Communard

Políticas, economias e ideologias

Archive for outubro 2010

"Por mais alto que um tucano voe, nunca alcançará uma estrela"

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Por Communard,

Os tucanos, raça de seres esnobes sem escrúpulos que tentaram todo o tipo de trapaça possível e inimaginável nessas eleições para tentar ganhar essas eleições, onde o cúmulo foi a “tomografia da fita crepe”. Só que na sua sede insaciável de poder, entre o desejo e o prazer da dominação, existia algo, o povo. O povo que não se deixou enganar, que não deu crédito as baixarias, que não se iludiou com o total aparalhemento tucano das grandes mídias. O povo que, a despeito das próprias falhas de comunicação da campanha petista, resitiu em seu voto progressista, lucidamente, enxergando sempre muito além dos outdoos.

Ultimamente, a presunçosa carta aberta de FHC endereçada ao Lula, foi respondida magistralmente por um amigo do próprio FHC, mas que não suportou tanta sordidez e cinismo nas falsidades levantadas pela carta aberta. O professor Theotonio dos Santos, da Universidade Federal Fluminense, desmistificou todas as falácias que rodeiam o discurso tucano e que domina por todos os poros da Globo, Veja e Folha.

O primeiro mito é do fim da Inflação, afirma ele que “todas as economias do mundo apresentaram queda da inflação para menos de 10%”, e em comparação com o resto do mundo o Brasil tucano teve “UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES”. Sobre o mito “da moeda forte”, ironiza “uma moeda que se desvaloriza 4 vezes em 8 anos pode ser considerada uma moeda forte?”. Sobre a falácia da “responsabilidade fiscal”, ele responde “um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade”.

Acusa a brutal dominação tucana das grandes mídias (Globo e Veja) afirmando “e por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido a suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo”.

Segue criticando a “brutal concentração de renda” que se agravara. Ao criticar o discurso de FHC de que a responsabilidade do ameaça que Lula representava, ele refuta afirmando que a economia da Era tucana tinha os “mais altos índices de risco do mundo”, “endividamento interno colossal”, os “juros mais altos do mundo”. E conclui: “um fracaço econômico rotundo. (…) Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos”.

Adiante, ele ressalva que “apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil”.

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Written by ocommunard

29 de outubro de 2010 at 16:19

Publicado em Ideologia, Política

Alerta ao PT e aos blogueiros progressistas! 'Já ganhou' = abstenção!

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Venho aqui alertar a campanha do PT para evitar o clima de já ganhou, sobretudo, ao apresentar nos segundos finais as pesquisas colocando a Dilma a frente. No Brasil, e sobretudo no Nordeste, aonde a Dilma tem a maior vantagem, quando se considera que um candidato já está ganho, passa a achar que seu voto não fará diferença para garantir a vitória, e acaba não indo votar. Fui justamente isso que ocorreu na alta abstenção no Nordeste no primeiro turno.

A campanha tem de tirar qualquer referência ao ‘já ganhou’, inclusive rebater qualquer afirmação da grande mídia de que a vantagem nas pesquisas ou qualquer outra razão já dê vitória ou favoritismo a Dilma. Isso é fundamental, a ameaça é real.

Se Dilma que não tinha um favoritismo tão grande no primeiro turno e sofreu com a alta abstenção, ainda que a única que tenha se beneficiado realmente tenha sido a Marina, imaginem agora no segundo turno com o feriadão!

Reforcem o discuro inicial de “luta voto a voto”, de que “pesquisa não ganha eleição”, de incentivar cada eleitor a comparecer e a militar voto a voto pela vitória. Afirmem, claramente, que “nada está ganho”, que a vitória “é um esforço de cada um, que não pode esmorecer”. Nessa reta final, com a mais absoluta certa, as grandes mídias irão reforçar o favoritismo de Dilma enquanto Serra apela ao “voto a voto” em sua acampanha, essa é a armadilha!

Apelo para todos os blogueiros progressista para que combatam a suicida idéia do “já ganhou”, e estimulem o espírito de luta “voto a voto”. É fundamental que não só o favoritismo seja evitado, como deve ser atacado ferozmente, as pesquisas devem ser publicamente rechaçadas em nome do “voto de cada um”. Algo como, “nós ignoramos todas as pesquisas, mesmo as favoráveis, porque a única pesquisa que nos interessa é a do seu voto, precisamos de você, precisamos de seu voto e de sua luta para conquistar todos os votos que puder, para garantir que o Brasil siga mudando.”

E enfatizar a estratégia nos depoimentos de apoio (reforçar a credibilidade em Dilma), nos ataque as contradições de Serra (desmascarar a farsa marketeira dele) e sobretudo, reforçar o espírito de luta por cada voto (refutar o suicida favoritismo).

Written by ocommunard

25 de outubro de 2010 at 11:20

Publicado em Reflexão

Resposta à Carta Aberta de FHC ao Lula

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FHC lançou carta aberta ao Lula. Aqui, na condição de cidadão brasileiro, faço a resposta dessa carta aberta respondendo na palavra daqueles que foram afetados pelas políticas de ambos os partidos.

FHC inicia sua diatribe contra Lula acusando que ele “sugere que se a oposição ganhar será o caos”. Foi exatamente isso que sugeria Serra nas eleições de 2002 que, por tal razão, ganhou o lema: “a esperança venceu o medo”. E ainda nessas eleições Serra pratica abertamente tal “sugestão”, quando afirma categoricamente que a vitória de Dilma ameaça a economia, a democracia e até, pasmem, a ecologia.

FHC diz que o Lula posa como Luis XIV o associando a frase “o Estado sou eu” sem apresentar argumentos. Porém, a exclamação o “estado sou eu” encontra perfeita correspondência em Alckmin que responde as críticas a seu governo como sendo críticas ao estado de São Paulo. Quantas vezes não ouvimos ele dizendo nos debates “eles vem falar mal de São Paulo” em cada crítica que recebia? Aparentemente, o problema de FHC não é contra o absolutismo, mas contra o absolutismo dos outros.

Acusa ainda que a “estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal”. Mas como exaltar as conquistas do governo Lula seja “desconstruir o inimigo”? Agora, o que o Serra faz caluniando e difamando a Dilma como ligada ao narcotráfico, ao aborto, ser atéia (acusação que o próprio FHC sofreu), poste, corrupta e incompetente, entre outras? O que é isso, debater política ou “desconstruir o inimigo principal”?

Continua FHC: “Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido”. O que exatamente foi herdado? Vejamos o que ele alega:

1.”estabilidade da moeda” – O Plano Real foi do governo Itamar, não do FHC. Não entendo como pode chamar de estabilidade monetária um governo que deixou o país com 12% de inflação, com dívidas estouradas e carga tributária crescente.

2. “lei de responsabilidade fiscal” – essa lei tem sua insignificância comprovada na sua total irrelevância em conferir melhor controle da inflação, endividamento, crescimento, salários, empregos, etc. Todos esses dados são inferiores ao do governo petista.

3. “recuperação do BNDES” – Carlos Lessa, que assumiu o BNDES no governo Lula e declarou voto em Serra nesse ano. afirmara que o BNDES na era tucana havia abandonando seu papel desenvolvimentista e se transformado em uma financiador das privatizações (http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Lessa). É isso que FHC chama de “recuperação”?

4. “programa Avança Brasil” – A irrelevância desse programa que FHC afirma ter sido mais eficaz que o PAC está patente nos indicadores de crescimento econômico em seu governo. Se quer comprovar, poderia comparar, ao invés de apenas declarar.

5. “privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares”. A privatização da telefonia foi do serviço, e é um dos serviços campeões de reclamações no PROCOM (confirme no site do PROCOM). O que o serviço da Oi ou TIM tem a ver com celulares barateados da LG e Samsung produzidos na Coréia do Sul? (tem mais a ver com o Real valorizado e a abertura econômica, não com as privatizações). E sobre a Internet, porque ele não comprova sua tese comparando o crescimento da banda larga entre o governo tucano e o governo petista?

6.”Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal”. A motivação, então, foi arrecadatória? O Brasil perdeu uma das maiores mineradoras do mundo que poderiam estar sendo articuladas com as políticas industriais em proveito econômico de todo o país, e não apensa ao lucro privado ou arrecadação pública. A venda da Vale, escandalosamente barata, custou apenas o correspondente a meros 3 meses (ou menos) de faturamento da empresa, e o dinheiro não veio dos compradores, foi paga com o empréstimo do BNDES! Por essa razão, acusava Brizola que os tucanos não venderam o país, eles entregaram. Porque o dinheiro da privatização foi paga pelo próprio povo brasileiro.

FHC acusa o Lula afirmando que “o país pagou um custo alto por anos de ‘bravata’ do PT e dele próprio [Lula]”. Qual custo e qual bravata, podemos saber? Por outro lado, sabemos bem o custo alto que pagamos por eleger um tucano presidente: o país quebrou 3 vezes, aumento do desemprego, da carga tributária e da dívida publica, entre outros legados.

Segundo FHC, a “herança maldita” é culpa do próprio herdeiro Lula, pois este “esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI”. Deveria ter combinado com a campanha de Serra que aterrorizava o país com a possibilidade de vitória petista como modo de alcançar vantagem eleitoral, estratégia esta que está usando neste exato momento na campanha difamatória contra a Dilma.

FHC acusa o PT de fazer bravatas, exceto quando o elogiam, como quando cita José Dutra, uma citação um tanto tendenciosa no conteúdo e no fato de não representar o pensamento do partido. Esquizofrenicamente os tucanos celebram as privatizações ao mesmo tempo que se indignam contra o rótulo de privatizantes, ora, se foi bom porque não privatizar mais? Se não foi bom, porque celebrar?

FHC alega a sensibilidade social dos tucanos ao Plano Real, o que preocupa já que a maior política social do governo tucano não foi obra do governo tucano.

FHC exala sua sabedorial eleitoral ao categoricamente afirmar como o eleitor vota. Aula essa que parece que Serra e muitos outros tucanos derrotados faltaram. FHC apela, como faz todos os tucanos, para que evitemos o “retrovisor”, apela pela ignorância histórica, para que não cobremos nada do que eles não fizeram ou destruíram. O povo brasileiro, tantas vezes acusados de não ter memória, tem agora que assitir a pregação da alienação, a pregação da auto-amnésia política. Os tucanos que sempre se vendem como biografias “imaginárias” marketeirizadas, odeiam ver suas peças publicitárias desmascaradas com as contradições de seus governos reais.

Mas o povo brasileiro já aprendeu uma sabedoria universal, um povo sem passado é um povo sem futuro. Isso é algo que faz parte do nosso presente, como prova todo o fracasso da campanha goebeliana serrista.

Lamento muito que, apesar de declarações politicamente irresponsáveis do FHC como a do “subperonismo popular”, lamento muito que todo o fardo do fracassado governo tucano recaia sobre uma só pessoa, FHC. Lamento mais ainda que o PT, por equívoco ou ingenuidade, reforce essa fulanização que leva ao Serra a tão somente esconder FHC como forma de se esquivar desse fardo. O mal maior dessa fulanização é o escamoteamento do verdadeiro debate, do verdadeiro alvo, as políticas neoliberais. E isso pesa sobretudo no processo político para nós brasileiros, pois faz com que as transformações sociais sejam politicamente prejudicadas ao se concentrar em pessoas e comportamentos, não em partidos e políticas.

Apesar dos pesares, FHC está a anos-luz em superioridade moral ao José Serra, que foi equivocadamente preferido pelo PT do passado como canal de diálogo com o PSDB, achando que este estaria mais a esquerda. Serra se mostrou um truculento megalomaníaco que não respeita nenhuma instituição, escrúpulo ou pessoa que seja obstáculo a sua sede insaciável de poder. Como prova o obscurantismo do uso eleitoral da fé e do aborto, assim como até a tomografia da bolinha de papel.

FHC, quer debater política? Comece convencendo o candidato a presidência de seu partido a fazer isso.

Written by ocommunard

23 de outubro de 2010 at 23:56

Publicado em Ideologia

EUA vs China: revoluções geopolíticas

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Os EUA, fabricantes da moeda internacional, enquanto inundam o mundo com dólares em franca guerra cambial, pressionam a China com seu parceiro também decadente, UE, pela valorização do Yuan. Mas a desvalorização do Yuan por si não salvaria os empregos nos EUA, apesar da propaganda, pois:
1) diminuiria competitividade da China, mas não aumentaria a dos EUA, pois há muitos outros países que tomariam o espaço deixado pela China, como Coreia do Sul, Japão, etc.

2) a economia americana tem predominância do setor de serviços e não o setor produtivo. No setor primário, inclusive, é totalmente dependente de subsídios.

3) a balança comercial negativa não seria resolvida já que sendo um país “pós-industrial”, depende de importação de muito de seu consumo. O neoliberalismo provocou a dita “transferência de capital” para países de mão de obra mais barata.

A desvalorização do Yuan, aí sim, significa um ataque direto a economia chinesa, que sofreria um grande baque comercial, que vêem como uma ameaça ao perceberem a vertiginosa ascenção que os preocupa porque:

1) seu desempenho econômico está dragando todos os capitais europeus e americanos para a China.

2) está ocupando vazios geopolíticas se aliando a Rússia, Irã e Cuba, Brics, América Latina, Ásia e África. Recentemente, está realizando uma cooperação econômica com a Grécia, que foi abandonada a própria sorte pela UE em crise.

3) o avanço da China começa a servir de modelo e exemplo ideológico-econômico na mesma proporção em que o “capitalismo ocidental” não consegue reagir ao atoleiro da crise.

Os EUA precisam desvalorizar suas moedas, mas não podem fazer isso sem sofrer muita pressão externa de todos os países do mundo, que usam a moeda americana como reserva internacional; e internamente, com os setores mais a direita atacando qualquer ameaça inflacionária, que no cenário atual é o mal menor.

Nas últimas semanas os EUA estão fazendo um colossal ataque diplomático permanente pressionando sobre a valorização do Yuan (onde não poderia ser questionado, já que a política cambial é soberana de cada país), sobre os direitos humanos (deram o prêmio Nobel a um dissidente chinês), e inclusive no campo cultural-psicológico: no fim desse ano sairá o primeiro filme americano francamente anti-chinês, uma nova versão de Red Dawn, um filme de declarada propaganda anti-comunista. Na versão original os EUA eram invandidos pela ex-URSS e Cuba, agora “serão” invadidos pela China. É o ato de guerra ideológico que pode precipitar uma nova guerra fria.

Mas mais do que pressionar a China, o que os EUA querem é jogá-la direto em uma armadilha. Como as margens políticas do governo dos EUA de desvalorizar a moeda são limitados, querem provocar um contragimento político tal que provoque a China a substituir todas as suas reservas em dólar por provavelmente ouro, como forma de represália ou rompimento diplomático. Recentemente, os EUA descobriam uma grande reserva em ouro que pode chegar a 3 trilhões no Afeganistão (território ocupado)*. Assim, ao provocarem isso, conseguem vários objetivos:

1) uma hiper-desvalorização do dólar, sem assumir a responsabilidade política interna e para o mundo, dando uma incrível vantagem comercial. A hiper-inflação seria contornada graças ao aumento da exportação com o dólar super-barato para todo o mundo.

2) recriam um “inimigo externo” que é realmente muito mais ameaçador de seus interesses do que qualquer que Bin Laden. Com essa velha tática, consegue desviar o descontentamento social contra seus governos e exportar a responsabilidade para um “bode expiatório” (tática muito comum nos EUA).

3) atingem frontalmente a economia chinesa ao literalmente expulsá-las com seu dolar hiper-competitivo do maior mercado de consumo do mundo. Esse golpe é importante para interromper a ascensão chinesa que os ameaça, mas terá outros efeitos, que adiante tratarei.

O que parece está claro, não só para os EUA e a UE, mas para todos. É que no andar da carruagem a hegemonia está quase que completa em poucos anos. O hiper-moderantismo diplomático da China buscava acalmar os americanos e europeus para afirmar que a hegemonia chinesa seria um “soft power” e que acentuariam o multilateralismo. Mas também essa estratégia ameaça os EUA que sempre dependeram do “hard power” e do unilateralismo(imperialismo) em sua geopolítica.

Para complicar a equação há as eleições legislativas onde se vislumbra o crescimento da ultra-direita (Tea Party) conjuntamente com a impopularidade do governo Obama. O avanço do Tea Party significa:

1) para a direita moderada mais inteligente, o Tea Party desconhece o lema fundamental do capitalismo: “privatizar o lucro e socializar o prejuízo”. O Tea Party com seu neoliberalismo radical quer “privatizar o prejuízo”.

2) a adoção de uma política ultra neoliberal em plena crise provocada por políticas neoliberais, terá um efeito ideológico devastador para a direita do mundo. Pois unirá colapso do império americano com fracasso retumbante do receituário neoliberal. Quem ficará será o presidente vítima de neoliberais fanáticos: Obama.

3) O medo deles não é que o radicalismo do Tea Party impeçam a vitória, como dize. Tak ilação é ilógica frente a própria ascensão do Tea Party e impopularidade crescente de Obama. O medo da direita frente a ultra-direita é que uma vez vencendo levem o país, o partido e o capitalismo a ruína.

A única saída da China é se manter firme porém amistosa como está fazendo, enquanto tenta acelerar as parcerias geopolíticas em todo o mundo para driblar a campanha americana: Rússia, Irã, Cuba, Grécia, América do Sul, África, etc. É o que ela está fazendo. Será que a China conseguirá evitar essa armadilha, tudo indica que sim, mas as pressões parecem estar apenas começando. Veremos o quanto hábil será a diplomacia chinesa para desarmar essa armadilha.

Mas se a China cair na armadilha? Não seria muito ruim na verdade. Pois:

1) as exportações chinesas cairiam, mas isso forçaria a China investir na expansão do mercado interno, que tem um potencial muito maior que os EUA. Tal estratégia é a base do desenvolvimentismo brasileiro atual, altamente exitoso.

2) a China como mega-mercado teria muito mais influência internacional do que como mega-exportador, provocando a ganância de todo o mundo, inclusive dos EUA e UE. Aliás, grande parte da influência americana se deve a atração de seu grande mercado para o resto do mundo.

3) Um dólar hiper-desvalorizado, perderia seu status de moeda internacional. Devastaria toda a economia mundial, pois todas tem reservas em dolar, dessa forma neutralizando todo e qualquer ganho que os EUA teriam.

Aparentemente, o único ganho viável que os EUA teriam dentro dessa estratégia é se parmencerem apenas no âmbito da pressão sem consequências, e dessa forma, pelo menos, enfraqueceriam politicamente a China perante o resto do mundo. Somente nesse caso, mas nem mesmo aí estaria garantido o sucesso dessa aventura geopolítica.

Written by ocommunard

23 de outubro de 2010 at 13:47

Publicado em Reflexão

Marina Silva: rendição ou redenção?

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Em mais de duas décadas de democracia reconquistada, nem em nossos mais sádicos pesadelos poderíamos imaginar uma campanha tão suja, covarde e reacionária como a capitaneada por José Serra nessas eleições. A campanha tucana que já apelara a injúria(poste), ao terrorismo (acusando de ligada as FARCs), ao udenismo(desviando do debate com bravatas moralistas), ao lacerdismo (acusando Dilma de querer implantar uma República Sindicalista e conspirar no Clube Militar), com calúnias descaradas(como a quebra do Sigilo Fiscal) e agora ao fundamentalismo religioso (tratando do aborto) jogara essas eleições em uma encruzilhada entre o passado e o futuro.

É o que há de pior no Tea Party em uma sociedade onde 80% das mídias são Fox News (mídia de ultra direita que dá espaço ao Tea Party nos EUA).

Marina Silva em poucos dias dirá ao Brasil qual dos candidatos ela indicará aos seus eleitores o voto. Não é pouca coisa a sua decisão, não acredito que Marina Silva tenha qualquer mínima dimensão do que está em jogo para o país, caso contrário já estaria na rua fazendo declarações fortes contra essa mobilização da ultra direita brasileira através da candidatura de José Serra.

Isso é grave. O que Marina Silva definirá poderá mudar o rumo do país, a ameaça é muito grande. No fundo ela definirá se entrará na lista triste lista de crápulas políticos que arruinaram o país: Joaquim Silvério dos Reis (aquele que traiu Tiradentes), Filinto Müller (aquele que traiu e perseguiu Luis Carlos Prestes) e Lacerda (aquele que traiu o comunismo, perseguiu os trabalhadores e derrubou a democracia).

Ou definirá assumir a postura que teve Luis Carlos Prestes que apoiara Getúlio Vargas mesmo sabendo que ele havia autorizado o envio de sua mulher grávida para a morte no regime nazista. E porque ele fez isso? Porque estava convicto que entre as alternativas era o Getúlio naquele momento o melhor para os trabalhadores no Brasil. Você entende isso, Marina Silva? Percebe essa grandeza? Consegue compreender e captar a magnanimidade dessa atitude?

Marina Silva declarou abertamente que serviu como quinta coluna do Serra, ao afirmar que seu papel foi quebrar o plebiscito, isto é, levar para o segundo turno uma campanha pautada em baixarias, calúnias, factóides e descarado favorecimento das mídias dominantes em favor do Serra. Muitas vezes encampou nas calúnias, coisa que o Plínio de Arruda Sampaio, mesmo muito atrás nas pesquisas, em nenhum momento avalizou. Lamentavelmente, passou toda a campanha desqualificando a candidata do partido que fez parte mais de 3 décadas, e só em breves momentos atacou um candidato que sabia estar sendo protegido da mídia que buscava não enfrentar.

Marina Silva, você, combatente social, uma das companheiras de Chico Mendes, a tanto tempo militando com os trabalhadores, a tanto tempo lutando pelas grandes causas, pela justiça social, temos que lhe acusar: você foi até agora nessa campanha covarde, pérfida e desleal. Você nos traiu, os trabalhadores que sempre estiveram a seu lado, em troca de algumas carícias com a mídia dominante. Você que tanto defendemos, nos traiu.

No entanto, agora, está em suas mãos escolher a rendição ou redenção. A rendição total a classe dominante que você tem plena clareza que apenas a usará para seus propósitos, ou na melhor das hipóteses, a premiará nababescamente pela sua traição as causas populares, ou se redimir com os setores mais progressistas do país. Essa é uma decisão sua e de mais ninguém nesse país, nem mesmo do seu partido que sabe que todos os votos que recebera são méritos totalmente seus. Está em suas mãos a escolha entre a dedicação de toda uma vida pela causa dos trabalhadores ou a mera vingança rancorosa de alguém que foi preterida no governo e na candidatura de seu ex-partido.

Marina Silva, olhando para você eu ainda consigo acreditar, apesar de tudo até agora. Não consigo imaginar, me tomando como exemplo, que tudo aquilo que você viveu em seu pobreza e em sua militância possa ter apagado, apesar de que em nossa história a síndrome de Silvério dos Reis não só é comum como é devastadora.

Caso a tragédia ocorra elegendo um declarado reacionário, saiba que recairá completamente sobre sua responsabilidade, já que sua posição no primeiro e segundo turno teve peso decisivo para o resultado. Não é suficiente sua imparcialidade, não é suficiente seu apoio, não é suficiente sua declaração. Precisamos de você de corpo e alma para que a ameaça de um regime reacionário seja fortemente rechaçada do país. Está em suas mãos… escolha o seu lado, os dominantes ou os oprimidos. Nesse momento não há terceira opção, a imparcialidade é a conivência.

Quando os nazistas cresceram eles dependeram de muitas vacilações como essa, você sabe, conhece a história. Todas suas críticas ao PT e Dilma, mesmo as mais pessoais, até mesmo egocêntricas, são legítimas, mas seu silêncio ou traição jamais serão! Não seja mais um Silvério dos Reis em nossa história.

Written by ocommunard

15 de outubro de 2010 at 12:56

Publicado em Reflexão

Esquerdistas, uní-vos!

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É lamentavel que estamos vendo impotentes o surgimento do talebanismo brasilieiro com a campanha medieval de Serra que busca destruir o Estado laico em nome de um espúrio aproveitamento eleitoral da calúnia religiosa. É inacreditável que mesmo em jornais francamente comprados por Serra não tenham nenhum escrúpulo iluminista, liberal, racionalista ou ocidental contra essa abominável prática reacionária. É lamentável, é mais do que lamentável, é uma ameaça para o nosso futuro político.

Infelizmente, percebo que todas as hortes do conservadorismo religioso estão em franca mobilização, usando e abusando dessa pútrida e perigosa estratégia eleitoral alimentanda pelo PSDB sem que haja qualquer reação dos setores progressista das igrejas, seja católica ou evangélica. Os setores progressista da igreja católica, que sempre estiveram a frente das grandes causas sociais, estão criminosamente omissos.

Intelectuais, sindicatos, movimentos sociais, juristas, acadêmicos, estudantes, trabalhadores, artistas, toda a sociedade organizada está petrificada sob esse olhar de medusa. O governo atual foi criminosamente omisso porque rasgou bandeiras históricas, desmobilizou a sociedade organizada para agradar o grande capital e não criou nenhum esforço palpável de democratização midiática, nos tornando alvos fáceis do cartel ideológico do PSDB.

Mas estamos aqui e agora, e temos que reagir. Em nosso horizonte a sombra da extrema-direita regiliosa, militar, midiática, como a Opus Dei, TFP, Clube Militar, Veja conspiram abertamente em uma  avalanche de calúnias terroristas que só tem paralelo na história brasileira no suicídio de Vargas e no golpe contra Jango. Enquanto, todos os setores progressistas estão sileciosos, demobilizados e omissos.

Inadimissível partidos de esquerdas como o PSOL se omitam. Partidos que sempre colocal a causa acima da máquina eleitoral agora se omitem por não enxergarem nenhum lucro político no combate ao avanço da ultra-direita.

A grande e incansável intelectual Marilena Chauí, por seu manifesto, ainda que abafado pela grande mídia conservadora, demonstrou com sua coragem e impetuosidade o exemplo, a manifestação, fora os blogs, são um outro meio de furar o bloqueio midiático pró-Serra. Cada email difamatório deve ser respondido com respostas objetivas, sucintas e diretas a cada calúnia. Temos que agir rápido antes que, mesmo não levando Serra a vitória, esse reacionarismo crie raízes na sociedade brasileira, fortalecendo uma ameaça golpista futura.

O governo de centro-esquerda queimou suas próprias bandeiras, foi omisso, foi vacilante, e simplesmente não nos ofereceu nenhum meio de comunicação pelo qual pudéssemos nos defender e balancer pelo menos em condições de igualdade contra essa maré difamatória. A democracia está ameaçada, temos de dar toda a nossa energia, cada segundo de nossas vidas, cada ato, cada momento, para evitar a destruição de todo o esforço progressista desde a redemocratização do país.

A campanha centro-esquerdista tem de se dar uma mensagem clara e inequívoca, o que será decisivo para levantar os ânimos de todos os setores progressistas contra essa avalanche reacionária e a contribuição de Ciro Gomes em parte supre isso: é ser contundente, claro e forte. Sair do “paz e amor”, mas não no palanque, mas na campanha eleitoral, na comunicação de massa.

Tem de denunciar vigorosamente o que há de mais flagrante e terrível na campanha de Serra, o reacionarismo. Fazer paralelos históricos com outros momentos no Brasil e no mundo, fazer paralelos internacionais como com o Tea Party e o crescimento da ultra-direita europeia. Mostrar como em outros países o avanço dessa ultra-direita é vista como uma ameaça a própria civilização, já que para a mídia dominante embolsada por Serra*, o avanço da ultra-direita não só não é criticada como ainda é celebrada… tudo em nome do projeto que prometerá muitos mensalões para a mídia*.

* Mesalão da Mídia
http://oneoproletario.wordpress.com/2010/09/22/o-mensalao-da-midia/

Written by ocommunard

10 de outubro de 2010 at 22:49

Publicado em Reflexão