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Porque Serra não quer a vitória de Alckimin

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Tudo começou em 2006, quando Alckmim com seus 8 anos governando o estado mais rico do país, usou e abusou de tal poder para destruir as pretenções do Serra de sair candidato no momento mais propício para ele, em plena campanha midiática do mensalão – talvez a sua melhor chance de chegar ao objetivo que declara “ter se preparado por toda a vida”. Alckmin usou as armas legítimas de um tucano: bastidores, influência e dinheiro; mas o Serra não o perduaria, para ele política é algo pessoal.

Sua vingança se inicia logo depois de eleito governador, o aparelhamento total com o afastamento dos alckimistas de todo o estado e partido. Em seguida, vai cooptando todas as mídias, regada a verbas publicitárias e descarado favorecimento. Mas a vingança ficou escancarada mesmo nas eleições para a capital de São Paulo, onde Serra financiou, apoiou e levou a vitória o seu inexpressivo vice Kassab contra Alckmin, candidato do próprio partido. Esse foi o ato máximo de poder de Serra e o maior golpe contra Alckmin. O alckimismo foi dizimado e Alckmin foi banido.

Um Alckmin banido e humilhado fez diversas romarias suplicando por uma secretaria, Serra negou todas. Já visando o ano eleitoral e convencido de já ter esvaziado as influências Alckimistas no PSDB, o adota no governo para posar de agregador. Erro fatal, enquanto Serra almejava mais uma vez o seu vice Goldman, agora um tucano, para o suceder – Alckmin já havia costurado nos bastidores sua candidatura ao governo.

Serra ensaiou uma reação, mas alertado pelos unificadores em nome do bem maior, a presidência, se deixou seduzido pelas pesquisas que o colocavam como imbatível. Nesse momento estava concentrando suas forças ocultas contra a candidatura de Aécio que teimava mesmo com as pesquisas pouco esparançosas, Serra vendo que o tempo estava contra ele, mobiliza seus jagunços midiáticos para encerrar a contenda, logo em seguida começa a pipocar notícias contra Aécio e em duas semanas ele joga a toalha, em represália rejeita em absoluto ser vice.

Aécio era a única chance real do PSDB. Serra já começava a campanha em seu teto, só tinha espaço para cair. Já Aécio subiria em todas as pesquisas, colocando a campanha petista em permanente pressão, isso sem falar que conseguiria convencer que não era anti-Lula.

A única preocupação de Serra no momento era vencer em primeiro turno, o que ocorreu adiante, nós sabemos, foi uma revolução nas pesquisas de opinião. A popularidade do governo foi para uma candidata que a oposição de direita chamava de poste e cujo o ultra-experiente Serra derrotaria facilmente.

Agora, aonde a única certeza é que Serra vai perder e de modo acachapante, o antes onipontente vai ter que enfrentar no dia seguinte as eleições um FHC rancoroso por tê-lo ignorado, um Alckmin vingativo por tê-lo perseguido e um Aécio furioso por tê-lo sabotado; além de uma avalanche de processo por suas calúnias que soltou nas eleições, além dos escândalos que brotarão das páginas do revelador livro Nos Porões da Privataria.

É aí que surge a ameaça maior de Serra: a vitória de Alckmin. Alckmin eleito irá reaparelhar todo o estado em suas mãos, como fez Serra; se tornará a maior figura da oposição do país, pois o Aécio pertence a uma ala conciliadora ao PT; além de tentar inviabilizar como fez contra ele, a candidatura de Serra para a prefeitura da capital.

Dilma vencendo, Serra perde apenas a presidência. Alckmin vencendo, Serra perde o Instituto Millenium, todo o poder midiático-econômico-ideológico que representa São Paulo demotucano. Isto é, a maior e mais potente arma que restou ao PSDB, sobretudo ao PSDB banido nas urnas de 2010. O casamento da mídia com os alckimistas verterá em sangue a vingança de Alckmin, somado ao mal estar de Serra ter exaltado Lula, o personagem mais odiado pela mídia paulista elitista(Veja,Folha e Estadão).

O fato é simples, se Alckmin perde: a mídia permanece  serrista, o PSDB paulista permanece sob as rédeas de Serra, ele permanece como a maior figura da oposição e suas pretenções políticas estão asseguradas.

Caso contrário, só restará ao Serra a prefeitura de São Paulo, pois se caso o PSDB tiver chances na presidência de 2014, o Alckmin imporá o seu nome como fez em 2006, e isso Alckmin usará os bastidores para garantir que seu vice, e não o Serra, seja o sucessor – tal como sofreu em 2008.

Se os tucanos não tiverem chances reais em 2014, mas Alckmin tiver boa aprovação, Alckmin abrirá mão da presidência ao Serra. Esse cenário é complexo ainda, pois Serra teria que mais uma vez não concluir o mandato de prefeito (caso eleito) e ser uma quase inevitável derrotado na sua 3a tentativa frustrada a cadeira presidencial.

Mas mesmo a prefeitura será difícil. Muito provavelmente Ciro Gomes será candidato, o único capz de rebater os ataques do Serra com a mesma intensidade. Alckmin com certeza, por vingança, ou atrapalhará ou não ajudará em nada o desafeto. E se alguém da mídia serrista cobrar dele engajamento, ele responderá no mesmo tom que respondeu Serra quando era cobrado para apoiá-lo em 2008.

Aécio é de outro PSDB, um PSDB conciliador, não só pela aproximação de Aécio com Lula, mas também pelo fato de Dilma ser mineira. O bastião da oposição de direita é São Paulo, a pátria da revista Veja. Por isso, não se assustem se o Estadão, Folha de S. Paulo, Veja e Globo começarem a fazer campanha em favor de Mercadante. Isso tudo tem uma lógica muito própria do tipo de política que Serra representa.

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Written by ocommunard

17 de setembro de 2010 às 16:01

Publicado em Reflexão

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