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Políticas, economias e ideologias

Archive for abril 2011

Ações imediatas que ajudariam a democratizar a mídia

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Nada que a Conferência Nacional de Comunicação não tivesse prescrito, enfatizado ou sugerido. Mas é importante a ênfaze, aclarear nossos desafios. Os pontos essencias não estão aqui, mas ações simples que podem ser aplicadas nesse exato momento.

Pluralidade e diversidade

A mãe de todos os males da estrutura midiática brasileira é a concentração, a concentração é tal que as mídiais brasileirais se comportam como efetivo regime feudal, e não como capitalistas, com relações de suserania e vassalagem entre as maiores e menores, sobretudo em relação ao conteúdo, mas também políticamente. É comum vermos os que deveriam ser os concorrentes defendendo os interesses da Globo, ao invés de avançarem contra o monopólio que ela representa.

Obviamente, uma mídia como a Globo governar feudalmelte os meios de comunicação sendo ela uma cria descarada da ditadura (assista o documentário censurado Muito Além do Cidadão Kane) é um atentado permanente contra a democracia.

Um exemplo recente do feudalismo da Globo foi ela se negar a participar de um regime de concorrência isonômico para a transmissão do futebol. Ela abandonou a concorrência, usou seu poder político para subornar os clubes a abandonar o Clube dos 13 e ainda teve gratuitamente o apoio da Veja, Estadão e Folha para sua insubordinação as leis de livre mercado. Isto é, não foi o poder econômico que venceu, como reza a cartilha capitalista, mas o poder da força, o privilégio, o que detinha o maior latifúndio midiático, venceu as insígnias do barão.

O que fazer? Diversificar. Imediatamente baratear fortemente a tv paga, oferecendo de renúncia fiscal até subisídios aquelas que oferecerem uma determinada gama de canais sob um preço teto (R$ 15 por exemplo). Ainda mais importante, ampliar a internet fortemente, ampliando o PNBL (que atualmente é muito tímido). A internet além de oferecer uma concorrência muito maior (pois praticamente o mundo inteiro está ali), oferece uma plataforma interativa (não meramente passiva) aonde inclusive torna os consumidores em potencial produtores de informação através de blogs, mídia sociais, etc. O terceiro ponto é a tv pública, essa é estratégia para a produção qualitativa.

Qualidade e eficiência

O modelo mundial sempre citado é a BBC, para tal, é necessário criar uma fonte confortável de receita através de um tributo e se preparar, as oligarquias continuarão a escandalizar cada centavo gasto na EBC. Como resposta, além de executar o máximo de transparência, com as contas expostas na internet e veiculada na programação, será a supremacia da qualidade o verdadeiro fiel da balança do sucesso da tv pública.

É pela qualidade (formal e material) que fará com que a EBC valha cada centavo que ela gastar na visão do contribuinte, isso dará aceitação mesmo que os gastos médios da EBC superem a média do mercado, o que seria atualmente impossível, mas ocorreria na medida em que a EBC avançasse. O fundamental da qualidade é que ele conquista legitimidade, credibilidade e audiência.

A estrutura pública seria: tv estatais, tvs públicas e tv universitárias. Todas as universidades federais devem ter uma concessão, se trata de oferecer a sociedade acesso a produção de conhecimento nas faculdades que ela financia. As tv estatais serão as que representam o poder legislativo, judiciário e executivo. Sua função é servir como diário oficial (sem mediação ou mediadores), sua programação deve apenas circular o que os representantes fazem (não pode haver programas, mas apenas veiculações das ações do poder). E por fim a tv pública.

A tv pública deve se dividir em três níveis. As estaduais (como as que já existem). A federal, que ainda engatinha. E uma regional, que seria uma tv da América Latina formada com capital de todos os países sócios visando um aspecto essencial da integração latino americana, a integração cultural (totalmente em castellano, mas com legenda em português, francês e inglês como opcional, são os idiomas das outras nações latino-americanas). Servirá como uma espécie de agência de notícia regional, completamente pública, com participação societária dos países. Não seria uma federação de produções das tvs públicas nacionais, ainda que inicialmente se faça isso, mas uma produção própria visando a um público latino-americano em geral. A proviniência nacional dos profissionais podem ser, inicialmente, proporcional a participação societária da nação.

Um ponto central da sobrevivência financeira das tvs públicas é não renegar publicidade privada, essa restrição é completamente equivocada.

Mídias mistas tri-societárias

Outra alternativa é criar tvs mistas. Essas tvs seriam formada por três estruturas. A participação dessas empresas seriam 1/3 pública, 1/3 privada e 1/3 cooperativa. A parte cooperativa é semelhante a participação nos lucros, 1/3 da receita pertencem aos trabalhadores. No entando, a divisão entre renda e investimentos seria dividida em partes iguais entre os três setores. Tais mídias deveriam ser obrigatoriamente 100% jornalísticas.

A capital público seria o fiador da qualidade, o capital privado seria o fiador da audiência e o capital cooperativo seria o fiador da isenção. O capital pública exerciria sua participação como fiador da qualidade na medida que enquanto ente público, deve exercer obrigações legais a respeito do conteúdo. O capital privado seria fiador da audiência porque ele só sentiria atraído por ela. Já o capital cooperativo garantiria aos jornalistas a estabilidade da condição de sócio-proprietário para exercer livremente sua função, sem pressões de governo ou mercado.

Democracia e cidadania

Como visto, oferecer maior pluralidade não significa oferecer maior democracia, talvez apenas em termos indiretos, na medida que a pluralidade pode ser mais representantiva do que um modelo concentrado. Mas o papel da pluralidade é acabar com a ameaça materialmente anti-liberal em um regime feudal nos meios de comunicação.

Alcançado o estágio capitalista de nossos meios de comunicação, a sua democratização não será tarefa das mídias privadas, que passarão a serem reguladas apenas pela grande concorrência inédita.

A democracia será tarefa das mídias públicas (estaduais, federais e regionais) instituindo o controle social (eleições de propostas culturais por sufrágio universal) assumindo explicitamente um papel político de mediação, que na prática as mídias sempre exerceram. A isenção, a objetividade e o equilíbrio terá no próprio ‘eleitor’ seu fiador, não tendo nem no estado, nem no mercado, nem no patrão, qualquer outra autoridade fora os cidadãos.

Justiça e dignidade

Um ponto nevrálgico é o reforço dos direitos de defesa da imagem, isto é, reforçar os meios de defesa contra o abuso midiático que frequentemente assumem a forma de crimes de injúria, difamação e calúnia (sabotando a presenção de inocência), além de outros crimes como preconceito, danos morais, etc.

A possibilidade de dinamizar julgamentos sobre o tema, com tribunais próprios ou com outros mecanimos jurídicos, oferecerão um ataque direto ao abusos políticos do regime feudo-midiático brasileiro, ainda que o principal golpe a esse regime esteja no aumento da concorrência.

No entanto, a capacidade da sociedade se defender contra o poder difamatório das mídias é um recurso fundamental de defesa da dignidade da pessoa humana.

Written by ocommunard

18 de abril de 2011 at 12:22

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O papelão da oposição

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Oposição que não se levanta contra os maiores juros do mundo, mas grita nas mídias mais conservadoras, muitos delas colaboradoras da ditadura, contra qualquer política social, nacional ou regional, ou até mesmo contra a condenação de torturadores!

Oposição essa que nas últimas eleições usou e abusou da religião como nem os mais reacionários nesse país ousaram fazer. Que assediou golpistas (Clube Militar), reacionários (TFP), além de descaradamente manipular a mídia caluniando, injuriando e difamando sem nenhum pudor.

Oposição que criou a CPMF que hoje demonizam, que instituiu a reeleição que hoje são contra, que aumentou a dívida, a carga tributária e os juros em patamares muito maiores do que hoje ousam criticar. Que se aliaram ao partido mais a direita no espectro político brasileiro, o DEM (ex-arena, ex-UDN).

FHC levantou aos limites do firmamento seu rancor em seu último artigo “O papel da oposição”. Mesmo em guerras há escrúpulos, como aqueles prescritos nas Convenções de Genebra, FHC rasgou sua máscara de pensador de Rodan e pôs-se a caminhar no neoudenismo lacerdista histérico de seu companheiro José Serra.

O liberalismo político de FHC entrou em contradição com seu liberalismo econômico, e na dúvida escolhera o caminho de tantos outros neoliberais latino-americano (Pinochet, Menen, Fujimori, etc) adotaram o elitismo contra o que chamam de populismo, isto é, tudo que signifique democracia. Sua demofobia nesse artigo alcançará o extremo a ponto de um tucano nada afeito ao ‘populacho’, Alvaros Dias, refutar o grão-tucano em público.

Nunca imaginaríamos que o ‘nobresco’, o lorde FHC se rebaixaria em um texto tão rancoroso, vulgar e desesperado.

Declara que seu texto em um jornal que declarou ser ‘nanico’ (porém, não sei como, ‘influente’) havia provocado uma verdadeira sobrevalação popular contra a ditadura na década de 1970, os fatos diriam que foi o novo sindicalismo, liderado justamente pelo objeto de seu rancor, Lula, que gerou muito maior efeito.

A tal sublevação democrática excluia as ‘esquerdas não armadas’ (para agredir Dilma) ou o populacho onde 75% apoiava Médice (para agredir Lula com a comparação rasteira por sua alta popularidade), considerando as outras divisões que ele não tinham qualquer influência, talvez só sobrasse o José Aníbal e olhe lá! Será que o ‘erudito enrustido’ FHC não sabe comparar que os 75% de Médice era sob censura? Censura de uma ditadura que mídias aliadas ao FHC apoiavam? Ou também valeria essa comparação quando iFHC era mais popular que Lula? Será que seus escrúpulos democráticos não se ofenderam quando o candidato de seu partido foi conspirar a céu aberto no Clube Militar? (pesquisem na internet sobre as declarações de José Serra no Clube Militar).

E qual o terror de FHC para tanto desespero, para tanto golpe baixo? Seu pavor é perder aquela ilhota de simpatizantes da classe média alta que era nutrida pelo preconceito e ojeriza contra a imagem de um nordestino sem diploma com linguajar popular no poder. Ele teme perder o cargo de síndico de honra do condomínio da’classe-média-alta’. Mesmo no auge da popularidade de Lula, FHC desfilava entre eles como um rei deposto com sua nobreza exilada conspirando pelo dia da ‘restauração da coroa’, mas contra Dilma preconceito social não cola.

FHC é contra o hegemonismo, desde que não seja de seu partido ou dele – não se sentira impedido por sua consciência de criticar o PT por ter se aliado com partidos menos a direita do que ao que o PSDB se aliou (DEM, ex-Arena, ex-UDN). Se ser cameleônico fosse um defeito esta expressão não poderia sair da boca de FHC antes de uma auto-crítica, auto-crítica que defende para todo o partido, menos para ele, que exige que seu desastroso governo seja tratado como “anos dourados”.

Pateticamente afirma que o PT é um socialismo “só para enganar trouxas” e ao mesmo tempo que o “nacional-desenvolvimentista” é apenas uma “etapa”. Como pode o “nacional-desenvolvimentismo” ser apenas uma etapa para um socialismo se este é apenas “para enganar trouxas”? Lamentável e vergonhosa tentativade assustar conservadores e desanimar progressistas em uma mesma frase, só ganhou a desmoralização da contradição chula.

Não merece nossa atenção as tantas auto-apologias narcísicas que engordam seu texto tão pretensioso quando sua vaidade, ele apela para Goebels, apela para que seu condomínio continuem com a tática goebeliana, incansavelmente, o processo das mentiras repetidas que se tornam verdade, ele não admite que esse ‘povão’ possa pensar por si mesmo, ele deplorar a liberdade da internet para desmacarar as difamações do PIG, ele quer o PIG atuando para eugenizar sua biografia. Não aprendera nada com as últimas eleições, não aprendera nada com o fato de Lula ter terminado como o presidente mais popular do país mesmo tendo suas poderosas mídias do PIG cotidianamente o difamando, injuriando e caluniando. Ele quer a mídia, porque o espelho é o único sentido para Narciso, não importa quanto distorcido é o espelho desde que ele apareça belo.

FHC não conseguiria mais morrer de pé, como diziam os que lutavam pela república na Guerra Civil Espanhola. Mas poderia escolher não se curvar ao atraso – poderia tentar recolher seus trapos e preservar alguma coisa de elevado em seu passado de intelectual esquerdista. Mas entre escolher um papel de fato para uma oposição progressista, que contribua com o desenvolvimento social, econômico e político do país, ele preferiu, mais uma vez, o papelão.

Written by ocommunard

13 de abril de 2011 at 18:53

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Bresser-Pereira sofre censura ideológica

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Será que é notícia quando um dos fundadores do maior partido de oposição deixa o partido acusando o presidente de honra de tal partido de ter se vendido? de seu antigo partido de centro-esquerda ter se transformado em um partido de direita? de ter condenado a conversão do partido da social-democracia brasileira em um partido do neoliberalismo?

Não é notícia para a Veja, Estadão, Globo e Folha – mais conhecidos como PIG, partido da imprensa golpista.

Para as ditas mídias (que copiam descaradamente a ultra-direitista Fox News), esse fato não foi apenas minimizado, ou escondido prudentemente em algum terreno baldio de sua publicação, para as oligarquias midiáticas que não fazem jornalismo, mas propaganda (assistam OUTFOXED para entender, há no youtube legendado), esse fato simplesmente NÃO EXISTIU.

Bresser-Pereira foi silenciado, amordaçado e banido pelo PIG. Esse é o que eles chamam de liberdade de imprensa, a liberdade de mentirem e omitirem qualquer informação que não siga seus preconceitos ideológicos e interesses políticos. E a objetividade? E a imparcialidade? E e o equilíbrio?

Para o feudalismo midiático brasileiro nunca existiu jornalismo, apenas um palanque político reacionário sem nenhum escrúpulo de qualquer ordem. O que falar de meios de comunicação, sobretudo a Globo, que lançou inúmeros editoriais defendendo e apoiando o golpe militar de 1964? Que moral eles tem em falar de democracia, liberdade e direitos humanos? Apoiaram golpistas, censores e torturadores… e esta mesma Globo, que entrou na ditadura como um pequeno jornal e saiu como uma das maiores impérios midiáticos do mundo, coincidência ou troca de favores entre ditadores e seus apoiantes?

Mais uma vez o PIG mostrou sua face corrupta, deturpada e truculenta; e mais uma vez a internet mostrou que os dias do PIG estão contados. Infelizmente, outras empresas de mídia acabam orbitando em torno do PIG, aparentemente são apenas empresas-espelho sem nenhuma produção jornalística original ou identidade editorial. Só nos restou a internet para lutar em nome da verdade, apenas a verdade, nada mais do que a verdade… pois “somente a verdade é revolucionária” (Gramsci).

Written by ocommunard

10 de abril de 2011 at 20:01

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Portal O Vermelho: Comunismo ou Stalinismo?

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Sou mais um dos milhares que lêem o jornal eletrônico O Vermelho, não é segredo para ninguém de que se trata de um jornal do PCdoB, mas diferente de muitos outros jornais partidários, esse efetivamente circula notícias, informa. E no cenário midiático brasileiro, dominando pelo fígado pseudo-jornalistas de publicações como Veja, Estadão, Folha e Globo, a mera existência da informação é quase uma raridade.

Pois bem, como nem tudo são flores, O Vermelho é ocupado lamentavelmente por algumas viúvas de Stalin. Isso mesmo, com direito até a discuso anti-trotiskista , como se ainda estivéssemos no auge do enfrentamente entre a Revolução Permanente e o Socialismo de Um País Só. Para os arqui-stalinistas qualquer crítico comunista de Stalin é um mero “trotiskista”, e para derrotá-lo basta pinçar algumas contradições trotiskistas e pronto, o “pai da pátria” está a salvo de seus “capitalistas travestidos de comunistas”.

Sim, é óbvia verdade que a mídia controlada pelo imperialismo americano, tal como faz hoje descaradamente, fazia propaganda difamatória contra o comunismo, e isso incluia atingir qualquer “líder” do bloco vermelho. Mas aí chegar a englobar nessa “conspiração” Trotsky, Krushev, Gorbatchev, os milhares de mortos, expurgados, exilados, perseguidos por Stalin é algo absissalmente diferente. As ações claramente comprovadas de que Stalin apagou da história russa a participação de Trotsky seria propaganda imperialista?

Um stalinista é alguém tão degenerado intelectualmente que realmente acredita que os stalinistas é que devem serem salvos do comunismo que não seja stalinista. É incrível que eu tenha que dar essa resposta, mas darei, porque acho que temos pouquíssimas opções jornalísticas do campo progressista, e me decepciona muito saber que uma dessas poucas opções sofra com recaídas stalinistas de um partido que declarou em um de seus congressos haver abandonado essa seita torpe.

Não estou aqui também laureando o PCdoB. É um partido que tem um retrospecto não muito grandioso como seu apoio ao maoísmo, que sem dúvida foi o maior líder da China, mas foi um pior governante (não foi percebido ainda pela esquerda que um grande revolucionário não é necessariamente um grande governante, liderar é algo completamente diferente de governar). O que agrava é o fato de que seu maoísmo tenha nascido da crítica de Mao a desestalinização de Krushev. O PCdoB chegou a ridícula condição de reconhecer apenas na Albânia um exemplar vivo de seu ideal comuno-stalinista. Falo pelo PCdoB apenas como um simpatizante comunista-marxista ao maior partido comunista brasileiro, e isso trás responsabilidades grandes. Defender o stalinismo é um sectarismo doentio imperdoável para um partido comunista dessas dimensões.

Sem mais delongas, responderei ao artigo “Domenico Losurdo: Stalin e o pensamento primitivo”

Losurdo inicia a sua primeira resposta a crítica daquele que definiu como “trotiskista” respondendo as críticas do ex-stalinista Krushev. Ao tentar ironizar os relatórios sobre os crimes de Stalin ele afirma com uma puerilidade inacreditável:

“como fez para derrotar Hitler a URSS que era dirigida por um líder criminoso e imbecil ao mesmo tempo?”

Então, o Losurdo realmente acredita que foi a mão de Stalin que derrotou ‘heroicamente’ os nazistas? Primeiro, se assim é, todas as vitórias militares passarão a serem creditadas não aos que comandaram as operações de guerra e seus soldados(onde Krushev era um dos três responsáveis pela defesa de Stalingrado), mas aos chefes de estado de plantão? Segundo, o heroísmo de derrotar os nazistas já havia conseguido a Inglaterra liderado pelo direitista Churchil, será que devemos lançar loas a ele também por essa vitória militar que no caso dele teve muito mais participação do que Stalin?. Três, esquece um detalhe grotesco, a invasão dos nazistas foi precedida de um acordo de não-agressão criminoso entre Stalin e Hitler, mesmo sabendo que comunistas e socialistas eram fulminados sumariamente pelo regime. A suprema inteligência militar de Stalin (na visão de Losurdo) não foi suficiente para ao menos suspeitar desse acordo com uma defesa preventiva nas fronteira, mesmo se tratando de um regime que aos olhos do mundo não disfarçava seu estridente anti-comunismo, anti-marxismo e reacionarismo brutal.

Não irei gastar uma única palavra para desqualificar a completa desqualificação marxista do stalinismo, ou como se auto-proclamou, o “marxismo-leninismo”. Basta citar uma obra do século XIX escrita por ninguém menos do que um “trotiskista” chamado Karl Marx em que se encontra a crítica mais profunda e completa do stalinismo, o livro é 18 de Brumário de Luís Bonaparte, e a crítica se encontra no último capítulo do livro. Lá ele vai analisar todo o expediente do “bonapartismo”, porque em termos marxista, a revolução russa não era e nem poderia ser algo além de uma revolução “burguesa” típica, com sua fase jacobina seguida de sua fase bonapartista. A dominiação do patriotismo sobre o internacionalismo na ideologia stalinista, demonstra fatalmente esse caráter. E a definição da experiência russa como neojacobina é hoje hegemônica entre os marxistas europeus.

Se os stalinistas tivessem um nível de conhecimento apenas razoável do marxismo que dizem conhecer, perceberiam que um teórico do “fim do estado”, crítico do “socialismo de estado” de Lassalle, que deixava claro que somente o proletário poderia emancipar a seimesmo, muito diferente dos guias (ou se preferir, partidos de vanguaradas) que assumiam tal papel que acusam o proletariado de não conseguir expontaneamente ir além do sindicalismo (e olha que na Rússia esses limitados construíram expontaneamente os sovietes). Enfim, perceberiam que ou não são marxistas, ou o Marx não é comunista, ou admitiriam o óbvio, o stalinismo nada tem a ver com o comunismo, como acabou admitindo o Khmeh Vermelho – mas não poderiam minimamente adentrar com sua visão blanquista-bonapartista a um tão ferrenho crítico do bonaparismo e do blanquismo (o blanquismo era um protótipo da tese do partido de vanguarda).

E se as dúvidas permanecesse sobre a tese da ditadura do proletariado, a Comuna de Paris não permitiria nenhuma confusão entre o auto-governo das comunas (que Engels definiu como realização da ditadura do proletariado) com a ditadura do partido comunista (definição de Lenin para o mesmo conceito).

Losurdo insiste em tratar o debate sempre na dialética de Trotsky e Stalin. O mero fato trivial de que todos, não apenas alguns, ou apenas os mais críticos, mas TODOS os revolucionários de 1917 foram mortos, expurgados, exilados, presos, perseguidos e difamados pela máquina stalinista não é suficiente para ele para enxergar o contra-revolucionarismo de Stalin. Esse fato singelo não lhe afeta a fé imorredoura de seu irretocável tirano e a sua crença inabalável de que qualquer fato negativo não pode ser outra coisa do que uma mera propaganda capitalista, que existe, mas não da forma como quer a viuva de Stalin.

Ele chega a criar uma nova essencialidade que tenta invernizar o provincianismo de Stalin, afirmando que “para a luta de classe; a necessidade de coordenar patriotismo e internacionalismo”. Desde quando o patriotismo é um valor comunista? Quantas vezes Marx não criticara o patriotismo, dando no máximo boas referências ao nacionalismo. E mais, não entender a essência nacionalista imanente do internacionalismo é segue compreender a etmologia mais superficial da palavra, é “entre-nações”, não é “globalismos”, se preferir, o entendimento básico da expressão é uma federalismo global de nações. Em essência o internacionalismo é apenas o nacionalismo anti-chauvinista, um nacionalismo solidário, não concorrente (e concorrencia entre nações significa guerra militar ou comercial, ou ambas).

Losurdo, em um ato de histrionismo hegeliano afirma que a ascensão de Stalin se deveu apenas ao fato de que “Stalin, porém, era a encarnação do poder legal-tradicional que procurava penosamente tomar forma”. Isto é, Stalin não chegou ao poder porque ao assumir o papel de secretário geral do partido (em um país de partido único), o aparelhou, em seguida se associaou com dois arcanos (Kamenev e Zinoviev) para enfraquecer Trotsky (que era naturalmente o sucessor de Lenin), e uma vez conquistado a derrocada de Trotsky, fez o mesmo com seus antigos “Tovarichs” Kameneve e Zinoviev, instalando um poder absoluto de fato. Em outras palavras, instalando o bonapartismo russo com traços tradicionais sim, a tradição tzarista.

Losurdo afirma ainda que para Stalin os adversários com seus aventureirismos (isto é, a revolução permanente) “colocavam em perigo” a nação russa. Ipsis literis o mesmo conjunto de argumentos que se usavam contra os soviéticos e bolchevistas que defendiam o fim da guerra (de que isso colocava em perigo a posição da Rússia).

Aliás, que se faça jus a história. A revolução de 17 não foi bolchevista, foi soviética (os sovietes foram os protagonistas e foram o objetivo do poder: todo poder aos sovietes). Mas o regime que se instalou logo depois, não foi soviético, mas bolchevista (neojacobino), depois desalojado pelo bonapartismo stalinista. Em outros termos, seguindo quase literalmente o roteiro da maior revolução burguesa, a Revolução Francesa.

Não entendo o que mais Stalin precisaria fazer para provar ao Losurdo que todos os seus “atos de governo” foram desde o começo atos contra-revolucionários em qualquer acepção que queira dar: política (tzarismo, burocracia, etc), econômica(ruralização), social(repressão, estamento burocrático, etc) ou cultural (será que a bala no peito de Maiakovsky também foi uma conspiração trotskista ou hagiografia capitalista?).

Losurdo, em seu cúmulo de desonestidade intelectual tenta citar Marx para legitimar a matança stalinista, além de tenta misturar alhos com bugalhos ao tentar transformar toda as calúnias contra o comunismo no mesmo patamar de qualquer crítica aos crimes de fato de Stalin, ele sequer problematiza se seria fácil distinguir o que é propaganda e o que é fato, para ele, se é anti-stalinista é propaganda. Será que Losurdo é tão diferente dos difamadores do comunistas que afirmam que se é anti-capitalismo é mera ideologia?

Marx não defendia a violência pela violência, a violência em Marx pelo contrário, é um argumento continuamente combatido contra aqueles que defendem a história como resultado da violência (Losurdo nunca lera Anti-During, Ideologia Alemã, etc ?). Marx define a economia (ou sociedade civil) como o verdadeiro feitor da história, e como para um comunista a economia nada mais é do que o sistema de trabalho (alienado ou não), com isso declara várias vezes que quem muda o mundo é o trabalho e não a luta de classes, ou a violência, ou a revolução, essas são manifestações do nível das contradições sociais; o que Marx afirma, isso sim, é que a luta de classes é o motor(=aceleração) da história (com menos lutas há obviamente menos mudança, portanto, a historia move-se mais lentamente).

Written by ocommunard

9 de abril de 2011 at 16:56

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Bancos atacam para manter a farra dos juros

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Como se sabe nas últimas semanas o chamado “mercado” anda apertando contra o governo, o “mercado” não é apenas os “analistas”, ele não apenas opinam, elas operam, eles lucram com juros, e obviamente, querem levar a derrota as alternativas (ainda que ortodoxas) a política genocida dos juros altos. O governo está aplicando com o máximo de ortodoxia, mas os bancos querem juros, querem continuar assaltando o dinheiro público (dívida pública) e privado (crediário privado).

Se o governo resistir, o “mercado” desiste, porque não vai ficar perdendo dinheiro indefinidamente. Essa ofensiva dos “mercado” é altamente custosa, está apostando na contra-tendência, estão apostando em uma desistência rápida, e a presidenta tão somente precisa esperar.

Tudo que o governo precisa é segurar e toda vez que houver ameaça de inflação responder com mais depósito compulsório, toda vez que houver pressão no câmbio aumentar o IOF. Somente com essas políticas o mercado passará a perceber como é altamente prejudicial a permanência dessa chantagem, pois cada vez que ela surgir, eles não mais engoradorão seus cofres com mais juros, mas pagarão com mais IOF ou mais depósito compulsório.

Nossa oposição é tão fajuta, corrupta e vendida que nem mesmo o seu papel realizam na crítica aos juros altos, porque de fato, preferem ver o país sangrando e os bancos com seus lucros obcenos, do que exercer uma oposição de fato quando ela é realmente necessária, quando ela realmente é do interesse nacional.

Com pelo menos mais uns 2 meses (ou menos) o governo terá nos livrado para sempre de uma bancocracia que desde o famigerado Collor suga nossas riquesas, desenvolvimento e soberania.

Written by ocommunard

9 de abril de 2011 at 6:07

Publicado em Reflexão