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Políticas, economias e ideologias

Archive for julho 2011

Quando o Tea Party elegeu Obama

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Para entender como a situação atual poderia provocar esse desfecho é necessário um esforço um pouco além da cínica auto-entitulada ‘lógica primária’ da direita, que afirma que pouco importa a culpa da escalada do endividamento do governo americano tenha se dado no governo da direita americana (Bush), mesmo este tendo herdado um país com um confortável superávit da era Clinton. Para eles, ora, se Obama foi eleito é para resolver, pouco importa o culpado, e mesmo ainda pouco importa se Obama fez quase tudo que a direita quis em política econômica – como já alertou diversos democratas.

O professor Stempniewski, das Faculdades Integradas do Rio Branco, resume: “O histórico republicano de acumular déficits em cima da máquina de guerra é o grande responsável por esta situação que está aí hoje, é a origem do problema”. Mas para a direita, pouco importa.

Segundo Paul Krugman, economista Nobel liberal, a proposta de Obama se fosse aprovada seria uma grande derrota progressista, pois além de admitir corte de gastos sociais, seu aumento de imposto é completamente insuficiente (se reduz a não prolongar a anistia tributária as grandes furtunas da era Bush). Obama cede a toda e qualquer pressão republicana como se fosse um ato a-político, ainda que não podemos ignorar a força do fundamentalismo de mercado sobre o eleitorado norte-americano, mas os republicanos agora querem algo tão absurdo que ele não tem como ceder, os republicanos criaram uma trincheira que levará ao calote, pavimentando o caminho para o retorno dos republicanos. Para os republicanos cada desempregado a mais no governo Obama se converte em milhares de votos nas urnas, as consequencias do calote seriam, portanto, uma vitória retumbante.

O impasse é simples, os republicanos são contra qualquer aumento de impostos e os democratas são contra jogar tudo no corte de gastos, pois todo economista, mesmo conservador, previria mais recessão com corte de gastos públicos, sobretudo, na área social. Mas a alternativa de Obama é apenas um pouco menos a direita, para sermos otimistas.

Obama só não cedeu mais uma vez aos republicanos, com aquela cada vez mais caricata pose triunfal supra-partidária, por conta do ocorrido nas últimas eleições legislativas, aonde os republicanos se opuseram e desfiguraram a reforma do sistema de saúde (acusando de ‘socialista’) e cinicamente usaram a desfiguração que impuseram contra os democratas, e assim conquistaram a maioria da Casa dos Representantes.

Um ponto eu concordo completamente com a direita, Obama é um fiasco. Cedeu toda a sua retórica, compromissos eleitorais e princípios apenas para manter uma pose de superioridade ‘bipartidária’ e faz isso promovendo a conservadora demonização da política, acusam os impasses criados pelos republicanos não culpa dos republicanos, mas da ‘politicagem’. Algo muito parecido com a nossa sonhática Bla-bla-rina Silva.

Com a aprovação do plano de Obama, na melhor das hipóteses para todos os economistas, acentuaria moderadamente a recessão – o que no cálculo político seria interpretado como um fracasso da proposta de Obama e a comprovação das teses conservadoras (o aumento de impostos seria vilanizado), portanto, empurrando milhões de moderados para as fileiras fascistas do Tea Party. O calote seria o único cenário aonde os republicanos seriam ou poderiam ser responsabilizados, o que ainda demandaria um epopéico debate. Vencido o debate, a desmoralização da direita conjuntamente com o próprio agravamento da crise, lhe daria mais força e espaço contra o embargo ideológico neoliberal para ir além em suas políticas sociais anti-cíclicas.

Mas mesmo ocorrendo um cenário altamente favorável a Obama, não temos mais como nos enganar, Obama venderia toda essa conjuntura para partilhar ‘democraticamente’ com a direita desmoralizada e continuar posando de supra-partidário apolítico, pois foi justamente o que ele fez nos 2 primeiros anos em que ele detinha folgada aprovação popular, maioria legislativa nas duas casas e uma conjuntura favorável a mudanças.

Agora é esperar e ver, e que a América Latina se prepare para o pior. É claro que dar calote doi muito mais nos credores do que nos devedores. Mas a unanimidade dos economistas, que está cada vez mais lacônica, se reduz a afirmar que um calote norte-americano terá consequencias imprevisíveis.

Written by ocommunard

30 de julho de 2011 at 13:51

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A apologia de Breivik, segundo Reinaldo Azevedo

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Algum constrangimento ao Reinaldo Azevedo quando um direitista evoca alto todo seu ideário para matar? Nenhum. Pois para o orgulhoso direitista da Veja, na sua apologia ao Breivik, “IMPORTAM POUCO O QUE AQUELE VAGABUNDO ESCREVEU EM SEU MANIFESTO OU AS MENSAGENS QUE DEIXOU ESPALHADAS POR AÍ”. Pois para ele, pasmem, “as idéias conservadoras de Breivik não matam ninguém”. Como? Para Reinaldo Azevedo, não só não importa o que conservador Breivik pensa ou faz em nome do conservadorismo, pois para ele é simples, todos os atos danosos da direita em toda sua história é na verdade culpa da esquerda, independente do que faz, fala ou escreve os próprios direitistas. Sim, é mais um ato terrorista contra o jornalismo de Reivik Azevedo.

Reinaldo Azevedo nesse seu ‘artigo’ pura e simplesmente salva Breivik de toda as condenações, reservando a uma espécie de sombra inconsciente ‘esquerdista’ de seu ato como sendo o verdadeiro culpado. Seria uma espécie de infecção esquerdista no direitista norueguês, que o havia levado a cometer um atentado contra a esquerda daquele país. E é somente por conta desse eu interior ‘não direitista’ que deve ir para cadeia. É possível uma revista supostamente jornalística pagar por tal descaramento?

Seu artigo, a seu olhar megalômano, é um ato ‘difícil’ de ir ‘contra a correnteza'(dos fatos?), para manter-se sempre, politicamente incorreto como um Breivik armado com um teclado e a falta de escúpulos jornalíticos. Decreta de que não há esquerdistas teóricos que não defendam a ‘superação da democracia’, tentado aludir que democracia e esquerda são antagônicos, para mais essa mentira bastaria citar os ‘Princípios do Comunismo’ de Engels onde explica que o aumento do proletariado sob democracia pavimentaria o comunismo. Mas ele parece não importar em elogiar os ‘direitistas práticos’ que foram o partido da ditadura militar, o atual DEM, ou mesmo o apoio, cooperação e financiamento da direita (republicanos) a todas as ditaduras latino-americanas, a ex-ditadura egípicia e atual teocracia absolutista da Arábia Saudita. E daí? ele diria… pouco importa o que escrevem, falam ou fazem – sua mentira é a verdade.

O prof. Francisco Carlos Teixeira da UFRJ, mais uma alvo para suas agressões verbais o chamando de ‘estupidez irrespondível’, apenas por ele ter afirmado que o ataque de Breivik ser ‘mais político’ que o 11 de Setembro ao se direcionar ao partido no poder e a juventude daquele partido. Esse fato, e qualquer fato, não convence ao orgulhoso direitista da Veja, pois para ela a Al Qaeda que trata seus inimigos como ‘adoradores do demônio’, era da mesma forma politizada apenas porque um dos aviões iria cair no Pentágono e outro na Casa Branca! Em seu atentado ao jornalismo, ele é enfático em todo o texto: a realidade é um delírio esquerdista.

Para ele, os diretistas nazistas e neonazistas que matam, perseguem e odeiam comunistas, socialistas, sindicalistas, multiculturalistas, humanistas e tratava o maxismo como uma corrupção judaica, eram de esquerda, para fazer isso basta a mágica de citar algumas passagens perdidas fora de contexto, e pronto: eis as ações da sua direita se transformar em culpa da esquerda. Ao citar o autor dessa fabolosa tese metamórfica, ironicamente, deixa claro que o termo ‘liberal’ deve ser entendido como ‘esquerda’.

Mas sim, Reinaldo Azevedo, a esquerda sempre buscou e buscará forma de superar a democracia, superar não é destruir, destruir a democracia foi sempre o que a direita fez e continua fazendo, superar é buscar formas superiores, mais representantivas, como a que nos legou a Constituições de 1988 em comparação com a constituição do período democrático que antecedeu o golpe militar apoiado por sua sagrada família da direita e sua ‘marcha da família com deus pela liberdade’.

O pioneiro teórico da democracia moderna é Rousseau, cuja já defendia a superação democracia representativa ao afirmar que ‘a soberania não pode ser representada’. Mas claro, para ele pouco importa o que escrevem, dizem ou fazem… e claro, democracia liberal, democracia social e democracia tradicional(conservadora) tem características bem diferentes, apesar da incapacidade dele conseguir separar liberalismo e conservadorismo (algo que os norte-americanos já fazem a séculos).

O fato é que toda vez que esse regime do ‘poder do povo’ se aproxima do povo, encontra em direitistas como o Breivik da Veja a acusação de ‘populista’ e uma oposição golpista histérica, foi assim com Getúlio, JK, Jango e Brizola. Mas o que esperar de alguém que odeia a política correta, em nome da politicamente incorreta liberdade de caluniar, difamar e injuriar – que compartilha do mesmo código penal que os crimes que o Reinaldo Breivik norueguês praticou.

Mas nossa esquerda é demasiado politicamente correta, nosso povo é excessivamente tolerante, por isso, se compartilhássemos em mínimo grau as convicções politicamente incorretas e intolerantes do direitista da Veja, ele não estaria apenas pagando por seus crimes atrás das grades.

ocommunard.wordpress.com

referencia:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/direitista-cristao-sionista-as-esquerdas-mundo-afora-decidiram-usar-o-assassino-noruegues-para-esconjurar-seus-inimigos-neste-blog-nao-se-criam/

Written by ocommunard

27 de julho de 2011 at 13:57

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Uma proposta pós-parlamentarista

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Abaixo, um quadro esquemático de um modelo ‘chancelarista’ que se propõe uma melhor divisão dos poderes com elementos presidencialistas e parlamentaristas.

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25 de julho de 2011 at 18:56

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Murdoch = Goebbels

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O império midiático de Murdoch, que comprou quase todos os maiores jornais do mundo em lingua inglesa, assombra com seu poder. Os paralelos com Goebbels são estarrecedores, não pela similaridade, mais por uma capilaridade que tornaria Goebbels um amador.

Goebbels somente dominou a imprensa(mídia) nacional, com a desvantagem de trazer em si a marca chapa-branca de servir ao Estado nazista. Murdoch domina com folga a imprensa internacional, não só pautando, mas sobretudo orientando editorialmente o mundo. Como exemplo clássico, a SIP, órgão que representa as empresas jornalísticas, enquanto atacavam todos os governos de esquerda latino-americanos por ‘ameaçarem a imprensa’, ignorou por completo a brutal repressão da imprensa hondurenha na resistência ao golpe.

As relações entre Goebbels e o Partido Nazista na Alemanha não eram muito diferente das relações explícitas, declaradas e manifestas de Murdoch não só com o Partido Republicano nos EUA, como todos os partidos que se sujeite a ele. O defunta política “New Labour”* aplicado no desastroso governo de Tony Blair, um ‘neoliberalismo de esquerda’, foi agora descoberto como mera troca de favores para compra do apoio das mídias britânicas de Murdoch a candidatura do então líder do Partido Trabalhista.

Murdoch tem um poder ilimitado, sua fortuna pode absorver qualquer produção jornalística do mundo, tendo apenas as frágeis cotas constitucionais ao capital estrangeiro na mídia como barreira. Esse poder não só atropela os princípios basilares do jornalismo (objetividade, imparcialidade, ouvir os dois lados, etc), como se demonstrou agora no escândalo da News of the World, atropela a moralidade e a legalidade. A cada novo jornal capturado com sua galopante fortuna ilícita, submete seus trabalhadores a duas escolhas: participar da propaganda política ou demissão.

A esperança que temos é que lá, nas democracias maduras, após descoberto a face criminosa dessa organização reacionária transnacional, esse império vá a ruína e a democratização da mídia avance por lá. Aí veremos se os colonizados Murdochs brasileiros (Civitas, Frias, Marinhos, etc) irão condenar a Inglaterra e os EUA por ‘ameaçarem a liberdade de expressão’. Será uma excelente ironia.

* o atual líder do Partido Trabalhista foi eleito rejeitando a doutrina do “New Labor”

Written by ocommunard

25 de julho de 2011 at 13:29

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EUA: à beira do abismo

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Em 2 de Agosto, daqui a 8 dias, termina o prazo para que os EUA aumentem o teto do endividamento ou, pela primeira vez em sua história, declare calote. A questão não são os escrúpulos com seus credores, os EUA unilateralmente romperam a relação ouro-dólar com Reagan que provocou com as reservas externas de todos os países o mesmo efeito que o calote fará. Para quem não sabe, a relação ouro-dólar foi a desculpa para impedir uma moeda mundial não atrelada a nenhum país, defendida por Keynes. O problema é que os EUA representa, no sistema financeiro internacional, a nação calote-zero. Os efeitos colaterais de um calote americano são, na melhor das hipóteses, imprevisíveis.

O economista nobel Joseph E. Stiglitz em seu excelente artigo: “a crise ideológica do capitalismo”, declarou atônito sua ingenuidade:

“Eu estava entre os que esperavam que, de algum modo, a crise financeira ensinaria aos americanos (e a outros) uma lição sobre a necessidade de maior igualdade, de uma regulamentação mais forte, e de um melhor equilíbrio entre mercado e governo.”

Ele não consegue encontrar uma resposta que não seja a perplexidade. Criticando os receituários neoliberais (privatização, estado mínimo, austeridade, etc) afirma: “Será que realmente precisamos de uma nova experiência dispendiosa com ideias que falharam repetidamente?”. Adianta ele “Esse remédio falhou no Leste Asiático, na América Latina, e alhures, falhará na Europa desta vez, também. Aliás, ele já falhou na Irlanda, Letônia e Grécia”.

Um regime para o neoliberalismo…

O artigo deixa no ar a idéia de que a Europa e os EUA são incrivelmente estúpidos ou cegamente fanáticos (pelo neoliberalismo), sem esquecer de mostrar tacitamente a relação entre causa-efeito entre políticas neoliberais que defendem abertamente os ricos e o favorecimento no financiamento de suas campanhas eleitorais de seus ‘representados’. Uma simples troca de interesses, ainda que nessa dimensão tenha um grande peso, não explicaria “30 anos” de hegemonia de uma ideologia desastrosa em qualquer lugar que fora aplicado. A meu ver, é mais do que uma causalidade ou conjuntura, é um regime.

O regime nazista, por exemplo, era fundado em três forças: conservadorismo + imperialismo + propaganda(lavagem cerebral, goebelianismo, etc). Há alguma dúvida sobre o conservadorismo (anti-esquerdismo, moralismo, família, anti-política, anti-sindicalismo, etc) e imperialismo (guerra, bases militares espalhadas no mundo, maior orçamento militar do planeta, etc) norte-americano e seus tentáculos pelo mundo?

A respeito da propaganda, o Goebbels americano, Murdoch, colocaria seu original no chinelo. Enquanto Goebbels dominava completamente a mídia nacional, o magnata Murdoch comprou quase todos os maiores jornais do mundo sem nunca, em nenhum minuto, disfarçar ou amenizar seu declarado conservadorismo e sua filiação ao direitista Partido Republicano que, como sempre e mais uma vez provado, não respeita qualquer limite moral, legal ou profissional (pesquise sobre as acusações de uso de espiões e suborno policiais no império de Murdoch). Seu poder conseguiu manobrar até a esquerda no poder (empurraram o Partido Trabalhista britânico para a direita).

Não por acaso foi o regime de Pinochet, o mais sanguinário de todas as ditaduras latino-americanas, que foi o pioneiro do neoliberalismo no mundo. E não comemorem os neoliberais com o avanço em países democráticos, mesmo ignorando o goebbelianismo, pois o nazismo chegou ao poder através das urnas (apesar de desprezá-las e de tentar varias vezes pelo golpe).

Mas não há nazismo sem anti-semitismo, esse é fundamental de qualquer analogia com o nazismo. O anti-semitismo servia ao regime apenas para canalizar as frustrações jamais sanadas pelo governo, ou para desviar a atenção das mazelas do governo, colocando um outro povo como bode expiatório. Mas o nazismo americano sequer foi além do anti-semitismo ao eleger os mulçumanos como seus judeus, com todas as conveniências bélicas do livre-arbítrio para saquear o petróleo dos países mulçumanos. Aqui o naziudenismo* elegera os nordestinos como os seus judeus preferenciais.

A diferença fundamental é o ideário de Estado mínimo, que no discurso é oposto ao totalitarismo. Mas isso é mera aparência, a presença do Estado nazi-fascista era na indústria bélica e poder militar, e não na economia, elemento que nada difere dos 1/4 de tudo que o governo americano gasta que vai para financiar seu imperialismo (guerras, bases militares, indústria bélica, contingente, etc).

Mas um nazismo de Estado mínimo é muito mais poderoso que o nazismo ‘totalitário’ por ser mais discreto, pois a alternância do poder em tal regime retira todas as condições de mudanças que o novo governo poderia aplicar, já que não só está completamente desaperalhado, como ainda está constrangido a não se reaparelhar (não pode aumentar impostos, ou estatizar, etc), porque a direita pode até fracassar no governo, mas o goebelianismo de Murdoch, Civita, Frias, etc, continua indiferente as urnas, as leis e ao próprio jornalismo. Sempre em nome da liberdade de exprimir suas censuras a esquerda.

Written by ocommunard

25 de julho de 2011 at 12:48

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Lula visita mãe de Caetano: “Você não gosta de mim, mas sua mãe gosta”

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Quem não conhece a clássica música do Chico Buarque em que ele ironizava o sucesso que fazia com as filhas dos ditadores de plantão. Dizia a letra: “você na gosta de mim, mas sua filha gosta”. O caso do estranho ódio de Caetano Veloso contra o Lula me deu a oportunidade de fazer essa brincadeira, o artigo já valeria por ela.

O fato de Caetano ter engrossado o coro dos udenistas (que involuíram para nazi-udenistas com o ódio a nordestinos incentivado por serristas nas últimas eleições), já havia esgotado em mim toda a cota de choque e decepção possível. Mas a paráfrase me deu a oportunidade de voltar ao assunto. Como pode alguém tão inteligente, sensível e ‘antenado’ se associar ao que há de mais atrasado como a revista Veja.

Ao meu entender é medo, o puro e simples medo de ser vítima dos tantos linchamentos morais que tais mídias realizam contra os que não fazem parte de seu coro golpista. Como Caetano pode entrar na coro dos udenistas quando já havia sido tantas vezes vítima do pseudo-jornalismo da revista Veja, que ele tantas vezes criticara? O medo explica. Ele chegou a fazer campanha eleitoral para Mangabeira Unger, este passou a fazer parte do governo, tal como Gilberto Gil entre muitos outros amigos, colaboradores, familiares, etc. Se o governo Lula é algo tão dantesco como crê Caetano, porque vê com tanta naturalidade todos os seus mais próximos serem de apoiadores a participantes de tal governo? Qual a lógica? O medo explica.

Caetano é um gênio musical, mas já não é novidade que sua genialidade não vai além da letra e melodia, ele tropeça mentalmente, ele se arrasta. Essa constatação, que podemos ver eloquentemente no monótono documentário Coração Vagabundo, e seu pífio Cinema Falado, me deu a lucidez de poupar Caetano da crítica sobre sua incoerência e me poupar da frustração sobre seu treslocamento político. Quando ocorreu o ataque gratuito a sua irmã, Maria Bethânia, ele esperou diversos dias para manifestar apoio quando aqueles a quem ele destrata (esquerdistas, governistas, petistas, etc) a defendia contra a hipocrisia da midia udenista (por exemplo, o filho do colonista do Globo de Noblat, havia recebido pomposos recursos públicos para sua desconhecida banda, enquanto a mídia se escandalizava com o blog da ‘anônima’ Maria Bethânia).

Caetano tem um quê de Lobão, são faces da mesma moeda. Mas Lobão é udenista para aparecer, é um ‘jabá ideológico’ para ter visibilidade na grande mídia aparelhada pelo demotucanato, ele não tem nada para preservar porque sua ideologia é ser um rebelde com a única causa de tentar transformar o anti-burguês Nietzsche em um neoliberal (como parte do jabá), não há nada a ser cobrado dele parecido com ‘coerência’. Já Caetano, sim. A não ser que sua vida tenha sido uma tragédia acidental. Lobão é um cordeiro das gravadoras berrando sexo, drogas e rock in roll enlatado. Nada mais do que isso, e ele não finge, ele admite com orgulho. Já Caetano, em tese, não se satisfaz em fazer karaokê do rock dos anos 70. Ele de fato contribuiu para a evolução da nossa MPB, poderia estar ao lado daqueles que também foram lixados pelos udenistas de sua época, mas entraram para a imortalidade da nossa cultura com dignidade.

Até o dia em que Caetano finalmente recupere a aquela coragem, o Lula poderá cantar essa bela canção do amigo petista Chico Buarque ao Caê: você não gosta de mim, mas sua mãe gosta. Como diria Jorge Maravilha, prenhe de razão, mas vale entrar para a história com 87% de aprovação na mão, do que mídias undenistas sobrevoando.

Written by ocommunard

21 de julho de 2011 at 12:03

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A aporia da crise americana

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Abaixo, o quadro com o esquema do impasse da crise americana.

Written by ocommunard

20 de julho de 2011 at 21:08

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