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Políticas, economias e ideologias

O novo século XXI

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O seculo XX foi grandioso e terrível, revoluções, golpes, etc. Mas pareceu como nascimento e morte da utopia socialista, 1917-1989. A queda do socialismo burocrático empurrou todos um passo a direita. Comunistas se tornaram socialistas, socialistas se tornaram social-democratas, social-democratas se tornaram liberais, liberais se tornaram conservadores, e os conservadores se tornaram reacionários. Pois entre 1929(grande depressão) e 1989(queda da URSS), mesmo nas economias capitalistas vigorava o keynesianismo(semi-socialismo), já dizia Lenin que o “capitalismo monopolista de Estado” já reduzia o socialismo a luta pelo poder, pois a forma econômica já estava estabelecida. Muitos regimes socialistas(China e Vietnã, por exemplo), quando não cairam pura e simplesmente, passaram a se abrir mais para o mercado, dando a impressão que rumavam para o mesmo caminho, ainda que lentamente, para o capitalismo.

A soberba da vitória capitalista foi total e brutal, iniciara-se o período obscuro da contra-reforma neoliberal com a desestatização, desregulação, destributação, etc. A ação agora era atacar sindicatos, greves, seguridade social, movimento sociais, leis trabalhisas, etc. A esquerda se desorienta totalmente, e só permanece firme as que tem bases éticas ou religiosas. Na América Latina, a queda da URSS ocorre quase que paralelamente a redemocratização, enfraquecendo qualquer possibilidade de vitória real. Era então o “fim a história” de Fukuyama, todos caminhariam em direção a uma política democrática e uma economia capitalista, uma democracia liberal.

A crise que golpeou o socialismo do leste europeu e também o mundo foi responsabilizado pela mitigação do capital, agora, diziam os neoliberais, deve se destruir tudo que fora construído no século XX, mercantilizar tudo sob uma pretensa maior eficiência. No primeiro mundo isso fora realizado por Tatcher e Reagan, no entanto, o neoliberalismo nasce na América Latina na ditadura de Pinochet, apesar de suas loas sobre a associação intrínseca entre democracia e capitalismo.

Essa farra capitalista sangrou socialmente o proletariado, apesar de alcançar a promessa de estabilidade monetária(fim da inflação), não conseguira provocar a retomada do crescimento e muito menos diminuir a dívida pública, duas mazelas crônicas cujo qualquer forma de politica econômica fora responsabilizada. Segundo os neoliberais, o único papel político na economia era na manutenção monetária(anti-inflação), e foi apenas aí que o neoliberalismo teve êxito, todos os setores que passaram a depender apenas do mercado provocaram uma grave erosão social e por fim, a segunda maior crise do capitalismo em 2008. Se o século XX para o socialismo nascera em 1917 e morrera em 1989, o capitalismo recebia seu segundo maior golpe de toda sua história em apenas 80 anos. E o que é pior, fora atingido justamente o núcleo do capitalismo, e a ação política na economia, o intervencionismo econômico, foi quem conseguiu entancar ou mitigar ou mesmo apenas combater a crise.

O neoliberalismo apenas havia remedendado um dos mais requentados mandamentos capitalistas: privatizai os lucros e socializai os prejuízos. Países como o Brasil, onde havia sobrevivido a contra-reforma dois grandes bancos públicos, conseguira não só resistir melhor a crise, mais gerando 1 milhão de empregos no momento em que nos EUA e UE há uma crise social profunda por conta do desemprego. Com todo o processo de liberalização econômica, não foram os países mais captialistas quem mais cresceram, mas justamente o contrário, foram países como China e Vietnã, mesmo como Coréia do Sul aonde o Estado teve um papel marcante no desenvolmento. Japão, Europa e EUA, antes representantes do exitoso livre capitalismo, oscilavam entre a recessão e o baixo crescimento. No Brasil, onde coube a um partido social-democrata, traindo sua ideologia, aplicar o neoliberalismo, só alcaçara uma frágil estabilidade monetária, sem gerar o desenvolvimento prometido e muito menos a diminuição da dívida através das privatizaçãos, pelo contrário, a dívida pública se multiplicara e o país quebrara nada menos do que 3 vezes.

Com a ascensão das democracias populares na América Latina, esse subcontinente passa a atacar a contra-reforma neoliberal e graças a isso começa a se expandir economicamente acima dos níveis do centro capitalista, conseguem inclusive resistir melhor a crise. O que vemos hoje é uma sufocante e incontestável hegemonia capitalista-neoliberal, sob uma realidade totalmente contrastante a essa distopia. A globalização só beneficiara os países com maior socialização econômica, a ponto de ser, justamente nos EUA, o maior contingente do movimento anti-globalização. A vitória do capitalismo precipitou as economias mais capitalistas a uma autofagia que estão politicamente desarmados para resolver, pois a esquerda européia e americana está longe de assumir um papel vigoroso contra o neoliberalismo. No entanto, a crise de 1929 só caíra nas mãos do totalitarismo graças as derrotas da esquerda, naquela época fora as vacilações da esquerda no poder que permitira o avanço do reacionarismo fascista, com o componente étnico sendo alimentado pelo desemprego que gerava concorrência no mercado de trabalho entre imigrantes e nativos, acusando os primeiros de roubarem o seu trabalho. A história provou que se os socialistas hesitarem em um momento como este, quem avança sobre o poder são os facistas, a extrema-direita.

No entanto, nasce na América Latina uma primavera política cujo parece delinear no horizonte um novo socialismo, intrinsicamente democrático, popular e original. A China, com seu desenvolvimento vultoso, assinala para a esquerda o caminho: o socialismo de mercado. Se para uns o socialismo de mercado foi um golpe contra o socialismo, hoje vemos que não. Sem dúvida esse “misto” é o norte. O que na verdade era como se encontrava o “ocidente” antes da queda da URSS que provocaria fanaticamente a precipitação no capitalismo selvagem. Marx já dizia que seria através do desenvolvimento das forças produtivas que se realizaria a transição ao novo modo de produção capitalista, é nessa perspectiva que se baseia a estratégia dos comunistas chineses, e é com o socialismo de mercado, aonde há espaço para o capital, a cooperativa e o Estado serem aplicados aonde melhor retornem desenvolvimento, que podemos vislumbrar o caminho da reorganização ideológica das esquerdas. Sustentado ainda pela transformação da China em superpotência.

Mas é importante que todo esse processo, ainda que beneficie diretamente o capital produtivo, e indiretamente a toda classe capitalistas através do crescimento econômico, seja liderada pela classe trabalhadora. A manutenção desse poder sob a classe trabalhadora, o que significa sem meias palavras, a classe trabalhadora armada, em condições permanentes de resistir a um golpe, é fundamental. Lembremos que o trabalhismo no Brasil era justamente um processo parecido, mas os trabalhadores estavam desarmados, nas mãos de um exército elitizado. Esse armamento da classe trabalhadora pode ter muitas alternativas, desde a próprio achatamento hierárquico no exército, aproximando do comando aqueles provenientes da classe trabalhadora, até mesmo, no outro extremo, o armamento ostensivo dos sindicatos. Pois foram apenas os sindicatos armados pelo governo que conseguiram resistir e derrotar as tropas de Franco na guerra civil espanhola. Enquanto a classe trabalhadora permanecer desarmada, seja pela “crítica das armas” ou pela “arma da crítica”(aqui a internet é a saída, o que exige do governo intensa socialização e/ou barateamento da banda larga e dos computadores), estaremos permanentemente sob o fio da navalha e impossibilitados de alcançar maiores avanços.

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Written by ocommunard

8 de maio de 2010 às 15:30

Publicado em Cultura

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