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Altercom: saudações e sugestões

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Finalmente a banda não-podre do jornalismo se mobilizou e se articulou, e então, fundaram a grande e promissora Altercom. Apesar de alguns pesares, como a recusa do nome “alternativo” por não infatizar o “profissionalismo” (preso a uma certa ótica que deveria ser contra), o grande lutador desse causa, pelo menos um dos grandes, foi o jornalista audacioso do Escrevinhador: Rodrigo Viana.

Na apresentação feita pelo próprio Viana ele já trás as linhas mestras: unir a mídia profissional progressista (Caros Amigos, Carta Capital, Conversa Afiada, etc), mas também dá espaço aos blogueiros e a participação não-profissional. Espero que a Altercom não morra afogada de boas intenções como o CMI, para isso deve ter doses de amadorismo (para tratar Altercom como uma causa, não como um emprego) e profissionalismo (para garantir as condições de eficiência e competitividade para transformar a causa em resultado).

A Altercom abarca três conceitos da mídia contra-hegemônica, ser alternativa, independente e progressista. Como mídia alternativa se apresenta como uma tese diferente, uma forma e discurso diferente, que critica a mídia mainstream ao mesmo tempo se apresenta como modelo diverso. Como produção independente, ela é de baixo orçamento focado no conteúdo de seu produto, a internet viabiliza uma produção independente que pode competir com qualquer grande orçamento em condições de quase-igualdade. E como linha editorial progressista, ela se articula como politicamente independente das estruturas conservadoras vigentes e alternativa ao discurso reacionário reinante. A linha editorial progressista é o traço fundamental que congrega a Altercom.

Penso que a Altercom deva unir as forças progressistas e somar com os novos atores midiáticos e a grande nova ferramenta de comunicação, a internet. A internet, como sabemos, não só destroi a velha forma de mídia dividida rigidamente em imprensa, rádio e tv; mas também a demole cotidianamente erodindo financeiramente as empresas da velha mídia. A internet é a arma da revolução na mídia, a Altercom são aqueles que podem empunhar tais armas. Não que a velha mídia não esteja buscando seu espaço na web, mas que ao fazerem isso apenas estão apressando o próprio ocaso e reconhecendo a inviabilidade de seu velho meio de comunicação. A crise da mídia tradicional americana é um cenário promissor.

Sugestões:

A Altercom deve debater abertamete os meios e os modos de organizar os três setores de um jornalismo: notícia, coluna e editorial. Como notícia deve se articular para poder prover produção de notícias, pois como está, se reduz a desmascarar a falta de ética jornalística na manipulação das notícias dos velhos jornais. A questão de criar uma equipe de jornalista que vá a campo registar a notícia, sem depender da fonte da velha mídia, é a questão central. O que é e como são esses jornalistas, como atraí-los, como oferecer a eles meios de viver dessa profissão? Em suma, a produção de notícia deve ter uma equipe profissional permanente, mas também os colaboradores (jornalismo colaborativo) e os freelancers (que serão aqueles colaboradores que derem um produto relavante e que podem ser contratados por trabalho, isso estimulará a qualificação da colaboração).

No que condiz as colunas, hoje a esquerda está bem provida. Em revistas(Carta Capital, Caros Amigos, etc) e jornais progressistas(Brazil de Fato), em blogs, em sites(Conversa Afiada, Vermelho, Escrevinhador, Vi o Mundo, etc). Isto é, jornalismo de opinião que reflete o noticiário. Creio que aqui deve haver apenas uma setorização entre: jornalistas-cronistas (permanente), intelectuais (eventuais) e blogueiros (aqui, por votação entre eles, eleger o que terá destaque no jornalismo da Altercom.

Já o que condiz com o editorial, a Altercom deve ir ainda além. Se o editorial é, em tese, o resultado dos debates dentro de uma redação, o editorial da Altercom deve ser produzido por um debate aberto, livre e democrático aonde todos podem participar da formação da opinião do jornal. Esse fórum online, com seus critérios, ferramentas e eleições, formará as linhas editoriais pontuais da Altercom. Paralelamente, um grupo de jornalistas eleitos pelo fórum eletrônico, com cargos revogáveis, representarão o corpo ideológico que formará a linha editorial. Esse corpo tem o poder de revisar toda a produção jornalística a fim de garantir a coerência com a linha editorial da altercom vinda da fundação da Altercom e dos fóruns. Por sua vez, esse conselho editorial indicarão qual profissional, por sua qualidade na composição textual, redigirá o texto de cada editorial. Esse profissional, que pode ser entendido como “presidente”, terá o poder de analisar a qualidade estética de toda a produção, e sugirir mudanças e melhoras. Paralelamente estará sempre aberta, através do fórum eletrônico, a sugestão de qualquer um.

Creio que a forma de financiamento pode ser aos moldes do Wikipedia, por contribuição. E alternando períodos de campanha para contribuição. Pelo menos primeiramente, dando a possibilidade de transformar a contribuição de um valor pequeno uma mensalidade. Essa contribuição pode formar os fundos que irão ser revertidos no corpo profissional permanente da Altercom.

No mais, boa sorte Altercom. Espero que minhas sugestões sejam lidas, e sobretudo, possam contribuir para o fortalecimento desse movimento de mídia alternativa, independente e progressista, que tanto precisamos. Toda revolução teve seu meio de comunicação: a Revolução Francesa tinha o Amigo do Povo, a Revolução Russa tinha o Pravda, a revolução ou reforma social – dependendo do país – que há na América Latina hoje é totalmente desprovida de meios de comunicação efetivos que expressem a escolha democrática da maioria da sociedade, ainda que essa mesma sociedade cotidianamente recharce todas as tentativas dessa mídia de derrubar o poder eleito democraticamente.

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Written by ocommunard

8 de março de 2010 às 2:23

Publicado em Contra-Informação

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