Communard

Políticas, economias e ideologias

Eleições 2010: Perspectivas para uma Centro-Esquerda

leave a comment »

A Vanguarda do Atraso

No Brasil a *”vanguarda do atraso” tem basicamente três facções da classe dominante: ruralistas, financistas e classe-media-alta. Respectivamente, representam ideologicamente o monetarismo, o autoritarismo e o conservadorismo. São as forças reacionárias mais poderosoas da sociedade civil que mais atravancam o governo de centro-esquerda, sendo contra tudo que ele representa.

Não que não haja, como no capital produtivo, rejeição frontal ao governo centro-esquerdista do PT-Lula; mas por estar representando na vice-presidência e por ter o governo um caráter claramente nacional-desenvolvimentista, acabam por aprová-lo, mas sem aceitá-lo pelo que ele representa: um “operário socialista”. Não representa a força intrinsecamente opositora, ainda que mudam de lado sempre que virem ameaça sobre a governabilidade da centro-esquerda.

O latifundio é o mais arraigado opositor porque sabe que o movimento dos sem-terra, seu antagonista social direto, é base social do governo, e que a reforma agrária, é uma ação contra eles. As finanças, ainda que representada por Meireles no governo, não se insere com o perfil não-monetarista do desenvolvimentismo. Sobretudo, o capital especulativo. Já a classe-média-alta se insere na oposição muito mais por preconceito e por total sujeição ideológica as elites. Se sentem mais elitistas do que populistas e são dragadas para o ódio contra o preço da distribuição de renda.

Essas três forças dominam completamente uma das armas políticas fundamentais, considerados por Marx como órgãos de classes, a mídia. E dominam, através do monopólio quase absoluto da mídia, completamente o PSDB e DEM, meramente anexos das redações dessas mídias. E por fim, a alta burocracia, que por sua posição social e alto salário, podem serem atraídas, em nome de conquistar um estrelado fácil nesse monopólio conservador midiático, como fez Gilmar Mendes.

O Atraso da Vanguarda

Se o capital industrial tem os dois pés no governo e ainda o rejeita (ao menos ideologicamente). Já o capital financeiro está com um pé fora e outro dentro. Seu pé dentro é o Copom(controlado por “pessoas do mercado”) e o presidente do BC(um ex-tucano ex-funcionário de um banco internacional de perfil pró-mercado). Dessa forma, a política monetarista(neoliberal) altamente onerosa é tão vigorosamente persistente quanto a crítica dos mesmos monetaristas, sobretudo, advindo do capital estrangeiro.

É justamente esse pé do neolibealismo no governo centro-esquerdista que não só absorve todos os recursos para custear sua onerosa política de juros, como ao mesmo tempo, através dessa política, barra constatemente a expansão econômica sobre o pretexto de combater a inflação – mesmo que países em condições piores pratiquem taxas de juros bem menores. Obviamente, sua política monetária nada mais é do que uma pilhagem descarada e despudorada do erário, sem nenhum efeito macroeconômico além do endividamento e da recessão.

Avançando a Vanguarda

A primeira tarefa é clássica, é a reforma agrária. Somente com ele podemos combater esse semifeudalismo que é sem dúvida a camada mais retrógrada do reacionarismo brasileiro. É necessário uma reforma agrária ampla e imediata, garantindo sempre a forma coletiva de agrovilas e o beneficiamento com agroindustrias(defendidas pelo MST). A forma mais pacífica de realizá-la é com desapropriação paga, e de onde viria o dinheiro para isso? Viria do rompimento com o monetarismo neoliberal.

A nova política econômica, que no caso, basta somente sair desse quase-desenvolvimentismo para um total desenvolvimentismo assumindo as novas políticas de estabilidade monetária, como a chinesa, que não gera a menor dúvida a ninguem sobre a sua eficácia, vide suas taxas de crescimento com baixa inflação – do mesmo modo não gera a menor dúvida a ninguém sobre o desastre do neoliberalismo, vide a crise financeira. Todas as riquezas dragadas pelo monetarismo insano seria um aporte monumental para não só imediatamente realizar a reforma agrária, mas financiar sua produção.

E por fim, para viabilizar uma política desenvolvimentista independente das exportações(economia de exportação é típica do Brasil colônia), uma vigorosa política de distribuição de renda como meio de fortalecimento do mercado interno para absorver a expansão industrial do desenvolvimentismo. Dessa forma, aproximar socialmente a classe-média-alta da emergente classe média, e assim, quebrar as resistências através dessa nova convivência, pelo menos na perspectivas das gerações futuras.

Essas classes já perderam qualquer condição de assumir o poder, porque suas políticas se reduzriam a repressão, censura e terrorismo. Sob o esteio da violência ruralista no campo e policial nas cidades, e acobertada pela mídia.

Para atacar os instrumentos dessa classe dominante nos meios de comunicação deve ser a internet, é ela que está levando a falência todo o tradicional jornalismo americano. Para atacar a alta-burocracia, deve se fazer uma reforma do Estado que impeça a criação de forças arbitrárias como a do Gilmar Mendes. De nada adianta termos sofrido essa período das trevas no judiciário se não fizermos nada para impedir que se repita. É necessário, portanto, democratizar tudo, passar tudo para o voto popular, inclusive a cúpula judiciária (dando a ela pelo menos o direito a revogação-demissão de juízes que considerarem abusivos).

* vide rixa entre FHC e Sarney numa época onde FHC conseguia convencer que era de esquerda. Hoje, nem a direita e nem a esquerda acreditam, talvez nem ele mesmo acredite quando se afirma de esquerda.

Anúncios

Written by ocommunard

23 de abril de 2010 às 15:17

Publicado em Política

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: