Communard

Políticas, economias e ideologias

O quase admirável mundo novo e o Brasil

leave a comment »

Sim camarada, o mundo está mudando. Mas não camarada, não é a revolução internacional. Sim camarada os EUA estão sob uma crise terminal. Mas não, camarada, eles podem facilmente se recuperar. Porém, sim camarada, as condições de hegemonia neoliberal pode impedir a recuperação. Mas não, camarada, uma crise econômica por mais absurdamente grave que seja, não é suficiente para uma transformação, deve sempre haver uma resposta política. Essa resposta pode ser um avanço (revoluções democráticas Árabes) ou um retrocesso (golpes fascistas nasceram de crises). De qualquer forma, a direita só avançou aonde a esquerda falhou grosseiramente, a Europa do pós-guerra é o exemplo clássico.

Sim, camarada, um outro mundo é possível. Mas não virá, se os EUA tombar ele leva com ele o BRIC pois a China é a maior credora dos EUA, será seriamente prejudicada. É verdade que um EUA a menos será um concorrente comercial avassalador a menos, mas os EUA são os maiores consumidores do mercado internacional, atingirá menos países que importam mais do que importam (como o Brasil), mas será um golpe para a China. A questão fundamental da crise não é somente o fato de que uma crise econômica, mesmo que grave, nunca é suficiente, ainda que seja a causa fundamental de uma mobilização política. O ponto central é que o sistema mundial é completamente corrompido pelo poder imperial, como provou as agências de risco que mesmo no auge da crise americana, com diversos bancos multinacionais quebrando, as taxas de risco americanas (que são de agências americanas) permaneciam as menores do mundo. Ou mesmo o premio Nobel para um dissidente chinês bem no meio da campanha americana para pressionar a China a desvalorizar o Yuan.

Não, camarada, o que a esquerda pode fazer é o que ela faz no Brasil, o resto dependeria de uma revolução, e quem fazem revoluções são povos e não partidos, o partido pode aderir ou não, como fez o Partido Bolchevique. Sim, é verdade que progresso que a esquerda trás desmobiliza, não se trata de “anestesiar”, mas de simplesmente e de fato aliviar os antagonismos, aquilo que o velho Marx chamava de “socialismo burguês ou conservador”. É verdade, a Dilma poderia nos livrar desse capitalismo selvagem do Banco Central, mas não subestimemos a força que conseguiu dobrar o Obama, que foi eleito como uma conflagração histórica e declarando em campanha que combateria o WallStreet, o fim da história nós conhecemos. Em suma, a esquerda tem de agir cuidadosamente preservando ao máximo a sua identidade sob o risco de fortalecer o berlusconismo (a indiferenciação política que gerou espaço para a desmoralização berlusconista), que também elegeu o Berlusconi Latino Americano, o Sebastian Piñera.

Estamos indo a frente, pode ser lento em termos políticos por conta dessa hegemonia insuportável do neoliberalismo (mesmo depois da crise financeira internacional), o que provoca alguns atrasos econômicos como o feudalismo do Banco Central que expoem o Brasil a maior taxa de juros mundial. Mas ao menos estamos indo para frente, vejam como poderíamos estar se sequer a esquerda estivesse no poder, poderíamos estar colonizados como a Colômbia que simplestem rasgou sua soberania territorial e cedeu em 7 bases o exército americano. Ou mesmo o México, cuja a criminalidade domina o país em um governo de direita que se elegeu pregando o combate ao crime.

Se é certo que Lula tem mais liderança política, o maior presidente sob qualquer perspectiva, seja pelos feitos inéditos de seu governo, seja pela sua única liderança. O presidente mais bem avaliado de toda a história, e quiçá não houve outro no mundo que terminasse se mandato com tal aprovação mesmo tendo as maiores oligarquias midiáticas cotidianamente o caluniando, difamando e até injuriando. Porém, já não há dúvidas que Dilma tem muito maior capacidade política, isto é, melhor capacidade de organizar os recursos políticos escassos de uma esquerda cerceada por todos os lados e os mobilizar com o máximo de resultados e o mínimo de custos políticos.

Seria ótimo um parlamentarismo com um Lula como chefe de Estado e Dilma como chefe de governo, esse seria o ideal. Mas continuarmos nos trilhos de um governo progressista em um cenário tão difícil é para mim mais do que suficiente para a satisfação do futuro do Brasil.

Anúncios

Written by ocommunard

26 de março de 2011 às 18:36

Publicado em Reflexão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: