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Políticas, economias e ideologias

O principal desafio das esquerdas: comunicação

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Defender o ingênuo “controle social da comunicação” não só é e se mostrou contra-producente quanto sobretudo é inútil, na UE aonde há muitas formas desse controle não evitou em nenhum grau o goobelianismo de Murdoch, que conhecemos bem desde os tempos de Getúlio. O caso dos Clubes do 13, com a Globo sabotando sua derrota na concorrência, prova que o problema de nossas comunicações é a propriedade feudalizada e não capitalista do meios de comunicação. Não há livre-mercado, nem competição e muito menos orientação ao lucro (a orientação é abertamente política). A orientação ao lucro não explica como TVs defendam uma doutrina política contrária a maioria de sua audiência.

Com todo o respeito aos camaradas que pensam o contrário, o governo Dilma acerta mais do que os ideólogos da Ley de Medios e do “controle social” ao atinar por um “choque de capitalismo” estimulando a expansão da banda larga (que concorre com a velha mídia) e abrindo mercado midiático. A abertura conseguida, porém restrita a TVs por assinatura, tem importância porque de um lado garante a produção nacional através das cotas, como ainda investe em algo pela própria queda do preço levará a se popularizar tal como é atualmente nos EUA e UE. Mas é fundamental frisar, como provou o caso do IOF cambial, uma dosagem insuficiente é tão inútil quanto não fazer nada.

Há três linhas para a democratização da mídia brasileira: 1) expandir a concorrência (liberalização); 2) articular uma alternativa de mídia progressista; 3) melhorar o judiciário.

O primeiro é o próprio “choque de capitalismo” que deve ir muito além do proposto. A abertura deve não só ser irrestrita, como ainda deve ser largamente incentivada ao estilo tucano, fortalecendo o CADE para através de uma lei contra a propriedade cruzada (é praticada em todo o Ocidente desenvolvido e é importante para a liberalização) possa incentivar ainda mais a concorrência. Mais do que a propriedade nacional, serão as cotas de produção nacional e independente (que já existe na nova lei para TVs pagas) que garantirão uma defesa concreta da cultura nacional, pois as leis que coíbem o capital estrangeiro nas mídias brasileira jamais sequer amenizaram o alinhamento anti-nacionalista (pró-transnacionais) dessas mídias e muito menos a influencia estrangeira seja editorial seja material.

Segundo, para o campo da esquerda propriamente dita, unificar todas as mídias, jornais e blogs que já detém em um grande meio de comunicação para somar seus recursos escassos e assim oferecer uma alternativa tecnicamente melhor. Essa unificação aumentaria a capacidade de uma maior especalização (divisão do trabalho) além de poder contratar mais e melhores profissionais para essa mídia que deve ser predominantemente jornalística (jornal, coletivas, documentário, etc). Sem um Pravda a esquerda brasileira e latino-americana permanecerá empacada. É necessário um choque de capitalismo nas mídias conservadores e um choque de socialismo nas mídias progressistas, atualmente o cenário está inverso.

Além de unificar recursos e angariar recursos na sociedade organizada progressista, poderia ainda propor um modelo democrático para seus associados, que ao pagar sua assinatura de valor módico, teria ainda o direito a votar em qual segmento editorial para cada mandato preferirá. Essa democracia servirá como uma grande imagem de originalidade, o que fará essa mídia conquistar ainda mais destaque. Essa mídia nasceria na interne, e se expandiria para outros meios na medida em que crescesse em audiencia / publicidade aumentasse.

Seu perfil desse ser uma busca perfeccionista pelo o mais alto padrão de qualidade, algo permanente, ostensivo e agressivo de modo a conquistar o ouro do jornalismo, a credibilidade. A superioridade técnica, intelectual e material deve ir unir gestão e marketing.

E porque melhorar o judiciário iria servir a comunicação? Todos os abusos da mídia que sofremos já são, em qualquer país ocidental incluindo aí o Brasil, um crime. Porém, um judiciário que transforma a morosidade em ato permanente de injustiça, uma morosidade que transforma o judiciário brasileiro em uma ficção jurídica, a ilegalidade da calúnia, da injúria e da difamação, suficiente para abolir todos os abusos da mídia contra as esquerdas, pura e simplesmente são ignoradas pelo judiciário.

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Written by ocommunard

14 de setembro de 2011 às 22:17

Publicado em Sem categoria

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