo europeu é enfrentar uma entidade secular. A União Europeia deu aos europeus o maior período de paz presenciado no velho continente, são 7 décadas seguidas de convívio harmonioso. O fim da UE é algo muito maior do que o fim do Euro, mas o avanço da UE é tão ou mais desafiador, é necessário um projeto europeu que vá muito além do que uma mera moeda comum.

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Written by ocommunard

30 de novembro de 2011 at 18:57

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Você é liberal! Em resposta a Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino começa o artigo questionando se o ser liberal é de esquerda ou de direita, com isso afirmando a devoção de sua crença na democracia. O fato do neoliberalismo no mundo ter nascido no ninho da ditadura anticomunista mais sanguinária da América Latina, a de Pinochet, não lhe parece uma resposta. Tão pouco lhe parece uma resposta o fato de nosso liberal-mor Bob Fields (Roberto Campos) ter apoiado a ditadura. A história, os fatos, lhe parece detalhes dispensáveis.

Ele elenca fidedignamente todos os valores do liberalismo econômico: individualismo, propriedade privada, antiigualitarismo. O antiigualitarismo ele argumenta como algo inato a meritocracia, já que pessoas com habilidades diferentes necessariamente promoverá uma sociedade desigual (os mais competentes ganharão mais que os menos competentes).

Por má fé ou deformação intelectual, ele mistura a desigualdade salarial com a desigualdade social, nem o melhor profissional altamente gabaritado com MBA e pós-doutorado chegaria nem perto do que ganha o que certos acionista idiotas ou banqueiros estúpidos, por mais estúpido que um banqueiro possa se esforçar em ser.

Mesmo a desigualdade salarial não denota mérito, pois um professor exerce um trabalho muito mais méritos, porém, ganha bem menos que outros profissionais. E isso porque a profissão é uma mercadoria, sujeita a oferta, demanda e taxa interna de retorno, etc. Ele, como liberal, esquece sua microeconomia ao tentar defender a desigualdade como mérito em sua macroeconomia, a tendência a desigualdade no capitalismo é apenas a comprovação do caráter socialmente insustentável desse modelo.

Mas ele obviamente é a favor de um pequeno Estado que “melhore as oportunidades gerais”, até porque em plena crise euro-americana não há como pregar devoção absoluta ao mercado e contra o Estado. Como todo liberal em regimes democráticos, ele se diz defensor da democracia, apesar de não explicar como tantas ditaduras, sobretudo na América Latina, foram apoiadas por liberais, ou mesmo como os liberais nada falam contra a teocracia absolutista da Arábia Saudita.

Porém, caros leitores, há algo que define a relação típica de um liberal sobre a democracia, eles são contra a “ditadura da maioria” e defendem o que chamam de “contrapesos”. Na prática dos libero-econômicos significou que qualquer governo democraticamente eleito que apliquem um programa contrário ao liberalismo econômico, eles acusaram de ser populista (o termo propagandístico da tal ditadura da maioria).

Isto é, o recurso retórico contra a ditadura da maioria é apenas a licença poética para invariáveis vezes se tornarem antidemocratas (pró-ditadura) sempre que o sufrágio universal eleger um governo mais ou menos socialista, como no caso clássico da Venezuela de Chávez. A questão é que democracia é uma ditadura da maioria, em nenhuma hipótese poderia ser diferente, o único meio para que haja um regime aonde a maioria “não dite” os rumos do país é impondo uma ditadura da minoria.

Sim, caro liberal, você é um Rodrigo Constantino. E tudo que nós queremos é que seus ideais sejam um pouco mais respeitados e aplicados na pátria do capitalismo, EUA, mesmo por aqueles que se definem conservadores, pois seria um alívio ao mundo quando os EUA adotarem o Estado Mínimo que eles tanto pregam ao mundo através de vendidos e/ou alienados como você.

Você é Liberal? Porquê então não defende isso!? Segundo um de seus prestigiados companheiros neoliberais afirma exatamente isso que estou lhe indagando, e mais, conclui que “todo estado mínimo acaba provocando um estado máximo”, colocando os EUA e o Reino Unido como exemplos que comprovam essa afirmação.

referências
http://www.imil.org.br/destaque/voce-e-liberal/ (Rodrigo Constantino)
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=291  (o liberal que o Rodrigo Constantino jamais conseguirá ser)

Written by ocommunard

30 de novembro de 2011 at 15:26

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O capitalista depende mais do Estado do que supõe a vossa vã ortodoxia

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Peço licença para tratar desse tema tão controverso dentro da esquerda e do marxismo, a questão do Estado. Tratarei aqui de modo lacônico, me baseando mais em fatos do que em dogmas, algo mais típico de Marx do que de certos marxismos .Virou senso comum nas grandes mídias de nosso país associar estatismo com a esquerda e anti-estatismo com a direita… seria o tatalitarismo anti-estatista? Seria o anarquismo pró-estatista?

Se o “capitalismo liberal” tendeu em toda a história a provocar crises sociais, e estas são o terreno das revoluções (inclusive as recentes, como a Primavera Árabe), a quem interessa realmente um Estado que amenize as tendências concetradoras, desestabilizadoras e caóticas senão aqueles que querem continuar mantendo o primado da “orientação ao lucro” seguramente? Foi nesse ponto que nasceu o keynesianismo, o “socialismo burguês” por excelência.

O dilema não está para o capital, mas para o trabalho, se regular a economia alcançará menor desigualdade, mais emprego, mais segurança social, porém, cairão mais facilmente no discurso conservador, justamente daqueles que combateram todo o avanço social que conquistaram. O Brasil só não está totalmente refém desse dilema porque seu milagre econômico, alcançado sob um governo trabalhista, convive com uma crise financeira das grandes potências capitalistas.

Pesquisando para essa reflexão lí em um site neoliberal* um outro dilema, segundo Stefan Molyneux, que escreveu um artigo que em seu título já resume o dilema: “Por que um estado mínimo inevitavelmente leva a um estado máximo?”. Citando como exemplo o seu país, EUA, e outros exemplos, como o Reino Unido. Ainda que ele lamente isso, o que nas palavras deles parece uma condenação de Sísifo, ele explica o fenômeno afirmando nesse primoroso argumento científico:

“quando você minimiza o governo, paradoxalmente você faz com que a lucratividade de se aumentar posteriormente o tamanho do governo seja muito maior, pois haverá muito mais riqueza para tributar e mais recursos para se controlar – ambas as coisas que mais seduzem qualquer governo.”

Isto é, o Estado mínimo geraria tanta riqueza que acabaria por atrair o crescimento do Estado? Ora, não faz o menor sentido. Se a sociedade civil está mais rica do que antes, e se enriquece justamente sob um estado mínimo, o que faria ela concender o crescimento do Estado/governo justamente sob essa condição? Além de tudo é completamente incoerente com os fatos, primeiro porque as ‘minarquias’ sempre provocaram gravíssimas crises sociais, o que geralmente repercutiram politicamente contra o estado mínimo. Segundo, porque o liberalismo econômico sempre veio associado de autoritarismo político. Todas as ditaduras latino-americanas eram mais ou menos liberais, sobretudo, a mais sanguinária, a de Pinochet. A ponto de Friedman afirmar, indagado sobre a contradição de cooperar com uma ditadura, afirmara que a liberdade econômica (liberalismo) era mais importante que a liberdade política (democracia).

Se o capital precisa do Estado para amenizar suas contradições e assim, evitar a completa autofagia do capitalismo, será que o trabalho está condenado a sofrer socialmente o liberalismo, ou promover a estabilização social no capitalismo? Há uma visão completamente distorcida que é herdeira de todo descalabro do bolchevismo (não confundir com uma crítica a revolução russa que era necessária e justa), a de que socializar é estatizar. Não há dúvida que a estatização possa contribuir para solucionar algumas deficiências e amenizar as disparidades, mas não liberta o trabalhador do jugo do capital.

Porque o grande capital é apropriado por capitalistas que não tem nenhum papel a não ser a de ser proprietário e alguma vezes, em certos tipos de ações, eleger a diretoria da empresa, e este meio de produção não pode ser apropriado pelos trabalhadores para que eles sejam acionistas da empresa onde trabalha e possam eles próprios elegerem sua diretoria? Qual o grande conhecimento/capacidade que detém um grande capitalista que não seja a da especulação financeira que apenas prejudica a saúde econômica de um país?

Esse não é um questionamento para a direita, que não tem nenhum compromisso com os fatos, fazem pura e simples apologia do capital, mas para a esquerda, para que percebam que a questão da propriedade social e da propriedade pública deve ser debatida com mais profundidade. Agora, a questão da planificação/regulação é outra coisa. Do mesmo modo que o Estado pode regular empresas capitalistas, porque não regularia empresas socialistas (isto é, com controle proprietário dos próprios trabalhadores). A necessidade residual do Estado permaneceria apenas enquanto essa regulação/planificação não fosse diretamente orquestrada entre as empresas socializadas.

O programa econômico do comunismo é socializar, centralizar e planificar.

O que torna o fim do Estado dos anarquistas uma quimera é que o capital precisa de algum estado, essa é a lucidez do estado mínimo. Porém, as falhas do Estado mínimo não são méritos do Estado máximo, mas a demonstração do fracasso de uma economia de mercado (que para Marx é uma economia caótica que tende a crises) que mesmo mantendo alguns órgãos estatais, não consegue evitar sua tendência autodestruitiva.

Quando se fala em centralizar, está se falando de algo que é a fronteira entre os modos de produção capitalista e comunista. Porque o capitalismo tende a se centralizar (vide O Capital), e a centralização é diferente da concentração. A concentração é um resultado do afunilamento ou olipolização/monopolização das empresas como resultado próprio da concorrência, resultado da fricção entre os capitais, adiantando que há o ciclo expansivo e contractivo desses capitais. Já a centralização é quando os capitais se unem (geralmente via sociedade de ações) para uma empresa ou investimento específico. O acionista ele abstrai do capitalista qualquer outra função que não seja a de mero proprietário de um capital, o mesmo ocorrera com a instituição da nobreza feudal que havia despido o senhor feudal de qualquer outra função social que não seja a de proprietário de latifúndios.

Porém, a sociedade por ação trás em si toda a modelagem institucional para a socialização das grandes empresas, tudo que uma grande empresa de capital aberto precisa para ser socializada é substituir sua assembleia de acionistas em uma assembleia de empregados, e pronto, temos aí uma empresa completamente socializada.

E a planificação? Esse é o elemento transitório do Estado. É nesse ponto que o comunista deveria defender seu gradualismo do fim do Estado frente ao anarquismo. O estado/governo deve ser necessário enquanto os próprios trabalhadores de suas empresas socializadas ainda não tiverem condições de exercer o planejamento/regulação macroeconômica. O diferencial aqui é que o processo residual do Estado deve claramente transferir, por meio de treinamento, essa capacidade. Porém, com a tecnologia de informação, a expertize pode ser rapidamente socializada através de ferramentas de software.

A questão central é ignorar a questão do empoderamento econômico da classe trabalhadora, que está jogando os trabalhadores em um processo cíclico de socialismo/desenvolvimentismo e liberalismo/conservadorismo nos países democráticos desde o início do século XX. Ora, se a classe capitalista exerce a dominação por ter o poder econômico, como poderia os trabalhadores dominarem se eles próprios não se tornarem os proprietários diretos, assim como os capitalistas agora são. Isso não deve cair no nível vulgar do cooperativismo de autogestão, porque a direção pode ser eleita assim como os capitalistas o fazem, a gerência é um papel técnico, não político. Isso não impede de se os trabalhadores diferem já em sua formação escolar noções de administração possam melhor cobrar sua diretoria eleita ou mesmo, nesse caso, diretamente administrar.

A nossa esquerda, como todas as do mundo hoje em dia, sofre passivamente sua crise ideológica desde a queda do muro de Berlim. Mesmo vendo Wall Street sendo ocupada pelos próprios norte-americanos criticando o capitalismo, não se animam nem mesmo em abrir um fórum para reconstruir as políticas, os discursos e o programa das esquerdas. Precisamos de intelectuais de esquerda que vão além de um neoliberalismo moderado da terceira via, pois esse também fracassou. É preciso ter a coragem de um Zizek de se assumir comunista e a lucidez de um Perry Anderson para enfrentar os dilemas concretamente sem mistificações subjetivistas (como o próprio Zizek faz).

* http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=291

Written by ocommunard

27 de novembro de 2011 at 22:38

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Pós-Obama

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Obama assombrou o mundo, mas o estrago socio-político que ele provocou nos EUA só é comparável com o estrago socio-econômico de Bush Jr. Era esperado de Obama, se suas promessas eleitorais fossem compromissos políticos, de que ele seria não apenas o primeiro negro presidente, mas uma junção de Franklin D. Rosevelt e John F. Keneddy, os dois maiores símbolos do que se pode chamar de esquerda nos EUA. Isso porque ele recebia um cenário propício a um new-new Deal ao mesmo tempo que carregava consigo as insígnias da contra-cultura e dos movimentos pelos direitos civis. Mas já na definição do secretariado, um banho de gelo, transformou seu “Yes, We Can” em “No, I can’t”, deste então observamos pasmos uma escalada de decepções que rodeou o seu governo.

Seu governo foi tanto para direita que é difícil encontrar algo substancialmente diferente do que fez Bush. Ele não fechou Guantânamo, não enfrentou WallStreet, não acabou com as guerras, não taxou os ricos, sequer fez um programa de saúde que fosse uma sombra do que sonhava os progressistas democratas como Ted Keneddy. Ele cinicamente apenas deu um colorido mais palatável ao discurso da Guerra ao Terror iniciada por Bush. Nada diferente a não ser a retórica. Obama venceu, governou e caiu pela retórica, a retórica vazia, apenas desculpas cínicas daquele que se elegeu criticando o domínio do cinismo. Quando abriu uma nova frente de guerra na Líbia, até sua imagem de centrista oscilante caiu por terra, havia tomado o partido dos falcões. Ao retaliar a ONU pela adesão da Palestina a UNESCO ele conseguiu ficar abaixo de Bush.

Por conta disso, a direita americana, ajudada pelo já não tão forte movimento Tea Party, foi ainda mais para a direitista, pelo simples fato de que a estratégia de Obama fora ocupar também a direita herdada de Bush. Não por acaso todos os candidatos assumem um discurso ainda mais radical do que Bush usava, inclusive criticando Bush Jr como alguem insuficientemente conservador.

O que sobrou para a esquerda americana foi o grande movimento de ocupações iniciados pelo Ocupy Wall Street, que tem se espalhado por todo o planeta com conexões com os indignados espanhois, os estudantes chilenos e a Primavera Árabe. No entanto, não tem e nem podem ter qualquer simpatia pelo tipo de governo que Obama representa e não por acaso se posicionam fortemente apartidários (frente ao bipartidarismo norte-americano). A história prova que a melhor saída é esse movimento se espalhar e se aprofundar, até que possa em algum momento escolher entre se tornar uma alternativa partidária ou uma alternativa institucional ao poder.

Se Obama vencer não poderá oferecer nada mais do que um governo tão ou mais fraco do que ele se propôs, não há nada no horizonte que explique uma reviravolta progressita por iniciativa de Obama. Assim, a vitória ou não dele é realmente irrelevante dado o fato de que será sucedido agora ou no fim de seu segundo mandado por um ultra-direitista. Já um governo ultra-direitista poderia ao menos de alguma forma fortalecer as ocupações na proporção em que suas medidas ortodoxas, responsável pela ainda atual Crise Financeira Internacional, agravassem a crise.

Talvez, a única boa obra de Obama será ter colocado no poder um governo desastroso de ultra-direita, mas o preço não sairá barato para ninguem, dentro ou fora dos EUA.

Written by ocommunard

16 de novembro de 2011 at 1:07

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Drogas, o alto preço da hipocrisia

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Sobre a eficiência…

Alguns demonstram que a criminalização da maconha foi um modo da direita americana reprimir os hippies sem decretar um estado de sítio. Outros dizem que a motivação é o fato de que a produção de maconha é de tão baixo custo, bastando um jarro com algumas sementes, que incomodariam os que comercializavam outros narcóticos legalizados como bebidas e cigarros.

A primeira pergunta deveria ser: reprimir a droga funciona? Ou melhor, funcionou em algum momento ou país do mundo? A resposta é simples: não. No entanto, não há experimento mais elucidativo do que a dita Lei Seca dos EUA para responder a isso.

Quando um governo conservador (fundamentalista cristão) assumiu o poder nos EUA criminalizando a bebida, com os mesmos argumentos daqueles que se dizem contra a legalização da maconha e outras drogas, ou seja, os danos a saúde, a escalada para outros ‘narcóticos’ perigosos, etc. O resultado foi desastroso. A lei não produziu grande efeito sobre a diminuição do consumo, mas espalhou a máfia pelos EUA corrompendo policiais, juízes e políticos – a era dos gangsters, onde o famigerado Al Capone surgiu.

E então, a Lei Seca foi revogada e a máfia da bebida se dissipou no ar. Me parece que o argumento central sobre a questão deveria ser justamente qual o meio mais eficiente de se combater às drogas, assim, temos 3 possibilidades: liberar, reprimir e regular (meio termo).

Liberar seria a permissão livre do consumo, não admitindo a droga como um problema social, mas como uma questão individual. Isto é, se o fulano quizer “se matar” ele é livre para tal.  Porém, a droga é um tema social pois tem impacto sobre a sociedade com violência associada aos casos mais extremos, ou com a ‘desestruturação familiar’ quando tem um parente viciado.

Tão pouco, como se provou na experiência da Lei Seca, reprimir funciona. O custo em recursos humanos, financeiros e políticos é algo que se fosse friamente calculado, levaria a sociedade a sair às ruas para exigir o fim da criminalização das drogas. Do mesmo modo como na Lei Seca, as leis contra as drogas só serviram para formar um grande comércio ilegal que sustenta grandes organizações criminosas que violenta, corrompe e desintegra o tecido social.

O meio termo, a regulação, não é estranho ao nosso meio. É o que fazemos com o primo rico da maconha, o cigarro. Mesmo todas as pesquisas comprovando que há muito mais doenças relacionadas a Nicotina do que a Canábis. Mas o cigarro não é meramente liberalizado, a legislação comum em todos os países é a da regulação, isto é, impõem restrições em propaganda, sobretaxam o produto e chegou ao ponto de proibir marcas como no caso recente da Austrália. A regulação do cigarro oferece um meio de combate muito mais eficiente, sustentável e civilizado, sem nenhum Al Capone ou Fernandinho Beiramar produzido.

Sobra a moralidade…

Sem argumentos contra a demonstração do fracasso da repressão às drogas, só resta a direita moralizar o debate, para eles seria ‘imoral’ o Estado permitir algo sabidamente nocivo. Esse argumento só se sustenta com muita hipocrisia e desinformação, então se criminalizaria tudo que fosse nocivo como cigarro, café, álcool? Nesse imbróglio eles inventam as tais ‘drogais socialmente aceitas’ para diferenciar das drogas criminalizadas, e adiantando que legalizar/regular apenas ampliaria o número de substâncias nocivas socialmente aceitas.

As atuais altas restrições ao cigarro, o que tem isto a ver com ‘aumentar a aceitação social’? É um argumento fraco que não consegue desviar do fato de que proibir não só não funciona, como é um completo desastre. Não está em questão se o consumo deve ser inibido, pois ele deve, a questão é que a proibição como modo de inibição simplesmente nunca funcionou.

A estatização da produção poderia ser um meio de evitar o problema dos lobbies que comercializam os narcóticos legalizadas (e os que passariam a ser), mas dependeria caso a caso, e seria um outro debate. Mas mesmo os que vêem os lobbies como a privatização da política, seria um tipo de quadrilha mais saudável do que as de Fernandinho Beiramar, PCC, etc. E sem muito dano, pois não impediram o avanço da regulação do cigarro com as novas restrições.

Considerações finais…

O que é a droga? Uma aspirina é tão droga quanto a heroína, um chocolate pode viciar tanto quanto a cocaína, um cigarro provoca mais danos a saúde do que a maconha, sem esquecer que a bebida mata mais do que o crack. Mas não quero simplificar em nenhum grau. Há drogas que jamais devem ser permitidas, tal o seu poder de destruição, como é evidente o caso do crack ou a heroína, mesmo admitindo a relatividade de que o alcoolismo pode provocar a mesma autodestruição. A questão é diminuir o leque, regularizar as chamadas drogas menos nocivas e proibir as mais nocivas, e discutir cientificamente as controversas. Em outras palavras, reduzir drasticamente a clientela do comércio ilegal, causar um forte dano sobre as finanças do tráfico diminuindo seu poder em comprar armas, corromper policiais e juízes ou mesmo recrutar seu bando.

O tráfico de drogas deve ser pensado de uma maneira mais ampla, economicamente como um comércio ilegal com uma demanda permanente, socialmente no papel que a desigualdade atua para formar os recrutas do tráfico, politicamente nas razões com que impedem o avanço sobre o debate da regulação. Quando enfim esse debate sair de seus limites medievais,veremos a barbárie que nos metemos ao se vulgarizar a questão assumindo uma postura estupidamente conservadora.

A questão aqui não é o consumo, a priori sou contrário ao consumo de qualquer substância nociva. O que busco apresentar aqui é não só provar como a Lei Seca é a demonstração inequívoca de que a proibição é a pior medida, mas apresentando como a maconha e o cigarro foram tratados, um com proibição outro com regulação, e oferecendo uma reflexão de como a abordagem da regulação se mostrou melhor em todos os sentidos, pois sequer inibiu o poder de inibição ao consumo demonstrado com o avanço no mundo das restrições ao cigarro.

Written by ocommunard

13 de novembro de 2011 at 23:51

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A Intentona Bairrista de Sérgio Cabral

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Alvares Cabral descobriu o Brasil, Sergio Cabral irá descobrir em breve. Em sua intentona bairrista, montada a assédio e pressão, além de um ponto facultativo de servidores públicos para dar um jeitinho na ‘grande marchinha’, realmente é o cúmulo do que o enviesamento político do bairrismo pode chegar. O que quer Sérgio Cabral? Que as riquezas inauditas do pré-sal seja privilégio dele? Não, ele quer mais do que isso, ele quer que os representantes políticos de todos os outros estados-membros brasileiros abram mão do pré-sal em benefício dele.

Para conseguir esse feito, está ameaçando o planeta com a sua marcha de servidores públicos assediados, ameaçados, sobre um preceito tão arrivista que chega a constranger ao próprio Sérgio Cabral em suas falas obtusas, porque simplesmente significa o mais mimado arrivismo.

Tudo bem, considerando que os representantes das outras dezenas de estados estão pouco interessados no que o eleitorado carioca está pensando ou pelo que marchando, o que restará ao Sérgio Cabral quando o princípio republicano do interesse comum vingar no parlamento? Isto é, quando os representantes representarem os interesses de seus representados: partilhar a riqueza com toda a nação. Irá entrar em guerra com o resto do país? Improvável. Ou simplesmente irá se desmembrar de federação, o que fará ele perder todos os recursos, já que a Petrobras é uma empresa brasileira, de uma federação que então não mais faria parte o novo país sergio-cabralino.

Reza lenda e os historiadores de que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, o outro Cabral, governador do Rio de Janeiro, que apesar de suas qualidades em ter feito um governo com razoável consciência social e centro-esquerdista, parece não enxergar além do Corcovado. Cabral poderia usar um pouco de matemática elementar em um parlamento de uma república federativa, se não estivesse enebriado por sua empáfia. Quem sabe um dia ele descubra o Brasil, ou talvez descobrirá em breve da pior forma possível, aí entrará em seu currículo não só essa grande derrota, mas essa grande vergonha.

O Rio de Janeiro sempre se destacou por ser a vitória da brasilidade, aonde a confluência de migrações de todas regiões do Brasil não caiu na guetização. Foi um Estado que elegeu o grande Brizola após sua volta ao exílio, sempre um estado destacado, muitas vezes, por seu progressismo. Ultimamente sofreu alguns revezes com garotinhos e maias, mas soube se livrar deles. Sérgio Cabral parece sofrer uma recaída garotiniana, mas o Brasil espera sempre mais do Rio, e realmente espero mais do Rio de Janeiro do que uma intentona bairrista, o que simplesmente espero é que seguirá nos dando orgulho de sermos brasileiros.

Written by ocommunard

11 de novembro de 2011 at 21:44

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PSD – Partido Serrista Disfarçado?

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Serra quer o apoio do PSD. Não é supresa para ninguém, supresa mesmo é ver a mesma Folha, Veja e Estadão tratar essa afirmação como algo sóbrio, depois de meses atacando o PSD como um partido fisiológico, vagabundo e desqualificado em razão de sair da oposição e da direita, em favor de um centrismo. De repente, a afirmação de que “não era de centro, nem de esquerda, nem de direita” deixou de ser o cúmulo do absurdo ultra-fisiológico? Cadê os “indignados” da Veja, Globo, Estadão e Folha?

Já venho dizendo há algum tempo que o PSD é um partido que está fadado a esmagar o DEM-PSDB herdado pelos aecistas. Como se sabe, Aécio detinha uma relação mais respeitosa com o PT (inclusive se aliando na prefeitura de Belo Horizonte), era o oposto do udenismo histério do serrismo. Pois bem, com o PSD e o serrismo, o DEM-PSDB está esmagando-se entre os extremos, de um lado um PSD muito mais próximo ao PT do que qualquer tucano-aecismo pudesse alcançar, e de outro um oposicionismo histérico que nenhum demismo possa se rebaixar a tanto. Serra é um sujeito movido pelo sentimento doentio de vingança.

O ponto fraco que Serra se aproveita é o a respeitabilidade que ele recebe gratuitamente de seus desafetos, exceto Ciro Gomes. Isto é, os aecistas (Aécio, FHC, Tasso, Sérgio Guerra, Agripino Maia, etc), por alguma razão tem de devolver com elogios públicos todos os golpes baixos que sofrem dos serristas, dando ao serrismo um dianteira de ataques sem respostas realmente arrasadores.

Porém, Serra pode controlar quase toda a imprensa, pode intimidar todo o PSDB, pode ter em suas mãos uma das maiores bancadas parditárias do congresso com o novo PSD, mas não tem voto, não tem base social. Para a supressa de muitos, inclusive a minha, a última pesquisa de opinião afirmou que ele estava muito mal nas pesquisas em uma possível candidatura a prefeitura de São Paulo. Isso mesmo, no ninho tucano. Isso não é surpreendente, mesmo com toda a máquina midiática colossal a seu favor, recebeu em São Paulo menos votos do que Alckmin, que venceu já no primeiro turno.

Na pesquisa em questão, no melhor cenário, aonde o candidato do PT é o ainda pouco conhecido Fernando Haddad, Serra tem 19% e empatando com o segundo colocado, Celso Russomano(PP), que nunca foi eleito para nenhum cargo majoritário. O cenário com a Marta, Serra fica com 18%, enquanto a Marta chega aos 29%! Isso para quem já foi prefeito e governador de São Paulo por um partido de está no poder a mais de 16 anos! Sem falar das duas vezes candidato a presidente da República.

Será difícil para as forças de esquerda negociar com o PSD daqui para a frente, um partido tão imprevisível. Creio que a melhor hipótese seria deixar o PSD consigo mesmo, naufragar com seus poucos minutos na TV, já que o PSDB não teria nenhuma razão de ceder tempo a um partido que sangrou a oposição. Assim, sem mandatos, eles teriam que migrar para algum partido já existente, aí a ambiguidade seria ao menos minimizada. Provavelmente, iriam todos para o PMDB e alguma parte para o PSB.

Written by ocommunard

9 de novembro de 2011 at 1:49

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