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Políticas, economias e ideologias

Archive for setembro 2011

PSD, a problemática da solucionática

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PSD, depois de registrado, enfim se proclamou de centro, aliás, qual a diferença em dizer que ‘não é de centro, nem de direita, nem de esquerda’ e se dizer de centro? A direita partiu para cima o quanto pode para evitar seu registro, mas agora atacar o PSD é atacar Serra (o direitista-mor), o padrinho político do líder do neocentrismo brasileiro.

Para a direita lhe restou escolher entre os moderados (Aécio, Alckmin, FHC, etc) e os extremados (Serra, Álvaro Dias, Agripino Maia, etc). No entanto, o líder máximo da ultra-direita eleitoralmente viável brasileira é Serra, e isso significa poupar o PSD, que provavelmente vai converter oposicionistas absolutos de vários partidos em composicionistas relativos, isto é, sangrar a direita em favor do centro. Isso não é trivial se observarmos a importância do PSD para salvar o serrismo, que tem influência absoluta na mídia hegemônica. Se realmente o PSD não tiver nada com Serra, ele é apenas uma ponte para o PMDB.

Mas e se o PSD foi uma cartada de Serra?

PSD foi uma jogada de mestre de Serra para romper o isolamento que ele próprio provocou. Alguém realmente acredita que um Kassab, saído do bolso de José Serra, seja o líder de tudo isso? O moderantismo de Aécio era uma vantagem que Serra minou com o PSD, através deste partido Serra conseguiu ser mais opositor e mais aliado que Aécio, ao mesmo tempo, delegando ao seu discípulo o adesismo ao PT, algo muito além da mera interlocução aecista. O PSD ainda, ao oferecer governismo a políticos que vêem seus partidos decair eleitoralmente, provoca uma maciça emigração das bases que dariam apoio a Aécio para um partido que declaradamente se coloca a serviço de José Serra. Serra conseguiu ainda se vingar da imposição de vice do DEM nas eleições, e ele adora a vingança, que o diga Alckmin!

Mas os aecistas (Alckmin, Aécio, FHC) perceberam tudo isso com lucidez absoluta e arregaçaram as mangas. Primeiro, Alckmin reconquistou sua influência na capital, cujo já dominava no interior – ao mesmo tempo, se aproximou do PSD o quanto pode. Segundo, FHC se aproxima de Dilma para contrapor a vantagem do adesismo do PSD. Terceiro, Aécio deve ter burilado nos bartidores para afastar serristas da máquina partidária e no governo paulista, como na indicação do Tasso. Com essa ações os dois lados estão em equilíbrio, mas há uma luta ferrenha dentro da imprensa pró-tucana sobre para que ala vão tomar partido. Esse é o grande espólio que agora se digladiam. Jornalistas serristas e fernandistas estão em franca campanha, em algum momento entrarão em choque – nesse momento se saberá qual ala dominará o tucanato, a base eleitoral dos tucanos é a grande mídia. Uma grande mídia, diga-se de passagem, cada vez menos influente justamente por seu descarado tucanismo.

O PSD é o busílis do Instituto Millenium, é a mosca na sopa do Tea Party brasileiro. Eles querem o Serra ultra-udenista presidente, mas vão ter de engolir com mosca e tudo, uma mosca que pode se transformar em elefante. Mas isso desnortearia a campanha política cotidiana anti-petista. Como preservar o adesismo do PSD ao PT, ao mesmo tempo que atacam o PT? E se fragilizarem o PSD, como Serra poderá ser um candidato viável em 2014? Solução seria Aécio 100% e levar o serrismo a extinção junto com o seu PSD, não é tão simples, pois Serra tem relações carnais com a grande mídia, seria necessário uma faxina no elenco de jornalistas. Se essa faxina não ocorrer, saberemos que a mosca foi engolida.

O que será da direita em 2014 se ela for dividida pelo serrismo, quando que unida nunca foi além de um segundo turno minguado? Alguns aecistas devem estar argumentando agora que ou o PSDB acaba com o serrismo ou o serrismo acaba com o PSDB, pois com o DEM ele já acabou. Mas não será tão simples quanto um processo democrático aonde o mais votado é eleito…

A direita brasileira, que é popularmente conhecida como PIG, o Partido da Imprensa Golpista, cujo seus militantes são conhecidos como ‘calunistas'(especialistas em caluniar a esquerda) e ‘colonistas'(especialistas no anti-nacionalismo), está literamente num mato sem cachoro, nada melhor define sua condição do que as melodiosas de Ney Mato Grosso: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

Written by ocommunard

29 de setembro de 2011 at 13:47

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CS da ONU: ampliação ou fim do veto?

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O debate atual em que se centra a questão da reforma é o de incluir o número de assentos permanentes da ONU, isto é, aumentar o número de países com poder de veto. Mas o real problema permanece, o poder de veto transforma qualquer país com assento permanente é um poder absoluto ad-hoc. Basta que apenas um vete para que uma demanda, tal como a atual demanda Palestina, seja anulada.

Atualmente, uma decisão do CS da ONU, que é uma espécie de ‘presidência’ da ONU, deve receber 2/3 dos votos e não receber nenhum veto, ora, está aí a raiz do problema. Mais do que ter ou não um assento permanente ou rotatório, é o poder de veto que embarga as mais importantes decisões da ONU a sabotando continuamente como uma instância multilateral legítima. Com o fim do poder de veto, se alcançaria a vitória mais importante da democratização da ONU, através dela todas as outras reformas se tornariam viáveis (até a própria ampliação dos assentos permanentes).

Atualmente, vivemos um incrível impasse aonde um único país do mundo, por conta do atual poder de veto, é capaz de embargar o desejo legítimo reconhecido pela esmagadora maioria de nações, da adesão da Palestina como um Estado pleno da ONU.

Written by ocommunard

25 de setembro de 2011 at 17:57

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Neoliberalismo: como a maior crise do século XXI está nascendo sob aplausos.

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Como um modelo que em toda América Latina foi um altissonante fracasso e que agora joga ao ralo o mundo desenvolvido, ainda se mantenha como algo não só ‘respeitável’ como até, pasmém, hegemônico. E o que é pior, mesmo os mais altissonantes críticos não ousam dançar fora de sua toada mercadista.

Os EUA saíram dos portentosos superávits da era Clinton e caiu nos desastrosos defícits da era Bush Jr, em apenas 8 anos de neoliberalismo(estado mínimo) e neoimperialismo(ataque preventivo), ressaltando ainda que o governo Clinton não pode ser chamado de anti-neoliberal. São os mesmos neoconservadores e seus colonizados amestrados que ainda patrocinam a hegemonia neoliberal mundo afora.

Enquanto isso, os ‘progressistas’ euro-americanos se contentam em pedir maiores gastos infra-estruturais sem atacar frotalmente pelo aumento dos impostos (neolib) e o corte de gastos militares (neoimp), o máximo que conquistarão com isso é desmoralizar suas políticas ao ignorar completamente a causa fiscal criada pelos neocons.

Sob o terrorismo pseudo-anarquista dos neocons e o temor que qualquer retrocesso nos gastos militares gere derrotas militares colossais culpabilizando os que defenderam a diminuição militar norte-americana, os EUA e UE, por temor ou por inércia, dão mais passos firmes e orgulhosos para uma colossal derrocada.

A questão é que a campanha ideológica neoliberal compremeteu tantos recursos e pessoas que não há nenhuma brecha para pequenos recuos sem provocar grandes desmoralizações. Outra questão é que quanto mais se aprofunda a crise, mas necessariamente impactante deverá se atingir o capital (tributariamente) e o império (militarmente) para que possa dar algum resultado, sob o risco de que sua insuficiência acabe por re-promover a ala conservadora para que retorne com ainda mais força.

Não, Clóvis Rossi, não adianta mais agora apenas restringir o ataque a uma parcela do capital financeiro, os banqueiros. Já se socializou o prejuízo. Não adianta agora, Warren Buffet, dizer que quer pagar mais impostos, depois de 30 anos de doutrinação. Mesmo porque mais receita não deu a Bush Jr um governo brilhante. Já se passou desse nível, as reformas cosméticas e muito menos a oratória obamística já não são inofensivas, nem mesmo reformas superficiais que quando defendidas nas campanhas de Obamas eram suficientes, hoje não. Hoje uma reforma suficiente seria um choque para essa superestrutura neoliberal, algo com um rastilho de ‘revolução’. Chegará o dia que nem as ‘reformas chocantes’ se tornarão insuficientes, nesses dias Clóvis Rossi lutará inutilmente pelo Estado máximo.

Hoje os neoliberais desmoralizam o Roubini como Dr. Doom, mesmo adminindo que ele sempre esteve certo sobre suas visões ‘pessimistas’. Chegará o dia que sentirão saudades de ‘pessimistas’ tão brandos quanto o Dr. Doom. E não é mais uma questão econômica, é puramente política, o peso do neoliberalismo está esmagando a si mesmo, e quanto mais pesa, mais violenta será a ‘dieta’.

Os neokeynesianos, como Stiglitz, já atropelaram os keynesianos e qualquer fronteira com o socialismo, que define o mercado como “anarquia”, ao afirmar que as ‘falhas de mercado’ não são exceções, mas regra. E agora? O neokeynesianismo sá sabe que Keynes não é mais suficiente, mas não podem sequer pronunciar a palavra: socialismo. Mais um passo ao abismo.

A cada dia a mais para as políticas neoliberais, mais se radicaliza a alternativa, tanto em termos sociais (com o descontentamento e desemprego) quanto em termos políticos (ao exigir soluções de maior alcance e mais drásticas). E o que estamos vendo sequer é uma novidade, parece uma paródia macabra de 1929, será que exatamente um século depois teremos um novo 1929?

Quem viver, verá…

Written by ocommunard

16 de setembro de 2011 at 17:13

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BRICS ajudando a UE!? Subserviência ou ingenuidade?

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Porque os BRICs, que tem graves desafios sociais ainda a superar, gastariam seu mirrado dinheiro para, como estão dizendo, ‘salvar a Europa’? O calculo é que o impacto em cadeia sobre a economia internacional terminará por atingir os próprios BRICs, assim, tal custo seria de fato mais barato. O elo fraco do argumento é esclarecer porque com agravamento da crise euro-americana os investidores sairiam dos BRICS – que estão em melhores condições – justamente para voltar a esses países em crise.

Fica claro que os BRICs buscam ou uma ‘ironia moral’ de um servo financiando seu senhor, ou talvez tomar algumas posições geopolíticas nesse fato. Se for essa segunda hipótese, não entendo como eles teriam alguma vantagem geopolítica fortalecendo aqueles cujo buscam tomar espaço. A história prova como os EUA e a Europa agiram em situações semelhantes, não foi a solidariedade aos países em crise que os fizeram potência, mas a busca para assumir posições.

Não é contrária a solidariedade internacional, um valor absoluto das esquerdas, pois sermos altruístas com povos historicamente oprimidos, miseráveis ou dependentes é algo generoso (como o governo Lula fez com a África e América Latina), agora, sermos altruístas com estados historicamente opressores, ricos e imperialistas é algo cuja estupidez assume o caráter legitimador. A UE escolheu o neoliberalismo, mesmo seus partidos socialistas se submeteram ao pensamento único, só sofrendo as consequências poderão se mobilizar por mudanças (como ocorrera na própria América Latina). Essa ação servirá apenas para alongar ainda mais a hegemonia neoliberal na Europa que tem grande influência sobre nossos ‘colonistas’ e ‘calunistas’.

Deixem a UE e EUA sangrar neo-livremente e aprenderão um pouco de dialética que deveriam ter aprendido com o atual ascenção das esquerdas latino-americanas. Não foi justamente o fracasso neoliberal que causou o avanço das esquerdas na América Latina? Agora, o Brasil quer salvar o neoliberalismo europeu?

Os BRICs detêm um poder geopolítico obviamente inexplorado cujo maior inimigo é seu superego euro-americano nas esquerdas e sua tropa terrorista gobeliana. Mesmo se o PIB dos BRICs caíssem -1% frente a uma queda euro-americana de- 7%, será que o cenário seria negativo para os BRICs? Não só não seria, como ainda fortaleceria a integração com outros países que não estão em recessão, como modo de oferecer uma alternativa a esses mercados em contração. Perdemos mais uma vez uma grande oportunidade histórica por pura falta de ousadia.

Written by ocommunard

14 de setembro de 2011 at 22:26

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O principal desafio das esquerdas: comunicação

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Defender o ingênuo “controle social da comunicação” não só é e se mostrou contra-producente quanto sobretudo é inútil, na UE aonde há muitas formas desse controle não evitou em nenhum grau o goobelianismo de Murdoch, que conhecemos bem desde os tempos de Getúlio. O caso dos Clubes do 13, com a Globo sabotando sua derrota na concorrência, prova que o problema de nossas comunicações é a propriedade feudalizada e não capitalista do meios de comunicação. Não há livre-mercado, nem competição e muito menos orientação ao lucro (a orientação é abertamente política). A orientação ao lucro não explica como TVs defendam uma doutrina política contrária a maioria de sua audiência.

Com todo o respeito aos camaradas que pensam o contrário, o governo Dilma acerta mais do que os ideólogos da Ley de Medios e do “controle social” ao atinar por um “choque de capitalismo” estimulando a expansão da banda larga (que concorre com a velha mídia) e abrindo mercado midiático. A abertura conseguida, porém restrita a TVs por assinatura, tem importância porque de um lado garante a produção nacional através das cotas, como ainda investe em algo pela própria queda do preço levará a se popularizar tal como é atualmente nos EUA e UE. Mas é fundamental frisar, como provou o caso do IOF cambial, uma dosagem insuficiente é tão inútil quanto não fazer nada.

Há três linhas para a democratização da mídia brasileira: 1) expandir a concorrência (liberalização); 2) articular uma alternativa de mídia progressista; 3) melhorar o judiciário.

O primeiro é o próprio “choque de capitalismo” que deve ir muito além do proposto. A abertura deve não só ser irrestrita, como ainda deve ser largamente incentivada ao estilo tucano, fortalecendo o CADE para através de uma lei contra a propriedade cruzada (é praticada em todo o Ocidente desenvolvido e é importante para a liberalização) possa incentivar ainda mais a concorrência. Mais do que a propriedade nacional, serão as cotas de produção nacional e independente (que já existe na nova lei para TVs pagas) que garantirão uma defesa concreta da cultura nacional, pois as leis que coíbem o capital estrangeiro nas mídias brasileira jamais sequer amenizaram o alinhamento anti-nacionalista (pró-transnacionais) dessas mídias e muito menos a influencia estrangeira seja editorial seja material.

Segundo, para o campo da esquerda propriamente dita, unificar todas as mídias, jornais e blogs que já detém em um grande meio de comunicação para somar seus recursos escassos e assim oferecer uma alternativa tecnicamente melhor. Essa unificação aumentaria a capacidade de uma maior especalização (divisão do trabalho) além de poder contratar mais e melhores profissionais para essa mídia que deve ser predominantemente jornalística (jornal, coletivas, documentário, etc). Sem um Pravda a esquerda brasileira e latino-americana permanecerá empacada. É necessário um choque de capitalismo nas mídias conservadores e um choque de socialismo nas mídias progressistas, atualmente o cenário está inverso.

Além de unificar recursos e angariar recursos na sociedade organizada progressista, poderia ainda propor um modelo democrático para seus associados, que ao pagar sua assinatura de valor módico, teria ainda o direito a votar em qual segmento editorial para cada mandato preferirá. Essa democracia servirá como uma grande imagem de originalidade, o que fará essa mídia conquistar ainda mais destaque. Essa mídia nasceria na interne, e se expandiria para outros meios na medida em que crescesse em audiencia / publicidade aumentasse.

Seu perfil desse ser uma busca perfeccionista pelo o mais alto padrão de qualidade, algo permanente, ostensivo e agressivo de modo a conquistar o ouro do jornalismo, a credibilidade. A superioridade técnica, intelectual e material deve ir unir gestão e marketing.

E porque melhorar o judiciário iria servir a comunicação? Todos os abusos da mídia que sofremos já são, em qualquer país ocidental incluindo aí o Brasil, um crime. Porém, um judiciário que transforma a morosidade em ato permanente de injustiça, uma morosidade que transforma o judiciário brasileiro em uma ficção jurídica, a ilegalidade da calúnia, da injúria e da difamação, suficiente para abolir todos os abusos da mídia contra as esquerdas, pura e simplesmente são ignoradas pelo judiciário.

Written by ocommunard

14 de setembro de 2011 at 22:17

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