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Políticas, economias e ideologias

Archive for outubro 2011

Midias sociais revolucionam o mundo: ou os últimos dias das mídias de massa

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O nascedouro da imprensa teria hoje muito mais semelhanças com a blogsfera do que os conglomerados midiáticos, com diversas publicações pulverizadas em pequenas oficianas e com material pesadamente subjetivo. Se a blogsfera é por sua vez o retorna as raízes do jornalismo realmente plural e subjetivo, as mídias sociais são por sua vez o retorna as raízes revolucionárias do jornalismo, nada menos do que a Revolução Francesa.

A Imprensa já vinha cambaliando a muito tempo com a concorrência com a TV e Rádio, ironicamente, se ampliou com a própria Internet ao se digitalizar, já que a internet se preponderantemente conteúdo escrito, ainda que suporte a todas as mídias. Porém, esse crescimento veio com a perda de compradores em nome da gratuidade da informação, gratuidade que se impôs como lei de sobrevivência entre concorrentes que passaram a oferecer conteúdo gratuíto online.

Hoje não podemos definir “imprensa” exatamente, pois não se trata de um produto “impresso”, mas podemos definir em um bojo mais amplo que inclui aí toda mídia de massa, mesmo a que migrou para a nova era da Internet: jornais, tvs e radios. O verdadeiro embate hoje não está entre a imprensa e a internet, pois a imprensa ou já não existe ou já é parte da internet, dependendo do conceito material ou ideal que queira empregar ao jornalismo, o embate atual e concreto está entre as mídias de massa e as mídias sociais.

A Imprensa propriamente dita nasceu nos clubes políticos da revolução francesa, teve um papel fundamental na revolução, sobretudo com o famoso L’Ami du People. A imprensa é e sempre foi um õrgão político, como comprovam as grandes mídias nos países desenvolvidos onde abertamente indicam seu voto em candidatos específicos e assumem linhas editoriais com determinado viés ideológico (progressista, socialista, conservador, etc). O campo da neutralidade são os fatos, não as opniões. Na América Latina é o inverso, nossa oligarquia midiática finge imparcialidade apolítica em tudo, enquanto até mesmo no noticiário se inviesam ideologicamente, e no caso do Brasil, sempre na toada anti-trabalhista desde os tempo de Getúlio Vargas.

Uma imprensa cada vez mais online e gratuita depende cada vez mais da publicidade como única fonte de renda, disputando a acirrada concorrência com a TV e Rádio, e toda essa mídia de massa por sua vez perde audiência com a internet, video game, e outras formas de lazer. Na Internet, tem de praticamente não só que concorrer entre si, mas concorrer com todo o mundo que também habita a Internet. E, sobretudo, competir com uma nova forma de comunicação revolucionária nascida na Internet que hoje assume o vanguardismo político que a imprensa um dia teve, as mídias sociais.

Há uma diferença clara entre o que era a imprensa revolucionária nascente e a mídia de massa goebeliana, o goebelianismo neoliberal, protagonizado sobretudo pelas Agências de notícia norte-americanas e a cadeia ultra-reacionária Fox News, passou a ser uma das principais armas de dominação. Ironicamente, a internet nasceu como um experimento militar norte-americano.

As mídias sociais são completamente horizontalizadas, se organizam em redes como as células de guerrilha, os donatários desses sites ainda que possam de uma forma ou outra censurar ou intervir como ocorrera com a censura do Occupy Wall Street no email do Yahoo, são imediatamente desmascarados e denunciados, e acabam recuando. As mídias sociais são um tecido social complexo, autônomo, que cada vez mais se aproxima do espelhamento da sociedade civil na proporção da massificação do computador e da banda larga. Ela não só não é verticalizada, como ainda é descentralizada, dinâmica, expontânea, e está na raiz de todas as revoluções e mobilizações recentes que vão da Primavera Árabe ao Occupy World, movimento ocorrido mundialmente tendo a crítica ao capitalismo do Occupy Wall Street como modelo.

com o avanço das compras coletivas como estratégia de marqueting mais barata e mais eficiente, a mídia oligolista sangra ainda mais na diminuição do próprio anúncio como instrumento de divulgação. Eles são forçados a baixar o preço, a diminuir sua estrutura e sua última saída estão nos cofres públicos, e nesse ponto, eles se corrompem se transformando em panfleto político do governo no poder. Como as maiores mídias nacionais estão em São Paulo e este estado é dominado a 16 anos pelos demotucanos, Veja, Folha e Estadão se transformaram em campanha anti-petista permanente.

Só que isso tem um custo alto, a credibilidade. Como seu serviço é enfraquecer politicamente o governo petista, seus eventuais fracassos os forçam a ultrapassar os limites, e aí se encontram muito próximo da desmoralização ou mesmo do banditismo (como no caso da invasão do quarto de José Dirceu por um jornalista da Veja). Sem credibilidade eles perdem ainda mais audiência, e audiência é um elo muito frágil e subjetivo, que pode se esvair na primeira decepção. Hoje a revista Veja é quase distribuída gratuitamente para manter artificialmente a alta circulação, conheço pessoas que receberam a revista de brinde por ter assinado um outra revista da editora Abril.

Isso significa que a decadência das mídias de massa se aprofundam com a radicalização de sua militância política, não só perdem leitores, mas os transforma em adversários no momento em que percebem que estavam sendo manipulados, e muitas vezes uma mera twitada de 180 caracteres desses ex-leitores tem o efeito de um bomba na sua decadente credibilidade.

É claro que a mídia direitista brasileira está a um passo do precipício e a Veja-Folha-Estadão torcem para que o DEM-PSDB retornem para abrir os cofres públicos federais para elas, como fazem com os cofres da prefeitura e do governo paulista. Mas não tem fôlego financeiro para até 2014, por isso, se esperneiam a cada dia para tentar derrubar Dilma na marra. Mas descobrem a contra-gosto que a verdade não é um detalhe banal facilmente demolidos por suas calúnias, percebem que o povo não é tão estúpido quando apostaram.

Porque a mídia neocon gosta tanto de uma verba publitária quando os financistas neocon gostam de uma Selic alta, apesar de ambos odiarem qualquer outra forma de aumento de gastos públicos. Não conseguirão sobreviver mais 4 anos sem saquear os cofres públicos, enquanto toda a nova economia lhe foge de seus pés, com as teles entrando levando a tv americana dublada para disputar a audiencia mirrada.

O povo brasileiro os venceu de uma maneira épica em 2010 em uma das eleições mais sujas da história. Vencemos o pior, sabemos que todo o resto será fichinha comparado o que vencemos. Dilma conquistara a classe média, Lula tem os trabalhadores do seu lado, nas próximas eleições a esquerda não precisará mais de outros partidos para governar, assim, a emanciparão se acelerará.

Written by ocommunard

25 de outubro de 2011 at 22:48

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Occupy World: liberalismo e democracia em contradição

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O liberalismo norte-americano com seu mantra do “Estado mínimo” tinha na gordura do “Wellfare State” keynesiano o seu fôlego, queimada essa gordura que culminara na crise financeira e na hiper-concentração de renda, na cada vez mais explícita e obscena dominação do capital financeiro sobre toda a sociedade, provocara uma onda de protestos inéditos nos EUA que pela primeira vez questiona declaradamente o capitalismo, movimento nascido no Occupy Wall Street.

Nem no ápice de 1929 ou nos rebeles anos 60 o capitalismo havia sido tão atacado pelos próprios norte-americanos. Ironicamente, só seria possível isso com a vitória dos EUA na Guerra Fria, já que em outra situação qualquer crítica ao capitalismo seria acusada de comunista pró-soviética, ainda que ainda os acusem de anti-americanos. Agora, quando o maior país comunista da atualidade (China) se tornara o maior centro de atração de capital no mundo, essa chantagem falira.

A crise, a desigualdade, a dominação cada vez mais exposta do sistema político pelo poder econômico (sobretudo o capital financeiro), levaram a essa situação, e os movimentos de ocupação contra o “poder econômico” nascidos na pátria do capitalismo já se espalharam por todo o mundo. É um movimento cuja a vitória estará centrada unicamente na sua capacidade de sobrevivência e resistência ao longo do tempo, isto é, o seu fôlego.

Ironicamente também, foi da Primavera Árabe, numa região do mundo sobretaxada de ditatorial por natureza segundo o discurso neoliberal, uma revolução pacífica e democrática nascida em uma ditadura alinhada aos EUA serve de modelo ideal ao ‘ocupistas’.

O que os une é o que se opõem, porém são uma massa mista formada de liberais, socialistas, anarquistas, desenvolvimentistas (keynesianos), etc. Não há como dizer ou definir que se essa mobilização continuar se expandindo e resistindo, vá culminar em algo comunista oficialmente, mas se tomarmos a Comuna de Paris como referência, sua essência comunista é muito mais autêntica do que qualquer experiência vivida no século XX ou hoj. Na raiz mais autêntica do comunismo soviético, ainda que depois esmagado pela máquina stalinista, estavam os soviets, uma organização popular espontânea de democracia direta. É justamente o que estamos vendo nas ocupações e nas suas reinvindicações de ‘democracia real’. Não muito diferente da democracia direta empregada pela Comuna de Paris.

Para muito além das especulações ideológicas do movimento, o ponto mais nevrálgico já foi obtido, que foi a crítica explícita e irrevogável pelo movimento do sistema capitalista cujos EUA são o modelo. É esse ponto de partida essencial que dá a esse movimento uma amplitude revolucionária muito maior do que um mero reformismo ao estilo New Deal ou pacifismo aos estilo anti-war (como foram na década de 60 os protestos contra a Guerra do Vietnã). O New Deal foi revolucionário em seus termos, mas institucionalizado, não rompera nem com o regime econômico, nem com o regime político, por mais sindicalista e estatizante que tenha sido, algo que de partida os ocupistas já romperam.

A face glamurosa que o capitalismo se travestiu com a vitória na Guerra Fria, como uma democracia liberal plena de direitos humanos e liberdade de imprensa, caira como uma máscara de papel com a própria auto-destruição de seu semi-socialista Wellfare State, ruiu em seu próprio ninho. Hoje está mais nas mãos dos Republicanos do que dos Democratas levar essa contradição adiante, emplodindo os últimos elos imaginários entre a democracia e o liberalismo através do acentuamento de política liberalizantes que levaram ao caos atual e que portanto, irão maximizar as mazelas vigentes. Hoje a liberdade de imprensa é desmascarada pelos ocupistas como ‘propaganda política do poder econômico’, hoje a o liberalismo é desmascarado como ‘assalto a democracia’, etc. No entanto, é a hegemonia política do neoliberalismo que empurrarão a mídia e os Republicanos como um carro sem freio para um colapso da pátria do capital. Não podem nem conseguem frear ou ceder, os que lhes custariam alto ideológica e politicamente, só podem acelerar cada vez mais. Mesmo que tenham consciência de que se aproximam do muro inevitável da contradição entre democracia e liberalismo, além desse muro não sobrarão mais ilusões sobre o capital, e a luta de classes se tornará tão transparente quanto se tornara hoje a ditadura do capital financeiro.

Written by ocommunard

23 de outubro de 2011 at 13:17

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