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Obama e Mubarak: entre o ideal democrata e o império real

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Ser ou não ser democrata, eis a questão hamletiana do Obama frente a possível revolução egípcia. E os princípios democráticos? O interesse é o princípio dos princípios de um império. Obama se indaga se é melhor pagar o preço de apoiar a democracia islâmica ameaçando não só perder o egito para a oposição anti-americana, mas estremecer com todos os aliados não-democráticos da região (todos são ditadores); ou destruir a imagem americana de defensor da democracia e criar uma inimizade política indissociável ao regime pós-Mubarak em um país tão importante quanto Egito. Ficou claro que o jogo americano é apostar no cara e na coroa, mas torcendo indisfarçavelmente para a repressão ditatorial vencer as reinvindicações democráticas.

Mas a Revolução de Jasmin da Tunísia é o canto de esperança que fará os egícios só adimitirem um resultado, a queda de Mubarak, e através deste fato, uma democracia egípcia.

Egito não é apenas uma aliado qualquer, é a maior e mais poderosa nação árabe e o mais colonizado de todos os regimes da região. Como bem expôs Paulo Henrique Amorim em seu famoso site Conversa Afiada,  “um sistema que formava oficiais superiores das Forças Armadas no Pentágono, em Washington. Um sistema que podia montar no Egito, com exclusividade, tanques americanos M1A1 Abrams com licença especial”. Egito é a peça fundamental e indispensável do controle americano na região, nessa perspectiva os EUA não só precisam de Mubarak como devem estar em tempo real acessorando e ajudando em tudo que puder para mantê-lo no poder, e não podem atacá-lo ou criticá-lo sob o risco dele vazar a sujeira do império que conhece com tanta intimidade.

Mas há um custo político ainda maior. A história do Irã surge como uma sombra no horizonte americano, porque o regime de Mubarak tem semelhanças com o Xá da Pérsia. Assim, um EUA hostil a revolução pode recriar um novo Irã, que até agora foi o único governo árabe que abertamente defendeu a revolução política no Egito. Assim, a postura americana que não seja de declarado e eufórico apoio a democracia egípcia lhe terá um custo político muito maior do que desagradar a teocracia absolutista da Arábia Saudita ou se constranger com um ex-ditador enfurecido lavando roupa suja em público, pode transformar a revolução egípcia em revolução iraniana.

No final das contas será apenas isso, perder reputação ou aliados? influência ou colônias? poder político ou militar? O que mais prejudicaria um império em crise? Tudos os caminhos levarão a um prejuízo, mas com certeza os EUA estão subestimando a força da política e superestimando a política da força, nada mais coerente para um fanático neoliberal. Um governo egípcio jamais seria islâmico no estilo iraniano, quem conhece a história egípcia moderna sabe disso, é mais uma razão para o imperio temer tanto uma democracia anti-americana laica no Egito, eles perderiam a legitimação. El Baradei soa mais ameaçador do que Ahmadinejad.

No final das contas é apenas mais uma face de um declínio que está bem assegurado pela autofagia neoliberal e bem policiada pelos facistas americanos do Tea Party. Obama, entre escolher o ideal democrático e o império real, não hesitou em pisotear mais uma vez sua utopia pre-eleitoral por sua distopia pós-eleitoral.

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Written by ocommunard

31 de janeiro de 2011 às 13:31

Publicado em Reflexão

2 Respostas

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  1. Os estadunidenses que se julgam os defensores e campeões de “Democracia”, nada mais são do que uma Ditadura burguesa bipartidária, que enganam o povo com dois partidos defensores dos interesses de uma minoria privilegiada. Pois, os imperialistas estadunidenses se julgam os donos do poder e da situação, os eruditos altivos, superiores e melhores que todo o gênero humano e, com seu sistema de governo fundado no poder de dominação infrene – e com postura provocativa; o império instala bases militares em todas as regiões do mundo, para preponderar; ou demonstrar força para intimidar e ameaçar o mundo livre, com exercícios militares constantes e em grande escala.
    Pois, os imperialistas tentam de todas as formas iludir a natureza humana ao colocarem a verdade pelo avesso, quando apresentam-se como os paladinos da “Liberdade” e “Democracia”; inclusive fazem uso desses princípios com cavilação obstinada de que são os únicos, reais “representantes” e “defensores” desses ideais.
    Os imperialistas dos EUA, com sua política de expansão, influência ou mesmo dominação territorial e econômica do mundo; usam com desfaçatez, ardileza e estratégia de dominação, as duas belas e magníficas palavras mágicas, que são consideradas chave, ou seja, “Liberdade” e “Democracia”, que usadas com sutileza, são apenas sofismas para encobrir seus reais propósitos de possessão do mundo livre.
    É somente cabível aos povos nativos de uma nação ou território livre, derrocarem dos poderes políticos os condutores indesejáveis que julgarem ser intendentes déspotas, demagogos, corruptos, vigaristas, oportunistas e aproveitadores; e, tudo isso, deve ser feito sem a ingerência de qualquer força imperial.
    A “Democracia” é para o império estadunidense; quando os EUA mandam, ditam as regras, subjugam e submetem os povos a condição e posição de escravidão, passividade, dependência, obediência, sujeição, subserviência e controle – mas, quando os povos se exsurgem e tentam colocarem-se contra a ingerência, ganância, dominação, tirania, vontade ou interesses dos EUA; então, isso será considerado ditadura para o império estadunidense”.
    E, assim, quando os povos deixam de rezar na cartilha do imperialismo dos Estados Unidos da América, esses povos são perseguidos, e suas eleições livres e justas serão consideradas pelo império de irregulares ou fraudadas; pois os imperialistas estadunidenses aceitam apenas eleições de regimes inócuos, inermes, fantoches, subservientes, favoráveis e sequazes do Império. Ademais, o governo eleito por esses povos livres, que não aceitam se sujeitarem aos caprichos dos Estados Unidos da América do Norte; são sempre rotulados ou assacados de totalitário, tirânico, ditadura e seus inimigos.
    E, assim confutando aos interesses dos EUA; então, de pronto, vem por parte do império estadunidense, tratamento cruento, hostil e injusto, infligido com encarniçamento as nações livres – desaparecendo desse modo, as tão propaladas e exaustivamente apregoadas palavras “Liberdade” e “Democracia”, que usadas de maneira hipócrita pelo império, como estratégia; ao submeterem as massas populares a uma terrível lavagem cerebral, mesmerizada e condicionada, para que acreditem ou aceitem os EUA; por engano e, de modo falso; como o único, legítimo, “representante” e “defensor” desses ideais.
    Os imperialistas dos EUA, comandam genocídios por todo o mundo livre; endividam as nações livres, compram seus políticos e governos fantoches; além de apoiarem estados títeres para realizarem política de desestabilização, discórdia e desentendimentos regionais, ou atos subversivos violentos e intimidadores a serviço do insidioso sistema imperial estadunidense.

    ....

    4 de fevereiro de 2011 at 13:51

  2. Os EUA se aproveitam de situações de insurreição popular,como do Egito(maior e mais poderosa nação árabe) e da Líbia(fonte de petróleo $$) para fazerem valer seus interesses.Se infiltram e fingem apoiar os movimentos contra ditadores eleitos com forte influencia do Tio Sam.Assim,financiam a derrubada de um déspota apenas de maneira figurativa,a fim de não sujar mais ainda a sua reputação aos olhos do mundo(consciente).São posturas complexas e que requerem ampla discussão.Em suma,onde os EUA estiverem,saiba que há ali apoio forjado e interesses econômicos,territoriais e politicos envolvidos.

    Joao Gabriel

    15 de abril de 2011 at 15:45


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