Communard

Políticas, economias e ideologias

O subversivo Estadão!

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Percebam que deliciosa ironia, o mesmo jornal que na recente campanha eleitoral rotulava Dilma de terrorista por ter participado da luta armada contra a ditadura, agora solta fogos pela luta armada contra Kadafi, aureando como heróis os ‘revolucionários’, ‘rebeldes’, ‘revoltosos’ líbios. Claro, tudo isso não em nome de uma conversão subversiva, mas apenas para macaquear as agências de notícias americanas que, obviamente, estão alinhados no projeto imperial para pilhar o petróleo líbio.

De uma hora para outra, os medos com a revolução democrática egípicia se encaminhar para um radicalismo, ainda que pacífica, sumiram na revolução líbia, ainda que armada. Eis o imperativo categórico do jornalismo conservador/colonizado: dois pesos, duas medidas.

Mas convenhamos, ler o Estadão defender ‘revolucionários’, luta armada, insurreição popular é realmente de um prazer impagável. Quantos desavisados e crédulos leitores não devem estar sofrendo de convulsões dogmáticas! Só mesmo uma publicação tão prostituidamente colonizada poderia sem constrangimento realizar uma auto-subversão ideológica de tão larga escala a favor de ideais que em poucos meses definia sem eufemismos como terrorismo!

Para quem conhece um pouco mais do que desinformam as agências de notícias americanas e suas colônias, já perceberam aquilo que Kadafi, o ex-nacionalista, avisara: aquilo não seria um protesto pacífico por democracia, mas uma guerra civil. E ele não é que ele estava certo? Será que nos outros alertas ele também acertou? Como o de afirmar de que os rebeldes não representava a vontade da maioria e de que ela seria facilmente derrotada?

Uma guerra civil prolongada na Líbia enfraqueçaria as resistência militares do país e legitimaria/viabilizaria uma colonização ‘pacificadora’ dos exércitos da OTAN, com suas privatizações do petróleo como principal missão humanitária. Mas se suas apostas falharam como mostra o desespero para ‘armar os rebeldes’ ou mesmo invadir o país o quanto antes – essa revolução passará a ter um custo militar para economias que estão a beira da falência.

E o que é pior, se Kadafi vencer, os EUA perderão um recém aliado para seus inimigos(Irã), perderão mais uma base petrolífera amistosa, mitificarão Kadafi como herói da resistência, serão mais uma vez desmoralizado internacionalmente com ao apoiar uma falsa rebelião, e ainda contabilizarão mais uma derrota geopolítica depois do Egito.

Mas mesmo que consigam êxito absoluto, completo, total, apenas abrirão mais uma fronteira da grande revolução democrática contra suas colônias no Oriente Médio, a saber: Marrocos, Jordânia, Iemên, Mauritânia, Argélia e a jóia da coroa: Arábia Saudita. Se a Arábia Saudita cair, o maior exportador de petróleo do mundo e o mais fiel escudeiro, os EUA mergulharão na Terceira Grande Depresão (depois de 1929 e 2008) e sem “portas de saída” (como gosta a Folha).

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Written by ocommunard

9 de março de 2011 às 15:44

Publicado em Reflexão

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