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PSD, a problemática da solucionática

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PSD, depois de registrado, enfim se proclamou de centro, aliás, qual a diferença em dizer que ‘não é de centro, nem de direita, nem de esquerda’ e se dizer de centro? A direita partiu para cima o quanto pode para evitar seu registro, mas agora atacar o PSD é atacar Serra (o direitista-mor), o padrinho político do líder do neocentrismo brasileiro.

Para a direita lhe restou escolher entre os moderados (Aécio, Alckmin, FHC, etc) e os extremados (Serra, Álvaro Dias, Agripino Maia, etc). No entanto, o líder máximo da ultra-direita eleitoralmente viável brasileira é Serra, e isso significa poupar o PSD, que provavelmente vai converter oposicionistas absolutos de vários partidos em composicionistas relativos, isto é, sangrar a direita em favor do centro. Isso não é trivial se observarmos a importância do PSD para salvar o serrismo, que tem influência absoluta na mídia hegemônica. Se realmente o PSD não tiver nada com Serra, ele é apenas uma ponte para o PMDB.

Mas e se o PSD foi uma cartada de Serra?

PSD foi uma jogada de mestre de Serra para romper o isolamento que ele próprio provocou. Alguém realmente acredita que um Kassab, saído do bolso de José Serra, seja o líder de tudo isso? O moderantismo de Aécio era uma vantagem que Serra minou com o PSD, através deste partido Serra conseguiu ser mais opositor e mais aliado que Aécio, ao mesmo tempo, delegando ao seu discípulo o adesismo ao PT, algo muito além da mera interlocução aecista. O PSD ainda, ao oferecer governismo a políticos que vêem seus partidos decair eleitoralmente, provoca uma maciça emigração das bases que dariam apoio a Aécio para um partido que declaradamente se coloca a serviço de José Serra. Serra conseguiu ainda se vingar da imposição de vice do DEM nas eleições, e ele adora a vingança, que o diga Alckmin!

Mas os aecistas (Alckmin, Aécio, FHC) perceberam tudo isso com lucidez absoluta e arregaçaram as mangas. Primeiro, Alckmin reconquistou sua influência na capital, cujo já dominava no interior – ao mesmo tempo, se aproximou do PSD o quanto pode. Segundo, FHC se aproxima de Dilma para contrapor a vantagem do adesismo do PSD. Terceiro, Aécio deve ter burilado nos bartidores para afastar serristas da máquina partidária e no governo paulista, como na indicação do Tasso. Com essa ações os dois lados estão em equilíbrio, mas há uma luta ferrenha dentro da imprensa pró-tucana sobre para que ala vão tomar partido. Esse é o grande espólio que agora se digladiam. Jornalistas serristas e fernandistas estão em franca campanha, em algum momento entrarão em choque – nesse momento se saberá qual ala dominará o tucanato, a base eleitoral dos tucanos é a grande mídia. Uma grande mídia, diga-se de passagem, cada vez menos influente justamente por seu descarado tucanismo.

O PSD é o busílis do Instituto Millenium, é a mosca na sopa do Tea Party brasileiro. Eles querem o Serra ultra-udenista presidente, mas vão ter de engolir com mosca e tudo, uma mosca que pode se transformar em elefante. Mas isso desnortearia a campanha política cotidiana anti-petista. Como preservar o adesismo do PSD ao PT, ao mesmo tempo que atacam o PT? E se fragilizarem o PSD, como Serra poderá ser um candidato viável em 2014? Solução seria Aécio 100% e levar o serrismo a extinção junto com o seu PSD, não é tão simples, pois Serra tem relações carnais com a grande mídia, seria necessário uma faxina no elenco de jornalistas. Se essa faxina não ocorrer, saberemos que a mosca foi engolida.

O que será da direita em 2014 se ela for dividida pelo serrismo, quando que unida nunca foi além de um segundo turno minguado? Alguns aecistas devem estar argumentando agora que ou o PSDB acaba com o serrismo ou o serrismo acaba com o PSDB, pois com o DEM ele já acabou. Mas não será tão simples quanto um processo democrático aonde o mais votado é eleito…

A direita brasileira, que é popularmente conhecida como PIG, o Partido da Imprensa Golpista, cujo seus militantes são conhecidos como ‘calunistas'(especialistas em caluniar a esquerda) e ‘colonistas'(especialistas no anti-nacionalismo), está literamente num mato sem cachoro, nada melhor define sua condição do que as melodiosas de Ney Mato Grosso: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

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Written by ocommunard

29 de setembro de 2011 às 13:47

Publicado em Sem categoria

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