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Políticas, economias e ideologias

Archive for setembro 2010

Os 16 anos tucanos em São Paulo

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Depois de 16 anos de governo em São Paulo, os tucanos merecem uma avaliação. Será que há paulistas que conseguem ver o mundo em sua volta além das páginas da Revista Veja?

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POLÍTICAS PÚBLICAS

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POLÍTICAS AMBIENTAIS

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POLÍTICAS SOCIAIS

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POLÍTICA CULTURAL

Written by ocommunard

27 de setembro de 2010 at 16:49

Publicado em Reflexão

Contra ofensiva democrática contra um novo 1964!

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Nunca imaginei que a história do golpe de 1964 se repetiria no Brasil, e ainda de maneira tão literal e farsesca, exatamente todos os passos e discursos, agora na boca daqueles que naquele momento eram alvos do golpe militar. Tudo pela mesquinha vergonha de uma derrota eleitoral acachapante, tudo por se demonstrarem mau perdedores. Eles querem se vingar do povo roubando seu poder, a democracia. Em 1964 foi assim…

Temos urgentemente que concentrarmos e mobilizarmos todas as forças que ainda detemos para imediatamente apagar esse perigo, para evitarmos as hesitações de Jango que acabou viabilizando o golpe de 1964. Não podemos mais cairmos nos mesmos erros por apenas confiarmos nas forças que agora detemos, ignorar a ameaça futura que essa mobilização golpista pode desencadear. Não podemos ceder nem um centímetro, tudo está em jogo! Temos grandes forças do nosso lado, é hora de mobilizarmos essas forças enquanto as temos, antes que seja tarde demais.

ELEIÇÃO SE GANHA NO VOTO! CONTRA O GOLPISMO DA MÍDIA TUCANA!
CONTRA O UDENISMO TUCANO DE GLOBO, VEJA, ESTADÃO E FOLHA !

I – Articulação social
– militância: mobilizar totalmente a militância, toda! de todos os partidos coligados para engajar cotidianamente pela campanha, todas as energias internas dos partidos devem ser posta em movimento, com todo o empenho.
– sociedade organizada: todos os sindicatos, movimentos, estudantes, ongs devem se mobilizar em manifestações cotidianas, depois da jornada, contra o golpe midiático; colocando faixas “1964 nunca mais!”, “O poder é do povo”, “contra a baixaria eleitoral”, “Abaixo o terrorismo eleitoral!”, “Eleição se ganha no voto!”, “Abaixo o udenismo!”.
– estimular os eleitores, 51%, para que coloquem bandeiras vermelhas, e dessa forma usar uma propaganda expontânea social que terá um efeito em cadeia incrível… essa bandeira em cada janela será um contra-peso contra a onipresença da tv, com uma vantagem, a bandeira na janela é um ato de convicção expontânea, tem um impacto maior como propaganda, como publicidade, como comunicação política.

II – Articulação civil
– um abaixo assinado de todos os intelectuais, juristas, artistas, figuras internacionais, contra o udenismo na mídia denunciando sobretudo o encontro no Clube da Aeronáutica com o discurso francamente golpista do candidato José Serra, ele chegou a tratar de uma “República Sindicalista”, que foi o mote do golpe de 1964.
– conclamar as outras mídias de massa a não embarcarem na campanha da Globo, Veja, Estadão e Folha que são a ponta de lança dos factóides tucanos sobre a suposta ameaça a liberdade de expressão;
– conclamar as mídias na internet a entrarem na campanha contra o “udenismo tucano”.

III – Articulação política
– chamar o PSDB as falas, sobretudo o mentor FHC, para que cessem com a campanha golpista, e que caso contrário, que eles tenham consciência das conseqüências, porque nós não assistiremos parados. As conseqüências será uma guerra civil, Lula não é Jango, e não repetiremos a hesitação de Jango.
– chamar todos os partidos da esquerda e o PV para que entre no movimento suprapartidário pela campanha “eleição se ganha no voto”, para que assinem o abaixo assinado contra o “udenismo” e descarado favorecimento tucano praticado pelas quatro maiores famílias: Folha, Estadão, Veja e Globo.
– indicar ao PIG que o Lula irá usar todo seu prestígio internacional para denunciar a conspiração das grandes mídias contra ele, que está se formando no Brasil um novo golpe hondurenho

Marx dizia, citando Hegel, que os grandes momentos da história sempre se repetem, mas a primeira como tragédia e a segunda como farsa. Tudo indica que esse novo 1964 é uma farsa, mas não podemos nos dar ao luxo de pagar para ver, o Bonaparte II, em que Marx citava como paródia do primeiro no exemplo da farsa, teve um custo de sangue alto para a sociedade francesa.

Apelo para que todos os progressistas do país lutem para banir completamente não só a ação golpista, mas a prática golpista, para que nunca mais tenhamos que nos submeter a ela – nunca mais. Espero que os partidos de esquerda assumam a sua responsabilidade, assim como Marina Silva, que infelizmente está demonstrando uma profunda sordidez oportunista.

Written by ocommunard

23 de setembro de 2010 at 13:26

Publicado em Política

Pesquisa identifica ‘esquerdizaçao’ dos americanos

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Uma pesquisa de opinião pública realizada pelo Conselho de Assuntos Globais de Chicago, EUA, revela que em geral a maioria dos estadunidenses se opõe a ações militares contra o Irã e se mostra a favor de um enfoque mais imparcial com respeito à paz no Oriente Médio.

A pesquisa demonstra que menos de um quinto dos estadunidenses apoiaria um ataque dos Estados Unidos contra o Irã caso esse país continue desenvolvendo seu programa nuclear.

Por outro lado, 66 % dos entrevistados afirmam que desejam que os Estados Unidos mantenham uma posição neutra no conflito entre Israel e a Palestina.

Segundo o Conselho de Assuntos Mundiais de Chicago, a pesquisa compilou os seguintes dados sobre diferentes assuntos:

Nove de cada dez estadunidenses pensam hoje que é mais importante para o futuro dos Estados Unidos solucionar os agudos problemas internos para somente depois abordar os desafios dos Estados Unidos no exterior. Há uma diminuição no apoio às bases militares dos EUA no Japão (-8%), Alemanha (-7%), Iraque (-7%), Turquia (-7%) e Afeganistão (-5%) em comparação com 2008.

Somente a quarta parte dos estadunidenses pensa que o país desempenha um papel mais importante e poderoso como líder mundial hoje em comparação com dez anos atrás, uma forte queda em comparação com 2002.

Mais de dois terços dos estadunidenses pensa que o fato de que países como a Turquia e o Brasil se tornem mais independentes dos Estados Unidos na condução de sua política externa, é algo positivo porque serão menos dependentes dos Estados Unidos.

Os estadunidenses veem poucas oportunidades para a política dos EUA em relação ao Irã se este continua com seu programa de armas nucleares. Somente 18% consideram que os Estados Unidos deveriam levar a cabo um ataque militar contra as instalações de energía nuclear do Irã nas condições atuais.

A esmagadora maioria crê que um ataque militar traria como resultado mais ataques de grupos hostis aos Estados Unidos e ataques de represália contra objetivos dos EUA. no Oriente Médio.

A maioria dos estadunidenses pensa que se Israel bombardear instalações nucleares iranianas, o Irã vai adotar represálias contra Israel, e os dois entrarão em guerra. Consideram que os Estados Unidos não devem pôr suas forças militares do lado de Israel e contra o Irã, e que deve manter uma posição neutra com respeito à Palestina.

51% crêem que a maioria dos muçulmanos são como qualquer outro grupo religioso, e portanto é possível encontrar um terreno comum e os conflitos violentos entre as civilizações não é inevitável.

Apesar disso, 45% dos entrevistados disseram que devido às tradições religiosas, sociais e políticas, os muçulmanos são incompatíveis com os costumes ocidentais, pelo que os conflitos violentos entre as duas civilizações são inevitáveis, um aumento de 18 pontos percentuais desde 2002.

Numa enorme diferença em comparação com 2006, 67% dos estadounidenses agora entendem que a China empresta mais dinheiro aos Estados Unidos do que estes à China. Em 2006, quando a questão foi formulada pela última vez, este percentual era de apenas 24%. 51% dos estadunidenses consideram esta dívida como uma ameaça crítica à segurança nacional.

Written by ocommunard

22 de setembro de 2010 at 19:00

Publicado em Cultura

O mensalão da mídia !!!

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No Diário Oficial do governo de São Paulo na gestão Serra, foi descoberto o maior esquema de compra de órgãos de imprensa já registrado na história da república. É o fato que comprova a total cumplicidade das grandes mídias e a candidatura do tucano José Serra nessas eleições: em destaque Veja, Globo, Folha e Estadão. O esquema aparentemente tinha por missão desgastar o governo Lula para atrapalhar a sua sucessão, mas agora age como tropa de choque para desgastar a candidata petista, enquanto encobre ou dá pouco espaço a notíciais que atinjam a candidatura tucana.

Veja alguns desses contratos encontrado no Diário Oficial do governo tucano:

27/maio/2010
Contrato: 15/00548/10/04
– Empresa: Editora Brasil 21 Ltda.
– Objeto: Aquisição de 5.200 Assinaturas da “Revista Isto É” – 52 Edições – destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 365 dias
– Valor: R$ 1.203.280,00
– Data de Assinatura: 18/05/2010

28/maio/2010
Contrato: 15/00545/10/04
– Empresa: S/A. O ESTADO DE SÃO PAULO
– Objeto: Aquisição de 5.200 assinaturas do Jornal “o Estado de São Paulo” destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 365 dias
– Valor: R$ 2.568.800,00
– Data de Assinatura: 18/05/2010.

29/maio/2010
Contrato: 15/00547/10/04
– Empresa: Editora Abril S/A
– Objeto: Aquisição de 5.200 assinaturas da Revista “VEJA” destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São de Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 365 dias
– Valor: R$ 1.202.968,00
– Data de Assinatura: 20/05/2010.

8/junho/2010
Contrato: 15/00550/10/04
– Empresa: Empresa Folha da Manhã S.A.
– Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas anuais do jornal “Folha de São Paulo” para as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 365 dias
– Valor: R$ 2.581.280,00
– Data de Assinatura: 18-05-2010.

11/junho/2010
Contrato: 15/00546/10/04
– Empresa: Editora Globo S/A.
– Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas da Revista “Época” – 43 Edições, destinados as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 305 dias
– Valor: R$ 1.202.968,00

A maior beneficiada no esquema foi a editora Abril, que é proprietária do maior seminário do país, a Revista Veja. Não por acaso é o órgão de imprensa que mais ataca o governo Lula e mantém permanentemente capas destrutivas contra a candidatura petista.

– DO [Diário Oficial] de 23 de outubro de 2007. Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às escolas da rede estadual. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos especial da secretaria declara ’inexigível licitação, pois se trata de renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola’.

– DO de 29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da assinatura: 14/03/2008.

– DO de 23 de abril de 2008. Editora Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30 dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.

– DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00. Data da assinatura: 23/07/2008.

– DO de 22 de outubro de 2008. Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data daassinatura: 08/09/2008.

– DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.

– DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009.

– DO de 17 de abril de 2009. Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura: 09/04/2009.

– DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.

– DO de 16 de junho de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura: 10/06/2009.
Negócios de R$ 34,7 milhões.

Somente a revista Veja e mais 4 “pedagógicas” foram responsáveis pelo assalto de mais de 34 milhões dos cofres públicos dos contribuintes paulistas. A revista Nova Escola, que está sob investigação do Ministério Público Estadual, tem 1/4 de suas vendas na conta do governo Serra, são 220 mil assinatural que engordaram em mais de R$ 3,7 milhões os caixas da editora Abril.

O esquema ardioloso não só tem como função aparelhar os meios de comunicação regados com dinheiro público, como ainda através da própria compra distribuir nas escolas essas imprensa aparelhadas. Isto é, não se trata apenas de aparelhar os maiores meios de comunicação do país, mas de usar o sistema escolar para disseminar publicações tendenciosas como propaganda política disfarçada de noticiário, sobretudo, como arma de difamação contra adversários políticos.

Enquanto as mídias atacam hipocritamente o PT e o governo Lula acusando de ameaçar a imprensa e querer controlá-la, distorcendo a proposta de controle social da mídia que é uma cláusula constitucional e estava presente no PNAD do governo FHC – vemos que na verdade estão na verdade fazendo a defesa de seu atual controle, o controle tucano – e o povo paulista está ainda tendo que pagar para sofrer lavagem cerebral. Absurdo?

Quem na grande mídia romperá o silêncio e denunciará esse crime político hediondo?

Fonte: Diário Oficial do governo de São Paulo

Créditos (em resposta a solicitação de Jofre Roldão):
NaMariaNews
Blog do Miro
http://blogdadilma.blog.br/

Written by ocommunard

22 de setembro de 2010 at 18:45

Reservas em dólar hoje, um delírio suicida…

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Brasil deve urgentemente se livrar de suas reservas em dólar, porque se existe algo que é certo ocorrer no horizonte da economia americana, é a necessária desvalorização do dólar para recuperar a competitividade americana e combater sua trágica condição fiscal. As chances de uma alternativa a esse fato, que seria a valorização da moeda chinesa, já foi tentada advogando o máximo de pressão que a ‘comunidade internacional’, ou melhor, EUA, se mobilizou. Não conseguiu nenhum efeito palpável… a China não vai sacrificar sua economia para salvar a americana.

Mas não é só isso… o dólar já vem numa tragetória permanente de queda que está forçando a valorização do real, o que também levou a China a criticar a condução monetária americana. China é o maior detentor de reservas em dólar do mundo.

A desvalorização do dólar vai significa diretamente um assalto direto as reservas em dólar em todas as economias do mundo, é como se o EUA por meio de um artifício financeiro cobrasse um imposto ao mundo, e cujo mundo não pode fazer nada, pois a moeda é nacional.

O Brasil deve ter que tomar a dianteira, mesmo que moderada, de substituição de nossas reservas, a melhor alternativa é o ouro. Não se trata de retornar ao padrão-ouro aonde a moeda passe a ter seu lastro em determinada quantidade de tal metal, a curto prazo se trata de proteger as nossas reservas de uma desvalorização do dólar que é eminente e incontornável. Se a China tomar a dianteira, frente a suas grandes reservas, ou mesmo qualquer outro país, o impacto sobre nossas reservas será desastroso, podendo ainda afetar os índices de risco-país e a estabilidade econômica nos setores da economia real.

Temos que correr contra o tempo. Até as pedras sabem que a desvalorização do dólar não ocorre, como ocorrerá de modo muito mais dramática. Basta apenas que um dos países que detém reserva em dólar faça um movimento brusco para substituí-la por outra moeda ou divisa, isso vai gerar um efeito manada que provocará um desastre econômico nas economias retardatárias.

O fato de que o dólar está em crise permanente e prestes a afundar no abismo, e somado ao fato que não há nenhuma outra moeda que possa assumir a posição do dólar, o Euro hoje está em piores condições que o dólar, a possibilidade do retorno ao padrão-ouro que foi o padrão aplicado na fase áurea do crescimento mundial, entre 1929 a 1970, se torna cada vez mais viável. O fim do padrão-ouro apenas criou um grande cassino através da especulação cambial por retirar qualquer lastro material ao dólar. O padrão-ouro pode até não ser o novo modelo monetário que vigorará quando após o último suspiro do neoliberalismo no mundo, mas com certeza a quebra do dólar é um fato inegável, eminente e inevitável.

Written by ocommunard

19 de setembro de 2010 at 16:08

Publicado em Reflexão

Porque Serra não quer a vitória de Alckimin

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Tudo começou em 2006, quando Alckmim com seus 8 anos governando o estado mais rico do país, usou e abusou de tal poder para destruir as pretenções do Serra de sair candidato no momento mais propício para ele, em plena campanha midiática do mensalão – talvez a sua melhor chance de chegar ao objetivo que declara “ter se preparado por toda a vida”. Alckmin usou as armas legítimas de um tucano: bastidores, influência e dinheiro; mas o Serra não o perduaria, para ele política é algo pessoal.

Sua vingança se inicia logo depois de eleito governador, o aparelhamento total com o afastamento dos alckimistas de todo o estado e partido. Em seguida, vai cooptando todas as mídias, regada a verbas publicitárias e descarado favorecimento. Mas a vingança ficou escancarada mesmo nas eleições para a capital de São Paulo, onde Serra financiou, apoiou e levou a vitória o seu inexpressivo vice Kassab contra Alckmin, candidato do próprio partido. Esse foi o ato máximo de poder de Serra e o maior golpe contra Alckmin. O alckimismo foi dizimado e Alckmin foi banido.

Um Alckmin banido e humilhado fez diversas romarias suplicando por uma secretaria, Serra negou todas. Já visando o ano eleitoral e convencido de já ter esvaziado as influências Alckimistas no PSDB, o adota no governo para posar de agregador. Erro fatal, enquanto Serra almejava mais uma vez o seu vice Goldman, agora um tucano, para o suceder – Alckmin já havia costurado nos bastidores sua candidatura ao governo.

Serra ensaiou uma reação, mas alertado pelos unificadores em nome do bem maior, a presidência, se deixou seduzido pelas pesquisas que o colocavam como imbatível. Nesse momento estava concentrando suas forças ocultas contra a candidatura de Aécio que teimava mesmo com as pesquisas pouco esparançosas, Serra vendo que o tempo estava contra ele, mobiliza seus jagunços midiáticos para encerrar a contenda, logo em seguida começa a pipocar notícias contra Aécio e em duas semanas ele joga a toalha, em represália rejeita em absoluto ser vice.

Aécio era a única chance real do PSDB. Serra já começava a campanha em seu teto, só tinha espaço para cair. Já Aécio subiria em todas as pesquisas, colocando a campanha petista em permanente pressão, isso sem falar que conseguiria convencer que não era anti-Lula.

A única preocupação de Serra no momento era vencer em primeiro turno, o que ocorreu adiante, nós sabemos, foi uma revolução nas pesquisas de opinião. A popularidade do governo foi para uma candidata que a oposição de direita chamava de poste e cujo o ultra-experiente Serra derrotaria facilmente.

Agora, aonde a única certeza é que Serra vai perder e de modo acachapante, o antes onipontente vai ter que enfrentar no dia seguinte as eleições um FHC rancoroso por tê-lo ignorado, um Alckmin vingativo por tê-lo perseguido e um Aécio furioso por tê-lo sabotado; além de uma avalanche de processo por suas calúnias que soltou nas eleições, além dos escândalos que brotarão das páginas do revelador livro Nos Porões da Privataria.

É aí que surge a ameaça maior de Serra: a vitória de Alckmin. Alckmin eleito irá reaparelhar todo o estado em suas mãos, como fez Serra; se tornará a maior figura da oposição do país, pois o Aécio pertence a uma ala conciliadora ao PT; além de tentar inviabilizar como fez contra ele, a candidatura de Serra para a prefeitura da capital.

Dilma vencendo, Serra perde apenas a presidência. Alckmin vencendo, Serra perde o Instituto Millenium, todo o poder midiático-econômico-ideológico que representa São Paulo demotucano. Isto é, a maior e mais potente arma que restou ao PSDB, sobretudo ao PSDB banido nas urnas de 2010. O casamento da mídia com os alckimistas verterá em sangue a vingança de Alckmin, somado ao mal estar de Serra ter exaltado Lula, o personagem mais odiado pela mídia paulista elitista(Veja,Folha e Estadão).

O fato é simples, se Alckmin perde: a mídia permanece  serrista, o PSDB paulista permanece sob as rédeas de Serra, ele permanece como a maior figura da oposição e suas pretenções políticas estão asseguradas.

Caso contrário, só restará ao Serra a prefeitura de São Paulo, pois se caso o PSDB tiver chances na presidência de 2014, o Alckmin imporá o seu nome como fez em 2006, e isso Alckmin usará os bastidores para garantir que seu vice, e não o Serra, seja o sucessor – tal como sofreu em 2008.

Se os tucanos não tiverem chances reais em 2014, mas Alckmin tiver boa aprovação, Alckmin abrirá mão da presidência ao Serra. Esse cenário é complexo ainda, pois Serra teria que mais uma vez não concluir o mandato de prefeito (caso eleito) e ser uma quase inevitável derrotado na sua 3a tentativa frustrada a cadeira presidencial.

Mas mesmo a prefeitura será difícil. Muito provavelmente Ciro Gomes será candidato, o único capz de rebater os ataques do Serra com a mesma intensidade. Alckmin com certeza, por vingança, ou atrapalhará ou não ajudará em nada o desafeto. E se alguém da mídia serrista cobrar dele engajamento, ele responderá no mesmo tom que respondeu Serra quando era cobrado para apoiá-lo em 2008.

Aécio é de outro PSDB, um PSDB conciliador, não só pela aproximação de Aécio com Lula, mas também pelo fato de Dilma ser mineira. O bastião da oposição de direita é São Paulo, a pátria da revista Veja. Por isso, não se assustem se o Estadão, Folha de S. Paulo, Veja e Globo começarem a fazer campanha em favor de Mercadante. Isso tudo tem uma lógica muito própria do tipo de política que Serra representa.

Written by ocommunard

17 de setembro de 2010 at 16:01

Publicado em Reflexão

A vocação democrática da imprensa brasileira

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Os mesmas oligarquias midiáticas com suas manchetes logo após o golpe militar de 1964, percebam a euforia de um certo jornal O Globo, um pequeno jornal impresso que durante a ditadura se tornaria um império das comunicações na América Latina.

“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.

Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada …”
(O Globo – Rio de Janeiro – 4 de Abril de 1964)

“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali acorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas (…), formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade”.
(O Estado de Minas – Belo Horizonte – 2 de abril de 1964)

“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”
(O Dia – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”
(Tribuna da Imprensa – Rio de Janeiro – 2 de Abril de 1964)

“A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”
(Editorial de O Povo – Fortaleza – 3 de Abril de 1964)

“Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade … Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”
(Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 1º de Abril de 1964)

“Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República …O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”
(Correio Braziliense – Brasília – 16 de Abril de 1964)

“Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas. Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento”
(A Razão – Santa Maria – RS – 17 de Abril de 1964)

“Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se. Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o País, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”.
(Editorial do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 31 de Março de 1973)

“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”.
(O Globo”, edição de 07 de outubro de 1984, sob o título: “Julgamento da Revolução”)

“Só há uma coisa a dizer ao Sr. João Goulart: Saia!”
(Editorial do Correio de Manhã – Rio de Janeiro – 01 de Abril de 1964)

“dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições.”
(Estado de São Paulo – São Paulo – 01 de Abril de 1964)

“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada”(…) “atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso… as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal”.
(O Globo – Rio de Janeiro – 02 de Abril de 1964)

“Feliz a nação que pode contar com corporações militares de tão altos índices cívicos”.
(Estado de Minas – Belo Horizonte – 05 de Abril de 1964)

“PONTES DE MIRANDA diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la!”
(Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – 06 de Abril de 1964)

Written by ocommunard

15 de setembro de 2010 at 20:49

Publicado em Reflexão