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Políticas, economias e ideologias

Archive for agosto 2010

O impostor e o impostômetro: comédia, farsa ou chanchada?

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O candidato da “elite da elite”, José Serra, em mais um episódio tragicômico que simboliza mais uma vez a decadência sem freios da direita brasileira, quis criar um “fato político” responsável pela sua suposta grande virada: o ato-denúcia dos 8 bilhões em arrecadação do Impostômetro. Percebam que está incluso aqui todas as esferas federativas(união, estado e município), mas o ato tinha intenção política manifesta de acusação contra o governo centro-esquerdista, até porque estamos falando de um candidato a presidência pela oposição. O que  era para ser uma epopéia midiática pró-Serra, se transformara em comédia quando o protagonista – o Impostômetro – travou, para logo em seguida se tornar farsa com a histeria midiática para encobrir o vexame, e em seu “terceiro ato” declamar uma típica jabuticaba de nossa direita: a chanchada ideológica anti-tributária.

O Serra acenando ao ar esperando o Impostômetro como quem espera uma virada nas pesquisas. Pobre Serra, será que ele ainda pensa que está em 2002? E de que mesmo lá ele perdeu? O Brasil mudou, e o Serra ainda vive num panorama político que no final das contas saiu derrotado.

Os comitês do Serra – Folha de S. Paulo, Estadão, Veja e Globo – correram esbaforidos para encobrir o pastelão de seu candidanto gritando e culpando a figura imaginária do hacker petista. Mesmo tendo o serrista Afif informado que a queda foi no Paraná (um estado ainda tucano). E  que os únicos ataques de hackers (que se denominaram hackers tucanos) ocorridos nessa campanha foi justamente contra o PT (salvo algumas exceções). Acho que foram os mesmos hackers tucanos que ao entrarem no site do Impostômetro, perceberam que era o governo de São Paulo e o governo de Minas Gerais, ambos, que lideravam o ranking!!!

Mas a questão é menos superficial que isso… já que isso já daria pano suficiente para muitas mangas. Não é o ato cômico de Serra com cara de bolacha ‘esperando Godot’. E nem é também o ato farsesco das mídias serristas correndo para encobrir a vergonha culpando o ‘espectro vermelho’. A questão em si é a chanchada do combate aos impostos embandeirada pelo demotucanato  e o PIG.

Qual é o partido que mais agita essa bandeira senão o DEM? E quem não se lembra do aumento do IPTU feito pelo então entitulado Taxab? E mais, quando o demotucanato estiveram na presidência a carga tributária foi de 29,46% (1994) para 35,53% do PIB (2002) e a dívida pública de 30,2% (1994) para 55,9% do PIB (2002) [1][2].

Alias, abrindo um parênteses, e o mensalão do DEM, cadê? Mesmo com prisões, videos e condenações reais! Esse não existe para o PIG, mas o mensalão do PT de 2002 que levou o Roberto Jefferson a perder o mandato por não ter provas, esse sim é recozido todos os dias no caldeirão difamatório do PIG.

Sobre a hipocrisia do tema da carga tributária, FHC chegou a afirmar quando questionado sobre a expansão dela em seu governo: “Ué, distribua melhor. Como vai ter um Estado moderno, em um país pobre, sem tributo?” [1]

Heim? Mesmo com tal declaração, mesmo de fato tendo aumentando bem acima do governo Lula a arrecadação, gasto e carga tributária: é contra o Lula que o PIG grita [3]. A intenção deles é fazer uma espécie de bloqueio econômico interno do tipo que faz o EUA contra Cuba; para assim, levar o governo sem recursos para um retumbante fracasso, para enfim implodir o governo esquerdista, derrubar o operário no poder. Mas isso falhou tanto em Cuba, aonde há o bloqueio, quanto no Brasil, aonde o bloqueio não funcionou. Quem é o Serra para usar o impostômetro como ato político quando no site do Impostômetro é justamente no estado aonde os tucanos governam a 16 anos é líder no ranking? Governo que ele governou! Com isso, só restarão duas saídas: ou afirmar que quanto maior o PIB, maior a arrecadação… esvaziando a crítica do impostômetro e a transformando em elogio. Ou terão que ir para a carga tributária, aonde o FHC leva uma surra do Lula. Por isso, para o PIG, só lhe resta o apelo a burrice, a ignorância e o fanatismo.

A crítica ao gasto é ainda mais idiota. Se um maior gasto de governo representa uma gestão pior, então a UE e os EUA a vários séculos são muito piores que o Brasil, piores que qualquer país africano, piores até mesmo que o arrasado país de Honduras. Claro, um governo gasta o que arrecada, e arrecada o que tem (PIB). Aí de novo caímos na carga tributária, e nesse quesito o governo Lula vence FHC e o pedagismo do Serra, isto é, o pedágio é o modo escamoteado de Serra aumentar a carga tributária.

Afora o cinismo reacionário, é fato que não temos uma carga tributária de país desenvolvido, e se quisermos se transformar em um teremos de ter. Um modo de retardar esse fato incontornável seria aumentando a arrecadação com um crescimento robusto, assim, aconselho aos capitalistas se quiserem continuar vivendo em um país com inclusão social sem revolução, que não percam o seu tempo com babaquices como o impostômetro, mas participando proativamente no CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social) com propostas concretas para estimular o crescimento econômico brasileiro.

Capitalistas, esse é o chamado trabalhista: enriqueçam com um país mais rico, não com um Estado mais pobre! E se quiserem arriscar seu futuro apostando nas conspirações golpistas de Serra no “Clube da Aeronáutica” ou Gilmar Mendes, ou PIG, assumam as conseqüências irreversíveis de tal ato. A consciência trabalhista já foi plantada, ela permanecerá como trabalhista ou avançará como socialista. O trabalhismo, mesmo com suas claras limitações, é a única via socialmente pacífica para o desenvolvimento do Brasil, isto é fato tanto no trabalhismo clássico quanto o neotrabalhismo petista.

Ficar calculando a arrecadação e confundir com carga tributária é coisa típica do cinismo tucano que está nessas eleições em vias de extinção.

[1] http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1547300-EI6579,00.html
[2] http://www.newton.freitas.nom.br/artigos.asp?cod=65
[3] http://portalexame.abril.com.br/economia/noticias/lula-defende-carga-tributaria-brasil-565818.html

Written by ocommunard

31 de agosto de 2010 at 14:55

Publicado em Eleições

Por uma retumbante vitória da centro-esquerda

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Aqui não analisarei “sociologicamente”, o país é o que é hoje porque vive um grande momento de avanço social e tudo o mais é expressão disso. Aqui quero falar apenas da comunicação do governo nessa campanha.

O que deve ser mantido

– essa boa dosagem de emoção e razão, é simplesmente genial
– a relação de parceria e sucessão entre Lula e Dilma; nada a adicionar. Está bem dosada até agora, sem exagero nem omissão.
– a mais forte idéia dessa campanha: “para o Brasil seguir mudando”. É, de certa forma, abrange o perfil conservador(dos que não querem mudar) e transformador(dos que querem mudar), condensada na idéia “para o Brasil seguir mudando”, o continuísmo do mudancismo. Genial.

abrange o perfil conservador(dos que não querem mudar) e transformador(dos que querem mudar), condensada na idéia “para o Brasil seguir mudando”, o continuísmo do mudancismo. Genial.


A forte idéia do Brasil para todos

– regionalismos: aparecer as regiões através dos sotaques, focar a classe média de sotaque de cada região, por ela representar a maioria e a nova classe média da era Lula, e por ela ser uma espécie de meio-termo de todas as classes.

– concentrar esforços em São Paulo e Sul. Depois de fazer um giro por todos os sotaques, mostrar ‘casos’ mais detalhados de paulistas e sulistas dos avanços do governo Lula.

– quebrar o discurso da “porta de saída” do Bolsa Família, não só apresentando o programa “Próximo Passo” (genial), mas afirmando que ao garantir a criança na escola, garante a criança a melhor porta de saída para ela, a educação.

quebrar o discurso da “porta de saída” do Bolsa Família, não só apresentando o programa “Próximo Passo” (genial), mas afirmando que ao garantir a criança na escola, garante a criança a melhor porta de saída para ela, a educação.


Pragmatismo mas com idealismo!

– permear o idealismo e esperança típica da aura petista como essência de todas as conquistas, não deixar que as conquistas econômicas apareçam tucanizadas como resultado da ‘gestão’, mas com esse viés de conquista política, como vitória da luta por uma sociedade melhor, dos ideários do PT. Nada aconteceria sem antes a “esperança ter vencido o medo”, que venceu o medo foi o Brasil. Isso foi feito, mas foi pouco.

– a expressão “a esperança vence o medo” é fundamental nessa altura da campanha, quando o terrorismo tucano vai ser intensificado depois de abandonada a fase do “serrinha paz e amor”.

Grandes imagens, grandes idéias

– colocar as mobilizações estudantis contra a ditadura, como identidade política de Dilma, esse é o passado que Dilma deve apresentar, porque dá a ela uma identidade própria, e sua imagem de mulher forte se une a de uma força contra a ditadura e a favor da democracia. O passado de Dilma deve ser a da combatente contra a ditadura, a que lutou, a que resistiu… e as imagens das passeatas, da juventude daquela época fará a melhor comunicação possível dessa identidade.

– paralelamente mostrar o Lula na época das greves, do sindicalismo, como ele sendo uma outra frente pela mesma batalha, pela democracia. Para reforçar a idéia de que já alí, cada um em sua área, já lutavam por um mesmo país, politicamente democratico, socialmente justo e economicamente forte.

– reforçar a grande vitória de 2002, a imagem da posse é muito forte, sobretudo da população comemorando. Apresentar que o sonho daquela geração se concretizara na vitória de 2002. Ela apareceu na campanha, mais foi pouco aproveitada em toda sua força. Com essa imagem reforçada, a vitória de 2010 vai embalar o mesmo entusiasmo.

– apresentar os artistas (sobretudo o Chico Buarque, que é emblemático) que apóiam as transformações que o país vive (isso é mais importante do que apoiar diretamente o nome da Dilma), para assim concluir que o voto em Dilma é a certeza de que o país seguirá mudando, de que esse bom momento continuará e melhorará ainda mais.

– Mas sempre frisar que, o papel de revelo é dos próprios trabalhadores, não cair no “culto a celebridade”. É fazer com que as conquistas sejam defendidas pelos próprios trabalhadores por serem deles próprios. Apresentar o governo apenas como expressão e resultado de todas essas lutas, como a vitória máxima de um processo histórico com vários personagens e lutas. Isso emociona mais, e isso comunica muito melhor o que de fato representa para todos o impacto histórico e social do governo do operário.

É fazer com que as conquistas sejam defendidas pelos próprios trabalhadores por serem deles próprios.


Paternalismo vs emancipação

– rejeitar paternalismos e maternalismos, e substituir pela imagem de mobilização social através do apoio de líderes sindicais, estudantis e camponeses. Reforçar a idéia de que a centro-esquerda é uma conquista e ousadia do próprio trabalhador, que é meramente expressão dessa auto-emancipação, da ousadia do trabalhador votar em si mesmo, em alguém como ele. Fazer com o que o trabalhador defenda a sua própria vitória.

– ao mostrar a sociedade mobilizada, com os líderes sindicais(simbolizando o trabalhador), os líderes estudantis(representando a juventude) e as líderes feministas(com Maria da Penha, representando as mulheres), líderes da Contag(representando o pequeno agricultor), líderes das pastorais da criança(representando a igreja católica e a defesa das crianças) e do MST(para mostrar que não traiu a reforma agrária. E, para não desagradar a centro-direita, apresentar empresários e latifundiários apoiando o governo. Reforça mais uma vez a idéia forte de um “Brasil de todos”.

que é meramente expressão dessa auto-emancipação, da ousadia do trabalhador votar em si mesmo, em alguém como ele. Fazer com o que o trabalhador defenda a sua própria vitória.


Tática e estratégia

A crescente da Dilma gera um círculo virtuoso que a cada avanço nas pesquisas agrega novas adesões políticas que gera novos avanços nas pesquisas. No entanto, na perspectiva governista, 49% é abaixo dos seus potenciais 78% de simpatizantes eufóricos do governo, fora os 18% que acham o governo regular, devem estar sempre na perspectiva da luta eleitoral da centro-esquerda. Podemos mais, bem mais…

É importante, por isso, concentrar as idéias principais da campanha nas propagandas parciais durante o dia reforçando: o avanço econômico, a justiça social e a emancipação política(muito importante, reforçar o governo como vitória do trabalhador brasileiro). E uma imagem que dose emoção(esperança, idealismo) e razão(obras e resultados), o que nesse aspecto fizeram muito bem até agora.

Inclusive, a imagem de trabalhador deve priorizar a diversidade como a imagem de brasileiro. O trabalhador é o operário, engenheiro, professor, gari, gerente, isto é: todos. O ‘brasileiro’ é o nordestino, nortino, o sulista, o paulista, o carioca, etc. Isto é, reforçar a grande idéia de todo o governo Lula: ‘BRASIL, UM PAÍS DE TODOS’. Isso é realmente forte, e isso se comunica diretamente com o sentimento dos brasileiros. E é a grande marca do governo petista, da era Lula.

Mas a centro-esquerda precisa vencer ainda em três pontos: São Paulo, Santa Catarina e no parlamento. Para vencer no parlamento poderia apostar numa alternativa corajosa, sair da campanha onde cada candidato fala por si, para uma onde cada candidato fala pelo partido, pedindo o voto no partido, o voto no 13 (e não no seu número em particular).

Como tática de comunicação seria fortíssima, o número 13 é mais fácil de decorar frente aos muitos candidatos dessa eleição. É mais fácil colar a imagem do Lula ao número 13 em todos os candidatos, isto é, seria a forma mais eficiente de transferir a popularidade de Lula para garantir um forte parlamento governista. E nessa eleição são 2 senadores, Senado este que foi o principal impedimento as grandes reformas. Virtualmente Dilma já venceu no executivo, mas precisa garantir o legislativo. Sem isso, pode sofrer uma grande vitória de Pirro. É, portanto, fundamental reforçar a campanha eleitoral legislativa.

No entanto, na perspectiva governista, 49% é abaixo dos seus potenciais 78% de simpatizantes eufóricos do governo

Virtualmente Dilma já venceu no executivo, mas precisa garantir o legislativo. Sem isso, pode sofrer uma grande vitória de Pirro. É, portanto, fundamental reforçar a campanha eleitoral legislativa.


Para avançar em São Paulo

Vencer em São Paulo seria a extinção do tipo de direita golpista que imperou durante 2002-2010 tentando derrubar cotidianamente o governo Lula. Seria o modo de vencer democraticamente contra os que agiram anti-democraticamente contra o governo mais popular de nossa história. É uma vitória que o Brasil almeja, merece e precisa, uma justiça histórica! Enterrar de vez o neoliberalismo no país seria o apogeu de todo legado do primeiro governo de esquerda do país. Enquanto houver um tucano governando São Paulo, a centro esquerda não completará a sua vitória. E acho o Lula, mais do que a Dilma, deve ser o catalizador desse processo.

Dilma já está na frente em São Paulo, porque o Mercadante ainda não, mesmo tendo mais experiência eleitoral? É claramente falha de comunicação da campanha e dele. Como? Eis minhas modestas sugestões:

– Reforçar os comício em frente das fábricas, a força política do ato de alguém que retorna as origens reforçaria o caráter coerente e corajoso. Além do que, seria um legítimo cabo eleitoral, já que ele veio do sindicalismo, foi um operário.

– Destucanizar Mercadante. Sair de seu discurso tecnocrático. Se ele é a mudança, como vai convencer com um discurso tão parecido?

– Desconstruir o discurso de ‘bom gestor’ dos tucanos. Há tanta imagem para provar o descalabro tucano que não dá para acreditar que o Mercadante não tenha mais de 80%. Vejamos, area social: miséria, repressão das greves, greves mil, etc. Segurança: basta reprisar o PCC e muitas reportagens policiais. Saúde: as longas filas. Política: alternância de poder, discurso neoliberal, etc.

– Mote: desconstruir o discurso tucano é provar que toda sua popularidade é fundamentada em propaganda. Como provar isso? Apresentando amultimilionária verba publicitária dos governos tucanos. A do desgoverno Serra foi maior do que a do governo Lula, mesmo tendo a união 70% da arrecadação!

– Romper as armadilhas tucanas

-> Defender o dinheiro público para garantir a Copa em São Paulo. Acusar a motivação política dos tucanos de tirar São Paulo da Copa (foi o Lula que conquistou). Provar que a perda da Copa se deve a uma imagem neoliberal, contrária ação do Estado. E que essa linha foi derrotada no Brasil com o êxito do governo Lula e no Mundo com a crise financeira internacional. Afirmando que hoje o presidente do FMI é um socialista.

-> O anti-dossiê. Usar as acusações de dossiês dos tucanos como forma dos tucanos de desviar do debate, de encobrir seu desgoveno.

-> Toda vez que alguém critica o governo tucano, Alckimin diz que é criticar São Paulo – atacar essa estratégia afirmando que os tucanos estão tão acostumado com o poder que acham que o governo tucano é o próprio estado.

-> Plínio provou que um discurso mais forte tem sim grande força eleitoral

desconstruir o discurso tucano é provar que toda sua popularidade é fundamentada em propaganda. Como provar isso? Apresentando a multimilionária verba publicitária dos governos tucanos. A do desgoverno Serra foi maior do que a do governo Lula, mesmo tendo a união 70% da arrecadação!


Written by ocommunard

27 de agosto de 2010 at 13:19

Publicado em Eleições

E agora, seu Zé?

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E agora, seu Zé?

A farsa acabou
O índio pirou
O Data-Falhou
O pig minguou
E agora, seu Zé?
E agora, você?

Você que é sem rosto
Que zomba do povo
Você que faz guerra
Que mente e inVeja
E agora, seu Zé?

Está sem recurso
Está sem discurso
Está sem pedágio
Ja não pode bater
Já não pode ceder
Cuspir já não pode
E agora, seu Zé?

A Cureau esfriou…
E a virada não veio
E o povo não veio
E não veio a pesquisa
E a Míriam acabou
E o Mainardi fugiu
E o Jabor mofou
E agora, Zé-Zé?

Sua falsa favela
Sua cara de Hebe
Seu Lula de bolso
Sua careca de vidro
Sua malidicência
Seu trololó – e agora?

Com a mídia na mão
Quis se passar de Lula
Lula já não passará
Quis nos jogar o medo
Mas a esperança venceu
Quis ir para Minas
Aécio não há mais
Oh Zé, e agora?

Mesmo se gritasse
Mesmo se gemesse
Mesmo se cantasse
a Eliane Cantanhêde
Mesmo se valesse
o que você prometesse
Mesmo se morresse
Mas você não sobe
Você é falso, José!

Abandonado no muro
sem Arthur ou Tasso
Sem factóide qualquer
para se encostar
Sem um Gilmar Mendes
que lhe faça o golpe

Você murcha, José!
José, vai pra longe!

Written by ocommunard

25 de agosto de 2010 at 3:10

Publicado em Humor

Pesquisas eleitorais, uma análise crítica…

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O diagnóstico do comitê de campanha do Serra(PIG) sobre sua sucessiva queda é a de que faltaria agressividade em sua campanha, de que ele deve sair do discurso pós-lulista, de que deve retornar ao terrorismo reacionário anti-FARCs, anti-MST, anti-sindical, anti-chavista, anti-esquerda, etc. Mas analisemos friamente os números…

O diagnóstico do comitê de campanha do Serra(PIG) sobre sua sucessiva queda é a de que faltaria agressividade em sua campanha, de que ele deve sair do discurso pós-lulista, de que deve retornar ao terrorismo reacionário (…).

Segundo o Ibope, o governo Lula tem 78% de bom/ótimo, 18% de regular e 4% de ruim/péssimo. Isto é, a militância da mídia anti-petista corresponde a 4% – seria o eleitorado direto do Serra. Enquanto os 18% seriam um campo de disputa. Disponível diretamente ao discurso opositor estariam 22% (18+4), um segmento que seria concorrido ainda por todos os outros candidatos alternativos a candidatura governista.

Disponível diretamente ao discurso opositor estariam 22% (18+4), um segmento que seria concorrido ainda por todos os outros candidatos alternativos (…).

É importante frisar que essa aprovação do governo foi conquistada com 8 anos de permanente, feroz e facciosa oposição midiática, que arrebanhou apenas 4% da população.

Os 78% são uma potencial reserva eleitoral da candidatura de Dilma, isto é, qualquer resultado eleitoral governista abaixo desse valor é responsabilidade da fraca comunicação governista, pois são 78% de eleitores franco apoiadores do governo que ela representa. Cada voto a menos que esse patamar é fracasso da comunicação petista, não da tucana – um diagnóstico que a oposição midiática anti-petista não admite.

Os 78% são uma potencial reserva eleitoral da candidatura de Dilma. (…) Cada voto a menos que esse patamar é fracasso da comunicação petista, não da tucana- um diagnóstico que a oposição midiática anti-petista não admite.

O lulismo de Serra é sua única chance – ainda que agrida frontalmente a militância das mídias colossais que o apóia. Mas para Serra esse apoio é eleitoralmente descartável, insignificante e até perigoso. Não só tem de se afastar da oposição ao Lula, com deve até mesmo afagá-lo, engrandecê-lo, viementemente. Ele precisa desesperadoramente não ser o candidato dos 4% sob a pena de receber a maior derrota eleitoral de seu partido. E estamos falando do maior cacique tucano da atualidade, da candidatura mais eleitoralmente forte da oposição (segundo as próprias pesquisas).

Ele precisa desesperadoramente não ser o candidato dos 4% sob a pena de receber a maior derrota eleitoral de seu partido.

Serra, não podendo se apresentar como governista(como Dilma), tem de rebolar para ser convincente na imagem de um lulista maior que a Dilma. Para tal, tem antes de personificar no Lula toda aprovação ao governo petista. Aqui Lula tentará fazer o inverso, transformar a conquista do governo petista em um trabalho de equipe. Por outro lado, a idolatria lulista vai criar úlceras na mídia serrista. A antropormofismo do governo petista, serveria ao Serra também para o separar do FHC. Só depois disso, lutaria para se apropriar do lulismo, agora transformado em algo totalmente individualizado, independente de partido, governo e equipe. Em outras palavras, o culto a personalidade de Lula pelo Serra deve estrapolar ao limite do razoável da própria campanha governista, essa é a única bala que lhe resta. No entanto, essa estratégia não menos que massacra impiedosamente todo o bordado ideológico custurado nos últimos 8 anos pelas mídias conservadoras anti-esquerdistas.

(…) o culto a personalidade de Lula pelo Serra deve estrapolar ao limite do razoável da própria campanha governista, essa é a única bala que lhe resta.

Imaginem a revista Veja, fanática opositora a tudo que tenha o carimbo do Lula, reproduzindo elogiosamente um discurso de Serra rasgadamente elogioso ao Lula! Como se comportariam os leitores mais fiéis a revista? Claro, para a Veja e o Serra, o poder vem antes do escrúpulo, mas será que a Veja não teme perder seu rebanho anti-esquerdista tão assiduamente doutrinado em 8 anos de governo bem sucedido da centro-esquerda?

mas será que a Veja não teme perder seu rebanho anti-esquerdista tão assiduamente doutrinado em 8 anos de governo bem sucedido da centro-esquerda?

Esse é um termor da Veja e da aliança midiática conservadora. O termor do Serra é outro: é perder essas eleições de um modo arrasadoramente humilhante, ameaçando até sua sobrevivência política. É por essa razão que o Estadão, por exemplo, dá tanto espaço ao vice do Serra, Índio da Costa, que faz o papel de anti-petista, preservando o Serra desse papel suicida e preservando o Estadão seu próprio discurso. No entanto, o Serra está entre a cruz e a espada, entre assumir o papel midiático-reacionário se opondo ao triunfante petismo e o papel lulista-antimidiático se afastando de seus maiores apoiadores, está entre perder as mídias e perder as eleições.

O termor do Serra é outro: é perder essas eleições de um modo arrasadoramente humilhante, ameaçando até sua sobrevivência política

Entre as muitas polêmicas levantadas pelo comitê midiático pró-Serra, uma sempre se destaca: a desqualificação de pesquisas que não favoreçam o Serra. Apesar de que a mais atacada Vox Populi sempre acabar indicando o que as outras indicam mais cedo ou mais tarde, só as urnas dirão quem esteve mais próximo da verdade: a Vox Populi ou a DataFolha. E se a Vox Populi for nas urnas a voz do povo, o que será do DataFolha? Terá o mesmo destino do Serra ou mesmo destino de seus correligionários midiáticos? Para a centro esquerda nisso tudo já se sente bem recompensada em ver tudo aquilo que a mídia tucana atacou por 8 anos, inclusive o Lula, sem defendido por seu candidato presidencial sem meias palavras.

Para a centro esquerda nisso tudo já se sente bem recompensada em ver tudo aquilo que a mídia tucana atacou por 8 anos, inclusive o Lula, sem defendido por seu candidato presidencial sem meias palavras.

Written by ocommunard

18 de agosto de 2010 at 16:18

Publicado em Política

Jabor, j’accuse!

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Bóia nas marés da web um suposto comentário de Arnaldo Jabor que teria sido supostamente “censurado” pelo TSE, e que segundo uma suposta paráfrase de Dora Kramer, afirmaria que ” a decisão do TSE que determinou a retirada do comentário de Arnaldo Jabor do site da CBN, a pedido do presidente ’Lula’ até pode ter amparo na legislação eleitoral, mas fere o preceito constitucional da liberdade de imprensa e de expressão, configurando-se, portanto, um ato de censura”. Isto é, ela afirma que algo ilegal deve ser admitido pelo Tribual Superior Eleitoral em nome da “liberdade de imprensa”, talvez revelando sua forma de fazer jornalismo.

Pelo que lemos acima já nos levaria apressadamente a deduzir de que se trata de um texto injurioso, agressivo, partidário, aonde o Jabor faz descarada proganda tucana. É exatamente isso de que se trata o artigo do bicudo Jabor.

A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE
Por Arnaldo Jabor

O que foi que nos aconteceu? No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor,’explicáveis’ demais. Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas. Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola. A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe. Isto é uma situação inédita na História brasileira!!!!!!!

Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das oligarquias, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada!!!!!!!!

– Que verdade será essa, caro imparcial Jabor? “A de que no Maranhão não há verdades”!?

Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos!!!! Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo !!!!!

– Onde? Cadê? Que cheques assinados? Que contas no estrangeiros? São os tapes do mensalão do DEM? Cadê as provas irrefutáveis para admirarmos tamanha irrefutabilidade? São conhecidos por todos, ele afirma – pos ambos desconhecemos, pois ele sequer indica a dádiva existêncial do irrefutável.

Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações. Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar. O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz !!!!!

– Realmente! Como pode um governo dilapidar o patrimônio público, triplicar a dívida pública, duplicar a carga tributária, criminalizar os movimentos sociais, jogar a economia em 8 anos de recessão, fazer estelionato cambial… realmente, como pode FHC não ter remorsos? Mesmo sendo rejeitado por todos seus correligionários em todas as campanhas eleitorais depois que saiu do poder? Mas é contra o FHC que ele está acusando? Veremos…

Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder. Este governo é psicopata!!! Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nádegas. A verdade se encolhe, humilhada, num canto. E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de ’povo’, consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações ’falsas’, sua condição de cúmplice e Comandante em ’vítima’!!!!!

– Jabor, mas o que, ou melhor, quem é “a verdade”?  Esta que “se encolhe, humilhada, num canto”? Onde alguém “transforma a Razão em vilã”!? Quem é a Razão? Não precisamos conhecer as outras descaradas elegias de Jabor para saber que essa é mais uma declaração apaixonada de amor ao FHC.

E a população ignorante engole tudo. Como é possível isso?

– Ora, se a população é ignorante é claro que é possível. Mas se a população não for? E se essa população aumentasse em 150% o índice de leitura, tenha a maior parcela de escolarizados de nível superior de nossa história, tenha aumentado o consumo em filosofia, tenha se destacado nas olimpíadas de ciências? Aí sim, como é possível?

Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na Fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados – nos comunica o STF.

– Concordo completamente, FHC criou o repugnante “foro privilegiado” para políticos que destrói a justiça na lentidão da impunidade. Porque não o critica? Inclusive, o José Dirceu clama por ser julgado, mas está empedido pois está condenado a longa fila do foro privilegiado, mesmo ele não tendo mais mandato algum! Prossigamos…

Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo.

– O certo seria dizer, a indignação do Jabor ficou supérflua. Jabor declarou publicamente aqui que a opinião pública está totalmente emancipada dos formadores de opinião. Uma boa notícia entre tanta lamúrias, enfim!

Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito…

– De fato, óbvio no partidarismo, repetitivo no delírio e inútil na intenção eleitoral. Mas por que deve ser escrito? Dever contratual ou fidelidade partidária?

Está havendo uma desmoralização pensamento. Deprimo-me: Denunciar para quê, se indignar com quê? Fazer o quê?’

– Fazer o quê!? Procurar um psicanalista, talvez…

A existência dessa estirpe de mentirosos está dissolvendo a nossa língua. Este neocinismo está a desmoralizar as palavras, os raciocínios. A língua portuguesa, os textos nos jornais, nos blogs, na TV, rádio,tudo fica ridículo diante da ditadura do lulo-petismo.

– Um neocínico vaidoso com certeza não se qualifica melhor do que o seu amado FHC, este sim foi o arqui-cínimo de todas as horas. Jabor diz que há uma neolingua (querendo fazer paralelos ridículos com a obra 1984 de Orwell), ora, se 90% das mídias de massa estão na oposição, logo a essa neolinguística está muito além do controle do governo. Já os blogs, sim, alguns são grandes progressistas, mas não tem a circulação das mídias anti-petistas a ponto de fabricar uma neolingua – apesar de serem mais bem sucedidos por expressarem a opinião de 95% da população

A cada cassado perdoado, a cada negação do óbvio, a cada testemunha, muda, aumenta a sensação de que as idéias não correspondem mais aos fatos!!!!!

– As idéias (rei-filósofo, príncipe dos sociólogos, império da razão, um ‘intelectual’* no poder) não correspondem aos fatos (governo fracassado, alta rejeição popular, etc). Um ‘intelectual’ que quando assumiu o poder pediu o esquecimento de toda sua produção intelectual!? Essa sãos as idéias que não correspondem aos fatos? Ou é a idéia de que o governo Lula é um total fracasso não corresponder aos fatos de suas grandes conquistas, popularidade nacional e prestígio internacional?

Pior: que os fatos não são nada – só valem as versões, as manipulações.

– Concordo plenamente, é exatamente essa a linha editorial oposicionista de 90% da grandes mídias de massa, entre elas a Globo, Estadão, Folhe de S. Paulo, Veja, etc. Essa inclusive é a linha editorial de Jabor. Mas as mídias sociais já venceram as mídias de massa, agora é só uma questão de expansão da banda larga.

No último ano, tivemos um único momento de verdade, louca, operística, grotesca, mas maravilhosa, quando o Roberto Jefferson abriu a cortina do país e deixou-nos ver os intestinos de nossa política.

– Pasmem! O “único momento de verdade”, segundo Arnaldo Jabor, foi quando Roberto Jefferson – um político acabado de ter sido flagrado em ato de corrupção – acusara o governo Lula de praticar o mensalão, e em razão de não ter apresentado provas dessa acusação teve o mandato cassado! Uma acusação sem provas! É a isso que o sr Arnaldo Jabor chama de “único momento de verdade”. Ou é coincidência que esse “único momento” tenha sido o de maior crise do governo Lula?

Depois surgiram dois grandes documentos históricos: o relatório da CPI dos Correios e o parecer do procurador-geral da república. São verdades cristalinas, com sol a pino. E, no entanto, chegam a ter um sabor quase de ’gafe’.

– São cristalinas realmente, e como são! Mas o sr Jabor não consegue enxergar por mais cristalino que seja.

Lulo-Petistas clamam: ’Como é que a Procuradoria Geral, nomeada pelo Lula, tem o desplante de ser tão clara! Como que o Osmar Serraglio pode ser tão explícito, e como o Delcídio Amaral não mentiu em nome do PT ? Como ousaram ser honestos?’ Sempre que a verdade eclode, reagem.

– Reagem, de fato. Por isso atacam todas as conquistas do governo petista. Por isso fazem descarado partidarismo para tentar desgastar a imagem do presidente mais popular da história. Inclusive, reproduzindo insistentemente uma acusação sem provas.

Quando um juiz condena rápido, é chamado de exibicionista’. Quando apareceu aquela grana toda no Maranhão (lembram, filhinhos?), a família Sarney reagiu ofendida com a falta de ’finesse’ do governo de FH, que não teve a delicadeza de avisar que a polícia estava chegando…

– Lembras do motivo, oh bicudo? Foi um ato político para retirar Roseane Sarney das eleições de 2002 onde que até aquele momento era ela a mais anti-petista do quadro eleitoral.

Mas agora é diferente.

As palavras estão sendo esvaziadas de sentido. Assim como o stalinismo apagava fotos, reescrevia textos para contestar seus crimes, o governo do Lula está criando uma língua nova, uma neo-língua empobrecedora da ciência política, uma língua esquemática, dualista, maniqueísta, nos preparando para o futuro político simplista que está se consolidando no horizonte.

– Nas próprias palavas do “El Cardoso”(no Canal Livre da Band), o governo Lula não faz luta de classes, mas conciliação de classes, e a despeito das desvantagens, permitiu a ele um arco de alianças que vai da esquerda a centro-direita, reservando aos opositores o discurso mais troglodita, direitista, reacionário e fanático. O Serra que o diga!

Toda a complexidade rica do país será transformada em uma massa de palavras de ordem , de preconceitos ideológicos movidos a dualismos e oposições, como tendem a fazer o Populismo e o simplismo.

– O suposto dualismo do populismo em sua sociologia de classes é arrebatadoramente mais complexo que o monismo da “teologia de mercado” em sua antropologia do consumidor. Bem mais complexo do que reduzir toda cultura, ciência, filosofia, arte, razão, psiquê, felicidade, sociedade, produção, política em uma mercadoria.

Lula será eleito por uma oposição mecânica entre ricos e pobres, dividindo o país em ’a favor’ do povo e ’contra’, recauchutando significados que não dão mais conta da circularidade do mundo atual. Teremos o ’sim’ e o ’não’, teremos a depressão da razão de um lado e a psicopatia política de outro, teremos a volta da oposição Mundo x Brasil, nacional x internacional e um voluntarismo que legitima o governo de um Lula 2 e um Garotinho depois.

– Lula!? Não seria Dilma? Discordo, teremos isso sim um país mais desenvolvido, mais soberano, mais justo, mais respeitado, mais influente, mais democrático – pois foi exatamente isso que o Brasil comprovadamente conquistou nos dois mandatos de Lula, e com certerza continuará conquistado nos dois mandatos de Dilma.

Alguns otimistas dizem: ’Não… este maremoto de mentiras nos dará uma fome de Verdades’! A solução é não votar no PT, nem na Dilma, nem em qualquer político que já esteja no cargo, renovação já!!

– Pronto, material de campanha. Pode embalar e mandar para os comitês do Serra em todo o país. É por esse tipo de barbárie pseudo-jornalística e por outras demonstrações de arrogância que nos faz ter a certeza quase absoluta de que a Dilma ganhará de modo acachapante já no primeiro turno na mais retumbante derrota da direita e a neodireita tucana desse país.

P.s.: a renovação política que ele defende vale para os estados de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul aonde o PSDB governa?

Written by ocommunard

18 de agosto de 2010 at 15:13

Publicado em Cultura

Contribuições para Dilma no debate da Band

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Não se pode dizer que esse debate seja crucial para Dilma, isso seria mais correto para qualquer um dos três oponentes, como o Serra que está caindo permanentemente, como Marina que estacionou nos 10% e Plinio que é a sua grande chance, os debates, já que tem pouco tempo de tv. Também concordo que o que mais ameaça a Dilma é a Marina e o Plínio, já que a campanha midiática pró-Serra já expõe claramente seus argumentos em tempo real nos últimos 16 anos, o que facilita a construção das respostas. Eu nem diria Marina, já que Marina parece mais com uma versão Green Peace do Serra.

Plínio só foi convidado para ser uma força extra contra Dilma, todo mundo sabe. E ele, infelizmente, apesar de toda a experiência, se prestará a esse papel como todo ex-petista, ao invés de se apresentar como uma alternativa mais radical, ao invés disso repetirá a cantilena de que Dilma e Serra são iguais, apesar que dentro da sua lógica só pode roubar os votos da Dilma, por ela representar algo mais próximo a ele. Serão, portanto, 3 candidaduras contra 1.

No entanto, os argumentos de Dilma são consistentes, não há muito o que mudar frente ao debate com Serra e Marina, que como ela disse, já foi demasiadamente treinada com o tratamento que recebeu da imprensa. De Plínio, é importante reforçar os avanços, ainda que comedidos, na área da educação, saúde e segurança – e reforçar a tese de que: “as mudanças seguem o rítmo reformista, se o povo brasileiro escolher uma revolução, a sua tese está correta”. Essa resposta é fundamental para não desagradar nem gregos nem troiano dentro da aliança de centro-esquerda, essa resposta afirma a moderação da aliança ao mesmo tempo que confirma o compromisso de esquerda que lidera a aliança, não atacando as pretensões radicais de Plínio – algo que o Serra terá de fazer. E deixando para a decisão democrática da população escolher entre a via reformista da centro-esquerda representada por ela, e a via revolucionária da ultra-esquerda representada por Plínio.

Aliás, reforçar o discurso do Plínio é estratégico, já que ele representa o antagonismo extremo ao pensamento de Serra, o que também impedirá a dobradinha entre eles. Não só estratégico no debate, mas para a esquerda, já que será um momento oportuno para difundir os ideais que só a radicalidade da candidatura do Plínio poderia fazer, enfraquecendo a ideologia direitista na população. Isso quebrará parte do antagonismo do próprio Plínio, ao receber apoio a suas políticas ainda que deixe claramente que a decisão recai para a democracia a escolha da via reformista representada por ela, que também busca os mesmos objetivos(mais igualdade e mais independência), e a via revolucionária representada por ele. Dilma tem de provar ao Plínio de que, não só ela representa algo muito diferente do Serra, como representa algo muito parecido com ele.

Ao mesmo tempo, formará um paradigma político dentro do debate que acuará ao Serra, o que provavelmente o fará reforçar seu conservadorismo ou partir para algo mais progressista. De um ou de outro modo ele causará um grave impacto negativo em seus eleitores, seja perdendo sua base conservadora, seja perdendo sua base progressista. A Marina seguirá batendo na tecla do ambientalismo.

Não concordo com Brizola Neto de que cabe repetir a fórmula “Lula é Dilma, Dilma é Lula”. O que é mais importante é afirmar que tudo que vem ocorrendo nos últimos anos tem apenas na candidatura da Dilma uma continuidade, e essa continuidade, como diz o slogam da campanha, não é apenas manter o que já foi conquistado, é manter o ritmo de conquistas, isto é, “para o Brasil seguir mudando”. O que vai continuar são as mudanças, não apenas estacionar no que já mudou. Esse é o ponto central, é aí que os 80% de aprovação de Lula se transforma em votos em Dilma. E porque Serra não continuará? Porque o PSDB já governou 8 anos esse país – e o resultado foi o inverso alcançado pelo PT no poder.

É importante também frisar o governo de “centro-esquerda”, do que o “governo Lula”. Isso é algo mais pedagógico politicamente, e frisa o compromisso com as mudanças. Lula deve ser retratado como alguém de “centro-esquerda”. A despersonalização é importante para a Dilma possa parecer como parte do governo, como responsável pelas políticas que realizaram as mudanças. A personalização isola o governo no nome do Lula, já a partidarização ou politização do governo ressalta a equipe, equipe essa que Dilma foi a grande coordenadora, é aí que ela entra, é aí que ela ganha voto. Além de já se defender de críticas de culto a personalidade que com certeza virá de Plínio, cria condições para herdar o legado do governo altamente popular.

Nas respostas, que devem ser curtas, devem seguir a seguinte linha: para Serra a comparação (por isso a despersonalização é importante, para que Serra não se descole de FHC); para Marina reforçar nossa matriz energética, que é uma das mais verdes do mundo; para Plínio concordar com suas metas mas defender outros meios. Essa tática, a meu ver, a transformará em vencedora retumbante do debate, de resto a Dilma já provou ser muito capaz, e acredito que ela, de qualquer forma, brilhará nesse debate.

Written by ocommunard

5 de agosto de 2010 at 12:09

Publicado em Reflexão

Dilma Maravilha, um verdadeiro gol de placa

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Ocorreu uma daquelas ectoplasmáticas concatenações incidentais que nos revelam uma bela coincidência. Se talvez ocorresse na direita política muitos correriam ao púlpito para declarar o indubitável destino manifesto revelado pela coincidência. Mas para nós, nos basta saber que se trata de uma coincidência bela…

Passou por todas as mídias de massa a excelente resposta de Alexandre Padilha(PT) sobre o crescimento de Dilma nas pesquisas e sua postura de evitar o clima de já ganhou. E reproduzo aqui nessa mídia social:

– A Dilma está igual ao Fio Maravilha, da música do Jorge Ben Jor, que vai manter humildade e gol.

Há momentos em que há um casamento entre a arte e a política que surpreende, mesmo historicamente deslocado e com motivações diferentes aquela expressão artística parece ser de tal modo alusivo ao outro contexto que parece ter relações intencionais. Ao ler a letra da música tive essa impressão, senão vejamos a alegoria perfeita com a candidatura da Dilma Roussef do PT pela coligação de centro esquerda nas eleições de 2010.

E novamente ele chegou com inspiração
Com muito amor, com emoção, com explosão em gol
Sacudindo a torcida aos 33 minutos do segundo tempo
Depois de fazer uma jogada celestial em gol

Ele, seria o Lula? O “com emoção” não nos deixa dúvida, é o único candidato em que a emotividade faz parte de seu perfil. Aos 33 minutos indica a Dilma a sucessão, “jogada celestial em gol”? Se as pesquisas se confirmarem, está parecendo que sim, que a indicação foi uma “jogada celestial em gol”.

Tabelou, driblou dois zagueiros
Deu um toque driblou o goleiro
Só não entrou com bola e tudo
Porque teve humildade em gol

Tabelou com o Lula, com certeza… a popularidade de Lula e o legado do governo petista representa bem esse “tabelou”. Driblou dois zagueiros? Poderíamos dizer que o primeiro zagueiro seria a avalanche oposicionistas das mídias dominantes, foi acusada de poste, radical, sombra, terrorista, boneca, entre outras gentilesas… driblou todas. E o segundo zagueiro? A sua própria inexperiência eleitoral que com certeza é um desafio para ela, mas para uma mulher que desafiou em armas a ditadura, é um desafio menor. Mas também driblou… O que prova aquilo que alegoricamente chamo de “drible”, seu crescimento constante nas pesquisas.

Foi um gol de classe
Onde ele mostrou sua malícia e sua raça

Bela metáfora de Lula, ao mostrar o gol de classe que foi a escolha de Dilma, e “sua malícia”? Há mais malícia do que colocar alguém sem experiência eleitoral vencendo o maior cacique tucano em primeiro turno graças ao legado de seu bem avaliado governo? José Serra não terá a glória nem de ter sido vencido por um medalhão político, será derrotado por uma neófita. E “sua raça” serve bem metaforicamente com sua brasilidade, sua autenticidade popular, suas origens. O brasileiro real, a maioria…

Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa
E a galera agradecida, se encantava
Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa
E a galera agradecida, assim cantava

Foi um “verdadeiro gol de placa”, a tendencial vitória em primeiro turno – o que nem Lula conseguiu. A “galera agradecida, se encantava”, todos os 80% que bem avaliam o governo petista. O que mais pode ser um gol de placa na democracia senão uma vitória em primeiro turno? E assim, concluo a alegoria…

Dilma maravilha nós gostamos de você
Dilma maravilha faz mais um pra gente vê

Written by ocommunard

3 de agosto de 2010 at 0:57

Publicado em Reflexão