Communard

Políticas, economias e ideologias

Archive for março 2011

Banco Central: alternativas ortodoxas contra a ortodoxia

leave a comment »

Considerações

O que buscarei demonstrar aqui é como mesmo na ortodoxia, o que economistas como Krugman já combatem abertamente, é possível ainda assim criar condições de sair do círculo vicioso da nossa destrutiva política de juros. Lula criou uma pequena porta de saída através de juros subsidiados a produção, mas essa heterodoxia apenas alivia, não soluciona o estigma de maior juros do mundo.

As sugestões seguem os mesmos pressupostos, mecanismos e indicadores ortodoxos, só que operados de modo inteligente.

O principal objetivo aqui é nos livrar do CÍRCULO VICIOSO MONETARISTA do aumento de juros que aumenta a dívida: pressão fiscal do serviço da dívida que acaba por anular os esforços contracionistas do aumento dos juros básicos. Esse cículo vicioso ao reprimir a demanda, acaba por afetar a oferta ao encarecer o capital, que também por sua vez acaba anulando a tentativa de re-equilíbrio entre demanda e oferta na relação ortodoxa entre massa de mercadoria e massa de moeda.

1. Compulsório ao invés dos juros como mecanismo preferencial

O depósito compulsório e a definição dos juros mínimos atingem o mesmo efeito, o encarecimento do crédito, condição que a ortodoxia destaca como mecanismo anti-inflacionário. Ambos são utilizados, mas a Selic é no Brasil o mecanismo preferencial para as pressões inflacionárias de curto prazo. Considerando que o aumento dos juros básicos pressionam a dívida pública (que é remunerada pela Selic), qualquer esforço contracionista do aumento da Selic é desmolido pelo aumento do gasto com o serviço da dívida, e esse gasto é puro custeio (não é investimento). Dessa forma, lançar a mensagem ao mercado que as pressões inflacionárias serão respondidas pelo aumento do compulsório, e definir uma política de medio prazo para diminuição progressiva da Selic.

2. Base de juros por tributação ao invés da Selic

Paralelamente, modificar o modo de operar o encarecimento direto dos juros, que ao invés de se definir por uma definição de juros mínimos, que remunera grande parte da dívida pública (criando o círculo vicioso monetarista), criar uma tributação sobre os juros que provocaria o mesmo efeito direto de uma definição da Selic. Com isso a política de juros não só se livraria dos danos fiscais, como pelo contrário, passaria a provocar fonte de receita que poderia ser remanejada para aumentar a taxa de investimento (contribuindo assim para a balança monetarista).

3. Títulos públicos remunerados pela taxa de crescimento ao invés da Selic

A emissão dos novos títulos públicos passariam a se fundamentar na taxa de crescimento do PIB, que é claramente mais econômicamente sustentável. Em tal cenário o governo poderia propor um prazo para que os credores, com deságio de 10%, possam migrar seus títulos baseado na Selic (que iria tender a zero com seu fim), para títulos remunerados pela taxa de crescimento (ou taxa de crescimento + inflação). A mudança será sensivelmente percebida na qualidade da produção jornalística comercial cujo é o palanque principal do lobby dos grandes credores (bancos) da dívida pública.

4. IOF mais agressivo contra capitais especulativos

Com a generalização do IOF para atuar irrestritamente em todas as operações financeiras, aumentar a taxação inicial para valores proibitivos, algo em torno de 25%, e expandir a regressividade  ( diminuindo até zerar ) para 6 meses (atualmente é 30 dias). Com isso, cria uma muralha mais eficiente do que o controle direto de capital através de quarentena, agindo diretamente contra a especulação financeira, além de estabilizar a cotação do câmbio, agiria como um amortecedor cambial. Sua arrecação seria também remanejada para o investimento (contribuindo através de pressão da oferta, ao invés de depressão da demanda, no combate a inflação).

5. Política de juros especializada

Atualmente o governo aplica a política de taxa básica para todos, depois tem de subsidiar juros para a produção. O correto seria inverter a operação, aplicar o encarecimento dos juros apenas aonde não gerar aumento da massa de mercadoria (produção), isto é, aonde compromenter a balança monetária de modo inflacionário, assim, a taxa básica de juros (definida por tributação), atingiria apenas os setores não envolvidos com o investimento produtivo. A sobretaxação não recairia sobre o financiamento da produção, dessa forma a política de juros não provocaria a recessão que acaba por anular os esforços contracionistas.

6. Depósito compulsório como fundo de investimento público

Considerando ainda a relação ortodoxa massa de mercadoria x massa de moeda como fundamento da pressão inflacionária, e agindo ainda em políticas pró-oferta ao invés de anti-demanda, o governo poderia transformar o depósito compulsório em um passivo para um fundo de investimento público (PAC), operado pela Caixa Econômica Federal, considerando que os níveis do depósito compulsório depende do próprio governo, a sustentabilidade entre ativos e passivos seria transparente.

7. Taxa Tobin

Essa é uma demanda antiga, mas a permanência da crise poderia ser a oportunidade única para que o Brasil possa contribuir para  uma taxação internacional que beneficiaria a todos os países contra os efeitos da especulação financeira. A taxa Tobin seria uma espécie de CPMF internacional que teria a função de inibir a especulação ao taxar a circulação financeira, sua arreadação seria remanejada para a ONU. Além de inibir a especulação, e por causa dela, os recursos especulativos se transformariam em investimente beneficiando um comércio internacional e economias nacionais em crise, além de fortalecer a ONU com recursos para sua ações humanitárias e como instrumento multilateralista.

Written by ocommunard

31 de março de 2011 at 1:48

Publicado em Reflexão

A chantagem e a pilhagem financeira

with one comment

“O que é o roubo de um banco, comparado à fundação de um banco?”
(Bertold Brecht , Ópera dos Três Vinténs).

Enquanto a cada nova ata do Copom a economia real treme, a outra apenas embolsa os juros. Enquanto ‘radicais’ pregam contra nossos impostos, bem menores do que qualquer país desenvolvido, silenciam ‘prudentemente’ contra os maiores juros do mundo.

Nos poupam de saber que a taxa básica remunera os bancos seja através do nossas compras a prazo, seja através da nossa dívida pública (cujos bancos são credores). Encobrem que os ‘especialistas do mercado financeiro’ estão na sua folha de pagamento, são profissionalmente ligados aos bancos. E uma curiosidade: quando tais especialistas defenderam menos juros?

Para mídias venais, informações como essa são comercialmente ‘desinteressantes’ na manutenção de seus clientes mais ricos: os bancos. O documentário Inside Job, que ganhou o Oscar, nos mostra que poder é esse que ultrapassa governos, partidos e ideologias. Apresenta detalhadamente como a democracia se transforma em uma bancocracia de fato, corrompendo todas as instituições através de financiamento eleitoral, lobbys e compra de matérias pseudo-jornalísticas.

Aqui na terrinha, a nossa bancocracia nasce com Collor e o seu “novo capitalismo”, atravessando todos os governos até agora. Mesmo com o governo Lula tentando contrabalancear com juros subsidiados a produção, o que nos deu alívio suficiente para se desenvolver, porém, o círculo vicioso permaneceu intocável.

A bancocracia não é um resultado de uma ideologia neoliberal, ou de políticas monetaristas ou de excesso de ortodoxia. Isso é uma ilusã, senão vejamos seguindo a mesma ortodoxia: se a cada pressão se aumentasse o compulsório ao invés dos juros, se aumentasse os juros através de sua sobre-tributação ao invés de definição de base, ou ainda se os títulos da dívida pública fossem remunerados pela taxa de crescimento ao invés da taxa básica de juros? Se surpreenderiam se no dia seguinte todas as publicações venais do país se tornassem diletantes do desenvolvimentismo?

E para o cúmulo de toda essa sangria nacional, no auge da crise, quando todos os países do mundo baixaram os juros, o banqueiro Henrique Meirelles nos provou que o pior sempre pode ser pior. Nos EUA, pressionado o governo duou recursos bilhonários para salvar os mesmos bancos que provocaram a crise sob a desculpa de proteger os empregos, semanas seguintes, depois da ‘ajuda’, seus executivos recebiam bonos milhonários. Um escândalo se iniciou, mas foi abafado misteriosamente…

O Brasil não tem guerras, não tem divisões étnicas, não tem conflitos religiosos (apesar dos esforços de alguns na última eleição), nem furacões, nem terremos, nem tsunamis… mas tem coisas muito mais destrutivas como Gilmar Mendes, a revista Veja e os juros mais altos do mundo.

Pedimos coragem ao governo, mas a coragem deve ser nossa. Em um momento onde os meios de comunicação de massa estão completamente vendidos, o compartilhamento dessa informação por email é fundamental para alertamos a todos. E aconselho a todos assistirem o documentário citado.

“Só a verdade é revolucionária”
(Gramsci)

O Communard
oneoproletario.wordpress.com

Written by ocommunard

29 de março de 2011 at 13:07

Publicado em Reflexão

O quase admirável mundo novo e o Brasil

leave a comment »

Sim camarada, o mundo está mudando. Mas não camarada, não é a revolução internacional. Sim camarada os EUA estão sob uma crise terminal. Mas não, camarada, eles podem facilmente se recuperar. Porém, sim camarada, as condições de hegemonia neoliberal pode impedir a recuperação. Mas não, camarada, uma crise econômica por mais absurdamente grave que seja, não é suficiente para uma transformação, deve sempre haver uma resposta política. Essa resposta pode ser um avanço (revoluções democráticas Árabes) ou um retrocesso (golpes fascistas nasceram de crises). De qualquer forma, a direita só avançou aonde a esquerda falhou grosseiramente, a Europa do pós-guerra é o exemplo clássico.

Sim, camarada, um outro mundo é possível. Mas não virá, se os EUA tombar ele leva com ele o BRIC pois a China é a maior credora dos EUA, será seriamente prejudicada. É verdade que um EUA a menos será um concorrente comercial avassalador a menos, mas os EUA são os maiores consumidores do mercado internacional, atingirá menos países que importam mais do que importam (como o Brasil), mas será um golpe para a China. A questão fundamental da crise não é somente o fato de que uma crise econômica, mesmo que grave, nunca é suficiente, ainda que seja a causa fundamental de uma mobilização política. O ponto central é que o sistema mundial é completamente corrompido pelo poder imperial, como provou as agências de risco que mesmo no auge da crise americana, com diversos bancos multinacionais quebrando, as taxas de risco americanas (que são de agências americanas) permaneciam as menores do mundo. Ou mesmo o premio Nobel para um dissidente chinês bem no meio da campanha americana para pressionar a China a desvalorizar o Yuan.

Não, camarada, o que a esquerda pode fazer é o que ela faz no Brasil, o resto dependeria de uma revolução, e quem fazem revoluções são povos e não partidos, o partido pode aderir ou não, como fez o Partido Bolchevique. Sim, é verdade que progresso que a esquerda trás desmobiliza, não se trata de “anestesiar”, mas de simplesmente e de fato aliviar os antagonismos, aquilo que o velho Marx chamava de “socialismo burguês ou conservador”. É verdade, a Dilma poderia nos livrar desse capitalismo selvagem do Banco Central, mas não subestimemos a força que conseguiu dobrar o Obama, que foi eleito como uma conflagração histórica e declarando em campanha que combateria o WallStreet, o fim da história nós conhecemos. Em suma, a esquerda tem de agir cuidadosamente preservando ao máximo a sua identidade sob o risco de fortalecer o berlusconismo (a indiferenciação política que gerou espaço para a desmoralização berlusconista), que também elegeu o Berlusconi Latino Americano, o Sebastian Piñera.

Estamos indo a frente, pode ser lento em termos políticos por conta dessa hegemonia insuportável do neoliberalismo (mesmo depois da crise financeira internacional), o que provoca alguns atrasos econômicos como o feudalismo do Banco Central que expoem o Brasil a maior taxa de juros mundial. Mas ao menos estamos indo para frente, vejam como poderíamos estar se sequer a esquerda estivesse no poder, poderíamos estar colonizados como a Colômbia que simplestem rasgou sua soberania territorial e cedeu em 7 bases o exército americano. Ou mesmo o México, cuja a criminalidade domina o país em um governo de direita que se elegeu pregando o combate ao crime.

Se é certo que Lula tem mais liderança política, o maior presidente sob qualquer perspectiva, seja pelos feitos inéditos de seu governo, seja pela sua única liderança. O presidente mais bem avaliado de toda a história, e quiçá não houve outro no mundo que terminasse se mandato com tal aprovação mesmo tendo as maiores oligarquias midiáticas cotidianamente o caluniando, difamando e até injuriando. Porém, já não há dúvidas que Dilma tem muito maior capacidade política, isto é, melhor capacidade de organizar os recursos políticos escassos de uma esquerda cerceada por todos os lados e os mobilizar com o máximo de resultados e o mínimo de custos políticos.

Seria ótimo um parlamentarismo com um Lula como chefe de Estado e Dilma como chefe de governo, esse seria o ideal. Mas continuarmos nos trilhos de um governo progressista em um cenário tão difícil é para mim mais do que suficiente para a satisfação do futuro do Brasil.

Written by ocommunard

26 de março de 2011 at 18:36

Publicado em Reflexão

Indignação! STF re-elege corruptos.

with one comment

Ontem foi um dia sombrio na nossa democracia, a oclocracia do STF por 6×5, com o voto do decepcionante novato Ministro Fux, garantia a vitória da corrupção sobre a democracia. A lei, nascida com a mais genuína democracia da iniciativa popular, o que em mais de duas décadas de redemocratização nenhum parlamentar fez igual, caiu sob o argumento espúrio de que a constituição não aceita mudar regras eleitorais em menos de 1 ano! Inovamos o princípio de moralidade? A constituição não exige a probidade dos candidatos? Eu poderia aqui citar lei a lei aonde isso é exigido, poderia ainda aqui citar os princípios republicanos cuja a moralidade é mais do que um princípio, mas um fundamento. Mas sabemos que a vítima ontem não foi a constituição, foi o povo brasileiro.

Mas a máfia togada, não satisfeita em deter um poder ilegítimo, sem nenhuma representatividade, cotidianamente esbofeteia, escarra e pisoteia a mesma soberania popular cujo é o único poder a não se submeter ela. Tripudiam ao cúmulo. Indignação! Mais do que isso, mobilização! Quanto nos falta do exemplo dos árabes! Uma quadrilha de corruptos no papel de juízes supremos, sob um tribunal popular lembrariam quem é soberano em uma democracia. As ruas devem falar, devem gritar, devem arrancar de suas cadeiras macias cada crápula que esmagou a nossa lei que tinha como único pretensão arejar a nossa democracia, afastar os corruptos do poder.

Até quando? As revoluções árabes nasceram de um martírio individual contra os abusos corruptos de uma polícia a serviço de um poder ditatorial, no Brasil temos democracia no legislativo e executivo, onde elegemos; já no judiciário, não só se acomodam em um cargo vitalício e acima dos outros poderes, como ainda se arrogam no direito de abusar desses poderes sem nenhum constrangimento.

Até quando? Nossa democracia não conhecerá a existência enquanto essa tralha oligárquica permanecer de pé. O pior corrupto não é aquele que se corrompe(corrupto), nem aquele que corrompe(corruptor), mas aquele que inocenta a corrupção. É ele que transforma a corrupção em uma impunidade sistêmica, é ele que garante que o crime compensa, corruptos que usam de suas pilhagens do erário para financiar campanhas eleitorais de massivas compras de votos.

Até quando suportaremos esse câncer de nossas instituições democráticas? Até o dia que fizermos o que fizemos para derrubar o Collor (cujo STF também inocentou, tal como o Maluf). Esse câncer permanecerá até o dia em que uma nova geração de caras pintadas resgatarem mais uma vez a nossa democracia.

Written by ocommunard

24 de março de 2011 at 12:13

Publicado em Reflexão

O subversivo Estadão!

leave a comment »

Percebam que deliciosa ironia, o mesmo jornal que na recente campanha eleitoral rotulava Dilma de terrorista por ter participado da luta armada contra a ditadura, agora solta fogos pela luta armada contra Kadafi, aureando como heróis os ‘revolucionários’, ‘rebeldes’, ‘revoltosos’ líbios. Claro, tudo isso não em nome de uma conversão subversiva, mas apenas para macaquear as agências de notícias americanas que, obviamente, estão alinhados no projeto imperial para pilhar o petróleo líbio.

De uma hora para outra, os medos com a revolução democrática egípicia se encaminhar para um radicalismo, ainda que pacífica, sumiram na revolução líbia, ainda que armada. Eis o imperativo categórico do jornalismo conservador/colonizado: dois pesos, duas medidas.

Mas convenhamos, ler o Estadão defender ‘revolucionários’, luta armada, insurreição popular é realmente de um prazer impagável. Quantos desavisados e crédulos leitores não devem estar sofrendo de convulsões dogmáticas! Só mesmo uma publicação tão prostituidamente colonizada poderia sem constrangimento realizar uma auto-subversão ideológica de tão larga escala a favor de ideais que em poucos meses definia sem eufemismos como terrorismo!

Para quem conhece um pouco mais do que desinformam as agências de notícias americanas e suas colônias, já perceberam aquilo que Kadafi, o ex-nacionalista, avisara: aquilo não seria um protesto pacífico por democracia, mas uma guerra civil. E ele não é que ele estava certo? Será que nos outros alertas ele também acertou? Como o de afirmar de que os rebeldes não representava a vontade da maioria e de que ela seria facilmente derrotada?

Uma guerra civil prolongada na Líbia enfraqueçaria as resistência militares do país e legitimaria/viabilizaria uma colonização ‘pacificadora’ dos exércitos da OTAN, com suas privatizações do petróleo como principal missão humanitária. Mas se suas apostas falharam como mostra o desespero para ‘armar os rebeldes’ ou mesmo invadir o país o quanto antes – essa revolução passará a ter um custo militar para economias que estão a beira da falência.

E o que é pior, se Kadafi vencer, os EUA perderão um recém aliado para seus inimigos(Irã), perderão mais uma base petrolífera amistosa, mitificarão Kadafi como herói da resistência, serão mais uma vez desmoralizado internacionalmente com ao apoiar uma falsa rebelião, e ainda contabilizarão mais uma derrota geopolítica depois do Egito.

Mas mesmo que consigam êxito absoluto, completo, total, apenas abrirão mais uma fronteira da grande revolução democrática contra suas colônias no Oriente Médio, a saber: Marrocos, Jordânia, Iemên, Mauritânia, Argélia e a jóia da coroa: Arábia Saudita. Se a Arábia Saudita cair, o maior exportador de petróleo do mundo e o mais fiel escudeiro, os EUA mergulharão na Terceira Grande Depresão (depois de 1929 e 2008) e sem “portas de saída” (como gosta a Folha).

Written by ocommunard

9 de março de 2011 at 15:44

Publicado em Reflexão

A "porta de saída" do Saint Paul Leaf's.

leave a comment »

Segundo certos “colonistas” de certas mídias ligadas a certos partidos, o Bolsa Família não serve para nada, é uma ilusão, é somente um grande sistema de compra de votos formando dependentes do governo, um ‘bolsa-vagabundos’ como disse a mulher do Serra, a serviço da perpetuação no poder pelo PT. Não explicam os colonistas porque não são tão críticos quando essa mesma política era aplicada pelos partidos cujo fazem propaganda política cotidianamente.

Mesmo apesar do grande êxito estatisticamente comprovado na diminuição da miséria, mesmo apesar dos tantos elogios internacionais recebidos pelo Bolsa Família, mesmo com a alta aprovação popular sob tal política, eles estão convencidos de que seus argumentos se sustentam na crítica de que o Bolsa Família não teria uma “porta de saída”, a tão propalada “porta de saída”, e os porteiros ‘colonistas’ são realmente muito zelosos com isso.

Mas por favor, caros leitores, rogo sua atenção, me digam se há outra porta de saída para a miséria (dependência do Bolsa Família) do que o emprego e a educação? Digo mais, me digam se há outra solução que os “porteiros” colonistas oferecem que vá além de emprego e educação? Me digam, por favor!

Foi justamente no governo em que acusam não oferecer emprego ao invés de “bolsa vagabundo” em que houve uma das maiores gerações de emprego de nossa história (15 milhões). E justamente na política social de transferência de renda que condiciona a criança na escola que acusam ignorar a educação como solução do problema. Então nos questionemos, será que tais ‘jornalistas’ são tão mal informados a ponto de não saber os índices de desempregos do país ou como funciona a política social que tanto criticam?

Não meus caros, eles sabem. Mas ou são intimos demais dos partidos de oposição ao PT ou então apelam desrespeitosamente pela sua ignorância. A única “porta de saída” que conseguirão enxergar é aquela que seus leitores darão quando perceberem a farsa desse cada vez mais metamorfoseada na publicação pseudo-jornalística da editora Abril, a revista Veja, o Tea Party brasileiro.

Written by ocommunard

9 de março de 2011 at 14:39

Publicado em Reflexão

Inside Job: a plutocracia por trás da máscara democrática.

with 2 comments

O excelente documentário que ganhou o Oscar: Inside Job (trabalho interno) desnuda com avidez o regime plutocrático americano, a despeito de sua fachada democrática. É interessante ressaltar que mesmo em uma tão tradicional premiação vemos ganhar um Oscar a um documentário crítico ao capital financeiro, enquanto aqui tal ousadia seria tratada como “esquerdismo terceiro-mundista contra as leis racionais do livre-mercado”.

Mas como uma democracia representativa (representantes do povo) com suas instituições plenamente funcionais* pode se transformar em uma plutocracia de fato (representantes dos ricos)? É essa questão que o documentário responde com impressionante eloqüência.

O documentário acaba demonstrando como o capital (ou como alguns preferem, o poder econômico) abole a democracia através de três meios: financiamento de campanha eleitoral, lobbys e mídia. As mega-doações criam um laço clientelista entre grandes doadores (ricos) e candidatos, além de praticamente abolir as chances dos candidatos não apadrinhados pelo grande capital dentro do regime eleitoral americano.

Enquanto através do financiamento privado de pessoas jurídicas o capital abocanha a eleição, é no lobby que capturam o mandato, isto é, o processo político de fato, a presenção do lobby é uma ameaçadora lembrança a cada representante de que haverá novas eleições com renovadas necessidades de financiamento.

Enquanto os lobbys aliciam os representantes, e os mega-doadores eleitorais aliciam as propostas, quem alicia o povo? Quem é o lobista do eleitor. Quem cotidianamente tenta tapar os buracos da farsa? Goebels já nos deu a dica, é a mídia, a mídia comercial.

A mídia comercial, como qualquer empresa capitalista, carrega consigo seu antagonista, o trabalhador, aqui no papel de jornalista. Mas esse antagonista está encurralado entre o assédio patronal e a necessidade do emprego. A cúpula está amarrada entre os interesses de seus anunciantes (grande capital) e o puro e simples suborno, compra de matérias pseudo-jornalísticas (apresentada diversas vezes no documentário). A informação é assim quase uma gota em um oceano de desinformação, de promíscua, corrupta e farisaica propaganda política do grande capital.

Nem mesmo uma ditadura elitista aos moldes de Mubarak seria tão estável quanto uma plutocracia eleita pelo povo, que reforça a ilusão de que o poder é deles. Mas mesmo a desilução gerada opera a favor da plutocracia, pois ela apenas reforça a sabotagem do próprio Estado democrático, culpado como ineficiente, burocrático e desnecessário reforçando ainda mais o seu mantra de Estado mínimo, isto é, a incorporação plena do estado democrático pelo capital, a privatização.

Assim, observando uma democracia sabotada em uma propaganda em larga escala para diminuir o estado, seu última e única trincheira contra a exploração irrestrita pelo capital, o americano sucumbe. E o resultado é aquilo o que o documentário apresenta: crise, desigualdade e decadência.

* diferente da nossa que de vez em quando surge um Gilmar Mendes para sabotar o judiciário, ou um Azeredo querendo instituir um AI-5 digital, ou um José Serra tentando acabar com a seperação entre o Estado e a Igreja.

Written by ocommunard

8 de março de 2011 at 15:27

Publicado em Reflexão