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Archive for junho 2010

A mídia no divã – um caso de estudo psicanalítico

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A mídia é um paciente com traços psicóticos preocupantes. A compulsão mitomaníaca pode se agravar como o recente trauma sofrida por ela (Dilma ultrapassa Serra no Ibope) de modo autodestrutivo, ou muito provavelmente terá como válvula de escape uma esquizofrenia com traços recorrentes de mensalomania. A mensalomania é uma psicose com traços de delírio, histeria e megalomania; provocado por um profundo complexo de inferioridade da identidade nacional e por uma obsessiva atração anglófila – nesse caso foi motivado por uma obsessão amorosa a um certo FHC. Há ainda alguns traços de cleptomania, mas a compulsão mitomaníaca é dominante. O identificarei como PIG, sigla para “Partido da Imprensa Golpista”, como é melhor conhecido.

Primeiro Trauma: o reprimido Mensalão Tucano

O primeiro trauma ocorreu ao passar por traumática relação amorosa com alguém intitulado pelo paciente por “príncipe dos sociólogos” ou FHC. A atração entre os dois muito provavelmente ocorrera em base da mútua identificação de seus sintomas psicóticos. Seu objeto de obsessão, segundo declaração do mesmo PIG em sessões de análise (Folha de 14 de maio de 1997):

“Na terça, a Folha havia revelado um esquema de compra de votos de deputados na época da votação da emenda constitucional da reeleição, em janeiro passado. Participaram do negócio, pelo menos, cinco deputados federais do Acre e dois governadores – tudo isso segundo os deputados João Maia e Ronivon Santiago (PFL), este último o que protagonizou as revelações de terça”.

“Os diálogos foram gravados sem que os deputados soubessem. Algumas das conversas gravadas com João Maia são posteriores às de Ronivon Santiago”.

O paciente informara que a existência dos áudios gravados lhe provocara um bloqueio a tal ponto de não se lembrar de nada e aparentemente tais áudios jamais foram mais uma vez encontrados ou manifestados pelo paciente. Em um acesso de pânico, aparentemente, destruíra ou bloquearia. Eu conceituei essa síndrome de “silêncio fisiológico por afinidades ideológicas”. Segundo o estágio da libido, o paciente se encontrara no que Freud identificava como Fase Oral:

“Na fase oral, ou fase da libido oral, ou hedonismo bucal, o desejo e o prazer localizam-se primordialmente na boca e na ingestão de alimentos e o seio materno, a mamadeira, a chupeta, os dedos são objetos do prazer”.

Para explicar melhor essa tese no caso atual, a ingestão de alimento seria a publicidade milionária do governo; os seio maternos se identificariam com a imagem edipiana das “tetas do Estado”. O resto a compreensão é intuitiva. A mensalomania já identificada nessa compra de votos, foi reprimida no mais profundo inconsciente do paciente PIG, terá efeitos graves ao passar por traumas posteriores.

Segundo Trauma: o delirante Mensalão do PT

No ano de 2002 houve um segundo grande trauma que expôs o paciente a uma carga psíquica que quase o levara ao suicídio. O seu objeto amoroso fora preterido em favor de um outro conhecido como PT ou mais especificamente, Lula. Este representava para o paciente uma fonte de agressividade e repulsão, era a antítese de seu objeto amoroso. O paciente esteve em luto durante anos chegando a uma letárgica depressão.

Sua súbita agitação foi provocada quando um outro paciente psicótico, Roberto Jefferson, submetido a uma estressante reprovação pública ao ser pegue revelando seus impulsos à perversão (escândalo dos correios) – descarrilara em delírios contra o PT, o desafeto do PIG. Esse delírio foi clinicamente comprovado após ter perdido o mandato por não ter provas das denúncias. No entanto, para o paciente PIG, o delírio se transforma ema uma válvula de escape para sua “pulsão de morte”. Nesse momento entrara no que Freud define como fase anal.

“Na fase anal, ou fase da libido ou hedonismo anal, o desejo e o prazer localizam-se primordialmente nas excreções e fezes. Brincar com massas e com tintas, amassar barro ou argila, comer coisas cremosas, sujar-se são os objetos do prazer”.

O paciente teve traços de “bipolaridade” quando associava “valerioduto” ao Lula, denomiva “mensalão” (expressão megalomaníaca para “compra de votos”), mas ao relacionar o fato com um “PSDB mineiro”, associado de seu objeto amoroso, resistia freneticamente a admitir o termo. Seu mecanismo psíquico de autodefesa se limitou a omitir um caso e ressaltar o outro. Sua psicose entraram em um ciclo vicioso em que quanto mais manifestva agressividade delirante, mais popularidade o objeto anti-amoroso recebia, realimentando sua esquizofrenia.

Algumas pesquisas revelavam a mensalomania como uma obsessiva compulsão destrutiva contra seu desafeto, Lula; já que um mero “caixa-2”, como foi identificado, não possibilitaria um processo político de impeachment. Porém, foi vítimado por sua própria mitomania, se convencendo de que, com relação ao PT : “vamos sangrá-lo até as eleições e abatê-los nas urnas!”.

A frustração desse imperioso desejo mais uma vez agravou sua enfermidade mental e aplacou seus nervos provocando uma “histeria crônica” e o jogando em recorrentes delírios identificados como encandalomania (é uma categoria mais abrangente em que se inclui a mensalomania). No entanto, nenhum desses sintomas se firmavam, cabendo sempre um recuo permanente ao seu delírio original: o mensalão do PT. Frente as novas frustrações mediante sua impotência verbal, desenvolvera como autodefesa psíquica se um certo autismo fixado em uma auto-imagem megalomaníaca em contraposição a que denomina “populacho ignorante”. A mensalomania reprimida no trauma da “emenda da reeleição” tomou uma forma delirante e foi canalizada contra seu desafeto, a mensalomania real de seu objeto amoroso se metamorfoseara em seu inconsciente em uma mensalomania delirantecomo forma de alivío emocional a sua insuportável repulsão ao “Sapo Barbudo”.

Terceiro Trauma: o masoquista Mensalão do DEM

O paciente já parecia mais calmo dentro do seu autismo crescente, sempre se retroalimentando de uma delirante “verdade”. Frequentemente ocilava opiniões divergentes como: “o bolsa família é compra de voto”, e depois “foi FHC que inventou o bolsa família”(em minhas pesquisas descobri que fora Cristovam Buarque). Repetia histericamente sobre um suposto mensalão, apesar do denunciante ter sido caçado por não ter provas. Praguejara também fortemente contra um “Sarney” que enquanto era amistoso a seu objeto amoroso, não havia sido criticado por ele.

No entanto, o meu paciente foi submetido a um trauma ainda maior por causa de um dos associados a seu objeto amoroso, o DEM. O DEM é um paciente com graves traços de incontrolável perversão e uma compulsão obsessiva a cleptomania, além de uma infância se filiação autoritária. O PIG reservava também a este uma série de bloqueios de memória sobre sua amoralidade. No entanto, DEM foi acometido de uma de suas crises cleptomaníacas (Mensalão do DEM). O paciente(PIG) entrou em uma crise paradoxal, precisava alimentar-se do próprio delírio em que realizava seu prazer sádico contra o PT, porém tal delírio ameçava seu próprio prazer ao indiretamente atinger seu objeto amoroso – pois se enquadrava totalmente na conduta em que o paciente recriminava agressivamente em seu delírio. Sua primeira reação foi conter-se, depois negar a conceituação de mensalão e por fim, tentar isolar o objeto amoroso (FHC) de seu amigo destrutivo (DEM).

A partir de então o paciente foi acometido de uma série de eventos traumáticos sucessivos. Abaixo faço uma lista para melhor visualizar:
– O sucessor do Príncipe o escondia da campanha por causa de sua impopularidade; o
– Delírio do dossiê não emplacara;
– A sucessora do PT ultrapassou o sucessor de seu objeto amoroso;
– O sucessor do FHC tem vergonha dele e o esconde;
– O DEM é flagrado no mensalão real, retirado o álibe moral do PIG
– O sucessor do FHC e rejeitado por vários vices e escolhe um vice inexpressivo
– O DEM é humilhado e ameaça romper a amizade

O PIG desenvolvera, como mecanismo de autodefesa defendido pelo sucessor do FHC, uma espécie de “pós-lulismo”, que foi enfraquecida pelos atuais traumas. Mas ainda busca meios de conter as próprias tensões suicidas de seu impulso “anti-lulista” que o levara até a sua atual situação crônica.

Aqui se encontra o paciente na chamada fase genital, entendendo aqui que o conceito abaixo se aplica a este caso com as seguintes representações: A mãe é representada inconscientemente pelo FHC e o objeto fálico é o próprio delírio; e o menino representaria aqui o papel do paciente (o PIG):

“Na fase genital ou fase fálica, ou fase da libido ou hedonismo genital, o desejo e o prazer localizam-se primordialmente nos órgãos genitais e nas partes do corpo que excitam tais órgãos. Nessa fase, para os meninos, a mãe é o objeto do desejo e do prazer; para as meninas, o pai”.

Observações relevantes para o caso:

Na psicanálise do paciente FHC(o objeto amoroso do paciente PIG), foi identificado traços de inveja que Segundo Melanie Klein, “É a expressão sádico oral e sádico-anal de impulsos destrutivos, em atividade desde o começo da vida”, e afirma ainda que “Se a inveja é excessiva, indica, em minha concepção, que traços paranóides e esquizóides são anormalmente intensos e que tal bebê pode ser considerado doente”. A conclusão da autora é realmente brilhante: “Minha hipótese é que uma das mais profundas fontes de culpa está sempre relacionada à inveja do seio nutridor(o Estado) e ao sentimento de haver estragado sua ‘bondade’ por meio de ataques invejosos”.

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Written by ocommunard

27 de junho de 2010 at 14:39

Publicado em Cultura, Humor

A mensalomania: a genealogia dos mensalões

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Com a ultrapassagem de Dilma nas pesquisas tudo leva a crer que a guerra já antes anunciada se tornou agora apocalíptica para as forças de direita. Se a estratégia do morde e assopra, cuja mídia pró-Serra mordia o Lula para enfraquecer sua aprovação popular e o Serra assoprava para se apropriar dessa mesma popularidade, chegou ao um estágio crítico para os demotucanos. O que fazer? Aparentemente, não há outra estratégia melhor para a oposição, a estratégia que se apropria das duas alternativas: atacar e se aproximar. Mas o problema não é estratégico, é essencial – ele É o lado errado.

O setor ofensivo da campanha, isto é, o conglomerado midiático conservador pró-Serra, só lhe resta ressuscitar um fantasma, que mesmo que não tenha impedido a vitória de Lula, é a difamação que melhor se enraizou dentro da sociedade: o mensalão. Mas como recordar é viver, vejamos efetivamente o que sejam esses mensalões desde a redemocratização.

Mensalão Tucano: a emenda da reeleição (tese).

Conceitualmente, mensalão é uma mesada paga para legisladores pelo executivo para que votem a favor do governo. Em outras palavras: compra de votos. O primeiro a aplicar esta peculiar forma de gestão desde a redemocratização, nada menos que o príncipe dos sociólogos: FHC. Veja o que dizia uma reportagem da Folha de 14/05/97:

“Na terça, a Folha havia revelado um esquema de compra de votos de deputados na época da votação da emenda constitucional da reeleição, em janeiro passado. Participaram do negócio, pelo menos, cinco deputados federais do Acre e dois governadores – tudo isso segundo os deputados João Maia e Ronivon Santiago (PFL), este último o que protagonizou as revelações de terça.”

“Os diálogos foram gravados sem que os deputados soubessem. Algumas das conversas gravadas com João Maia são posteriores às de Ronivon Santiago.”

Vejam, se trata de áudios gravados que nunca saíram dos domínios da Folha de São Paulo, isto é, a única praticamente que recebeu as fitas e fez a denúncia, e que não teve nenhuma repercussão nas TVs ou rádios, aonde essas fitas poderiam ser ouvidas. Infelizmente, na época a internet ainda engatinhava. Vejam, quantas vezes vemos grande parte da imprensa (conservadora e dominante) recozinhando o “Mensalão do PT”. Lembra-se de recozinharem o mensalão da reeleição, o mensalão tucano? A mídia aplicou a lei do silêncio para as denúncias de seus compadres políticos.

É o mensalão-tese, é a “certeza-sensível”, intuitivo, concreto simples. Apenas real, mas totamente inexistente no consciente coletivo da mídia. É a neurose, a normalidade midiática, uma confusão entre realidade e ficção. É o ser.

Mensalão do PT: o factóide (antítese)

O que poderíamos chamar de uma esquizofrenia ideológica de método nazista é uma forma de explicar o dito “escândalo do mensalão” do PT. Sabemos que surgira de uma denúncia de Roberto Jefferson que naquele momento estava envolvido em outro escândalo (escândalo dos correios) filmado e repercutido em rede nacional. Vingando-se claramente do que acreditava ser uma traição do governo por não defendê-lo, criou essa denúncia pronunciada sem provas, razão pelo qual foi caçado.

Como pode existir um escândalo cujo denunciante é caçado justamente por não ter oferecido provas? É pela mesma razão que fez o mensalão tucano serem esquecidos pela mesma mídia, razões políticas, interesses, partidarismo. O valerioduto, o esquema pelo qual foi realizado, não um mensalão, mas um caixa-2, cujo único responsável foi devidamente processado e condenado (Delúbio), tinha ramificações no PSDB mineiro, encontrado na mesma CPI que concluíra que caixa-2 é mensalão. Claro, só se o PT estava relacionado, pois o valerioduto mineiro recebeu uma denominação diferente, “dinheiro não contabilizado de campanha”.

Mas porque então insistir no factóide do mensalão ao invés de apenas lançar bravatas sobre a imoralidade do caixa-2? Porque caixa-2 é um ilícito, não um crime de responsabilidade. O mensalão cria condições legais para o impeachment, isto é, nada mais era do que uma tentativa de golpe orquestrada entre a mídia e a oposição. Porque não vingou? Porque a cúpula tucana acreditara, e na época havia realmente indícios para tal, que era melhor deixar o governando ir sangrando até as eleições e abatê-lo nas urnas. Um impeachment retiraria a áurea democrática da vitória da oposição. Realmente, acreditaram que seria uma vitória eleitoral fácil…

É o mensalão da antítese, porque só existe como propaganda política, como “abstrato”, como “idéia”, a psicose em seu estado mais puro, a total separação entre realidade e imaginação. É a essência.

Mensalão do DEM: o absoluto (síntese)

DEM, ex-PFL, mais conhecido no nordeste como “partido dos coronéis”; foi base da ditadura militar, representa os ruralistas, setores mais retrógrados da sociedade e fiéis depositários do neoliberalismo mais fanático. Apesar de que neoliberais fosse talvez, para eles, um elogio dado o grau de reacionarismo que encarnam.

Enquanto o PSDB alcança à centro-direita, não porque supostamente seriam de centro e se aliam à direita, o que seria o normal – mas porque esquizofrenicamente defendem políticas de direita e se definem de esquerda, noves fora: centro-direita. Já o DEM é a direita absoluta e sem meios termos, não tem escrúpulos com os que ainda restam (em doses homeopáticas) no PSDB. Assim, eles partiriam para cima do PT com o recozimento de sua difamação mais bem sucedida, o factóide do Mensalão. Mas havia uma câmera no meio do caminho, e o Mensalão do DEM foi, meio a contragosto, revelado nacionalmente pela mídia em sua essência: corruptos.

Alguns levantam a hipótese de que este só teve repercussão porque interessava a Serra enquadrar as pretensões do DEM – quem se lembra do caso da Roseana Sarney verá semelhanças nisso. Outros afirmam que só teve tal repercussão porque havia registros de áudio e vídeo, portanto, uma materialidade impossível de ignorar ou conter, numa época em que a internet já está indomável e sólida.

Enquanto o suposto Mensalão Petista só existia na cabeça de um único homem: um político corrupto, inexpressivo e acuado por outro escândalo, Roberto Jefferson. Obviamente, o escândalo do correios foi imediametamente esquecido pela mídia como uma forma de agradecimento aos serviços prestados por Roberto Jefferson à direita. Por outro lado, um mensalão real, ao vivo e a cores, não mancha, segundo a imprensa, o DEM. Moral da história, se alguém da esquerda (Delúbio) comete um ato ilícito todo o partido é culpado, e culpado de um ato mais gravoso sem provas (mensalão). Mas se vários integrantes da direita (Mensalão do DEM) se envolvem num ato criminoso, materialmente registrado, a culpa não é do partido, mas apenas de alguns elementos que se desviaram do rebanho. E coloca a pá de cal em cima… Sem falar dos escândalos envolvendo tucanos, como Cássio Cunha Lima, Yeda Crusius, o próprio Serra (quem se lembra do escândalo das ambulâncias?). Mas hoje temos a internet, é só pesquisar…

Será que a mídia realmente acredita que somos ludibriáveis tão facilmente? Será que realmente pensa que somos idiotas, como o que disse o William Bonner ao dizer que tem o Homer Simpson como modelo de seus telespectadores? A resposta a esse insulto nós já demos nas urnas e na alta popularidade do governo. Nessas eleições verão nossa resposta mais uma vez.

Aqui alcançamos a síntese, o real e o ideal, o cumprimento pleno do ser e da essência. A enteléquia, como diria Aristóteles. O saber absoluto do mensalão. Aqui, em nível psicanalítico, é conceituado por “perversão”. É o conceito.

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/fol/pol/po14051.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u55781.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u347147.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u444276.shtml

Written by ocommunard

25 de junho de 2010 at 12:50

Publicado em Contra-Informação

O declínio da centro-direita demotucana. E a agora José?

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# O ACONTECIMENTO

Depois do Ibope consagrando uma tendência que toda máfia midiática encobria, quem não se lembra do linxamento que a Vox Populi sofreu por ter colocado Dilma a menos de 1 ponto a frente de Serra, com interpelações judiciais e difamações jornalísticas? Agora, o mesmo Ibope que meses atrás afirmava categoricamente que a Dilma não decolaria, se desmente publicamente com a própria pesquisa que coloca Dilma com 6% acima de Serra. Quem melhor do que o Ibope para publicar a pesquisa da virada? Ironia, ah a ironia! Como ela é doce! Mesmo quando o prato está frio…

Os tucanos estão entre a cruz e a espada. A cruz é carregar nas costas o pós-lulismo e manter a estratégia de se aproximar do Lula e alienar Dilma de seu próprio antecessor que lhe apóia, operação de alto risco e complexidade. Isso, obviamente, as mídias conservadoras atacarão impetuosamente como a causa do declínio de Serra. Aí entra a espada do anti-lulismo. Mas essa mesma mídia praticou o anti-lulismo por 7 anos e tudo que conquistaram foram o descrédito e popularidade recorde para Lula.

# O CENÁRIO

A ultrapassagem de Dilma possibilita uma revolução nos palanques estaduais, considerando que muitas candidaturas não foram ainda oficializadas. A ocasião pode levar o PSB a candidatura de Mercadante, considerando ainda o mal estar de um empresário socialista. A possibilidade do PT de Maranhão repetir o efeito Luizianne Lins aumenta (Luizianne Lins do PT se elegeu prefeita com o PT nacional apoiando outro candidato). Sai fortalecida a luta pela aliança PT-PMDB-PDT no Paraná, ainda aumentando a atração do PMDB de Santa Catarina ao PT. A razão é simples, os partidos indecisos não escolherão um candidato em declíno, provavelmente eles queiram vencer as eleições.

Mas a maior surpresa pode ser São Paulo, o PSDB tem um dos mais fracos candidatos numa eleição(perdeu para o DEM do Serra) e cujo PT inicia com grande vantagem. Se Mercadante conseguiu, em péssimas condições, 1/3 dos votos; com uma coligação maior e com uma conjuntura positiva(na outra eleição estava em marcha o factóide do Mensalão, aquele que o denunciante Roberto Jefferson foi caçado por não ter provas) ele é o favorito absoluto mesmo com a candidatura do socialismo capitalista do PSB.

# A REFLEXÃO

O tucanismo entrou em crise existencial, sobretudo o DEM(o PCdoB dos tucanos), está tão envolvido em corrupção que sequer tem o direito a solicitar humildemente a vaga de vice. Na cabeça de Serra a paranóia de “se correr o PT pega, se ficar o PT come”, deve estar não só acelerando sua calvíce, como provocando arrepios no PIG(partido da imprensa golpista). Mas se continuar a sua farsesca inclinação à esquerda terá de defender a revolução comunista proletária internacional. Da boca para fora, é claro. À direita, considerando o poio do DEM, Roriz, Roberto Jefferson e Maluf, só lhe resta o nazifascismo.

Apesar das vacilações do próprio PT, sobretudo, as articulações revoltantes no Maranhão(por apoiar os Sarneys) e em Minas Gerais(por sacrificar Pimentel), o trabalhismo terá a sua maior vitória eleitoral no país neste ano 2010.

Ao PSDB só cabe duas saídas, morrer à vista(caindo no antilulismo) ou em suaves prestações(a cada eleição diminui). Seus membros ainda lhe restam migrarem para um partido do bloco da centro-esquerda, como fez Chalita.

Ou em última hipótese, lhe restam ainda refundar o integralismo, o lacerda já refundaram com as crônicas de FHC. Serra deve estar pensando atualmente que foi muito melhor ter sido perseguido por ser de esquerda do que estar sendo protegido(pela elite) por ser de direita. Anauê!

Written by ocommunard

24 de junho de 2010 at 15:01

Publicado em Política

Um Admirável Mundo Novo do Pós-Lula

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Nesta semana, apareceu em nossas terras tupiniquins o grande cineasta Oliver Stone. Como é de praxe, a direitalha tucana tratou de difamar o quanto pôde o fato político. Por que? Porque ele é admirador não só de Chavez, como de todos os governos de centro-esquerda da região. Ele ameaça a truste ideológico dos grandes mídias, mas não podem ofendê-lo sem ter que quebrar o mantra da supremacia americana. Quando desmoralizam um grande cineasta do império americano, sabem que descontróem o próprio discurso reforçando a desmistificarão do império.

Isso significa apenas que o discurso da direita é um rescaldo de retalhos contraditórios. Atacavam virulentamente o Irã enquanto este tenciosava com o Brasil e a Turquia uma solução pacífica. No entanto, silenciam criminosamente com o ataque de Israel contra uma embarcação humanitária, pasmém! Ataque a uma embarcação internacional humanitária! Segundo os princípios pacifistas da direita brasileira, reprimir manifestações políticas(coisas que eles fazem com os sindicatos em seus países) é um crime contra os direitos humanos, agora atacar uma embarcação internacional pacífica humanitária, isso é perfeitamente humanista. E o que é mais gravoso, silenciam sobre a Arábia Saudita, que esse sim não só é uma ditadura, mas é uma teocracia absoluta obscurantista. O critério é simples e óbvio, se for aliado do império é bom, se não for, é ruim… por isso Saddam caiu em seu ocaso ao romper com os ianques.

Uma corja de blogueiros financiado pela turma da bufunfa chegou a criticar o apoio de Oliver Stone a Dilma.  Me surpreende de não fazerem a mesma crítica quando do apoio de James Cameron a Marina Silva, e mais escandaloso ainda, transformar em espetáculo político um encontro casual de Serra com o intelectual Arnold Schwarzenegger. E claro, quando FHC se utilizou de Bill Cliton na sua reeleição. É a moral da manipulação: dois pesos e duas medidas. Como dizem, a verdade é revolucionária. Pensam que ainda vivem em um país de analfabetos ignorantes com complexo de vira latas, o governo Lula sabe que não, sabe que ele próprio é produto de um novo país que se afirma na sua originalidade, identidade e potencial. E que isso nós não abdicaremos jamais!

O Brasil hoje é uma potência mundial emergente. Dos BRICs é o único com um idioma unificado, sem conflito militar, étnico ou religioso; é o único totalmente ocidental dos BRICs.  Se destacou por associar uma política de desenvolvimento com distribuição de renda. É reconhecido e admirado como um dos mais atuantes na defesa do ambientalismo e da paz. Lula foi considerado por diversas publicações, inclusive publicações conservadoras, o maior líder do mundo. Considerado pelo primeiro-ministro português como a maior referência da esquerda mundial. Realizou um governo com grandes conquistas em várias áreas críticas: seja social, econômica ou política. Teve o êxito de trazer, apenas no seu mandato, as duas maiores competições do mundo em termos de popularidade: a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas.  Mas isso não seria possível sem antes o país alcançar o status internacional que sua política conquistara.

Apesar disso tudo e muitas outras conquistas, a direita se reduziu ao papel vexatório e desesperado de um caluniador, difamador e, por vezes até mesmo injuriante; ofendendo a imagem e a pessoa do presidente.  Mas Lula não caiu na armadilha e apostou na inteligência dos trabalhadores brasileiros, a resposta a essa confiança em nossa inteligência está na alta aprovação de seu governo. Em seu governo, houve o maior aumento real do salário mínimo, uma das maiores taxas de emprego, uma inflação menor do que a do malfadado período FHC. E o mais importante, pela primeira vez na nossa história nos tornamos um país de classe média. Foi um dos países que menos sofreram com a crise, graças aos bancos públicos. Isto é, contra o receituário neoliberal, o governo se utilizou politicamente dos bancos públicos, e o resultado foi o recorde de lucros dos bancos públicos no ano seguinte, enquanto os bancos privados encolheram relativamente.

A esquizofrenia da elite reproduz freneticamente acusações de um suposto mensalão do PT, quando o denunciante do esquema, Roberto Jefferson, foi caçado justamente por não ter provas para sua denúncia. Jornalistas são fraglantemente constrangidos a defender políticos da oposição de noticiários negativos, muitos jornalistas perderam o emprego, como é o caso de Kajuru, Paulo Henrique Amorin, Rodrigo Viana, etc. Cotidianamente buscam inventar novos escândalos, distorções, manipulações, etc – em um vale-tudo para desmoralizar, desestabilizar e desmobilizar o governo. Fazem um trabalho permanente de lavagem cerebral que felizmente só teve um resultado até agora: o auto descrédito e a alta aprovação do seu adversário, a centro-esquerda. Mesmo assim, não se intimidam, e continuam… sem pudor e sem poder, continuam. E a maioria dos jornalistas covardemente se submetem a essa midiocracia cínica e corrupta.

O Brasil no ano da crise (2009) gerou quase 1 milhão de emprego, em plena crise! Ainda hoje os EUA tentam se recuperar das altas taxas de desemprego. Hoje já crescemos nesse mês mais do que a China. Pasmem!  O grande mal desse governo foi não ter desmantelado a bancocracia do BC legada pelo FHC, que age no governo Lula permanentemente como uma barreira para o desenvolvimento. Espero que o debate presidencial trabalhe a questão da reforma da política monetária, apesar do medo de se enfrentar o capital financeiro tanto pela esquerda quanto pela direita.

Mas a marcha da história está dessa vez do nosso lado.

Written by ocommunard

3 de junho de 2010 at 16:43

Publicado em Reflexão