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Midias sociais revolucionam o mundo: ou os últimos dias das mídias de massa

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O nascedouro da imprensa teria hoje muito mais semelhanças com a blogsfera do que os conglomerados midiáticos, com diversas publicações pulverizadas em pequenas oficianas e com material pesadamente subjetivo. Se a blogsfera é por sua vez o retorna as raízes do jornalismo realmente plural e subjetivo, as mídias sociais são por sua vez o retorna as raízes revolucionárias do jornalismo, nada menos do que a Revolução Francesa.

A Imprensa já vinha cambaliando a muito tempo com a concorrência com a TV e Rádio, ironicamente, se ampliou com a própria Internet ao se digitalizar, já que a internet se preponderantemente conteúdo escrito, ainda que suporte a todas as mídias. Porém, esse crescimento veio com a perda de compradores em nome da gratuidade da informação, gratuidade que se impôs como lei de sobrevivência entre concorrentes que passaram a oferecer conteúdo gratuíto online.

Hoje não podemos definir “imprensa” exatamente, pois não se trata de um produto “impresso”, mas podemos definir em um bojo mais amplo que inclui aí toda mídia de massa, mesmo a que migrou para a nova era da Internet: jornais, tvs e radios. O verdadeiro embate hoje não está entre a imprensa e a internet, pois a imprensa ou já não existe ou já é parte da internet, dependendo do conceito material ou ideal que queira empregar ao jornalismo, o embate atual e concreto está entre as mídias de massa e as mídias sociais.

A Imprensa propriamente dita nasceu nos clubes políticos da revolução francesa, teve um papel fundamental na revolução, sobretudo com o famoso L’Ami du People. A imprensa é e sempre foi um õrgão político, como comprovam as grandes mídias nos países desenvolvidos onde abertamente indicam seu voto em candidatos específicos e assumem linhas editoriais com determinado viés ideológico (progressista, socialista, conservador, etc). O campo da neutralidade são os fatos, não as opniões. Na América Latina é o inverso, nossa oligarquia midiática finge imparcialidade apolítica em tudo, enquanto até mesmo no noticiário se inviesam ideologicamente, e no caso do Brasil, sempre na toada anti-trabalhista desde os tempo de Getúlio Vargas.

Uma imprensa cada vez mais online e gratuita depende cada vez mais da publicidade como única fonte de renda, disputando a acirrada concorrência com a TV e Rádio, e toda essa mídia de massa por sua vez perde audiência com a internet, video game, e outras formas de lazer. Na Internet, tem de praticamente não só que concorrer entre si, mas concorrer com todo o mundo que também habita a Internet. E, sobretudo, competir com uma nova forma de comunicação revolucionária nascida na Internet que hoje assume o vanguardismo político que a imprensa um dia teve, as mídias sociais.

Há uma diferença clara entre o que era a imprensa revolucionária nascente e a mídia de massa goebeliana, o goebelianismo neoliberal, protagonizado sobretudo pelas Agências de notícia norte-americanas e a cadeia ultra-reacionária Fox News, passou a ser uma das principais armas de dominação. Ironicamente, a internet nasceu como um experimento militar norte-americano.

As mídias sociais são completamente horizontalizadas, se organizam em redes como as células de guerrilha, os donatários desses sites ainda que possam de uma forma ou outra censurar ou intervir como ocorrera com a censura do Occupy Wall Street no email do Yahoo, são imediatamente desmascarados e denunciados, e acabam recuando. As mídias sociais são um tecido social complexo, autônomo, que cada vez mais se aproxima do espelhamento da sociedade civil na proporção da massificação do computador e da banda larga. Ela não só não é verticalizada, como ainda é descentralizada, dinâmica, expontânea, e está na raiz de todas as revoluções e mobilizações recentes que vão da Primavera Árabe ao Occupy World, movimento ocorrido mundialmente tendo a crítica ao capitalismo do Occupy Wall Street como modelo.

com o avanço das compras coletivas como estratégia de marqueting mais barata e mais eficiente, a mídia oligolista sangra ainda mais na diminuição do próprio anúncio como instrumento de divulgação. Eles são forçados a baixar o preço, a diminuir sua estrutura e sua última saída estão nos cofres públicos, e nesse ponto, eles se corrompem se transformando em panfleto político do governo no poder. Como as maiores mídias nacionais estão em São Paulo e este estado é dominado a 16 anos pelos demotucanos, Veja, Folha e Estadão se transformaram em campanha anti-petista permanente.

Só que isso tem um custo alto, a credibilidade. Como seu serviço é enfraquecer politicamente o governo petista, seus eventuais fracassos os forçam a ultrapassar os limites, e aí se encontram muito próximo da desmoralização ou mesmo do banditismo (como no caso da invasão do quarto de José Dirceu por um jornalista da Veja). Sem credibilidade eles perdem ainda mais audiência, e audiência é um elo muito frágil e subjetivo, que pode se esvair na primeira decepção. Hoje a revista Veja é quase distribuída gratuitamente para manter artificialmente a alta circulação, conheço pessoas que receberam a revista de brinde por ter assinado um outra revista da editora Abril.

Isso significa que a decadência das mídias de massa se aprofundam com a radicalização de sua militância política, não só perdem leitores, mas os transforma em adversários no momento em que percebem que estavam sendo manipulados, e muitas vezes uma mera twitada de 180 caracteres desses ex-leitores tem o efeito de um bomba na sua decadente credibilidade.

É claro que a mídia direitista brasileira está a um passo do precipício e a Veja-Folha-Estadão torcem para que o DEM-PSDB retornem para abrir os cofres públicos federais para elas, como fazem com os cofres da prefeitura e do governo paulista. Mas não tem fôlego financeiro para até 2014, por isso, se esperneiam a cada dia para tentar derrubar Dilma na marra. Mas descobrem a contra-gosto que a verdade não é um detalhe banal facilmente demolidos por suas calúnias, percebem que o povo não é tão estúpido quando apostaram.

Porque a mídia neocon gosta tanto de uma verba publitária quando os financistas neocon gostam de uma Selic alta, apesar de ambos odiarem qualquer outra forma de aumento de gastos públicos. Não conseguirão sobreviver mais 4 anos sem saquear os cofres públicos, enquanto toda a nova economia lhe foge de seus pés, com as teles entrando levando a tv americana dublada para disputar a audiencia mirrada.

O povo brasileiro os venceu de uma maneira épica em 2010 em uma das eleições mais sujas da história. Vencemos o pior, sabemos que todo o resto será fichinha comparado o que vencemos. Dilma conquistara a classe média, Lula tem os trabalhadores do seu lado, nas próximas eleições a esquerda não precisará mais de outros partidos para governar, assim, a emanciparão se acelerará.

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Written by ocommunard

25 de outubro de 2011 às 22:48

Publicado em Sem categoria

Uma resposta

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  1. Johan estou todo o dia aqui. Obrigado pelas reflexões. Só deixo escrito America Latina, berço de uma nova civilização como uma sintese do agir cotidiano de cada um.

    Luiz Monteiro de Barros

    25 de outubro de 2011 at 23:12


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