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Políticas, economias e ideologias

Sardenberg, um economista milenar….

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Comentário sobre o artigo “Dilma vai forçar a queda dos juros?”

Os neoliberais são incríveis, eles estão sempre certos, sobretudo, quando estão errados. Quanto maior o “equívoco” mais procuram demonstrar matematicamente e silogisticamente como a razão está absolutamente privatizada em sua fé. Não é por acaso que o neoliberalismo é definido nos círculos acadêmicos como “teologia de mercado”, porque assim como deus, o monetarismo não precisa ser provado, é uma questão de fé. Hoje vivemos o maior fracasso de uma política econômica, como prova os heterodoxos em progresso (BRICs) e os ortodoxos em crises (EUA e UE), mas os apóstolos do mercado jamais estão errado, não importa quanto de realidade que o desminta.

Sardenberg tenta fazer uma cirurgia lógica, mas agora sem aquela pretensão demiúrgica de que por estar acomodado nas instalações da Globo tem um poder de influência fenomenal, essa foi uma das boas contribuições da eleição da Dilma, sobretudo, do próprio governo Lula. Seu inimigo são os desenvolvimentistas que para ele insistem erroneamente em se considerarem certos apenas por terem alcançando grandes conquistas, é claro que para o “berg” certo estão os fracassados monetaristas de FHC ou mesmo Meirelles, um ex-tucano infiltrado, aquele que é responsável pelo que “berg” denomina de uma taxa de juros “campeã mundial”.

Ele começa lançando os princípios dos monetaristas, o juros deve cair na medida em que cai a dívida. Apesar de que em todo o mundo há taxas de juros bem menores frente a dívidas públicas bem maiores. Ele é contra a diminuição da dívida através da diminuição do juros, como defendem os desenvolvimentistas, por mais que os juros provoquem dívida e ele admita isso. Como ele explica isso? Com um truque, muda de assunto. Sai das causas geradoras dos juros altos para o risco de inflação. Ele diz, os juros são altos para segurar a inflação, mas se a dívida diminuiria, como aumentaria a inflação. Ele pensou, preciso de Deus Ex Machina urgentemete.

Eis que surge do nada o personagem “mercado” que segundo o Berg proclama que em 2011 haverá pressão inflacionária, portanto, os juros terão de aumentar. Mas porque? perguntaria um inocente. Ora mais, diria o Berg, porque “o mercado” disse, se ele disse ele está certo, mesmo que tenha errado miseravelmente nos últimos 20 anos.

Pronto, como a dívida diminuiria com a diminuição dos juros e portanto, propiciaria a própria queda dos juros, o Berg se esquivou de toda essa singela lógica desenvolvimentista apenas lançando uma pregação apocalíptica para o ano de 2011 que não pode ser questionada, fé não se questiona, é a palavra de deus ou “mercado”. Mas sejamos compreensivos com o fenômeno da prostituição, será que a verdade e a honestidade intelectual pagaria as viagens para Miami, os brioches e os carros importados do Berg? Claro que não, é apenas mais um serviço, finge que goza e pega o chachê… pois no dia seguinte o seu chefe-cafetão terá outros clientes para ele.

Mas ainda espero que um dia alguém o ensine que a dignidade não tem preço…

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Written by ocommunard

23 de novembro de 2010 às 0:15

Publicado em Reflexão

Uma resposta

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  1. Grande lucidez essa sua analise economica. Estou aqui tambem

    Luiz Monteiro de Barros

    23 de novembro de 2010 at 22:22


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