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Políticas, economias e ideologias

Archive for fevereiro 2011

Reforma ou Contra-Reforma Política?

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A discursão da reforma política pode se transformar em uma grande contra-reforma política frente as conquistas da constituição de 88 se as forças progressistas não saírem da inércia, algo que Maria Inês Nassif já alertara.

1. Financiamento misto restrito = anti-clientelismo.

Um financiamento de campanha ao mesmo tempo público (igualitário) e privado (micro-doações), contribuiria tanto para combater a relação promíscua entre o poder econômico e a política (que converte a democracia formal em uma plutocracia de fato), além de evitar uma nivelação artificial entre candidatura ao permitir a participação realmente democrática da população para financiar seus partidos (o financiamento só pode se direcionar aos partidos) através de micro-doações. Seria, portanto, proibido constribuições de Pessoas Jurídicas e acima de uma teto que corresponda a uma fração do salário mínimo. Obama, por exemplo, teve a campanha mais rica da história graças a micro-doações na internet, provando que as micro-doações não significaria sub-financiamento eleitoral.

2. Lista fechada democrática = fidelidade partidária.

Evitando o degenerado voto distrital, que seria uma bipartidarização de fato e  inconstitucional frente aos princípios da pluralidade política, a lista fechada democrática fortaleceria os partidos e qualificaria o debate (ao se centrar no conteúdo dos partidos, ao invés nos rostos). Ao exigir que a lista seja montada livremente por eleição interna (de filiados), garante tanto o caráter democrático, quanto evita o risco do tão propalado caciquismo.

3. Parlamentarismo = anti-fisiologismo.

A lista fechada democrática, ao centrar o voto no partido, pode ser uma ponte para um regime parlamentarista que oferece um regime de governabildade muito mais orgânico que o presidencialismo. O parlamentarismo constroi sua governabilidade a partir da maioria, o inverso do presidencialismo que tem por fisiologicamente costurar sua maioria a cada momento. O único impecilho a um parlamentarismo brasileiro é a má imprensão na esquerda deixada pelo casuístico parlamentarismo anti-janguista. Creio que já estamos politicamente maduros o suficiente para adentrar no parlamentarismo.

4. Cláusula de barreira progressiva = contra os partidos de aluguéis.

Estipular uma cláusula de barreira que iniciaria com 1% que aumentaria 1% a cada eleição federal até alcançar 7% (daqui a 28 anos). Dessa forma evitaria o efeito de cassação gerado contra partidos históricos por uma cláusula de barreira abrupta, quanto ainda ofereceria tempo o suficiente para que os partidos se adaptassem, se reorganizasse ou mesmo se refundassem politicamente.

5. Transparência política.

Todo político eleito terá por obrigação de ceder seu sigilo fiscal, telefônico e bancário aos órgãos públicos de fiscalização, para permanente sondagem. Estaria ainda proibido qualquer forma de voto secreto ou sigilo de estado sobre atos de responsabilidade pública (como os crimes da ditadura).

6. Moralização política.

O salário dos eleitos passariam a ser medido pelo salário médio de cada estado, de modo a corresponder a realidade social daquele estado que representa, e ao mesmo tempo tornar dependente qualquer valorização salarial dos representantes vinculados ao aumento da renda média de seus estados respectivos (acaba com os casos imorais de auto-promoção salarial), tal como toda e qualquer forma de benefício que não esteja previsto nas leis trabalhistas para qualquer trabalhador, delegando os custos estritamente envolvidos com o cargo político ao estado (viagem oficial, moradia, etc). Fica também obrigado que qualquer representante não poderá acessar qualquer serviço que não seja público, cujo como político é o fiel depositário.

7. Equilíbrio político-eleitoral.

Nenhum político poderá deter mídia de massa (jornal, tv e rádio), nem parente até terceiro grau, nem poderá ser beneficiário de qualquer compadrio político entre mídias, tornando proibido qualquer forma de abuso midiático-eleitoral que não respeite a presunção de inocência, o direito ao contraditório e a ampla defesa.

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25 de fevereiro de 2011 at 12:15

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Cadê os R$ 600 nos 10 governos tucanos?

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O PSDB adora alardear que conquistou 10 estados nas eleições. Fizeram uma grande algazarra pelo mínimo de R$ 600, mas porque então eles não aplicam em seus respectivos estados, já que fora o próprio grão-tucano FHC que havia estadualizado o salário-mínimo? Alguns dirão que foi exatamente isso o que fez Alckmin, apesar de que o próprio Serra, o mentor intelectual, nunca aplicou tal valor ao mínimo estadual de São Paulo.

Convenhamos, o estado mais rico do país que representa mais de 25% do PIB brasileiro não ter um salário mínimo maior do que o Piauí, ou o Maranhão, ou o Acre? Isso sim é que é absurdo! E os mesmos que governaram sob um salário mínimo menor de 100 dólares, o mesmo Serra que considerou a promessa de Lula de salário de 100 dólares de demagógica, agora acham pouco um salário acima dos 200 dólares?

Haja óleo de peroba na oposição… pena que muitas centrais sindicais cairam na armadilha. E claro, a in-Veja, o Estadinho e a St. Paul Leaf’s não vão cobrar nenhuma gota de coerência aos governadores tucanos. Porque PIG não é a direita, nem mesmo os tucanos, tão pouco neoliberais, o PIG é meramente um instrumento de Serra para difamar seus obstáculos humanos a sua fantasia absolutista.

Written by ocommunard

24 de fevereiro de 2011 at 17:21

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Afeganistão, o cemitério de impérios

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Afeganistão ostenta uma maravilhosa marca mundial ao ter levado a bancarrota 3 impérios modernos além de ter levado a exaustão outros dois impérios antigos.

Na antiguidade o invencível império alexandrino alcançou seus limites nas terras montanhosas afegãs aonde teves suas maiores baixas e que levou seu exército a exigir o fim da campanha e o retorno a casa.

Alguns séculos depois o brutal império mongol encontrou uma parede de pedra que pôs termo a sua expansão militar avassaladora.

Mas nada se compara com o que viria a seguir na era moderna. O afeganistão foi o último ato do império britânico. Foi justamente em 1919, no Afeganistão, que o império britânico foi, em termos históricos, oficialmente abolido.

Tempos depois um outro império, que já havia vencido nada menos do que outras as maiores forças militares de toda história da Europa, o império napoleônico e o III reich nazista, teve sua última operação militar no Afegãnistão, o império soviético nunca havia conhecido uma derrota até então, poucos meses depois a URSS era extinta.

Agora quem enfrenta o montanhoso destino são a atualmente maior força militar do planeta, a auto-intitulada maior força bélica de toda a história. Relatos afirmam que não só não conseguiram progressos depois de tantos anos,   como ainda vêem as baixas aumentarem dia a dia, além da explosão dos gastos que agravam sua crise fiscal.

É claro que não há nenhuma lei da natureza que garanta que ocorra o mesmo, ainda que as condições são quase um perfeito play-back. Mas vendo as atuais condições do império americano, eles escaparão da ceifa afegã?

Written by ocommunard

22 de fevereiro de 2011 at 19:28

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Os últimos dias de um império

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Democracia e liberalismo, nada mais pretensamente yanque, no entanto sob o signo da democracia o império vs seus tentáculos se encurtando no mundo, primeiro no quintal da América Latina, agora no estratégico Oriente Médio. E com o liberalismo, vê a si mesmo escorrendo pelo ralo da crise junto com seus aliados europeus, enquanto no horizonte oriental o comunismo se levanta frente ao novo século.

Obama se vê constantemente frustrado na espectativa de boas notícias que seriam o álibe para se desculpar de seu estelionato eleitoral – mas ao contrário, quanto mais descumpre seu  pacifismo com expansão militar, só aumenta o rombo fiscal. Quanto mais se inclina aos ditames neoliberais de Wallstreet que se opôs, mais expande a crise social.

Um país ainda tão rico conseguiria com pouco esforço se reerguer, mas o custo político na atual conjuntura o torna suerral. Não podem se defender na guerra cambial sem aceitar a cesta de moeda do FMI, para assim desvalorizar sua moeda sem efeitos internacionais que invalidariam qualquer manipulação – mais fazer isso seria o mesmo que jogar a coroa pela janela, o dólar é um símbolo de poder.

Sua crise fiscal não pode dar um passo adiante sem diminuir a verba militar drasticamente, isso significa diminuir as bases militares em todo o mundo, corta financiamento a dissidentes alinhados e ainda levar duas derrotas do Oriente Médio para casa. Seria a completa desmoralização do exército americano, considerado como força sem concorrentes a altura.  Em termos econômicos seria uma economia monumental, mas em termos político seria um tsunami.

Sua crise social está completamente encurralada dentro do discurso neoliberal de estado mínimo, de anti-igualitarismo e de toda carga ideológica acumulada em toda guerra fria e em toda euforia com a suposta vitória do capitalismo sobre o comunismo. O serviço de saúde americano, completamente privatizado, é o mais restrito e mais caro do mundo. Mas não é só o lobby ‘privatista’, são as alianças políticas pelo mundo sofreria um revés total, ao ver o símbolo de seu discurso romper com sua ortodoxia.

A chance americana é abrir mão do imperialismo e se assumir como apenas mais uma nação, delegando para órgão multilaterais as tarefas que agora os leva ao ocaso – mas ninguém chega tão alto e desce espontaneamente. É mais provavel que caminhem para o colapso.

O império desmorona sob os nossos olhos, todas as suas potentandes caem como castelos de cartas, suas verdades absolutas são jogadas pelas janelas, sua utopia é virada pelo avesso, seu arrogante ufanismo já virou uma peça cômica – que belo espetáculo.

Written by ocommunard

21 de fevereiro de 2011 at 22:49

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Enfim, a auto-explicação da bajulatria da Globo pelo Ronalducho!

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Bajulatria, idolatria + bajulação. Enfim, acabou essa insuportável bajulatria da Globo pelo Ronalducho, enfim acabou junto com a carreira do próprio Ronalducho.

Eu nunca havia entendido tamanha paixão da rede Globo pelo Ronaldo, de como ela enchia tanta linguaça por ele, enquanto sempre puxou constantemente o tapete do Romário. O Romário, aparentemente, era muito arisco para o padrão Globo, mas no episódio da despedida do hipotireódico atleta surgiu a resposta quase sem querer, pelas revolucionárias mídias sociais, no caso, o Twitter…

Antes, como a maioria dos brasileiros, só via duas hipóteses: ou ele tinha uma relação homosexual com o Galvão Bueno, ou a Globo estava apenas reproduzindo um estrelismo colonizado, importado da Europa, que não tinha nenhuma correspondência na grande torcida brasileira.

A Globo sempre foi um ostensivo festival de colonização cultural, o que sempre reforçou a segunda hipótese, a primeira era só uma ‘provocação’ dos que não suportavam mais tanta babação. Mas depois do Ronalducho ser flagrado com 3 travecos, confesso que me tornei um devoto da primeira hipótese, para mim já havia indícios suficientes para a sentença. Mas a dúvida persistia, será que Galvão sozinho podia manobrar toda a Globo para uma permanente bajulação estravagante de seu amado?

Foi então que surgiu e foi noticiado o Twitter em que FHC ‘felicita’ o Ronalducho por sua aposentadoria e ele em resposta o convida para mais uma partida de suas muitas partidas de Poker com ele. Quanta amizade! Um ex-presidente da República conservador é amigo pessoal de um jogador de futebol bajulado efusivamente por uma mídia conservadora, finalmente, as peças se encaixavam. Era por isso que estava lá ele, FHC, junto com Serra, ao serem recepcionados no Corínthias em plena campanha eleitoral. É por isso que o tão auto-propalado flamenguista não titubiou em trocar o time de coração pelo Corínthias e ir para a Tucanópolis. É por isso que ele era endeusado como nem mesmo Pelé fora, apenas para render capital político quando necessário.

Mas nunca deu certo, a torcida brasileira nunca morreu de amores por um jogador que na melhor das hipóteses era uma estrela sem diciplina física e poucos momentos de brilho. Terminou como termina sempre tudo que tucanos  tocam, como um toque de midas investido terminou como ferrugem, odiado e enxotado pela própria torcida cujo só tinha a aforecer, tal como seu amigo FHC, essa repulsiva bajulação constrangedora das mídias conservadoras.

Talvez tudo isso seja mera especulação, ainda que bem menor do que houve na bolsa de valores da era FHC, mas com certeza tudo isso não cheira bem, ou cheira tão bem quanto o rio Tietê que a mais de 16 anos os tucanos prometem revitalizar.

Written by ocommunard

19 de fevereiro de 2011 at 22:04

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Sérgio Guerra e Gilberto Kassab, os dois presentes gregos de José Serra.

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Vocês não acham estranho que Sérgio Guerra, o atual presidente do PSDB, que foi ponta de lança de José Serra por toda a campanha, que foi aliado da candidatura de Serra contra os aecistas, tenha se transformado em um inimigo mortal dos serristas alguns meses depois da derrota e Serra? Não acham estranho quemKassab, uma prefeito biônico saído da costela de José Serra, saia de um partido mais a direita do espectro político diretamente para um partido da base, PMDB ou PSB, sem gerar nenhuma crítica de Serra?

O que faz um empolgado serrista de repente, não mais do que de repente, se transformar, por mágica, em um aecista odiado por Serra? O que faz um político que saiu da escuridão, que teve sua candidatura apoiada por Serra mesmo contra o próprio PSDB, pode de repente se dissociar de Serra sem gerar no falastrão nenhuma verborragia? Nem mesmo nos seus colonistas verborrágicos?

Se alguém que tivesse em uma coligação que perdesse avassaladoramente nas urnas espaço político, portanto, perdendo espaço no tempo de tv, o que faria ele? Mandaria um aliado seu ser parte da oposição interna (aecistas) e um outro aliado seu se infiltrar na oposição externa (governistas, PMDB e PSB)? É, realmente faria muito sentido se fizesse isso. É realmente possível imaginar que alguém como Sérgio Guerra e Gilberto Kassab, políticos sem nenhuma estatura eleitoral, possam lançar vôos livres contra ou a despeito do Stálin tucano que nunca disfarçou suas pretensões stalinistas (ou, como diz a imprensa tucana, seu caráter centralizador)?

Conhecendo o caráter do Serra, que não tem o menor dos escrúpulos, que tem influência e controle sobre todos os oligarquias midiáticas, como eles poderiam ter nesse exato momento algum minuto de paz dessa mesma mídia que ao simplies estalar dos dedos de Serra, promove todo o tipo de estultície? Como eles nesse exato momento não estariam com suas reputações completamente devassadas como faz Serra com seus desafetos? Porque ele os poupa tão brandamente apesar de tão brutal e avassaladora traição?

Pensem o que quiserem, mas depois da bolinha de papel atômica, nunca mais subestimei a patológica e convunsiva sede inesgotável e inescrupulosa de poder do tzar tucano, José Serra. Vendo de Serra, tudo é presente de grego, até mesmo um salário mínimo maior que ele nunca aplicou como governador de São Pualo, apesar de FHC ter aprovado a estadualização do salário mínimo.

Written by ocommunard

19 de fevereiro de 2011 at 19:49

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Revista Veja e o preço de seu pseudo-jornalismo

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A revista Veja reportou com toda pompa e circunstância em 18/02/2011 que o “G20 começa em meio a indefinições e discordâncias”* para para em apenas 24h declarar estupefata que “G20 termina com acordo surpreendente”**. Qual foi a surpresa? Está detalhadamente descrito no subtítulo: “A despeito das divisões internas, grupo obtém consenso sobre indicadores para medir desequilíbrios da economia, commodities e cesta de moedas”.

Se houvesse um rasgo de honestidade da revista do José Serra, o título seria: a despeito de nossas espectativas e desejos, esse G20 dos emergentes, que nós odiamos por ter sido um dos legados do governo Lula, foi um sucesso retumbante!

O primeiro título não deixa dúvida não só sobre sua pretensão premonitória, mas sua vontade manifesta. Para o Semanário Oficial da ultra-direita brasileira, o G20 nunca será aceito por ter tido em sua gênese a assinatura de Lula, o objeto de seu ódio, o operário que não só teve a petulância de alcançar o poder da “elite da elite”, mas teve a ousadia de realizar o governo mais popular da história do país. Isso é realmente imperdoável para eles.

E qual é o preço de um pseudo-jornalismo como esse? Para os leitores é certo ser um preço bem maior do que o de R$ 8,90 ou o tempo perdido em lê-la. Mas para os jornalistas desta revista de baixíssima qualidade, é um preço muito alto ser constrangido a seguir uma linha editorial que o coloca em tal situação constrangedora, a maioria que permanece acaba caíndo no cretinismo ou aceitando sua condição de dejeto moral. Que o diga a Ana Clara em Paris! Pobre Ana Clara!

Até quando, servo-jornalistas do PIG, enterrão calados os seus princípios? Até quando pagarão tão alto por um jornalismo tão baixo? Até quando se permitirão ser escudo humano para a escatologia política de um só homem, José Serra? Será que seus salários valem tudo isso? Será que se ganhassem 10 vezes mais do que ganham, seus salários valeriam tudo isso? Há dinheiro no mundo que pague por isso?

Quando no fim da noite, aos pedaços, levanta os olhos para o espelho do banheiro, lavando suas mãos sujas… suas consciências de assalto, não os denuncia em silêncio? Raskólnikov, suas mãos continuam sujas, suas consciências continuam como suas mãos.

Written by ocommunard

19 de fevereiro de 2011 at 17:42

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