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Políticas, economias e ideologias

Contribuições para Dilma no debate da Band

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Não se pode dizer que esse debate seja crucial para Dilma, isso seria mais correto para qualquer um dos três oponentes, como o Serra que está caindo permanentemente, como Marina que estacionou nos 10% e Plinio que é a sua grande chance, os debates, já que tem pouco tempo de tv. Também concordo que o que mais ameaça a Dilma é a Marina e o Plínio, já que a campanha midiática pró-Serra já expõe claramente seus argumentos em tempo real nos últimos 16 anos, o que facilita a construção das respostas. Eu nem diria Marina, já que Marina parece mais com uma versão Green Peace do Serra.

Plínio só foi convidado para ser uma força extra contra Dilma, todo mundo sabe. E ele, infelizmente, apesar de toda a experiência, se prestará a esse papel como todo ex-petista, ao invés de se apresentar como uma alternativa mais radical, ao invés disso repetirá a cantilena de que Dilma e Serra são iguais, apesar que dentro da sua lógica só pode roubar os votos da Dilma, por ela representar algo mais próximo a ele. Serão, portanto, 3 candidaduras contra 1.

No entanto, os argumentos de Dilma são consistentes, não há muito o que mudar frente ao debate com Serra e Marina, que como ela disse, já foi demasiadamente treinada com o tratamento que recebeu da imprensa. De Plínio, é importante reforçar os avanços, ainda que comedidos, na área da educação, saúde e segurança – e reforçar a tese de que: “as mudanças seguem o rítmo reformista, se o povo brasileiro escolher uma revolução, a sua tese está correta”. Essa resposta é fundamental para não desagradar nem gregos nem troiano dentro da aliança de centro-esquerda, essa resposta afirma a moderação da aliança ao mesmo tempo que confirma o compromisso de esquerda que lidera a aliança, não atacando as pretensões radicais de Plínio – algo que o Serra terá de fazer. E deixando para a decisão democrática da população escolher entre a via reformista da centro-esquerda representada por ela, e a via revolucionária da ultra-esquerda representada por Plínio.

Aliás, reforçar o discurso do Plínio é estratégico, já que ele representa o antagonismo extremo ao pensamento de Serra, o que também impedirá a dobradinha entre eles. Não só estratégico no debate, mas para a esquerda, já que será um momento oportuno para difundir os ideais que só a radicalidade da candidatura do Plínio poderia fazer, enfraquecendo a ideologia direitista na população. Isso quebrará parte do antagonismo do próprio Plínio, ao receber apoio a suas políticas ainda que deixe claramente que a decisão recai para a democracia a escolha da via reformista representada por ela, que também busca os mesmos objetivos(mais igualdade e mais independência), e a via revolucionária representada por ele. Dilma tem de provar ao Plínio de que, não só ela representa algo muito diferente do Serra, como representa algo muito parecido com ele.

Ao mesmo tempo, formará um paradigma político dentro do debate que acuará ao Serra, o que provavelmente o fará reforçar seu conservadorismo ou partir para algo mais progressista. De um ou de outro modo ele causará um grave impacto negativo em seus eleitores, seja perdendo sua base conservadora, seja perdendo sua base progressista. A Marina seguirá batendo na tecla do ambientalismo.

Não concordo com Brizola Neto de que cabe repetir a fórmula “Lula é Dilma, Dilma é Lula”. O que é mais importante é afirmar que tudo que vem ocorrendo nos últimos anos tem apenas na candidatura da Dilma uma continuidade, e essa continuidade, como diz o slogam da campanha, não é apenas manter o que já foi conquistado, é manter o ritmo de conquistas, isto é, “para o Brasil seguir mudando”. O que vai continuar são as mudanças, não apenas estacionar no que já mudou. Esse é o ponto central, é aí que os 80% de aprovação de Lula se transforma em votos em Dilma. E porque Serra não continuará? Porque o PSDB já governou 8 anos esse país – e o resultado foi o inverso alcançado pelo PT no poder.

É importante também frisar o governo de “centro-esquerda”, do que o “governo Lula”. Isso é algo mais pedagógico politicamente, e frisa o compromisso com as mudanças. Lula deve ser retratado como alguém de “centro-esquerda”. A despersonalização é importante para a Dilma possa parecer como parte do governo, como responsável pelas políticas que realizaram as mudanças. A personalização isola o governo no nome do Lula, já a partidarização ou politização do governo ressalta a equipe, equipe essa que Dilma foi a grande coordenadora, é aí que ela entra, é aí que ela ganha voto. Além de já se defender de críticas de culto a personalidade que com certeza virá de Plínio, cria condições para herdar o legado do governo altamente popular.

Nas respostas, que devem ser curtas, devem seguir a seguinte linha: para Serra a comparação (por isso a despersonalização é importante, para que Serra não se descole de FHC); para Marina reforçar nossa matriz energética, que é uma das mais verdes do mundo; para Plínio concordar com suas metas mas defender outros meios. Essa tática, a meu ver, a transformará em vencedora retumbante do debate, de resto a Dilma já provou ser muito capaz, e acredito que ela, de qualquer forma, brilhará nesse debate.

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Written by ocommunard

5 de agosto de 2010 às 12:09

Publicado em Reflexão

Uma resposta

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  1. Olá,
    se quiser colocar um banner do Plínio de Arruda Sampaio no seu blog, segue uma opção:

    Fabio

    8 de agosto de 2010 at 0:56


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