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Plinio de Arruda Sampaio: a esquerda da esquerda

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O país no último mandato do governo Lula, viveu um governo de centro-esquerda, diferente do primeiro mandato que com muita boa vontade pode ser definido como de centro. Não é segredo para ninguém as limitações políticas de tal programa, que não é tanto uma escolha do partido, mas inercialmente uma condição do grande condomínio de partidos e a necessidade da governabilidade em um regime semi-presidencialista, que uni os piores dos dois mundos. Infelizmente temos que esperar que uma nova geração da esquerda assuma o compromisso com o parlamentarismo, e veja nela a única forma saudável de garantir governabilidade, pois o presidencialismo sempre fica entre a ingovernabilidade e o fisiologismo, e quando garante folgamente a governabilidade, cai no personalismo presidencialista (bonapartismo, se preferir). Fortalecer partidos é necessariamente defender o parlamentarismo, pois o presidencialismo é um governo de monarquia civil.

A questão do papel da esquerda é central, apesar da ironia da expressão. Todos sabemos o que falará a direita(família,segurança,religião,fasci,etc), a centro-direita(moralidadade e factóides) e a centro-esquerda(moderação e pragmatismo), mas e a esquerda?

Pode se afirmar que a esquerda seja inexpressiva, mas ela tem uma grande força corrosiva sobre a centro-esquerda, ao tentar conquistar espaço da centro-esquerda, desmotando sua representação e ideologia. O único papel que cabe a esquerda que não sirva apenas para enfraquecer a centro-esquerda e assim dá espaço para a direita, é a de oferecer um discurso mais radical, porém, não opositivo a centro-esquerda, mas alternativo. A oposição deve ser sempre para a direita.

Uma denúncia que viabilize um chamado para a radicalização do processo, ofereça uma alternativa revolucionária às necessidades de mudança que a reforma oferece. Isso deve se materializar em uma aliança entre a esquerda e a centro-esquerda, de tal modo que unam forças para impedir que a direita e a centro-direita alcancem o segundo turno, e viabilizem assim um fortalecimento mútuo de seu campo, e possam disputar as duas alternativas no segundo turno.

A realidade da nossa esquerda é demasiada nefelibata para permitir isso? Somente a candidatura de Plínio se apresenta como uma articulação política viável a essa possibilidade, e é o que mais se aproxima dessa tática. Ainda que prefira entrar no coro do desgaste da centro-esquerda. Há um componente altamente sectário ideologicamente e rancoroso politicamente, por terem sido expulsos do partido que lidera a centro-esquerda, o PT. Mas ignorar que a mídia de direita sempre usa das críticas da esquerda a centro-esquerda apenas como meio de desgaste da centro-esquerda, é ser um analfabeto político.

A esquerda pode assumir uma postura efetivamente enraizada em nossa realidade e propor alternativas mais audaciosas que a centro-esquerda. Se ambas as partes se permitirem uma convivência e uma aliança que os une, derrotar a direita, isso é tão possível quanto foi possível, já em 89, Lula chegar no segundo turno; ou quanto foi possível uma mobilização social forte que derrubou por empeachiment logo após o golpe militar. As eleições de 2010 é uma grande possibilidade disso, dado as conquistas da centro-esquerda, e o desastre do DEM e PSDB.

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Written by ocommunard

11 de março de 2010 às 16:02

Publicado em Eleições, Política

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