Communard

Políticas, economias e ideologias

Meios de comunicação em debate: Informação, desinformação e contra-informação

leave a comment »

A informação, o produto do jornalismo, se baseiaria sobre os princípios sólidos da objetividade, da imparcialidade e da diversidade (garantir a cobertura de todas as opiniões envolvidas com o mesmo espaço). Esse jornalismo ideal não só está morto, como de certo modo jamais exitiu plenamente. Pois mesmo quando os princípios do jornalismo são atenciosamente respeitados pelos profissionais da área, resistindo bravamente ao assédio ideológico de seu patrão e ao medo de perder o emprego, ele toma uma série de decisões individuais e coletivas que subjetivam a notícia.

Por exemplo, a objetividade jornalística exige antes criterizar o que é noticiável, depois disso, diante de um calhamaço de noticiáveis, eleger os noticiáveis a condição de notícia. E na notícia definir qual a perspectiva que será exposta. Por exemplo, uma greve pode ser noticiada como reenvindicação ou como uma ‘desordem’. A perspectiva tem sempre um viés ideológico.

No entanto, a cegueira estrutural do jornalismo é sua visão conjuntural, sua circunstancialidade. Ela é uma produção permanente de desconstextualização por ser ela mesma um descontexto. Em oposição a produção jornalística está a produção historiográfica, ela permite que, vendo em uma perspectiva mais abrangente, definir o significado de modo efetivamente científico. Enquanto no jornalismo a objetividade está ensopada de ideologia, por seu particularismo ahistórico, na historiografia essa objetividade é sempre científica. Claro que está pressuposto uma visão materialista da história, que é a vigente, e é totamente inata a objetividade pretendida. A questão hoje é se tal objetividade(materialismo) é mecânica(positivista) ou dialética.

Assim, a pretensão de se criar, pela esquerda, um jornalismo que resgate a objetividade, imparcialidade e diversidade que a direita , proprietária da grande midia, não pratica, é ilusória. O único papel possível para a esquerda dentro dos limites do jornalismo é o papel crítico. O papel de denunciar a metamorfose da informação em desinformação. A relação umbilical entre informar e desinformar. Isto é, o papel de contra-informação.

Mas o que é o conteúdo da contra-informação? Há três posturas básicas de contra-informação, considerando que estamos falando da sociedade capitalista atual: primeiramente é admitir a falsa objetividade(realismo), respondendo esta com o idealismo, o ideal, um voluntarismo idealista romântico contra o ceticismo apático realista. O ceticismo sempre vence o romantismo, apesar de toda empolgação como matéria prima dos idealistas. Isso se dá pela recusa inicial dos idealistas de considerar qualquer aspecto da realidade como uma desistência, e assim, essa empolgante ilusão termina em uma desilusão arrecadadora de céticos.

A segunda postura de contra-informação é a de se opor uma informação ideológica com outra informação ideológica, isto é, ao invés de admitir que a realidade é totalmente expressa pela mídia dominante, denuncia a interpretação tendenciosa da mesma realidade, portanto, oferecendo uma tendenciosidade oposta. Trocam um auto-engano de direita por um auto-engano de esquerda.

A terceira postura, que considero a comunista, e é a postura correta a meu ver, é colocar toda a informação-desinformação produzida sob uma perspectiva histórica, e dentro dessa perspectiva definir a correta interpretação, o seu significado histórico é seu verdadeiro significado. Dessa forma ela é ao mesmo tempo crítica e esclarecimento. Assim, o jornalismo comunista pode ser a ponte entre o historicismo da historiografia e o ahistoricismo do jornalismo; crítico, científico, politizador, culto e objetivo. Assim como Marx, que era um jornalista com profundo conhecimento em história, todo comunista deve ser um historiador jornalista. O jornalismo tem a prentensão de escrever a história a cada dia, mas isso só é possível numa perspectiva ‘historicista’ do jornalismo defendido pelo comunismo.

Aqui a questão foi abordada a partir do processo de produção, não da propriedade dos meios de produção. Do ponto de vida da propriedade dos meios de comunicação a internet é a revolução.

Anúncios

Written by ocommunard

11 de fevereiro de 2010 às 13:27

Publicado em Contra-Informação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: