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Libia, o Vietnã da OTAN

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Materialmente, as chances da Líbia resistir de pé a agressão externa é muito maior do que a incrível vitória do Vietnã sobre os EUA. Não só a Líbia é muito mais rica e poderosa do que era o Vietnã, como a OTAN com os EUA e UE em crise oferece uma debilidade que os EUA não conhecia quando bateu em retirada do minúsculo país asiático. A questão vai se centrar no apoio popular ao regime, quanto mais coeso for esse apoio, mas certa e rápida será a derrota militar da OTAN e dos rebeldes.

A cada novo ataque aos civis líbios provocada pelos mísseis da OTAN, mais e mais os líbios se comovem a participar da luta, mas se convencem de que o lado agressor é a OTAN. Mas mesmo que o Conselho cheguasse ao poder, algo a cada dia mais improvável, as divisão entre secularistas e fundamentalistas é tão visível que já provocou uma baixa com o assassinato do próprio líder militar da ‘rebelião’.

A verdade é que o custo da vitória da OTAN será um novo Talibã, pois se Kadafi fosse tão tirano quanto casuisticamente agora a UE o pinta, antes era um aliado, seu regime é um dos mais laicos de todo o oriente médio.

É certo que a Líbia foi uma jogada de marketing de Sarkozy e depois Obama entrou a revelia, apostando que seria uma vitória fácil frente a onda de manifestações, somado ao fato de que entre os aliados árabes, a Líbia é a que despertava mais desconfiança pelo passado anti-imperialista de Kadafi. Um altíssimo lucro político com a imagem de ‘libertadores de tiranos’ e uma ainda maior vitória econômica com o petróleo líbio pilhado, a presença militar serveria na Líbia serviria ainda como um foco de intimidação para a orientação demasiada soberana da ‘Primavera Árabe’.

Mas Kadafi é um militar que preparou o seu país a décadas para uma invasão. Ainda que sua re-aproximação com a UE tenha baixado a guarda líbia, a capacidade incrível de resistência dos líbios a agressão extrangeira prova que muito foi preservado.

O tempo conta a favor de Kadafi, a cada dia a mais aumenta a conta da OTAN para países já hiper-individados e o medo de um atoleiro aumenta entre seus financiadores. A capacidade do saqueio europeu do petróleo Líbio a cada dia mais vai compensando menos os gastos. O dia do grande ajuste fiscal está cada vez mais próximo e a OTAN vai implorar por uma saída honrosa diplomática que tantas vezes ignorou de Kadafi.

As últimas notícias apresentam já uma tentativa diplomática por parte da OTAN, mas agora o governo Líbio já não admite essa possibilidade depois de tantas mortes e depois de reverter a situação a seu favor.

Se nos EUA o desemprego cair na próxima sondagem, que tudo indica que será mascarada, será inevitável a queda das bolsas e até, talvez, um outro rebaixamento (ainda que a pressão sobre a S&P seja descarada intimidação).

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Written by ocommunard

10 de agosto de 2011 às 22:21

Publicado em Sem categoria

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