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Políticas, economias e ideologias

Por uma retumbante vitória da centro-esquerda

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Aqui não analisarei “sociologicamente”, o país é o que é hoje porque vive um grande momento de avanço social e tudo o mais é expressão disso. Aqui quero falar apenas da comunicação do governo nessa campanha.

O que deve ser mantido

– essa boa dosagem de emoção e razão, é simplesmente genial
– a relação de parceria e sucessão entre Lula e Dilma; nada a adicionar. Está bem dosada até agora, sem exagero nem omissão.
– a mais forte idéia dessa campanha: “para o Brasil seguir mudando”. É, de certa forma, abrange o perfil conservador(dos que não querem mudar) e transformador(dos que querem mudar), condensada na idéia “para o Brasil seguir mudando”, o continuísmo do mudancismo. Genial.

abrange o perfil conservador(dos que não querem mudar) e transformador(dos que querem mudar), condensada na idéia “para o Brasil seguir mudando”, o continuísmo do mudancismo. Genial.


A forte idéia do Brasil para todos

– regionalismos: aparecer as regiões através dos sotaques, focar a classe média de sotaque de cada região, por ela representar a maioria e a nova classe média da era Lula, e por ela ser uma espécie de meio-termo de todas as classes.

– concentrar esforços em São Paulo e Sul. Depois de fazer um giro por todos os sotaques, mostrar ‘casos’ mais detalhados de paulistas e sulistas dos avanços do governo Lula.

– quebrar o discurso da “porta de saída” do Bolsa Família, não só apresentando o programa “Próximo Passo” (genial), mas afirmando que ao garantir a criança na escola, garante a criança a melhor porta de saída para ela, a educação.

quebrar o discurso da “porta de saída” do Bolsa Família, não só apresentando o programa “Próximo Passo” (genial), mas afirmando que ao garantir a criança na escola, garante a criança a melhor porta de saída para ela, a educação.


Pragmatismo mas com idealismo!

– permear o idealismo e esperança típica da aura petista como essência de todas as conquistas, não deixar que as conquistas econômicas apareçam tucanizadas como resultado da ‘gestão’, mas com esse viés de conquista política, como vitória da luta por uma sociedade melhor, dos ideários do PT. Nada aconteceria sem antes a “esperança ter vencido o medo”, que venceu o medo foi o Brasil. Isso foi feito, mas foi pouco.

– a expressão “a esperança vence o medo” é fundamental nessa altura da campanha, quando o terrorismo tucano vai ser intensificado depois de abandonada a fase do “serrinha paz e amor”.

Grandes imagens, grandes idéias

– colocar as mobilizações estudantis contra a ditadura, como identidade política de Dilma, esse é o passado que Dilma deve apresentar, porque dá a ela uma identidade própria, e sua imagem de mulher forte se une a de uma força contra a ditadura e a favor da democracia. O passado de Dilma deve ser a da combatente contra a ditadura, a que lutou, a que resistiu… e as imagens das passeatas, da juventude daquela época fará a melhor comunicação possível dessa identidade.

– paralelamente mostrar o Lula na época das greves, do sindicalismo, como ele sendo uma outra frente pela mesma batalha, pela democracia. Para reforçar a idéia de que já alí, cada um em sua área, já lutavam por um mesmo país, politicamente democratico, socialmente justo e economicamente forte.

– reforçar a grande vitória de 2002, a imagem da posse é muito forte, sobretudo da população comemorando. Apresentar que o sonho daquela geração se concretizara na vitória de 2002. Ela apareceu na campanha, mais foi pouco aproveitada em toda sua força. Com essa imagem reforçada, a vitória de 2010 vai embalar o mesmo entusiasmo.

– apresentar os artistas (sobretudo o Chico Buarque, que é emblemático) que apóiam as transformações que o país vive (isso é mais importante do que apoiar diretamente o nome da Dilma), para assim concluir que o voto em Dilma é a certeza de que o país seguirá mudando, de que esse bom momento continuará e melhorará ainda mais.

– Mas sempre frisar que, o papel de revelo é dos próprios trabalhadores, não cair no “culto a celebridade”. É fazer com que as conquistas sejam defendidas pelos próprios trabalhadores por serem deles próprios. Apresentar o governo apenas como expressão e resultado de todas essas lutas, como a vitória máxima de um processo histórico com vários personagens e lutas. Isso emociona mais, e isso comunica muito melhor o que de fato representa para todos o impacto histórico e social do governo do operário.

É fazer com que as conquistas sejam defendidas pelos próprios trabalhadores por serem deles próprios.


Paternalismo vs emancipação

– rejeitar paternalismos e maternalismos, e substituir pela imagem de mobilização social através do apoio de líderes sindicais, estudantis e camponeses. Reforçar a idéia de que a centro-esquerda é uma conquista e ousadia do próprio trabalhador, que é meramente expressão dessa auto-emancipação, da ousadia do trabalhador votar em si mesmo, em alguém como ele. Fazer com o que o trabalhador defenda a sua própria vitória.

– ao mostrar a sociedade mobilizada, com os líderes sindicais(simbolizando o trabalhador), os líderes estudantis(representando a juventude) e as líderes feministas(com Maria da Penha, representando as mulheres), líderes da Contag(representando o pequeno agricultor), líderes das pastorais da criança(representando a igreja católica e a defesa das crianças) e do MST(para mostrar que não traiu a reforma agrária. E, para não desagradar a centro-direita, apresentar empresários e latifundiários apoiando o governo. Reforça mais uma vez a idéia forte de um “Brasil de todos”.

que é meramente expressão dessa auto-emancipação, da ousadia do trabalhador votar em si mesmo, em alguém como ele. Fazer com o que o trabalhador defenda a sua própria vitória.


Tática e estratégia

A crescente da Dilma gera um círculo virtuoso que a cada avanço nas pesquisas agrega novas adesões políticas que gera novos avanços nas pesquisas. No entanto, na perspectiva governista, 49% é abaixo dos seus potenciais 78% de simpatizantes eufóricos do governo, fora os 18% que acham o governo regular, devem estar sempre na perspectiva da luta eleitoral da centro-esquerda. Podemos mais, bem mais…

É importante, por isso, concentrar as idéias principais da campanha nas propagandas parciais durante o dia reforçando: o avanço econômico, a justiça social e a emancipação política(muito importante, reforçar o governo como vitória do trabalhador brasileiro). E uma imagem que dose emoção(esperança, idealismo) e razão(obras e resultados), o que nesse aspecto fizeram muito bem até agora.

Inclusive, a imagem de trabalhador deve priorizar a diversidade como a imagem de brasileiro. O trabalhador é o operário, engenheiro, professor, gari, gerente, isto é: todos. O ‘brasileiro’ é o nordestino, nortino, o sulista, o paulista, o carioca, etc. Isto é, reforçar a grande idéia de todo o governo Lula: ‘BRASIL, UM PAÍS DE TODOS’. Isso é realmente forte, e isso se comunica diretamente com o sentimento dos brasileiros. E é a grande marca do governo petista, da era Lula.

Mas a centro-esquerda precisa vencer ainda em três pontos: São Paulo, Santa Catarina e no parlamento. Para vencer no parlamento poderia apostar numa alternativa corajosa, sair da campanha onde cada candidato fala por si, para uma onde cada candidato fala pelo partido, pedindo o voto no partido, o voto no 13 (e não no seu número em particular).

Como tática de comunicação seria fortíssima, o número 13 é mais fácil de decorar frente aos muitos candidatos dessa eleição. É mais fácil colar a imagem do Lula ao número 13 em todos os candidatos, isto é, seria a forma mais eficiente de transferir a popularidade de Lula para garantir um forte parlamento governista. E nessa eleição são 2 senadores, Senado este que foi o principal impedimento as grandes reformas. Virtualmente Dilma já venceu no executivo, mas precisa garantir o legislativo. Sem isso, pode sofrer uma grande vitória de Pirro. É, portanto, fundamental reforçar a campanha eleitoral legislativa.

No entanto, na perspectiva governista, 49% é abaixo dos seus potenciais 78% de simpatizantes eufóricos do governo

Virtualmente Dilma já venceu no executivo, mas precisa garantir o legislativo. Sem isso, pode sofrer uma grande vitória de Pirro. É, portanto, fundamental reforçar a campanha eleitoral legislativa.


Para avançar em São Paulo

Vencer em São Paulo seria a extinção do tipo de direita golpista que imperou durante 2002-2010 tentando derrubar cotidianamente o governo Lula. Seria o modo de vencer democraticamente contra os que agiram anti-democraticamente contra o governo mais popular de nossa história. É uma vitória que o Brasil almeja, merece e precisa, uma justiça histórica! Enterrar de vez o neoliberalismo no país seria o apogeu de todo legado do primeiro governo de esquerda do país. Enquanto houver um tucano governando São Paulo, a centro esquerda não completará a sua vitória. E acho o Lula, mais do que a Dilma, deve ser o catalizador desse processo.

Dilma já está na frente em São Paulo, porque o Mercadante ainda não, mesmo tendo mais experiência eleitoral? É claramente falha de comunicação da campanha e dele. Como? Eis minhas modestas sugestões:

– Reforçar os comício em frente das fábricas, a força política do ato de alguém que retorna as origens reforçaria o caráter coerente e corajoso. Além do que, seria um legítimo cabo eleitoral, já que ele veio do sindicalismo, foi um operário.

– Destucanizar Mercadante. Sair de seu discurso tecnocrático. Se ele é a mudança, como vai convencer com um discurso tão parecido?

– Desconstruir o discurso de ‘bom gestor’ dos tucanos. Há tanta imagem para provar o descalabro tucano que não dá para acreditar que o Mercadante não tenha mais de 80%. Vejamos, area social: miséria, repressão das greves, greves mil, etc. Segurança: basta reprisar o PCC e muitas reportagens policiais. Saúde: as longas filas. Política: alternância de poder, discurso neoliberal, etc.

– Mote: desconstruir o discurso tucano é provar que toda sua popularidade é fundamentada em propaganda. Como provar isso? Apresentando amultimilionária verba publicitária dos governos tucanos. A do desgoverno Serra foi maior do que a do governo Lula, mesmo tendo a união 70% da arrecadação!

– Romper as armadilhas tucanas

-> Defender o dinheiro público para garantir a Copa em São Paulo. Acusar a motivação política dos tucanos de tirar São Paulo da Copa (foi o Lula que conquistou). Provar que a perda da Copa se deve a uma imagem neoliberal, contrária ação do Estado. E que essa linha foi derrotada no Brasil com o êxito do governo Lula e no Mundo com a crise financeira internacional. Afirmando que hoje o presidente do FMI é um socialista.

-> O anti-dossiê. Usar as acusações de dossiês dos tucanos como forma dos tucanos de desviar do debate, de encobrir seu desgoveno.

-> Toda vez que alguém critica o governo tucano, Alckimin diz que é criticar São Paulo – atacar essa estratégia afirmando que os tucanos estão tão acostumado com o poder que acham que o governo tucano é o próprio estado.

-> Plínio provou que um discurso mais forte tem sim grande força eleitoral

desconstruir o discurso tucano é provar que toda sua popularidade é fundamentada em propaganda. Como provar isso? Apresentando a multimilionária verba publicitária dos governos tucanos. A do desgoverno Serra foi maior do que a do governo Lula, mesmo tendo a união 70% da arrecadação!


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Written by ocommunard

27 de agosto de 2010 às 13:19

Publicado em Eleições

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