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Políticas, economias e ideologias

Archive for março 2010

Eleições 2010 na Guerrilha da Internet

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Quando vemos a centro-direita demotucana, que já monopolizam todos os meios de comunicação a seu favor, que vão usar ativamente as mídias sociais da web e todos os seus meios na batalha eleitoral, vemos a relevância que esse meio de comunicação, que está pondo em cheque os próprios meios de comunicação tradicionais que hoje apoiam o demotucanato, chegar a seu ápice.

Há toda uma literatura delirante escatológica da direita na “interpretação” da vitória de Lula em 2006 em pleno escombros do escândalo do mensalão, cujo superou. Quem viveu aquela campanha sabe que houve três fatores fundamentais: primeiro, o nível de agressividade da mídia no escândalo do mensalão dispertou a sociedade sobre a verdadeira motivação daquela mídia, isso em um país que já havia assistido tantos escândalo da era FHC. Segundo, a riqueza do argumento governista em demonstrar seus êxitos  se constratava com a pobreza do argumento oposicionista, que de tão pobre, respondia com as mesmas acusações mesmo quando eram respondidas. Terceiro, a internet(através de emails circulares), que complementava o argumento da campanha governista, sobretudo em razão das limitações de uma campanha tão tradicionalmente marketeira. Quarto, eu citaria o excesso de carisma do Lula em oposição ao excesso de antipatia de Alckmin.

Em 2010 há muito menos corrosão desses escândalos, que de tão repetitivos e vulneráveis, se banalizou dentro da parcela da sociedade que ainda achava algum fundamento real nas denúncias além da mera tentativa de derrubar o governo. O candidato oposicionista também é frágil, ainda que bem menos lastimável que o ultra-conservador Alckimin e bem menos monótono. Por outro lado, a liderança governista é uma aposta arriscada, um nome que pela primeira vez enfrenta uma batalha eleitoral, ainda que experiente em outras batalhas. No terceiro ponto também haverá mais equilíbrio, já que o demotucanato já declarou que usará e abusará da internet como ferramenta da campanha. Do modo mais vil, comprando falsos opinadores. No quarto, no que condiz ao carismo, é também equilibrado.

Em 2010 a centro-esquerda tem de estar ciente da necessidade de fazer uma grande base parlamentar e isso já foi declarado como parte da tática por José Genuíno. Isso é fundamental para passar as reformas fundamentais, desde que essas sejam aplicadas logo após a vitória, canalizando assim toda a força da vitória eleitoral para as grandes reformas. Sabendo que a maior barreira do governo Lula foi a fragilidade da base parlamentar da centro-esquerda, sobretudo, no Senado. Porém esse ano 2/3 do Senado será renovado, essa é a oportunidade.

A internet é uma guerrilha, tal como a guerrilha ela é descentralizada, ágil, quase que impossível de ser combatida por exército regulares (meios de comunicação tradicionais). Ela está em blogs, emails circulares, em comentários das reportagens dos próprios jornais tradicionais em sua versao online, em noticiário progressista, etc. No entanto, toda guerrilha necessita de guerrilheiros. Dilma já conclamou aos militantes a participarem da batalha eleitoral na internet. Isso é fundamental, sobretudo quando a centro-direita já demonstrou que entrará em nosso terreno.

Written by ocommunard

15 de março de 2010 at 11:26

Emenda Ibsen: O impasse entre Lula e Sérgio Cabral

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O novo marco regulatório do pre-sal saiu e como ele surge a “imenda ibsen”, que contra qualquer cálculo maniqueísta, foi votada em peso pela oposição e base, ainda que por motivação diferente. A oposição a votou apenas para desgastar o governo, gerando um conflito entre o governo federal e o governo do Rio de Janeiro, já a base votara contra os privilégios dos Estados produtores que sob pretextos de impacto ambiental se dão ao direito de captar toda a riqueza proveniente do petróleo.

Lula poderá vetar, mas será um erro gravíssimo político. Primeiro, porque toda a base votou a favor da imenda Ibsen, que reparte não apenas com os Estados produtores, mas todos os Estados a riqueza do pre-sal. Segundo, ser contra a imenda Ibsen é ser contra todo o esforço do próprio governo de atacar a concentração regional da riqueza, seria reforçar um privilégio sudestino imperdoável para o restante do país. Terceiro, essa ação política só seria capitalizada pela base no Rio de Janeiro, enquanto no restante do país esse veto seria usado contra a candidatura governista.

Mas o argumento mais importante, do ponto de vista político, é que o veto é uma derrota irreversível. Se vetar, o congresso derruba o veto, pois até a base foi a favor. Seria mais inteligente avisar ao Sérgio Cabral a inevitável derrota do veto, e fazer ele assumir também um compromisso concreto com a desconcentração de renda regional no país, tomando uma atitude que será vista sem dúvida como um ato magnânimo, em oposição a mesquinhez condenada ao fracasso que agora defende como privilégio. E ainda, o governo Lula pode compensar em investimentos do PAC, a perda de receita.

E assim, pode se evitar esse desastroso desgaste político da centro-esquerda, que se por um lado não ameaça a vitória provável em 2010, pelo menos dá sobrevida e espaço para a oposição, que sem esse desgate está condenada a extinção.

Written by ocommunard

12 de março de 2010 at 11:39

Publicado em Política

Plinio de Arruda Sampaio: a esquerda da esquerda

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O país no último mandato do governo Lula, viveu um governo de centro-esquerda, diferente do primeiro mandato que com muita boa vontade pode ser definido como de centro. Não é segredo para ninguém as limitações políticas de tal programa, que não é tanto uma escolha do partido, mas inercialmente uma condição do grande condomínio de partidos e a necessidade da governabilidade em um regime semi-presidencialista, que uni os piores dos dois mundos. Infelizmente temos que esperar que uma nova geração da esquerda assuma o compromisso com o parlamentarismo, e veja nela a única forma saudável de garantir governabilidade, pois o presidencialismo sempre fica entre a ingovernabilidade e o fisiologismo, e quando garante folgamente a governabilidade, cai no personalismo presidencialista (bonapartismo, se preferir). Fortalecer partidos é necessariamente defender o parlamentarismo, pois o presidencialismo é um governo de monarquia civil.

A questão do papel da esquerda é central, apesar da ironia da expressão. Todos sabemos o que falará a direita(família,segurança,religião,fasci,etc), a centro-direita(moralidadade e factóides) e a centro-esquerda(moderação e pragmatismo), mas e a esquerda?

Pode se afirmar que a esquerda seja inexpressiva, mas ela tem uma grande força corrosiva sobre a centro-esquerda, ao tentar conquistar espaço da centro-esquerda, desmotando sua representação e ideologia. O único papel que cabe a esquerda que não sirva apenas para enfraquecer a centro-esquerda e assim dá espaço para a direita, é a de oferecer um discurso mais radical, porém, não opositivo a centro-esquerda, mas alternativo. A oposição deve ser sempre para a direita.

Uma denúncia que viabilize um chamado para a radicalização do processo, ofereça uma alternativa revolucionária às necessidades de mudança que a reforma oferece. Isso deve se materializar em uma aliança entre a esquerda e a centro-esquerda, de tal modo que unam forças para impedir que a direita e a centro-direita alcancem o segundo turno, e viabilizem assim um fortalecimento mútuo de seu campo, e possam disputar as duas alternativas no segundo turno.

A realidade da nossa esquerda é demasiada nefelibata para permitir isso? Somente a candidatura de Plínio se apresenta como uma articulação política viável a essa possibilidade, e é o que mais se aproxima dessa tática. Ainda que prefira entrar no coro do desgaste da centro-esquerda. Há um componente altamente sectário ideologicamente e rancoroso politicamente, por terem sido expulsos do partido que lidera a centro-esquerda, o PT. Mas ignorar que a mídia de direita sempre usa das críticas da esquerda a centro-esquerda apenas como meio de desgaste da centro-esquerda, é ser um analfabeto político.

A esquerda pode assumir uma postura efetivamente enraizada em nossa realidade e propor alternativas mais audaciosas que a centro-esquerda. Se ambas as partes se permitirem uma convivência e uma aliança que os une, derrotar a direita, isso é tão possível quanto foi possível, já em 89, Lula chegar no segundo turno; ou quanto foi possível uma mobilização social forte que derrubou por empeachiment logo após o golpe militar. As eleições de 2010 é uma grande possibilidade disso, dado as conquistas da centro-esquerda, e o desastre do DEM e PSDB.

Written by ocommunard

11 de março de 2010 at 16:02

Publicado em Eleições, Política

Desconstruindo Friedman – III: 13 falácias neoliberais

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1. As economias de mercado não são em si um regime de liberdade? O livre mercado, por ser “livre”, é o regime econômico próprio da democracia.

O neoliberalismo tomou o poder na ditadura mais sangrenta da América Latina, a ditadura de Pinochet. Todos os partidos que sustentaram as ditaduras latino-americanas são defensores do “livre mercado”, o DEM, por exemplo. Então, a liberdade do liberalismo é a liberdade do capital, não da sociedade, nem mesmo do indivíduo..

2. O socialismo foi um fracasso, como foi provado com a queda do muro de Berlim e com o fim da URSS.

Todos os países que tiveram o retorno do capitalismo, sofreram agudas crises sociais. Em grande parte desses países houve um retorno dos comunistas por via democrática, e em todos eles rejeitaram fortemente os que lideraram a re-capitalização do país, se tornando figuras extremamente impopulares, por exemplo: Ieltsin, Lech Wallesa, etc. O que derrubou os partidos comunistas foi o stalinismo que os corrompeu, mas as políticas sociais que aplicaram são até hoje saudadas pelas populações ex-socialistas.

3. Stalin matou milhões de russos, prendeu dissidentes políticos, perseguiu opositores. E ele representou o comunismo e o socialismo.

O stalinismo foi um regime contra-revolucionário, defendendo contra Trotsky o fim da permanência da revolução. Deportou, assassinou e perseguiu todos os que participaram da revolução. E prova a crítica permanente da corrente trotisksita do bolchevismo, acusando-o de traidor da revolução. E prova o seu sucessor direto, Kruschev, que condenou os “crimes de Stalin”. Stalin foi contra a revolução comunista na China, e não fez qualquer esforço em ajudar os comunistas na Guerra Civil Espanhola, além de ter se aliado aos nazistas que mataram indiscriminadamente comunistas na Alemanha. A grande maioria de socialistas são anti-stalinistas.

4. Todos os países que adotaram o socialismo eram pobres, atrasados…

Todos os países que adotaram o socialismo se desenvolveram e melhoraram em muito as condições de vida de seus indivíduos, aumentado o emprego, oferecendo serviços públicos, seguridade social, igualdade social. O regime político estava de fato engessado, por conta do stalinismo, mas as políticas sociais e suas conquistas falam por si. A social-democracia é um regime socialista, a Suécia é mais socialista do que Cuba e tem uma das melhores qualidades de vida do mundo – basta comparar do setor público na economia sueca em relação ao mundo. Porque não dizem que a Suécia é socialista? Porque não podem criticar sua excelente qualidade de vida. É preferível citar países pobres e com bloqueio econômico, como Cuba. Mesmo assim, Cuba, com o bloqueio econômico, tem uma das melhores serviços de saúde do mundo, além de uma educação de primeiro mundo. A função do bloqueio econômico é impedir que Cuba seja um modelo, asfixiando sua economia, mesmo assim se destaca em muitas áreas sociais.

6. A globalização é boa para integrar as economias

O comunismo sempre defendeu o internacionalismo, mais não é literalmente uma globalização. Os blocos econômicos são efetivamente o internacionalismo defendido pelos comunistas, isto é, uma união entre “nações”, não se trata de um intercomercialismo, mas um “inter-nacionalismo”. Mas a força propulsora desse internacionalismo é com certeza o comércio internacional crescente. Assim, o comunismo defende uma internacionalização como na via da ONU, da UE, dos G20, etc – não meramente uma abertura comercial desregulada que foi responsável pela derrocada da URSS, diferentemente da China que faz uma abertura administrada da sua economia, e tem enorme prosperidade por isso.

7. Mas Cuba é uma ditadura

O regime cubano é um regime parlamentarista, em todo o período em que Fidel governou ele foi eleito e re-eleito com o voto direto, secreto e universal do povo cubano. Mas sem dúvidas, lá há muitas restrições políticas por conta da necessidade permanente de se manter em guarda contra a permanente hostilidade da maior força bélica da humanidade: EUA. Que como sabemos, não se cansam de agredir economica e politicamente Cuba. Como podem os apóstolos das virtudes democráticas do livre comércio, aplicar um bloqueio comercial sob o suposto propósito de exigência democrática, o mesmo país que apoia a teocracia obscurantista da Arábia Saudita.

8. Mas Chavez é um ditador, reprime a liberdade de expressão, se associa a Ahmadinejad que quer ter uma bomba atômica.

Ele foi eleito e reeleito democraticamente sob a fiscalização de observadores internacionais, e diversas vezes sustentado pelas urnas. O caso venezuelano se deve ao fato que Chavez nacionalizou a maior empresa de petróleo latino-americana, cujo era a fonte primordial(e ainda é) dos EUA. A partir daí os EUA, começando por Bush, se articula com a elite local, para derrubá-lo. Todos os meios de comunicação que foram fechados, passaram por todo o processo juridicamente legal a que está submetido toda e qualquer conceção pública. Ahmadinejad é outro caso. A revolução islâmica tem um caráter anti-americano, tanto por ser os EUA os apoiadores do regime ditatorial que foi derrubado com a revolução islâmica, quanto por ele ser a representação da oposição cultural do islã. Que condição moral tem os EUA de condenar um “suposto” programa nuclear quando é ele detentor do maior arsenal atômico do mundo e ter sido o único país que lançou duas bomba nucleares (não para vencer a guerra, pois já estava ganha, mas para intimidar a recem comunista China).

9. Porque então a mídia os ataca tanto, assim como ao governo Lula, e toda e qualquer esquerda?

Porque sempre foram reacionários, apoiaram o golpe de 64. E hoje, não se arrependem do apoio, ao criticar a condenação dos torturadores. Mas uma parte da mídia é progressita, como a Carta Capital, Carta Maior, Caros Amigos, Vermelho, Conversa Afiada, Escrevinhador, BBC, etc.

10. Mas o Estado mínimo é melhor, o Estado grande é opressor, é ineficiente.

Como se minimiza o Estado? Para eles, é privatizando. Isto é, são os sindicatos do capital, a diferença é que os nossos sindicatos não disfarçam que defende os nossos interesses. A ineficiência do Estado, frente ao “mercado” é uma grande falácia. A maior e melhor mídia do mundo? BBC. O maior centro de pesquisa do mundo? Nasa. A maior empresa brasileira: Petrobrás. As melhores faculdades? as públicas. A profissão mais desejada: funcionário público. A economia que mais cresce no mundo: China. A sociedade com melhor qualidade de vida: Suécia (economia altamente estatizada). E só para ilustrar, nos EUA não há serviço público de saúde (pois para eles isso é socialismo), lá eles oferecem para uma pequena parcela de pobres planos de saúdes privados custeados pelo Estado. Mesmo sendo oferecido para uma pequena parcela, é o serviço de saúde mais caro do mundo. Porque? Se os mercados são tão eficientes, porque a UE e os EUA gastaram trilhões para salvá-los da própria crise que despertaram? No Brasil, os bancos públicos agiram contra a crise, por decisão política. Resultado: os bancos públicos foram os que mais lucraram em 2009 e tomaram mercado dos bancos privados.

11. Mas a democracia é a liberdade de expressão, e as mídias acusam a esquerda de serem inimigos desta

A liberdade de expressão não é uma propriedade privada, é de todos. Os meios de comunicação, os canais pelos quais podemos nos expressar, estão privatizadas e desta forma dominados pelos interesses capitalistas de seus proprietários. A liberdade que querem é de desgastar o governo com mentiras, e toda vez que essa mentira é desmentida ou criticado, hipersensivelmente vêem nisso um teor autoritário. Mas a grande liberdade de expressão está nos oferecendo a internet, que é um meio de comunicação que qualquer um pode publicar suas opiniões, virtualmente acessível a todos. A democracia não se define por haver liberdade de expressão, se define por ser um governo da maioria.

12. Mas o governo Lula é corrupto, participou do mensalão

Primeiro, Lula fez correto ao afastar todos os suspeitos. Segundo, nada foi provado a não ser um caixa-2 de campanha proclamado como valerioduto, que teve início no PSDB de Minas Gerais – que diga-se de passagem, nunca foi investigado pela mesma imprensa que ataca tanto o suposto mensalão. Quarto, o verdadeiro mensalão surgiu na presidência de FHC quando ele abertamente comprou votos para fazer passar a emenda da re-eleição. No entanto, a mídia abafou o escândalo, pois na época era a alternativa conservadora mais viável contra o PT. O primeiro governo Lula foi de fato um terceiro mandato do FHC, mas o segundo governo Lula, graças a escalada golpista da oposição e da grande mídia, e sobretudo depois da saída de Palloci-Dirceu e a entrada de Dilma-Mantega, o governo despertou e entrou na história como o governo com grandes conquistas sociais, progresso econômico, apoio popular e prestígio internacional.

13. E porque Dilma, então?

Lula tem todos os méritos dos feitos políticos de seu governo: inteligência, perspicácia, integridade, flexibilidade, força e ousadia. Mas sabemos que, como prova o seu primeiro governo  marcado pelo triunvirato: Meireles-Palloci-Dirceu, se dependesse somente dele, seria um governo conservador neoliberal comum com um pouco mais de assistencialismo, pouco porque o neoliberalismo atrofiaria as condições de expandir mais o assistencialismo. Tudo mudou muito por conta do acaso, mais uma vez, a direita tentando derrubar a esquerda, acabou salvando-a. No afã de atacar o governo de toda forma, fez uma extensiva campanha de desgaste contra Dirceu por conta do factóide do mensalão, na verdade visando atingir a Lula.  Dirceu se sacrificou para não atingir ao Lula, e por fim, em um outro factóide descarado com um obscuro caseiro, derruburam o Palloci.

Não poderiam ter feito melhor. Com a saída de ambos entrou Dilma na Casa Civil, fundando a maior política desenvolvimentista do governo, o maior avanço até então contra o neoliberalismo. Por outro lado, complementando esse grande projeto, chega no ministério da fazenda um convicto desenvolvimentista. Nesse novo governo, destoava apenas a permanência de Meireles, que deveria ter sido substituído por Belluzo. Mas Lula não tomou nenhuma iniciativa, ninguém da mídia quis derrubar Meirelles. Por isso, todos os méritos dos grandes feitos sociais e econômicos do segundo governo é da dupla Dilma-Mantega, e mais da Dilma, pois enquanto ministra da Casa Civil ela efetivamente administrava a articulação com todos os ministérios. Com Dilma teremos a certeza de que o Brasil desenvolvimentista irá avançar ainda mais, transformando definitivamente a realidade social do país, transformar o país do futuro no país presente, e isso já percebemos acontecer.

Dilma é efetivamente a verdadeira responsável pelo governo, com ela teremos a certeza que as vacilações de Lula serão abandonadas, além de que ela representa a dilaceração de qualquer bonapartismo surgido do governo Lula, algo que em Chavez infelizmente há em excesso. Inteligentimente Lula escolhe alguem com um perfil totalmente diferente do dele, mas grande responsável por todo sucesso de seu governo, como ele mesmo declara.

Written by ocommunard

8 de março de 2010 at 21:24

Publicado em Cultura, Economia

Desconstruindo Friedman – II: O arcaísmo neófito…

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Neoliberalismo : a contra-reforma

Do pre-liberalismo fisiocrata ao liberalismo clássico, esse grande esforço de fazer uma ciência da economia além dos receituários mercantilistas, houve desde o liberalismo econômico clássico um processo permanente de decadência. Se o neoclassicismo econômico busca despolitizar em absoluto a Economia Política tranformando-a em uma equação, o neoliberalismo econômico tenta politizar toda a economia transformando “livre mercado” em democracia.

Depois do mais longo, próspero e sólido período de expansão econômica ter sido no período do intervencionismo econômico ou socialismo de diversas matizes (social-liberalismo americano, social-democracia européia e social-burocracia russa, etc), a primeira crise que enfrentou esse regime foi suficiente para que a então seita neoliberal, defendendo o retorno a fé no “mercado livre”, alcançasse o poder e se transformasse em hegemonia. A hegemonia neoliberal se apressou em fazer uma grande contra-reforma de tudo que foi conquistado socialmente.

O dito capitalismo de Estado havia se afundado em uma crise inflacionária e uma estagnação econômica. Culpando tudo que fosse social, regulação e investimento público pela crise, os neoliberais retornaram aos tempos medievais dos receituários. De 1980 até 2008 o neoliberalismo se espalhou pelo mundo, e vemos hoje sua permanente decadência, e alguns casos até mesmo extinção. Ainda que furiosamente defendido ainda, sobretudo, pelo capital transnacional. Com a Europa e os Estados Unidos praticamente quebrados e em crise, o coração do neoliberalismo foi atingido, a história já refutou o neoliberalismo, no entanto, a luta ainda permanece nos meios de comunicação.

Monetarismo vs Desenvolvimentismo

O cenário era estagnação e inflação, os neoliberais pregavam que devia se abandonar a política desenvolvimentista (aonde o Estado era o indutor), para uma monetarista (onde o Estado se reduz a fornecer o equilíbrio monetário, isto é, o controle inflacionário). Sua tese era de que se o Estado garantisse isso, a função macroeconômica do Estado, a economia neoliberalizada(privatizada, desregulada, destributarizada) iria por si só garantir o retorno ao crescimento, pela eficiência dos mercados.

É interessante ressaltar o que os neoliberais não querem ver e os socialistas não percebem, o neoliberalismo não renegou a Política Econômica, isto é, um retorno espetacular a velha Economia Política ou “Ciência Econômica”, mas a Política Econômica permanece, isto é, o papel econômico público permanece, mas como política meramente monetarista(anti-inflacionária, equilíbrio monetário). É interessante notar isso porque a única conquista de todo o período neoliberal foi justamente o controle da inflação, isto é, o único papel a que a economia “socialista” havia se refugiado, foi seu único triunfo. No mais, foi um grande fracasso, o crescimento nunca surgiu.

Mesmo exitosa, esse resquício de “socialismo” concedido pelo neoliberalismo foi um processo que, conjuntamente com outras políticas, realizou uma vultosa concentração de riqueza nas mãos do capital financeiro. Seus instrumentos são basicamente a política de juros, política cambial e a política fiscal. A política fiscal é muito simples, Estado mínimo é menos imposto, essa arrecadação menor avançou contra várias políticas sociais condenadas pelos neoliberais como ineficientes, isso resultou acumulado ao fracasso de crescimento, um alto desemprego e precarização social, um descontentamento generalizou que colocou a centro-esquerda no poder na América Latina.

A política cambial era o cambio livre, isto é, livre para especulação cambial, aonde cotidianamente riquezas monumentais são acumuladas sem produzir um alfinete smirthiano sequer. Essa liberdade cambial é paga pela sociedade para mantê-la nos trilhos através das reservas internacionais, que na prática é apenas um seguro social para a especulação cambial, pois o Banco Central vai socorrer a todos apagando o fogo com o dinheiro público sempre que o mercado se torna nervoso. É irônico que a China, o país mais próspero do mundo, pratique um câmbio administrado, não-flutuante.

A política de juros se divide basicamente em 3 ações: taxa básica, compulsório e open market(auto-endividamento). A idéia neoliberal é de que a inflação é um excesso de moeda, que em certos momentos o Estado deve enxugar a economia desse excesso. Como fazer isso? Primeiramente, define a taxa básica de juros cujo nenhum banco pode cobrar menos, uma espécie de cartel oficial. Dessa forma, ao impedir o crédito, refrearia a pressão inflacionária da demanda(menos consumo) sobre a oferta, enquanto os bancos estão lucrando com juros maiores. Mas não explica como ela refrearia o consumo indispensável, como alimentos e necessidades básicas, aqui tal política apenas provoca endividamento das famílias. Não explica também, porque, ao invés de reprimir o excesso de demanda, não estimula a oferta para “reequilibrar” o mercado. Mas como ao Estado só pode gerir a moeda, seria sacrilégio ao “mercado livre”. Não calcula a carestia do juros sobre o preço, pois o cálculo da inflação ignora os juros nos preços. E por último, não calcula que ao reprimir o consumo, reprime a produção, que dessa forma atrasa ainda mais o crescimento.

O compulsório é outra forma de enxugar a moeda, sendo algo mais lento, o compulsório é uma parte das reservar dos bancos que são retiradas de circulação para o Banco Central, serve para diminuir a disposição de crédito, e aumentar os juros dessa forma.

O open market é o segredo da coroa. Ele serve para uma ação mais rápida de expansão e contração da massa de moeda de uma forma bem interessante. O Estado, quando quer diminuir a oferta de moeda, ele cria títulos públicos(auto-endividamento) e os vende aos bancos (que sempre compram, porque títulos públicos federais são o melhor custo-benefício do mercado!), assim o dinheiro dos bancos viram papel, que tem valor mas não pode ser emprestado(não vira crédito). E quando precisa aumentar a oferta de moeda, recompra esses mesmos títulos. Em cada movimento de compra e venda o Estado perde, ele sempre perde, isto é, o sistema bancário sempre ganha. Como tais títulos são em geral baseado na taxa básica, a alta taxa básica remunera os bancos, mais uma vez os bancos! O que o Brasil gasta em pagamento dos juros da dívida é maior do que gasta na soma do PAC com o Bolsa Família, as duas maiores políticas pública dos últimos 20 anos.

Assim, não é uma mera constatação estatítica e empírica de que o neoliberalismo seja um programa político do capital financeiro, ele é essencialmente voltado para tal. E o que foi a bolha de 2008? Se uma grande parte da riqueza foi acumulada por movimentos especulativos-finaceiros, é claro que um dia, a disparidade entre a riqueza real e essa riqueza ideal vai disparar em crise. A bolha estoura, gera milhões de desempregos, e o Estado, mais uma vez, corre ao socorro dos bancos com o dinheiro público. É a mais antiquíssima lei moral capitalista: privatizai o lucro e socializai o prejuízo.

Críticas…

Geralmente a esquerda critica as metas de inflação, taxa básica de juros e o superávit primário como os principais inimigos do desenvolvimentismo que defendem. Mas é superficialíssimo tal crítica. Esses são apenas indicadores. A meta de inflação é pesada apenas porque a política monetarista é essencialmente onerosa, uma transferência permanente da riqueza pública para o capital financeiro(bancos, acionistas e especuladores), aumentar a meta de inflação apenas alivia, mas não resolve.

Já a taxa básica realmente aliviaria absurdamente a cada 1% a menos, mas os mesmos que financiam o monetarismo, lucram com altas taxas básicas, os bancos, donos dos títulos públicos. E os bancos continuam no poder. A solução é abandonar a taxa básica como modo de reprimir o consumo e a expansão do crédito, há vários outros meios não onerosos de realizar isso, como, por exemplo, taxar o crédito ao consumo, que teria o mesmo efeito. E por outro lado, criar políticas efetivas de crescimento da produtividade como barateamento tecnológico.

O superávit primário, isto é, uma taxação obrigatória de parte da arrecadação apenas para pagar juros, como no caso da taxa básica, disponibilizaria muitos recursos se fosse diminuído, mas ainda aí não resolveria a questão. Se o processo de auto-endividamento, acelerado pela queda da arrecadação gerada pelo fracasso do crescimento pelo neoliberalismo, pela perda das receitas das estatais privatizadas, e pela desoneração tributária (dos ricos), e ainda pelos instrumentos da política monetarista, altamente onerosos ao erário; se todo esse projeto neoliberal fosse aniquilado, o auto-endividamento galopante se inverteria e o processo de encolhimento da dívida aceleraria. O superávit seria abolido juntamente com a dívida pública.

Todos esse elementos já se apresentam, sejam como política da centro-esquerda hoje governante, seja como tendências dessas políticas. O ritmo muitas vezes é lento, autodestrutivamente lento, mas a direção está perfeitamente correta. O BC independente, isto é, nas mãos nos “mercados”, é o último baluarte do neoliberalismo no Brasil. O governo Lula não teve iniciativa em abolí-lo, e pagou um preço caro, pois o BC é a força mais retardatária de seu governo. O único BC do mundo que aumentou os juros básicos, já altos, frente a crise de 2008. Ora, ou isso é golpismo, ou isso é idiotia, ou isso foi um aproveitamento visando algum interesse privado. Mas tudo bem, nunca tivemos taxas básicas de juros tão baixas, mas para o momento que vivemos, são ainda uma calamidade fiscal.

Written by ocommunard

8 de março de 2010 at 15:38

Publicado em Cultura, Economia

Altercom: saudações e sugestões

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Finalmente a banda não-podre do jornalismo se mobilizou e se articulou, e então, fundaram a grande e promissora Altercom. Apesar de alguns pesares, como a recusa do nome “alternativo” por não infatizar o “profissionalismo” (preso a uma certa ótica que deveria ser contra), o grande lutador desse causa, pelo menos um dos grandes, foi o jornalista audacioso do Escrevinhador: Rodrigo Viana.

Na apresentação feita pelo próprio Viana ele já trás as linhas mestras: unir a mídia profissional progressista (Caros Amigos, Carta Capital, Conversa Afiada, etc), mas também dá espaço aos blogueiros e a participação não-profissional. Espero que a Altercom não morra afogada de boas intenções como o CMI, para isso deve ter doses de amadorismo (para tratar Altercom como uma causa, não como um emprego) e profissionalismo (para garantir as condições de eficiência e competitividade para transformar a causa em resultado).

A Altercom abarca três conceitos da mídia contra-hegemônica, ser alternativa, independente e progressista. Como mídia alternativa se apresenta como uma tese diferente, uma forma e discurso diferente, que critica a mídia mainstream ao mesmo tempo se apresenta como modelo diverso. Como produção independente, ela é de baixo orçamento focado no conteúdo de seu produto, a internet viabiliza uma produção independente que pode competir com qualquer grande orçamento em condições de quase-igualdade. E como linha editorial progressista, ela se articula como politicamente independente das estruturas conservadoras vigentes e alternativa ao discurso reacionário reinante. A linha editorial progressista é o traço fundamental que congrega a Altercom.

Penso que a Altercom deva unir as forças progressistas e somar com os novos atores midiáticos e a grande nova ferramenta de comunicação, a internet. A internet, como sabemos, não só destroi a velha forma de mídia dividida rigidamente em imprensa, rádio e tv; mas também a demole cotidianamente erodindo financeiramente as empresas da velha mídia. A internet é a arma da revolução na mídia, a Altercom são aqueles que podem empunhar tais armas. Não que a velha mídia não esteja buscando seu espaço na web, mas que ao fazerem isso apenas estão apressando o próprio ocaso e reconhecendo a inviabilidade de seu velho meio de comunicação. A crise da mídia tradicional americana é um cenário promissor.

Sugestões:

A Altercom deve debater abertamete os meios e os modos de organizar os três setores de um jornalismo: notícia, coluna e editorial. Como notícia deve se articular para poder prover produção de notícias, pois como está, se reduz a desmascarar a falta de ética jornalística na manipulação das notícias dos velhos jornais. A questão de criar uma equipe de jornalista que vá a campo registar a notícia, sem depender da fonte da velha mídia, é a questão central. O que é e como são esses jornalistas, como atraí-los, como oferecer a eles meios de viver dessa profissão? Em suma, a produção de notícia deve ter uma equipe profissional permanente, mas também os colaboradores (jornalismo colaborativo) e os freelancers (que serão aqueles colaboradores que derem um produto relavante e que podem ser contratados por trabalho, isso estimulará a qualificação da colaboração).

No que condiz as colunas, hoje a esquerda está bem provida. Em revistas(Carta Capital, Caros Amigos, etc) e jornais progressistas(Brazil de Fato), em blogs, em sites(Conversa Afiada, Vermelho, Escrevinhador, Vi o Mundo, etc). Isto é, jornalismo de opinião que reflete o noticiário. Creio que aqui deve haver apenas uma setorização entre: jornalistas-cronistas (permanente), intelectuais (eventuais) e blogueiros (aqui, por votação entre eles, eleger o que terá destaque no jornalismo da Altercom.

Já o que condiz com o editorial, a Altercom deve ir ainda além. Se o editorial é, em tese, o resultado dos debates dentro de uma redação, o editorial da Altercom deve ser produzido por um debate aberto, livre e democrático aonde todos podem participar da formação da opinião do jornal. Esse fórum online, com seus critérios, ferramentas e eleições, formará as linhas editoriais pontuais da Altercom. Paralelamente, um grupo de jornalistas eleitos pelo fórum eletrônico, com cargos revogáveis, representarão o corpo ideológico que formará a linha editorial. Esse corpo tem o poder de revisar toda a produção jornalística a fim de garantir a coerência com a linha editorial da altercom vinda da fundação da Altercom e dos fóruns. Por sua vez, esse conselho editorial indicarão qual profissional, por sua qualidade na composição textual, redigirá o texto de cada editorial. Esse profissional, que pode ser entendido como “presidente”, terá o poder de analisar a qualidade estética de toda a produção, e sugirir mudanças e melhoras. Paralelamente estará sempre aberta, através do fórum eletrônico, a sugestão de qualquer um.

Creio que a forma de financiamento pode ser aos moldes do Wikipedia, por contribuição. E alternando períodos de campanha para contribuição. Pelo menos primeiramente, dando a possibilidade de transformar a contribuição de um valor pequeno uma mensalidade. Essa contribuição pode formar os fundos que irão ser revertidos no corpo profissional permanente da Altercom.

No mais, boa sorte Altercom. Espero que minhas sugestões sejam lidas, e sobretudo, possam contribuir para o fortalecimento desse movimento de mídia alternativa, independente e progressista, que tanto precisamos. Toda revolução teve seu meio de comunicação: a Revolução Francesa tinha o Amigo do Povo, a Revolução Russa tinha o Pravda, a revolução ou reforma social – dependendo do país – que há na América Latina hoje é totalmente desprovida de meios de comunicação efetivos que expressem a escolha democrática da maioria da sociedade, ainda que essa mesma sociedade cotidianamente recharce todas as tentativas dessa mídia de derrubar o poder eleito democraticamente.

Written by ocommunard

8 de março de 2010 at 2:23

Publicado em Contra-Informação

Entre os rincões e os grotões : um caso sociológico da gramática

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O tucanato se espalha pelos grotões enquanto o petismo conquista todos os rincões. Essa frase se tornou um caso sociológico. Uma vez um tucano acusava o PT por agora estar sendo aquilo que antes criticava no tucanato, o PT estava vencendo nos grotões, isto é, para ele, vencendo na periferia, nas camadas mais pobres. Esse culto e iluminado tucano, sedento de vaidade verbal, traduziu grotão por seu oposto, grota( se pronuncia gróta), palavra regularmente dicionarizado, significa sujeito de alta classe social. Inclusive, essa ideologia lexical tucana se encontra na internet num tal de “dicionario informal”. No entanto, a sonaridade “cavernosa” da palavra, para ele, não podia representar a fina alta classe a que pertente, somente a baixa, a cavernosa classe dos miseráveis, segundo ele.

No mesmo rumo temos o termo “rincões”, outra afirmação que não me lembro de onde saiu, acusando que o PT atual vencia agora em todos os rincões do país e que isso seria incoerente com sua história de partido popular. O desavisado emplumado, provavelmente um jornalista, não me lembro, não se deu ao trabalho de visitar o “pai dos burros”, ele mesmo um filho legítimo deste. Rincões significa “lugares afastados”, isto é, rincões nada tem a ver com “ricões”(grandes ricos), mas tudo que seja afastado de um centro(periferia, sertão, norte, interior, etc).

Claro, todas essas afirmações, corrupções semânticas e ignorância lexical não sobrevive a um sopro sequer dos fatos. O significado real das palavras se encontraria nas estatística das urnas e das pesquisas de opinião.

A que ponto chegamos quando a direita, que se refugia na grande mídia deturpa e manipula até mesmo a semântica! É um sinal claro de decadência ou demência, ou ambos… Me orgulho de ser de um povo que ignora com impressionante resistência essa patota ideológica desesperada, onipresente, porém, impotente frente a consciência crítica do trabalhador brasileiro. Achavam que podiam no bovinizar, e agora… mal conseguem suportar o significado real de uma palavra que lhes parece dissonante.

Isso me lembra o caso de Chavez, que recebeu um “cala a boca” do rei da Espanha. A grande mídia, defensora hipócrita da liberdade de expressão, achou mais sensacional um monarca que nunca recebera um voto sequer, censurar a fala de um presidente eleito que acusava a Espanha de ter sido o único país, depois dos EUA, de ter apoiado o governo golpista que o derrubou (os golpistas ficaram pouco tempo, pois o povo venezuelano foi para as ruas exigir o retorno de Chavez).

Mas os rincões já venceram os grotões… para deleite estético e desespero político de certos iluminados emplumados preguiçosos de consultar ao próprio pai.

Written by ocommunard

2 de março de 2010 at 12:55

Publicado em Cultura, Humor