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Políticas, economias e ideologias

Neoliberalismo ou seria arqui-mercantilismo?

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O capitalismo não nasceu da “natureza humana”, como propaga o clero neoliberal, que se baseiam na sacro-santa ignorância histórica. O capitalismo surgira no renascimento comercial no fim do feudalismo que gerou um crescimento urbano(burgos). As cidades estados italianas inauguraram esse poder burguês emergente com a associação entre os burgos e o rei, isto é, o nascimento do Estado moderno. Essa associação desencadearia no absolutismo.

Todo o capitalismo nascente exigiu um Estado forte, grande e intervencionista. Esse fato deveria ser suficiente para demonstrar que o liberalismo em um país subdesenvolvido é um ato de colonização pura e simples, porque as potências que exigem o Estado mínimo dos subdesenvolvidos alcançaram o próprio desenvolvimento com o estado máximo.

Pois bem, daí temos duas contradições originais do discurso pró-capitalista neoliberal. O capitalismo nascera do Estado máximo e radicalmente anti-democrático(monarquia absoluta) e alcançara seu desenvolvimento através dele, e não apesar dele, ou muito menos contra ele. O paradoxo é que em países atrasados, a burguesia nativa é aliada da burguesia estrangeira, devendo os trabalhadores e classes médias se aliarem para realizar a “acumulação primitiva”(Marx) que a burguesia nativa, atrelada a burguesia internacional, é contra. Isso explica todo o desencadeamento do chamado socialismo real e a situação da China atual em seu capitalismo de Estado ou socialismo de mercado.

O problema é que o neoliberalismo é uma regressão. O liberalismo clássico surgira do conceito de “valor trabalho” e “mercado auto-regulante”. O socialismo, que é sua antítese herdeira, absorveu o conceito de “valor trabalho” como base da teoria da exploração, e refutou o “mercado auto-regulante” denunciando que o mercado é o contrário, autocontraditório, e sua prova são as crises. O chamado liberalismo neoclássico(economia marginalista ou economia vulgar), por um movimento puramente apologético, inverteram a herança, refutaram o “valor trabalho” e resgataram o “auto-equilíbrio capitalista”. O problema é que essas idéias jamais encontraram eco na realidade, e quando veio a Grande Depressão de 29 que varreu o mundo o político, ela caiu como um castelo de cartas.

Após a grande depressão veio toda forma de intervencionismo, o de direita(fascista), centro(keynesiano) e esquerda(socialista). Lenin chegou afirmar que na fase do “capitalismo monopolista de Estado” toda tarefa se concentrava na tomada do poder, já que a forma econômica do socialismo, segundo ele (o Estado na economia), estaria já realizada. Com a crise do petróleo, a hiperinflação, as crises fiscais, a seita neoliberal tomou espaço e dominou intocável até a crise de 2008.

O neoliberalismo é uma regressão vulgar, porque resgata o fetiche mercantilista do monetarismo, que a riqueza é uma expressão monetária, caindo na circularidade de ser a moeda a expressão da riqueza. O liberalismo clássico tem sua fundação no conceito de valor como advindo do trabalho, conceito esse que já na escola neoclássica, pai da escola neoliberal, já refutava (e falhara na crise de 1929). Toda ela é mercantilismo, com seu foco na balança comercial, no capital improdutivo/financeiro(mais uma vez o inverso do liberalismo clássico). Mesmo naquilo que defende ela é falha, ela defende o Estado mínimo, mas defente que a regulação da moeda permaneça com o Estado. Foi apenas nesse papel que a experiencia neoliberal teve êxito, isto é, no controle inflacionário. A única concessão a política econômica feita pelo neoliberalismo, todo o resto era mercado, e todo resta desencadeou a crise de 2008.

O grande trunfo do neoliberalismo é permitir que com seus equívocos as grandes potências tenham suas economias drenadas para o terceiro mundo. O país que mais recebe capitais no mundo hoje é um dos países menos neoliberais do mundo, a China. Os governos de esquerda na América Latina, que se afastaram o quanto puderam do neoliberalismo, suportaram melhor a crise que a UE e o EUA. O capitalismo americano vende marcas e especulações, uma economia com um dos piores indicadores do mundo, o que provavelmente provocará também migração das matrizes para os países produtores. Nossa chance é continuar refutando esse neomercantilismo e deixar que as potências sangrem no altar do mercado, até um outro cenário emergente se firmar no hemisfério sul do planeta.

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Written by ocommunard

21 de maio de 2010 às 13:38

Publicado em Cultura

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