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Políticas, economias e ideologias

EUA: à beira do abismo

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Em 2 de Agosto, daqui a 8 dias, termina o prazo para que os EUA aumentem o teto do endividamento ou, pela primeira vez em sua história, declare calote. A questão não são os escrúpulos com seus credores, os EUA unilateralmente romperam a relação ouro-dólar com Reagan que provocou com as reservas externas de todos os países o mesmo efeito que o calote fará. Para quem não sabe, a relação ouro-dólar foi a desculpa para impedir uma moeda mundial não atrelada a nenhum país, defendida por Keynes. O problema é que os EUA representa, no sistema financeiro internacional, a nação calote-zero. Os efeitos colaterais de um calote americano são, na melhor das hipóteses, imprevisíveis.

O economista nobel Joseph E. Stiglitz em seu excelente artigo: “a crise ideológica do capitalismo”, declarou atônito sua ingenuidade:

“Eu estava entre os que esperavam que, de algum modo, a crise financeira ensinaria aos americanos (e a outros) uma lição sobre a necessidade de maior igualdade, de uma regulamentação mais forte, e de um melhor equilíbrio entre mercado e governo.”

Ele não consegue encontrar uma resposta que não seja a perplexidade. Criticando os receituários neoliberais (privatização, estado mínimo, austeridade, etc) afirma: “Será que realmente precisamos de uma nova experiência dispendiosa com ideias que falharam repetidamente?”. Adianta ele “Esse remédio falhou no Leste Asiático, na América Latina, e alhures, falhará na Europa desta vez, também. Aliás, ele já falhou na Irlanda, Letônia e Grécia”.

Um regime para o neoliberalismo…

O artigo deixa no ar a idéia de que a Europa e os EUA são incrivelmente estúpidos ou cegamente fanáticos (pelo neoliberalismo), sem esquecer de mostrar tacitamente a relação entre causa-efeito entre políticas neoliberais que defendem abertamente os ricos e o favorecimento no financiamento de suas campanhas eleitorais de seus ‘representados’. Uma simples troca de interesses, ainda que nessa dimensão tenha um grande peso, não explicaria “30 anos” de hegemonia de uma ideologia desastrosa em qualquer lugar que fora aplicado. A meu ver, é mais do que uma causalidade ou conjuntura, é um regime.

O regime nazista, por exemplo, era fundado em três forças: conservadorismo + imperialismo + propaganda(lavagem cerebral, goebelianismo, etc). Há alguma dúvida sobre o conservadorismo (anti-esquerdismo, moralismo, família, anti-política, anti-sindicalismo, etc) e imperialismo (guerra, bases militares espalhadas no mundo, maior orçamento militar do planeta, etc) norte-americano e seus tentáculos pelo mundo?

A respeito da propaganda, o Goebbels americano, Murdoch, colocaria seu original no chinelo. Enquanto Goebbels dominava completamente a mídia nacional, o magnata Murdoch comprou quase todos os maiores jornais do mundo sem nunca, em nenhum minuto, disfarçar ou amenizar seu declarado conservadorismo e sua filiação ao direitista Partido Republicano que, como sempre e mais uma vez provado, não respeita qualquer limite moral, legal ou profissional (pesquise sobre as acusações de uso de espiões e suborno policiais no império de Murdoch). Seu poder conseguiu manobrar até a esquerda no poder (empurraram o Partido Trabalhista britânico para a direita).

Não por acaso foi o regime de Pinochet, o mais sanguinário de todas as ditaduras latino-americanas, que foi o pioneiro do neoliberalismo no mundo. E não comemorem os neoliberais com o avanço em países democráticos, mesmo ignorando o goebbelianismo, pois o nazismo chegou ao poder através das urnas (apesar de desprezá-las e de tentar varias vezes pelo golpe).

Mas não há nazismo sem anti-semitismo, esse é fundamental de qualquer analogia com o nazismo. O anti-semitismo servia ao regime apenas para canalizar as frustrações jamais sanadas pelo governo, ou para desviar a atenção das mazelas do governo, colocando um outro povo como bode expiatório. Mas o nazismo americano sequer foi além do anti-semitismo ao eleger os mulçumanos como seus judeus, com todas as conveniências bélicas do livre-arbítrio para saquear o petróleo dos países mulçumanos. Aqui o naziudenismo* elegera os nordestinos como os seus judeus preferenciais.

A diferença fundamental é o ideário de Estado mínimo, que no discurso é oposto ao totalitarismo. Mas isso é mera aparência, a presença do Estado nazi-fascista era na indústria bélica e poder militar, e não na economia, elemento que nada difere dos 1/4 de tudo que o governo americano gasta que vai para financiar seu imperialismo (guerras, bases militares, indústria bélica, contingente, etc).

Mas um nazismo de Estado mínimo é muito mais poderoso que o nazismo ‘totalitário’ por ser mais discreto, pois a alternância do poder em tal regime retira todas as condições de mudanças que o novo governo poderia aplicar, já que não só está completamente desaperalhado, como ainda está constrangido a não se reaparelhar (não pode aumentar impostos, ou estatizar, etc), porque a direita pode até fracassar no governo, mas o goebelianismo de Murdoch, Civita, Frias, etc, continua indiferente as urnas, as leis e ao próprio jornalismo. Sempre em nome da liberdade de exprimir suas censuras a esquerda.

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Written by ocommunard

25 de julho de 2011 às 12:48

Publicado em Sem categoria

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