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Políticas, economias e ideologias

O papelão da oposição

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Oposição que não se levanta contra os maiores juros do mundo, mas grita nas mídias mais conservadoras, muitos delas colaboradoras da ditadura, contra qualquer política social, nacional ou regional, ou até mesmo contra a condenação de torturadores!

Oposição essa que nas últimas eleições usou e abusou da religião como nem os mais reacionários nesse país ousaram fazer. Que assediou golpistas (Clube Militar), reacionários (TFP), além de descaradamente manipular a mídia caluniando, injuriando e difamando sem nenhum pudor.

Oposição que criou a CPMF que hoje demonizam, que instituiu a reeleição que hoje são contra, que aumentou a dívida, a carga tributária e os juros em patamares muito maiores do que hoje ousam criticar. Que se aliaram ao partido mais a direita no espectro político brasileiro, o DEM (ex-arena, ex-UDN).

FHC levantou aos limites do firmamento seu rancor em seu último artigo “O papel da oposição”. Mesmo em guerras há escrúpulos, como aqueles prescritos nas Convenções de Genebra, FHC rasgou sua máscara de pensador de Rodan e pôs-se a caminhar no neoudenismo lacerdista histérico de seu companheiro José Serra.

O liberalismo político de FHC entrou em contradição com seu liberalismo econômico, e na dúvida escolhera o caminho de tantos outros neoliberais latino-americano (Pinochet, Menen, Fujimori, etc) adotaram o elitismo contra o que chamam de populismo, isto é, tudo que signifique democracia. Sua demofobia nesse artigo alcançará o extremo a ponto de um tucano nada afeito ao ‘populacho’, Alvaros Dias, refutar o grão-tucano em público.

Nunca imaginaríamos que o ‘nobresco’, o lorde FHC se rebaixaria em um texto tão rancoroso, vulgar e desesperado.

Declara que seu texto em um jornal que declarou ser ‘nanico’ (porém, não sei como, ‘influente’) havia provocado uma verdadeira sobrevalação popular contra a ditadura na década de 1970, os fatos diriam que foi o novo sindicalismo, liderado justamente pelo objeto de seu rancor, Lula, que gerou muito maior efeito.

A tal sublevação democrática excluia as ‘esquerdas não armadas’ (para agredir Dilma) ou o populacho onde 75% apoiava Médice (para agredir Lula com a comparação rasteira por sua alta popularidade), considerando as outras divisões que ele não tinham qualquer influência, talvez só sobrasse o José Aníbal e olhe lá! Será que o ‘erudito enrustido’ FHC não sabe comparar que os 75% de Médice era sob censura? Censura de uma ditadura que mídias aliadas ao FHC apoiavam? Ou também valeria essa comparação quando iFHC era mais popular que Lula? Será que seus escrúpulos democráticos não se ofenderam quando o candidato de seu partido foi conspirar a céu aberto no Clube Militar? (pesquisem na internet sobre as declarações de José Serra no Clube Militar).

E qual o terror de FHC para tanto desespero, para tanto golpe baixo? Seu pavor é perder aquela ilhota de simpatizantes da classe média alta que era nutrida pelo preconceito e ojeriza contra a imagem de um nordestino sem diploma com linguajar popular no poder. Ele teme perder o cargo de síndico de honra do condomínio da’classe-média-alta’. Mesmo no auge da popularidade de Lula, FHC desfilava entre eles como um rei deposto com sua nobreza exilada conspirando pelo dia da ‘restauração da coroa’, mas contra Dilma preconceito social não cola.

FHC é contra o hegemonismo, desde que não seja de seu partido ou dele – não se sentira impedido por sua consciência de criticar o PT por ter se aliado com partidos menos a direita do que ao que o PSDB se aliou (DEM, ex-Arena, ex-UDN). Se ser cameleônico fosse um defeito esta expressão não poderia sair da boca de FHC antes de uma auto-crítica, auto-crítica que defende para todo o partido, menos para ele, que exige que seu desastroso governo seja tratado como “anos dourados”.

Pateticamente afirma que o PT é um socialismo “só para enganar trouxas” e ao mesmo tempo que o “nacional-desenvolvimentista” é apenas uma “etapa”. Como pode o “nacional-desenvolvimentismo” ser apenas uma etapa para um socialismo se este é apenas “para enganar trouxas”? Lamentável e vergonhosa tentativade assustar conservadores e desanimar progressistas em uma mesma frase, só ganhou a desmoralização da contradição chula.

Não merece nossa atenção as tantas auto-apologias narcísicas que engordam seu texto tão pretensioso quando sua vaidade, ele apela para Goebels, apela para que seu condomínio continuem com a tática goebeliana, incansavelmente, o processo das mentiras repetidas que se tornam verdade, ele não admite que esse ‘povão’ possa pensar por si mesmo, ele deplorar a liberdade da internet para desmacarar as difamações do PIG, ele quer o PIG atuando para eugenizar sua biografia. Não aprendera nada com as últimas eleições, não aprendera nada com o fato de Lula ter terminado como o presidente mais popular do país mesmo tendo suas poderosas mídias do PIG cotidianamente o difamando, injuriando e caluniando. Ele quer a mídia, porque o espelho é o único sentido para Narciso, não importa quanto distorcido é o espelho desde que ele apareça belo.

FHC não conseguiria mais morrer de pé, como diziam os que lutavam pela república na Guerra Civil Espanhola. Mas poderia escolher não se curvar ao atraso – poderia tentar recolher seus trapos e preservar alguma coisa de elevado em seu passado de intelectual esquerdista. Mas entre escolher um papel de fato para uma oposição progressista, que contribua com o desenvolvimento social, econômico e político do país, ele preferiu, mais uma vez, o papelão.

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Written by ocommunard

13 de abril de 2011 às 18:53

Publicado em Reflexão

2 Respostas

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  1. Excelente texto. FHC não se emenda: é o mesmo que pediu que esquecesse o que escreveu quando intelectual esquerdista, que chamou os aposentados de vagabundo, que chamou de neobobos os que criticavam seu servilismo ao neoliberalismo do Consenso de Washington e que agora perpetra esse revival pós-moderno da famosa frase do ditador Figueiredo (que preferia o cheiro de cavalo ao do povo), e que prefere a massa cheirosa do que o povão. Não é atoa que a Eliane Catanhede se solidarizou com o mesmo. E não adiantam dizer que a frase está sendo mal interpretada fora do contexto. Não existe melhor contexto do que o conjunto da obra que o condena. Como bem disse a Carta Maior, FHC finalmente encontrou seu lugar na História, ou seja, na lata do lixo de seu pensamento.

    Dilmar Miranda

    13 de abril de 2011 at 19:40

  2. FHC SAI DO ARMÁRIO:
    “PSDB DEVE ESQUECER AS MASSAS CARENTES E MAL-INFORMADAS, O POVÃO”
    O Príncipe da Sociologia Uspiana andava se sentindo mal com aquela obrigação de enfrentar o povão, andar de metrô, comer buchada em campanha e pastel com caldo de cana num boteco da Praça da República. Então, resolveu mandar tudos pelos ares. Concentrou seu reduto eleitoral em Higienópolis, Morumbi e na Daslu. Alea jacta est!

    Gregório de Matos Guerra

    13 de abril de 2011 at 21:47


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