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Políticas, economias e ideologias

Desconstruindo Friedman – III: 13 falácias neoliberais

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1. As economias de mercado não são em si um regime de liberdade? O livre mercado, por ser “livre”, é o regime econômico próprio da democracia.

O neoliberalismo tomou o poder na ditadura mais sangrenta da América Latina, a ditadura de Pinochet. Todos os partidos que sustentaram as ditaduras latino-americanas são defensores do “livre mercado”, o DEM, por exemplo. Então, a liberdade do liberalismo é a liberdade do capital, não da sociedade, nem mesmo do indivíduo..

2. O socialismo foi um fracasso, como foi provado com a queda do muro de Berlim e com o fim da URSS.

Todos os países que tiveram o retorno do capitalismo, sofreram agudas crises sociais. Em grande parte desses países houve um retorno dos comunistas por via democrática, e em todos eles rejeitaram fortemente os que lideraram a re-capitalização do país, se tornando figuras extremamente impopulares, por exemplo: Ieltsin, Lech Wallesa, etc. O que derrubou os partidos comunistas foi o stalinismo que os corrompeu, mas as políticas sociais que aplicaram são até hoje saudadas pelas populações ex-socialistas.

3. Stalin matou milhões de russos, prendeu dissidentes políticos, perseguiu opositores. E ele representou o comunismo e o socialismo.

O stalinismo foi um regime contra-revolucionário, defendendo contra Trotsky o fim da permanência da revolução. Deportou, assassinou e perseguiu todos os que participaram da revolução. E prova a crítica permanente da corrente trotisksita do bolchevismo, acusando-o de traidor da revolução. E prova o seu sucessor direto, Kruschev, que condenou os “crimes de Stalin”. Stalin foi contra a revolução comunista na China, e não fez qualquer esforço em ajudar os comunistas na Guerra Civil Espanhola, além de ter se aliado aos nazistas que mataram indiscriminadamente comunistas na Alemanha. A grande maioria de socialistas são anti-stalinistas.

4. Todos os países que adotaram o socialismo eram pobres, atrasados…

Todos os países que adotaram o socialismo se desenvolveram e melhoraram em muito as condições de vida de seus indivíduos, aumentado o emprego, oferecendo serviços públicos, seguridade social, igualdade social. O regime político estava de fato engessado, por conta do stalinismo, mas as políticas sociais e suas conquistas falam por si. A social-democracia é um regime socialista, a Suécia é mais socialista do que Cuba e tem uma das melhores qualidades de vida do mundo – basta comparar do setor público na economia sueca em relação ao mundo. Porque não dizem que a Suécia é socialista? Porque não podem criticar sua excelente qualidade de vida. É preferível citar países pobres e com bloqueio econômico, como Cuba. Mesmo assim, Cuba, com o bloqueio econômico, tem uma das melhores serviços de saúde do mundo, além de uma educação de primeiro mundo. A função do bloqueio econômico é impedir que Cuba seja um modelo, asfixiando sua economia, mesmo assim se destaca em muitas áreas sociais.

6. A globalização é boa para integrar as economias

O comunismo sempre defendeu o internacionalismo, mais não é literalmente uma globalização. Os blocos econômicos são efetivamente o internacionalismo defendido pelos comunistas, isto é, uma união entre “nações”, não se trata de um intercomercialismo, mas um “inter-nacionalismo”. Mas a força propulsora desse internacionalismo é com certeza o comércio internacional crescente. Assim, o comunismo defende uma internacionalização como na via da ONU, da UE, dos G20, etc – não meramente uma abertura comercial desregulada que foi responsável pela derrocada da URSS, diferentemente da China que faz uma abertura administrada da sua economia, e tem enorme prosperidade por isso.

7. Mas Cuba é uma ditadura

O regime cubano é um regime parlamentarista, em todo o período em que Fidel governou ele foi eleito e re-eleito com o voto direto, secreto e universal do povo cubano. Mas sem dúvidas, lá há muitas restrições políticas por conta da necessidade permanente de se manter em guarda contra a permanente hostilidade da maior força bélica da humanidade: EUA. Que como sabemos, não se cansam de agredir economica e politicamente Cuba. Como podem os apóstolos das virtudes democráticas do livre comércio, aplicar um bloqueio comercial sob o suposto propósito de exigência democrática, o mesmo país que apoia a teocracia obscurantista da Arábia Saudita.

8. Mas Chavez é um ditador, reprime a liberdade de expressão, se associa a Ahmadinejad que quer ter uma bomba atômica.

Ele foi eleito e reeleito democraticamente sob a fiscalização de observadores internacionais, e diversas vezes sustentado pelas urnas. O caso venezuelano se deve ao fato que Chavez nacionalizou a maior empresa de petróleo latino-americana, cujo era a fonte primordial(e ainda é) dos EUA. A partir daí os EUA, começando por Bush, se articula com a elite local, para derrubá-lo. Todos os meios de comunicação que foram fechados, passaram por todo o processo juridicamente legal a que está submetido toda e qualquer conceção pública. Ahmadinejad é outro caso. A revolução islâmica tem um caráter anti-americano, tanto por ser os EUA os apoiadores do regime ditatorial que foi derrubado com a revolução islâmica, quanto por ele ser a representação da oposição cultural do islã. Que condição moral tem os EUA de condenar um “suposto” programa nuclear quando é ele detentor do maior arsenal atômico do mundo e ter sido o único país que lançou duas bomba nucleares (não para vencer a guerra, pois já estava ganha, mas para intimidar a recem comunista China).

9. Porque então a mídia os ataca tanto, assim como ao governo Lula, e toda e qualquer esquerda?

Porque sempre foram reacionários, apoiaram o golpe de 64. E hoje, não se arrependem do apoio, ao criticar a condenação dos torturadores. Mas uma parte da mídia é progressita, como a Carta Capital, Carta Maior, Caros Amigos, Vermelho, Conversa Afiada, Escrevinhador, BBC, etc.

10. Mas o Estado mínimo é melhor, o Estado grande é opressor, é ineficiente.

Como se minimiza o Estado? Para eles, é privatizando. Isto é, são os sindicatos do capital, a diferença é que os nossos sindicatos não disfarçam que defende os nossos interesses. A ineficiência do Estado, frente ao “mercado” é uma grande falácia. A maior e melhor mídia do mundo? BBC. O maior centro de pesquisa do mundo? Nasa. A maior empresa brasileira: Petrobrás. As melhores faculdades? as públicas. A profissão mais desejada: funcionário público. A economia que mais cresce no mundo: China. A sociedade com melhor qualidade de vida: Suécia (economia altamente estatizada). E só para ilustrar, nos EUA não há serviço público de saúde (pois para eles isso é socialismo), lá eles oferecem para uma pequena parcela de pobres planos de saúdes privados custeados pelo Estado. Mesmo sendo oferecido para uma pequena parcela, é o serviço de saúde mais caro do mundo. Porque? Se os mercados são tão eficientes, porque a UE e os EUA gastaram trilhões para salvá-los da própria crise que despertaram? No Brasil, os bancos públicos agiram contra a crise, por decisão política. Resultado: os bancos públicos foram os que mais lucraram em 2009 e tomaram mercado dos bancos privados.

11. Mas a democracia é a liberdade de expressão, e as mídias acusam a esquerda de serem inimigos desta

A liberdade de expressão não é uma propriedade privada, é de todos. Os meios de comunicação, os canais pelos quais podemos nos expressar, estão privatizadas e desta forma dominados pelos interesses capitalistas de seus proprietários. A liberdade que querem é de desgastar o governo com mentiras, e toda vez que essa mentira é desmentida ou criticado, hipersensivelmente vêem nisso um teor autoritário. Mas a grande liberdade de expressão está nos oferecendo a internet, que é um meio de comunicação que qualquer um pode publicar suas opiniões, virtualmente acessível a todos. A democracia não se define por haver liberdade de expressão, se define por ser um governo da maioria.

12. Mas o governo Lula é corrupto, participou do mensalão

Primeiro, Lula fez correto ao afastar todos os suspeitos. Segundo, nada foi provado a não ser um caixa-2 de campanha proclamado como valerioduto, que teve início no PSDB de Minas Gerais – que diga-se de passagem, nunca foi investigado pela mesma imprensa que ataca tanto o suposto mensalão. Quarto, o verdadeiro mensalão surgiu na presidência de FHC quando ele abertamente comprou votos para fazer passar a emenda da re-eleição. No entanto, a mídia abafou o escândalo, pois na época era a alternativa conservadora mais viável contra o PT. O primeiro governo Lula foi de fato um terceiro mandato do FHC, mas o segundo governo Lula, graças a escalada golpista da oposição e da grande mídia, e sobretudo depois da saída de Palloci-Dirceu e a entrada de Dilma-Mantega, o governo despertou e entrou na história como o governo com grandes conquistas sociais, progresso econômico, apoio popular e prestígio internacional.

13. E porque Dilma, então?

Lula tem todos os méritos dos feitos políticos de seu governo: inteligência, perspicácia, integridade, flexibilidade, força e ousadia. Mas sabemos que, como prova o seu primeiro governo  marcado pelo triunvirato: Meireles-Palloci-Dirceu, se dependesse somente dele, seria um governo conservador neoliberal comum com um pouco mais de assistencialismo, pouco porque o neoliberalismo atrofiaria as condições de expandir mais o assistencialismo. Tudo mudou muito por conta do acaso, mais uma vez, a direita tentando derrubar a esquerda, acabou salvando-a. No afã de atacar o governo de toda forma, fez uma extensiva campanha de desgaste contra Dirceu por conta do factóide do mensalão, na verdade visando atingir a Lula.  Dirceu se sacrificou para não atingir ao Lula, e por fim, em um outro factóide descarado com um obscuro caseiro, derruburam o Palloci.

Não poderiam ter feito melhor. Com a saída de ambos entrou Dilma na Casa Civil, fundando a maior política desenvolvimentista do governo, o maior avanço até então contra o neoliberalismo. Por outro lado, complementando esse grande projeto, chega no ministério da fazenda um convicto desenvolvimentista. Nesse novo governo, destoava apenas a permanência de Meireles, que deveria ter sido substituído por Belluzo. Mas Lula não tomou nenhuma iniciativa, ninguém da mídia quis derrubar Meirelles. Por isso, todos os méritos dos grandes feitos sociais e econômicos do segundo governo é da dupla Dilma-Mantega, e mais da Dilma, pois enquanto ministra da Casa Civil ela efetivamente administrava a articulação com todos os ministérios. Com Dilma teremos a certeza de que o Brasil desenvolvimentista irá avançar ainda mais, transformando definitivamente a realidade social do país, transformar o país do futuro no país presente, e isso já percebemos acontecer.

Dilma é efetivamente a verdadeira responsável pelo governo, com ela teremos a certeza que as vacilações de Lula serão abandonadas, além de que ela representa a dilaceração de qualquer bonapartismo surgido do governo Lula, algo que em Chavez infelizmente há em excesso. Inteligentimente Lula escolhe alguem com um perfil totalmente diferente do dele, mas grande responsável por todo sucesso de seu governo, como ele mesmo declara.

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Written by ocommunard

8 de março de 2010 às 21:24

Publicado em Cultura, Economia

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