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Políticas, economias e ideologias

Neoliberalismo: como a maior crise do século XXI está nascendo sob aplausos.

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Como um modelo que em toda América Latina foi um altissonante fracasso e que agora joga ao ralo o mundo desenvolvido, ainda se mantenha como algo não só ‘respeitável’ como até, pasmém, hegemônico. E o que é pior, mesmo os mais altissonantes críticos não ousam dançar fora de sua toada mercadista.

Os EUA saíram dos portentosos superávits da era Clinton e caiu nos desastrosos defícits da era Bush Jr, em apenas 8 anos de neoliberalismo(estado mínimo) e neoimperialismo(ataque preventivo), ressaltando ainda que o governo Clinton não pode ser chamado de anti-neoliberal. São os mesmos neoconservadores e seus colonizados amestrados que ainda patrocinam a hegemonia neoliberal mundo afora.

Enquanto isso, os ‘progressistas’ euro-americanos se contentam em pedir maiores gastos infra-estruturais sem atacar frotalmente pelo aumento dos impostos (neolib) e o corte de gastos militares (neoimp), o máximo que conquistarão com isso é desmoralizar suas políticas ao ignorar completamente a causa fiscal criada pelos neocons.

Sob o terrorismo pseudo-anarquista dos neocons e o temor que qualquer retrocesso nos gastos militares gere derrotas militares colossais culpabilizando os que defenderam a diminuição militar norte-americana, os EUA e UE, por temor ou por inércia, dão mais passos firmes e orgulhosos para uma colossal derrocada.

A questão é que a campanha ideológica neoliberal compremeteu tantos recursos e pessoas que não há nenhuma brecha para pequenos recuos sem provocar grandes desmoralizações. Outra questão é que quanto mais se aprofunda a crise, mas necessariamente impactante deverá se atingir o capital (tributariamente) e o império (militarmente) para que possa dar algum resultado, sob o risco de que sua insuficiência acabe por re-promover a ala conservadora para que retorne com ainda mais força.

Não, Clóvis Rossi, não adianta mais agora apenas restringir o ataque a uma parcela do capital financeiro, os banqueiros. Já se socializou o prejuízo. Não adianta agora, Warren Buffet, dizer que quer pagar mais impostos, depois de 30 anos de doutrinação. Mesmo porque mais receita não deu a Bush Jr um governo brilhante. Já se passou desse nível, as reformas cosméticas e muito menos a oratória obamística já não são inofensivas, nem mesmo reformas superficiais que quando defendidas nas campanhas de Obamas eram suficientes, hoje não. Hoje uma reforma suficiente seria um choque para essa superestrutura neoliberal, algo com um rastilho de ‘revolução’. Chegará o dia que nem as ‘reformas chocantes’ se tornarão insuficientes, nesses dias Clóvis Rossi lutará inutilmente pelo Estado máximo.

Hoje os neoliberais desmoralizam o Roubini como Dr. Doom, mesmo adminindo que ele sempre esteve certo sobre suas visões ‘pessimistas’. Chegará o dia que sentirão saudades de ‘pessimistas’ tão brandos quanto o Dr. Doom. E não é mais uma questão econômica, é puramente política, o peso do neoliberalismo está esmagando a si mesmo, e quanto mais pesa, mais violenta será a ‘dieta’.

Os neokeynesianos, como Stiglitz, já atropelaram os keynesianos e qualquer fronteira com o socialismo, que define o mercado como “anarquia”, ao afirmar que as ‘falhas de mercado’ não são exceções, mas regra. E agora? O neokeynesianismo sá sabe que Keynes não é mais suficiente, mas não podem sequer pronunciar a palavra: socialismo. Mais um passo ao abismo.

A cada dia a mais para as políticas neoliberais, mais se radicaliza a alternativa, tanto em termos sociais (com o descontentamento e desemprego) quanto em termos políticos (ao exigir soluções de maior alcance e mais drásticas). E o que estamos vendo sequer é uma novidade, parece uma paródia macabra de 1929, será que exatamente um século depois teremos um novo 1929?

Quem viver, verá…

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Written by ocommunard

16 de setembro de 2011 às 17:13

Publicado em Sem categoria

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